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Ronaldo Salgado Araújo votou em Houston no dia 19 de outubro, o primeiro dia de voto antecipado no estado do Texas. Depois, dirigiu-se ao local onde o pai, Lorenzo Salgado Araújo, foi morto numa operação dos serviços de imigração, o ICE, em julho. No passeio, estava uma camisola da sua equipa de futebol, flores e garrafas das suas bebidas favoritas. E foi aí que Ronaldo colou o autocolante dado aos eleitores norte-americanos e em que se pode ler “Eu votei!”.
Esta quarta-feira, centenas de eleitores texanos tinham seguido o exemplo de Ronaldo e utilizado o seu voto para homenagear o cidadão mexicano morto pelo ICE. Ao lado de centenas de autocolantes iguais, liam-se ainda mensagens como “Vinga-te com o teu voto” e “Votámos por um futuro melhor“. “Estou profundamente tocado que esta comunidade e toda a cidade tenham votado com o meu pai em mente”, afirmou Ronaldo ao Washington Post. O exemplo foi seguido do outro lado do país — em Minneapolis, onde Alex Pretti e Renée Good foram mortos em operações do ICE na cidade em janeiro, os eleitores também colocaram autocolantes de voto nos memoriais dos dois cidadãos norte-americanos.
Noutros pontos dos Estados Unidos, a ida às urnas teve um tom bem mais animado, como aconteceu nas mesas de voto da biblioteca de Mountain Creek Branch. Nesta localização no sudoeste de Dallas, Texas, os eleitores foram recebidos com música ao vivo, assinada pela DJ Jazmine Baylor, conhecida como DJ 4.0. “Queremos fazer do voto algo entusiasmante e alegre”, explicou à NBC News. Baylor assinalou ao canal que vários eleitores pararam para a congratular e até entregar pequenas prendas como agradecimento. O cenário repetiu-se em secções de voto em 24 estados, fruto de uma iniciativa não partidária intitulada “DJs nas urnas” que tem como objetivo apelar aos eleitores que “exerçam o seu direito de voto”.
Elmont, your vote now comes with a soundtrack! ???? DJs at the Polls is here bringing the energy on Election Day. Bring your vote and your best dance moves!#DJsAtThePolls #Elmont pic.twitter.com/VKmG8l3yv3
— M. Solages (@VoteSolages) November 3, 2026
Enquanto umas iniciativas querem levar eleitores às urnas, outras, como a “Pizza às urnas”, querem tornar a experiência nas mesas de voto mais agradável e ajudar a “alimentar a democracia”. No site da organização, é possível reportar uma longa fila numa secção de voto — a espera numa fila com mais de uma hora dá direito a uma pizza gratuita. Priscilla Lopez, de 35 anos, tomou conhecimento da iniciativa no TikTok e, depois de esperar uma hora na fila numa mesa de voto no condado de Los Angeles, Califórnia, encomendou as suas pizzas na plataforma. A profissional de saúde distribuiu as oito pizzas de queijo que foram entregues por outros eleitores e pelas pessoas que estavam a trabalhar nas mesas.
your civic engagement is inspiring. our pizza ordering is relentless. 8 pizzas from Dominos to 2323 Verano Pl Irvine! ???? pic.twitter.com/F35hvwsnDj
— Pizza to the Polls (@PizzaToThePolls) November 4, 2026
Os incentivos aos eleitores para irem votar também se verificaram no estado vizinho do Arizona. As autoridades do condado de Coconino mobilizaram vários cavalos e mulas para percorrer um percurso de quase 13 quilómetros carregados de urnas, um satélite Starlink e outros equipamentos necessários para montar uma mesa de voto na Vila Supai, uma reserva nativa na região. Ao todo, foram montadas 38 mesas de voto na reserva, detalharam as autoridades na sua conta do X.
Happy Election Day, Coconino County! All 38 polling locations are open until 7 p.m., including the Havasupai Community Center in Supai Village, which is where these horses headed yesterday to prepare for voters. ???? Early ballots can be dropped off at any polling place until 7… pic.twitter.com/aJLUNrJerW
— Coconino County (@CoconinoCounty) November 3, 2026
Também foi com recurso a um cavalo que Jaime Mercado foi votar. O eleitor de uma zona rural do Wisconsin escolheu dirigir-se à sua mesa de voto, a cerca de cinco quilómetros de sua casa, a cavalo. “Saiam de casa e votem, de uma maneira ou de outra”, escreveu nas suas redes sociais. A decisão foi justificada em parte como uma forma de chamar a atenção para a necessidade de votar, mas tinha também uma justificação política — “O preço dos combustíveis não ajuda”, admitiu à NBC News.