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Vou tomar a liberdade de começar a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle.

Pequenas reivindicações de liberdade.

Pronto, acho que pode ser esta.

E nem tivemos que fazer encontro.

Agora está aqui. Pequenas reivindicações de liberdade.

Pequenas reivindicações.

Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.

De liberdade. Olá.

Olá, mais um episódio de Off Beat.

Uma rubrica do podcast Pequenas Reivindicações de Liberdade, um podcast Observador.

Observador. Hoje é o episódio 14 de Off Beat e vamos focar-nos no Graciano Amorim, um dos nossos convidados da temporada Rapazes Giros, episódio 24, caso queiram ouvir, do Pequenas Reivindicações de Liberdade. E este episódio foi lançado no dia 11 de maio de 2023. A sério, quem era eu nessa data?

11 de maio de 2023.

Quem que eu era? Eu nem sei o que eu estava a fazer. Nem consigo situar.

Nem eu. Mas eu sinto que este ano o nosso verão começou cedo.

Este ano? Em 2023?

Sim.

Eu não sinto o mesmo, por acaso.

Eu sinto que nesta altura não estávamos muito ocupadas. Ou estávamos?

É pouco interessante para quem nos ouve, se calhar, saber se estávamos ocupadas.

Estou a pensar em quem tu eras. A pergunta lançaste tu, eu estava a tentar decodificar.

Titi, mais um dia em que tu não estás nada bem-disposta. O que se passa? Tu queres dizer o que é?

Não, estou ótima.

Bem, as mulheres são mesmo fofas. Sempre que dizem isso é verdade? Ou é só o tom de voz que eu acabei de ouvir também?

Como é que eu hei de dizer isto sem perpetuar a ideia que tu estás a querer passar? Eu falar de determinada maneira não significa que esteja mal. Posso estar bem.

Sim, esse sorriso que tens agora na cara.

Não queria perpetuar a ideia. Está tudo ótimo, Nana.

Tu estás ótima?

Sim, eu estou bem. Obrigada por perguntares.

Eu às vezes penso que se calhar a Titi já não quer mais ser minha amiga e não tem coragem de dizer, então sorri.

Se calhar és tu que já não queres ser minha amiga e fazes-me estas perguntas no podcast.

Impossível. Eu vou dar seguimento a este episódio sobre o Graciano Amorim.

Ótimo, é sobre ele, não é sobre mim.

Que é de quem estamos aqui a falar hoje. O Graciano é ator, vive em Portugal há muitos anos, é brasileiro e português, creio eu. E depois de vir ao nosso podcast, o que é que aconteceu ao Graciano Amorim? O sucesso.

O sucesso. Graciano continuou a trabalhar na grande companhia que já falamos várias vezes no nosso podcast, Teatro dos Aloés. E o sucesso dele começou graças ao nosso episódio, graças às nossas palavras de força para o Graciano, graças até às cunhas que podemos ter feito ao Graciano dentro do nosso pequeno meio.

Por isso, quem pensa se deve ou não deve vir. Voltem a pensar, se calhar nós podemos ter coisas para vos dar, mas nós só trabalhamos assim para os bons. Não é para alguém que venha sem qualidade.

Não, há que ter algum mérito e nós damos só aquele empurrãozinho que as pessoas precisam às vezes.

Passemos ao tema trazido por Graciano Amorim.

Falar sobre máscara social.

Lato.

Grande tema, grande de quantidade.

Máscara social.

Lembro-me que quando ele disse isso, nós ficamos em insistência e dissemos: "O que queres dizer com isso? Máscara social?"

Não sei se sei exatamente, posso dizer o meu conceito de máscara social.

Pronto. Partindo do princípio que é, como ele diz, as nossas personagens em diferentes ocasiões da nossa vida e em diferentes momentos.

Que todos temos a ir ao supermercado, a ir falar com a mãe, estamos sempre com estas máscaras sociais.

Portanto, pensei em fazer aqui, vocês já sabem que eu sou fã dos cenários, decidi criar aqui uns cenários para a Nana.

E como tu estás hoje, vamos ver que cenários surgem.

Não temos que voltar ao anterior, Nana. I love you. Stop.

Oh, my God. A tensão está no ar.

I mean, yes, I'm sad. Do you want people to know? Because I can talk about it. In here. You want?

If you want.

I don't, but you keep, you know.

Titi, acham que falar inglês é uma forma de evitar o-

Conflito? Sim

...ou até antes do conflito, o confronto. Porque assim parece que não estás bem a falar para mim.

E não estou, estou a falar um pouco para os nossos ouvintes.

Estás a fazer teatro?

Sim.

Estás a mostrar as tuas skills, mudanças de emoções rápidas. Estava tão bem disposta. E agora ouve a minha voz triste.

Muito bem. Os meus cenários para ti são os seguintes: foste chamada para uma reunião. Onde? Aqui no Observador. Grande empresa. Não te deram muitas informações. Chamaram-te só a ti. São dois dos diretores do Observador que estão nessa reunião, tu nem sabes bem. Ficaste confusa com o e-mail. Chamaram-te a uma hora específica, passado assim dois dias. Tu não me disseste nada.

Era o que eu ia perguntar.

Pois, calculei. Tu não me disseste nada porque não sabes e não querias dizer: "Isto não há de ser nada."

Mas então eu pensei logo que para eu não te dizer nada, é porque eu Eu acho que tem a ver com o podcast e que vão dizer alguma coisa sobre ti que tu não podes saber, ou eu acho que é outra proposta. Por que eu não te digo nada?

Porque tu ainda não sabes. Ou seja, eu acho que estás a pôr muitas hipóteses. Não estás a pensar, é estranho, foi assim meio de urgência, querem muito falar contigo. Nem disseram: "Não digas nada à Titi", nem "por favor". Nada, não fizeram referência, portanto foi: "Vais". E é com dois dos diretores, é a única coisa que tu sabes. Chegas 10h da manhã, entras numa sala e eles estão sentados numa ponta e pedem-te para sentar quase na ponta oposta, o que é estranho, aqui no Observador há uma proximidade e de repente deixa de haver. Sentas-te e eles começam a falar, a dizer: "Parabéns, Nana, pelo excelente trabalho que tem desenvolvido até aqui. Na nossa plataforma tem sido uma mais-valia tão grande. O podcast Pequenas Reivindicações de Liberdade é uma ideia da sua cabeça, brilhante. O trabalho que tem desenvolvido, incansável. Queríamos propor-lhe um espetáculo em nome próprio no Festival Rádio Observador, que vai acontecer pela primeira vez e queríamos que a Nana, para além de host, encenasse um espetáculo em nome próprio.

Espera, encenasse?

Desculpa, interpretasse. Dentro desta que é a ideia do Pequenas Reivindicações de Liberdade. Tem toda a liberdade. Liberdade, também me saiu assim. Estava a pensar nos diretores.

Toda a liberdade, sim, e que mais tenho?

E portanto, queria saber o que é que pensa. A contrapartida é que, como vai exigir um tempo de preparação para isto, o podcast tem que acabar durante este tempo.

Eu achei que me iam pagar só a mim, como exigia tempo, achei que a contrapartida não era o podcast acabar.

Vais receber bom dinheiro neste trabalho e o podcast acaba. Durante aquele tempo, pelo menos. Não sabemos o resto. Então pronto, quero saber que postura é que tu estás, portanto, que máscara social é que tu metes neste momento no pré, pó, durante e pós.

Eu chego com a minha máscara social credível. A pessoa que tem a sua maior credibilidade. No entanto, como vou para um sítio que eu já conheço, também gosto, há um quê de genuinidade, aquela genuinidade que nós temos com pessoas com quem não estamos muito à vontade, que eu penso que vou explorar. Portanto, acordo nervosa, honesta. Isso é como eu estou. Depois, máscara.

E a máscara que tens comigo, porque te cruzaste uns dias antes e já sabias que ias ter a reunião?

Tu não vais dar por nada. E é sonsa, mas tu não vais reparar. Não é sonsa, é um bocado hipócrita, se calhar, não sei qual é o... É haver uma coisa que se está a passar na minha vida, que te envolve, e que tu não sabes. Olha, como eu nunca te fiz, Titi, eu não consigo mesmo imaginar qual seria a minha máscara. Fica mesmo muito difícil para mim.

Chegas à reunião.

Chego à reunião com a minha máscara da credibilidade. Partilham tudo isso comigo, eu começo por agradecer e portanto a máscara da humildade.

Certo, claro.

A máscara da humildade não estava nada à espera de todos esses elogios. E depois, claro, imediatamente a seguir, a primeira coisa que eu faço, tenho de agradecer por boa educação.

Claro.

Sem a minha colega? E a minha colega. Mas simpatia, abertura, disponibilidade para conversarmos. Eles insistem que é sobre mim e ignoram a minha colega. Eu fico zangada. Eu não fico zangada, eu fico-

Metes a máscara da raiva?

Não, um bocadinho, não é autoritária, não é a palavra, mas sabes aquele tom-

Assertivo.

Assertivo. Eu sem a Titi não faço isto.

É isso que tu vais dizer?

Eu posso apresentar o festival. Pronto, eu posso ser contratada para trabalhos.

Claro.

Eu não vou fazer um monólogo que é sobre este podcast, e que ainda por cima leva o podcast a acabar, sem a minha mate. Portanto, é isto que eu vou dizer.

Since you are soul mate.

E por isso, tudo isto é a minha postura profissional, na verdade, a máscara grande é da profissão. Mas depois tem nuances, tem cores.

Claro, tem pequenas máscaras.

Tem. É assim que seria. E depois corria para os teus braços quando saísse daqui.

E contavas-me toda a verdade, tudo. Claro.

E dizia: "Titi, eu fico supercontente com o convite, mas acho inadmissível." Era sempre a oscilar as emoções.

Provavelmente, não vou dizer isto.

Ok.

Ok. Muito rápido, segundo cenário. Vamos para a noite. Não é preciso muita noite, vamos ir para um sunset party.

Onde nós vamos tantas vezes.

Exatamente. E está lá um homem que eu quero imenso conhecer há muito tempo. Não é que esteja apaixonada, que ache que vai ser o amor da minha vida. Estou interessada. E digo: "Temos que ir a esta festa, eu quero este homem." Chegamos, ele está lá. Eu estou excitada com a situação. I want this man. Começamos a conversar, estamos as duas, tu vens comigo E o clima que surge é entre vocês, não é entre mim e ele.

Oh, no. Mas eu não fiz nada por isso.

Isso eu já não sei.

Depende da máscara que eu escolhi usar nesse dia.

Isso eu já não sei. Mas tu estás a perceber.

Pois.

A situação, eu ainda tento forçar um pouco e estou tipo: "Oh, no." Ele está claramente cagando em mim. Como está a tua máscara nesta situação?

A minha máscara...

Tu sentes o clima e queres o clima.

Mas é amor?

Não, não é amor. Não há nada de amor.

Ninguém se ama.

Depois, mais tarde, não sabemos, mas é ali, tu sentes.

Mas eu quero.

Queres. O clima surgiu entre vocês em vez de mim.

Mas se tu também quiseres primeiro, se tu já querias primeiro, eu vou pôr a minha máscara mais séria.

Mas não achas triste? Estás a perceber que ele não está interessado em mim.

Acho, mas ia ter de falar contigo primeiro, Titi, aí não tenho dúvida. Era a minha máscara não séria, mas é quem não está a perceber. Olha, não estou a perceber.

É a máscara de burrinha.

Sim. Que tantas vezes é preciso, com tantas pessoas.

Eu acho que ia pôr a máscara da verdade, que não é a verdade, é a máscara da verdade, é um pouco diferente. Ia abrir o jogo.

À frente de todos?

Não à frente de todos, mas eu ia dizer: "Eu vou-me embora e vou vos deixar."

Mas ias lixada.

Não, não ia, porque não é amor.

Nós íamos ter uma conversa mais tarde, tu e eu, não era?

Sim, mas acho que ia dar para rir.

Eu achei que esse cenário, estás a ver, não são compatíveis as nossas máscaras, porque se eu estivesse com a máscara burrinha, desentendida, tu já não ias embora, porque ias perceber. O que tu ias fazer era dizer-me a mim, ou dizias: "Obrigada por estares a fazer isso, porque eu quero o mesmo", ou dizias: "Nana, vai, podes mudar de máscara." Não é?

É isso, ou seja, dava espaço para isso acabar.

Tu só te ias embora se eu tivesse com a máscara da confiançuda.

Não, eu acho que ia perceber a tua máscara, porque eu acho que o clima passa sempre. Ou seja, tu depois é que ias pôr, mas há ali um momento em que eu estou tipo, há um momento sem máscara, um segundo sem máscara.

A sério, desafiamos todos os nossos ouvintes a ouvirem, a pensarem que máscaras usam no seu dia a dia, nos seus empregos, com os seus filhos e quando vão às compras. No episódio de hoje, de Graciana Morim, com máscaras sociais, podíamos ainda ter falado, por falar em máscaras, é claro, do mediático caso Joana Marques versus Anjos, mas infelizmente já não temos tempo. Pode ser que seja possível na próxima semana e até lá.

Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação. Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser.

E nem te aborreces de também cantar mal.

Agora está aqui. Pequenas reivindicações. Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade. De liberdade.