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Olá e sejam bem-vindos a mais um episódio de "Pela Sua Saúde", o podcast que põe a saúde em primeiro lugar e que procura analisar o estado da saúde em Portugal. Hoje temos um tema especial, a Bolsa Universitária de Mérito Apifarma, lançada em janeiro de 2023, numa colaboração inédita entre a Apifarma e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Tenho comigo Matilde Sidráis e Ricardo Campos, dois dos 10 jovens estudantes que receberam uma bolsa de € 6 mil para apoio a jovens a iniciar estudos no ensino superior. Bem-vindos e muito obrigado por terem aceitado este convite, Ricardo e também Matilde. Matilde, começo por si. Matilde Sidráis, o que está a estudar e como é que correu o primeiro ano da faculdade com o apoio desta bolsa?

Olá e muito obrigada eu pela oportunidade de estar aqui. Estudo Ciências Biomédicas na Universidade de Aveiro e o primeiro ano correu bastante bem, foi bastante tranquilo. Foi muito melhor daquilo que eu estava à espera. Achei que ia ser muito mais difícil a nível de integração e a nível de gerir tudo aquilo que eu já fazia. E a bolsa foi bastante importante, essencialmente em dois aspetos. Do ponto de vista económico, obviamente, que enquanto estudante deslocada foi uma mais-valia e foi muito importante pra mim, e do ponto de vista da valorização do meu trabalho que eu tive ao longo do ensino secundário.

Ricardo Campos foi outro dos primeiros bolseiros deste programa. Que curso frequenta e que impacto teve esta bolsa? Foi a diferença entre seguir ou não seguir estudos superiores, Ricardo?

Obrigado. Bom dia. Acabei agora o primeiro ano da licenciatura em Engenharia Física, também em Aveiro. Também sou estudante deslocado e posso dizer que o maior impacto que a bolsa da Apifarma teve foi o apoio à renda. Foi, sem dúvida, a diferença entre poder focar o meu tempo completamente nos estudos e não ter que procurar, por exemplo, um trabalho pra ajudar a pagar as despesas.

Muito bem. Matilde, no seu caso, esta bolsa também fez a diferença entre seguir ou não o ensino superior?

Pra mim, a bolsa também foi uma ajuda muito importante pela mesma razão. Também sou estudante deslocada e teria sido muito mais difícil conciliar tudo.

Matilde, como é que vê, e Ricardo também, mas começando por si, Matilde, como é que vê este programa da Apifarma? Mudou a sua percepção sobre o que pode ser o papel das empresas para o desenvolvimento do país, através da promoção dos estudos?

Sim. Vejo este programa como uma forma de apoiar financeiramente os jovens que, no caso, têm resultados excelentes a nível acadêmico. E é uma forma também de apoiar e de motivar os jovens a continuar este trabalho que tinham anteriormente, porque é muito importante nós mantermos e retermos o talento e os jovens em Portugal e valorizarmos o seu trabalho. E para as empresas, isto também é uma mais-valia, não só do ponto de vista social e deste tipo de programas, mas a nível de outros tópicos que tocam o desenvolvimento do país, porque quando as empresas, no caso, passam pelo seu objetivo principal de gerar o lucro, tocam outras causas, pra além da social, tocam, por exemplo, as causas ambientais e da investigação e do desenvolvimento. E passando agora também um bocadinho pela indústria farmacêutica, a nível dos ensaios clínicos, por exemplo, cerca de 90% dos que são feitos em Portugal têm a responsabilidade da indústria farmacêutica. E isto não vai contribuir só pras novas terapêuticas, mas vai contribuir também pra o desenvolvimento do setor da saúde em Portugal.

Ricardo, esta bolsa mudou, este programa da Apifarma mudou a percepção que tinha sobre o papel das empresas para o desenvolvimento do país?

Sim, acho que-

Mudou ou confirmou?

Sim, acho que é exatamente o que a Matilde disse. Acho que é um ótimo incentivo pra todos os alunos, pra que possam perseguir o mérito no secundário e ver que o seu mérito também é reconhecido fora das suas instituições de ensino. E que nem sempre as necessidades econômicas são um obstáculo a perseguir estudos. É possível superar essas dificuldades e é possível, sim, seguir um ensino superior.

Com uma ajudinha extra, não é?

Com uma ajudinha extra.

Que é preciosa. Ricardo, como é que ficou a conhecer a Bolsa de Mérito Apifarma?

Foi pela minha escola secundária. Os serviços de orientação do agrupamento mandaram a todos os alunos um e-mail a notificar da existência desta bolsa. Li o regulamento, percebi que estava qualificado pra conseguir candidatar-me e candidatei-me.

Muito bem. Matilde, como é que ficou a conhecer a Bolsa de Mérito Apifarma?

Também foi de forma idêntica, foi por uma professora minha do ensino secundário, que divulgou conosco vários programas que havia e várias bolsas pra nós podermos concorrer, já que estávamos quase a concorrer pra universidade.

Matilde, a indústria farmacêutica portuguesa é responsável por exportações no valor de 3,3 mil milhões de euros. É um recorde em 2023. Tinha percepção da dimensão deste setor em Portugal. Como é que vê a importância dos programas de responsabilidade social para as empresas? Matilde, que estuda Ciências Biomédicas, portanto, terá uma voz a dizer, ou tem uma voz sobre este assunto.

Eu acho que só olhando mesmo pra estes valores é que nós temos a noção da dimensão deste setor, porque a indústria farmacêutica acaba por ter um papel fundamental a nível da investigação, do mercado farmacêutico, dos ensaios clínicos, e isto tudo contribui para o desenvolvimento. E depois é aqui que entra a responsabilidade social, que é quando uma empresa passa pra além do seu objetivo de obter apenas lucro, e isto implica equilibrar os interesses de ambas as partes Para as empresas, que a vantagem competitiva é obviamente uma vantagem, quando tocam em causas, quer sociais, quer ambientais, têm uma imagem que lhes permite até melhorar, por exemplo, relações internacionais, negócios da própria empresa. E tanto para a empresa como para quem está a ser ajudado e financiado com estes apoios sociais, é muito importante a retenção dos talentos para Portugal e a retenção do excelente trabalho que também é feito em Portugal. E portanto, a responsabilidade social é muito importante para a empresa, porque é uma mais-valia para ela.

Portanto, posso deduzir que para vocês, Matilde e Ricardo, estas bolsas deveriam ter mais contributo da sociedade civil, em vez de serem uma competência quase exclusiva do governo. É isso, Ricardo?

Sim, lá está, na situação em que estamos neste momento, este tipo de apoios dificilmente será em demasia. Há sempre gente a precisar. Por isso, tudo o que seja mais empresas a entrar, mais pessoas a entrar, será sempre um apoio que é bem-vindo. No entanto, acho também mais importante que aumentar este apoio, é também melhorar o investimento que está a ser feito na educação. Não só investir mais, mas investir melhor.

Matilde, a sociedade civil deve envolver-se mais?

Eu concordo perfeitamente com o que o Ricardo disse. E acho que sim. Acho que o governo tem, de facto, responsabilidades para com a saúde, para com a educação, com essas questões todas, mas é muito importante que as empresas também se envolvam, porque também só têm a ganhar com isso. E que os restantes fiquem pela divulgação dos projetos também que já existem, porque a divulgação também é muito importante.

Precisamente, divulgação. Vocês há pouco disseram que ficaram a conhecer este programa da Apifarma através da vossa escola já no final do ensino secundário, mas olhando aqui para a universidade, na vossa opinião, as universidades divulgam suficientemente os apoios disponíveis aos estudantes, Ricardo?

É assim, isto obviamente depende de universidade para universidade. Eu posso dizer que no meu caso, sim, todos os apoios são bem divulgados, há balcões que podemos contactar, há sempre números e pessoas com as quais podemos falar. Há bastante apoio nesse aspecto e é uma questão de ir à procura e sermos ajudados.

Matilde, é fácil?

Eu também só posso falar pela minha universidade. Tenho uma ideia de como funciona noutras, mas só posso falar com certezas sobre a universidade em que estou e não tenho mesmo nada a apontar sobre a divulgação dos programas, quer de questões mais a nível de bolsas, quer outras questões de integração e de outro tipo de apoios. Acho que está tudo muito bem divulgado em todas as plataformas e em todos os sites, e acho que a nível de divulgação corre tudo bastante bem.

Muito bem. Como é que imaginam o vosso futuro profissional em Portugal e até que ponto é que pensam também, um dia, quem sabe, ter um papel ativo a nível cívico? Matilde.

A mim ainda é um bocadinho difícil prever como vai ser o meu futuro profissional.

Ainda agora acabou o primeiro ano da faculdade, não é?

Exatamente, ainda agora acabei o primeiro ano. Gosto de pensar que é uma etapa de cada vez, para também me conseguir focar em cada etapa. Mas espero conseguir, dentro da área da saúde, seja dentro da investigação científica, ensaios clínicos ou o que for dentro da minha área, espero conseguir atuar também a nível cívico, porque é uma responsabilidade de qualquer um, nem só por quem está na área das ciências, por qualquer um que passe, nem que seja ao mínimo da divulgação dos projetos que já existem e que mesmo que estejamos numa área em que não consigamos pôr à frente um projeto novo, podemos sempre divulgar os que já existem, e isso já é muito positivo.

Ricardo, o seu futuro profissional passa por Portugal a fazer o quê? Vê-se a intervir civicamente no país no futuro?

A situação é semelhante. Ainda é o primeiro ano. Física é uma área que existe em Portugal, é possível definitivamente perseguir carreira em Portugal, mas oportunidades abrem-se a qualquer altura. Quanto a nível cívico, depende bastante. Pretendo seguir um bocado mais investigação, mas lá está, é tudo muito incerto. Se porventura calhar em desenvolvimento de produtos, nalguma área a nível cívico, acho que também será bastante gratificante. Sempre é bom podermos dar de volta à sociedade de alguma forma.

Muito bem. O futuro é vosso e está tudo em aberto, não é? Olha, estão quase a abrir as inscrições para a bolsa de mérito Apifarma 2024. Isso vai acontecer entre 1 a 31 de agosto. Que mensagem gostariam de deixar aos candidatos e aos próximos bolseiros, Ricardo?

Sim, acho que não tenho muito para lhes dizer, sem ser boa sorte a todos os candidatos. E aos que porventura acabem por ganhar a bolsa, aproveitem.

Aproveitem. Matilde.

Eu também, passa muito por aí, os candidatos ou os que se pensam candidatar. A minha ideia é que façam realmente a candidatura, não é nada complicada, e se virem que têm os requisitos para fazerem a candidatura. E aos futuros bolseiros, incentivar para continuarem sempre a trabalhar da forma excelente que têm trabalhado até agora e que nós estaremos sempre aqui para valorizar tanto o conhecimento como os que o procuram.

Muito bem. Matilde Cidrais e Ricardo Campos, boa sorte para o vosso percurso pessoal e académico. Foi um gosto ouvir-vos. Voltamos daqui a 15 dias para continuar a falar da saúde e da atualidade do país. Até lá.