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Vou tomar a liberdade de começar a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle.

Pequenas reivindicações de liberdade.

Pronto, acho que pode ser esta.

Eventualmente também cantado mal.

Agora está aqui escrito e a Titi não consegue entrar.

Pequenas reivindicações.

Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.

Olá.

Olá, minhas senhoras e meus senhores. Mais uma vez a rubrica Offbeat, este que é o episódio 17 desta rubrica, que é do Pequenas Reivindicações de Liberdade, um podcast do Observador onde nós estamos neste momento e onde revemos alguns episódios, todos, aliás, da temporada Rapazes Giros, que foi a nossa temporada anterior às Pessoas Incríveis. Hoje o grande foco é Gonçalo Braga, o episódio 27 deste podcast e que foi lançado no dia 1 de maio de 2023.

1 de junho. Sim, estava enganado. Não se lembram do pequeno engano que eu também tive no episódio do Narciso? Os meses estavam um pouco trocados.

Pois é, como é que isso aconteceu?

Olha, há coisas que acontecem e nós não sabemos de onde vêm. Não, deixarei para o fim este pequeno anúncio.

Isso é muito divertido.

Gonçalo Braga.

Ator.

Ator, Moranguito da nossa geração.

E dos novos Moranguitos. Quando ele veio ao nosso podcast, penso que estava ainda em gravações, em filmagens.

É verdade.

Enquanto Moranguito. E agora, eis senão quando, já o é. Já o C.

Eu vou dizer a verdade, nós ficamos um bocado invejosas até. Na altura falámos que não tínhamos ficado no casting.

Fizemos até uma proposta ao Gonçalo de invadirmos o estúdio de gravações um dia, tu lembras?

Pois foi.

Sem avisar os realizadores nem nada, mas ele como bom profissional que é, teve medo de prejudicar o trabalho.

Sim, ser mal compreendido.

E não percebeu que isso podia ser mediático e que os Morangos iam correr ainda melhor do que o sucesso que já estão a ser.

Pois é.

Eu não ouço falar de outra coisa.

Não, sim. Continuam a sair tantas temporadas.

Só se fala Morangos com Açúcar. As pessoas não param de ver, é sério.

Podes lançar o tema do Gonçalo. Vamos ver o que é que ele falou.

Eu adoro quando tu estás direta.

O tema que eu trago anda à volta disto, que é nós em Portugal não podermos conversarmos sobre isto. Não podermos fazer duas coisas ou três coisas, por exemplo, tu seres atriz e gostares de fazer outra coisa, como se fosse, por exemplo, realizar ou como se, por exemplo, tu gostavas de fazer styling.

"Olha, tu gostavas de fazer styling", a Titi devia estar a dizer isto para ti. Eu ri-me porque imaginei estas coisas. Ele dizer isto para nós tem imensa graça. Não sei porque é que se lembrou de nos dizer a nós. Por exemplo, tu podias gostar de fazer styling.

Mas achas que ele disse a quem? Não há dúvida que tu tens mais estilo, Titi. Ninguém me vai dizer a mim que gostavas de fazer styling. Desculpa lá.

Sim, mas eu também não consigo imaginar. Ou seja, as pessoas podem dizer muitas coisas, mas não diria que seria a primeira coisa que as pessoas me vão dizer.

O que achas que era? Outra coisa que tu gostarias de fazer, que alguém te diria que tu gostavas de fazer isto, mas não podes.

Lojista.

Lojista de quê?

De uma loja.

Sim, mas de qualquer coisa?

De eletrodomésticos.

I love comedy, for real.

I mean, this is not comedy.

This is not your sonho?

Não, é o que as pessoas poderiam dizer.

Mas acho que alguém te diria isso mesmo. O Gonçalo podia ter dito lojista de loja de eletrodomésticos.

Eu não sei qual é o problema.

Não fiques tão defensiva, Titi, eu estou a perguntar se achas provável. Eu acho mais provável ele dizer stylist. Está mais dentro do meio.

Está mais dentro do meio. Estava a pensar em coisas assim um bocado fora.

Eu acho que te podiam dizer que podias ser copywriter.

Não.

Tens razão, foi muito mais estranho do que lojista de eletrodomésticos.

Eu não tenho muito ar de ser de marketing.

Não, mas copywriter não tem de ser de marketing.

Não é pessoas que fazem os...

Não, Titi. Isto é as aparências.

Claro.

Tu se calhar não queres parecer de marketing.

Não.

Nem queres parecer fashion.

Eu estou a pôr questões.

Pronto, põe as tuas questões. E o Gonçalo é essa pessoa que faz várias coisas, por isso ele pode.

Sim, eu acho que é isso. Ele está aqui a defender o seu papel no nosso meio. Eu queria só voltar à questão da lojista de loja, porque eu não estava a esperar que tu dissesses a comedy. A lojista para mim tem aqui um ponto muito grande. Por que eu acho que as pessoas podem pensar? Porque era uma brincadeira recorrente em criança. Eu, de facto, achava que era uma profissão incrível ser lojista.

Mas de eletrodomésticos, em particular?

Porque há mais essa coisa de vender, tu mostrares o produto.

Comercial.

Não, eu sinto que as vendas de eletrodomésticos, há ali uma coisa de produto, de mostrar o produto que é. Não é que eu seria boa vendedora, acho que não, mas a coisa de pegar e se calhar acho que tem a ver com essa coisa de Falsa, como atriz, imaginar-me a fazer essa coisa, em criança, de achar que aquilo é divertido. Pode não ser.

As profissões mais divertidas para as crianças são as profissões que os adultos normalmente não querem fazer depois.

Todas as crianças brincam à caixa de supermercado.

Sim. Ou pessoa da higienização urbana.

Por exemplo, isso brincam imenso. Se me permites.

Claro.

A primeira coisa que pensamos quando olhamos para ti não é isso, não te associamos. Se me dissesses lojista, há pouco tempo vi uma série de uma rapariga que trabalhava numa loja de discos, por exemplo. Eu podia acreditar mais. Ou numa loja de roupa em segunda mão.

Rececionista? Não? Rececionista do quê? De um hotel?

Sim. Não.

Não é a primeira coisa que eu diria. Rececionista de um hotel. Lojista é ótimo para ti, só não te estava à espera de eletrodomésticos.

Pois.

E também acho que não era sobre isso que o Gonçalo queria falar. Porque isso até podes. Tu podes ser atriz e lojista ao mesmo tempo. Até acontece muitas vezes sem as pessoas quererem. Estás-te a rir do mal dos outros. Mas o Gonçalo fala de ele gostar de fazer produção, de realizar, de escrever. Como é que isso é visto? Porque depois parece que não és bom em nada. Aos olhos de algumas pessoas, acho que é essa a crítica que o Gonçalo traz.

Pois é, as pessoas só aceitam que tu faças várias coisas se não tiver a ver com a tua área e seja uma coisa de sobrevivência. E porque é que se calhar a sobrevivência não pode ser também uma coisa que tu gostes dentro do meio grande que existe?

A sério, o labor.

É.

É mesmo, há muito labor e pouco prazer. Eu apelo ao prazer.

Tu dentro da área onde nós estamos, qual é que seria a tua primeira escolha?

As humanidades.

O meio audiovisual e teatral.

Dentro das humanidades. A minha primeira escolha é atriz.

Pois.

A minha segunda escolha.

Sim.

Eu não sei, sou incapaz, mas eu gostava de saber maquilhar bem.

Ok, boa. Então estavas mais perto do styling.

Podia estar.

É mais dentro dessa...

Não, eu escolhi escrever antes disso, claro.

Claro.

Não sei porque é que não me lembrei. Tu dizeres lojista levou-me para coisas mais práticas, mas eu dizer copywriter sobre ti também me leva mais para o escrever. Nós somos pessoas mesmo muito diferentes, já viste onde está a cabeça de cada uma.

Pois é. Tu se calhar até disseste copywriter a pensar um bocado em ti.

Não, isso não. São os teus óculos de massa que dão essa...

Pois é, se alguém os encontrar, por favor, diga-me.

Perdeste-os?

Penso que estão num sítio, mas não sei se estão. Portanto, se alguém os vir por aí. Muito bem, neste episódio podíamos ter falado das desigualdades laborais, mas infelizmente não vai dar. Um grande abraço para todos os nossos ouvintes. E olhem, vemo-nos em setembro.

Vamos de férias de verão. De "Offbeat", as pessoas incríveis continuam todas as semanas, elas não param. Até lá.

Beijinhos.

Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle.

"Pequenas Reivindicações de Liberdade". Pronto, acho que pode ser esta. Unicamente também pensar novamente. Agora está aqui. Temos de pensar se podemos cantar. Porque eu queria pensar se posso.

"Pequenas reivindicações".

Bem-vindos ao "Pequenas Reivindicações de Liberdade".

"De liberdade".