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E já viram que as princesas nunca têm amigas? É uma coisa que nós vimos. Não há nenhuma princesa da Disney que tenha uma amiga.

Ou se não têm sempre um buddy, não é? É sempre um buddy. Pois, têm animais.

Animais ou criaturas fantásticas, mas nunca são amigas. A amizade entre mulheres não existe na Disney.

Quem é que escreve os filmes da Disney?

São diferentes pessoas. Acho que, na sua maioria, homens brancos héteros. Acho que isso tem sido-

Não podes dizer isso neste podcast da Observador.

Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode dizer em voz alta. E muito amor para contar novamente. Agora está aqui. Pequenas reivindicações.

Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.

Pessoas incríveis.

Olá, a Nana queria falar ao mesmo tempo que eu, achei que íamos fazer em coro, mas não fizemos. Bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio de Pequenas Reivindicações de Liberdade, um podcast Observador. Hoje temos conosco a convidada Joana Brito e Silva. Muito bem-vinda.

Olá, muito obrigada. Obrigada pelo convite.

Estás muito bonita, cheia de cores.

Muito obrigada, neste dia chuvoso.

Pois é, mas eu gostava de adotar isso para mim, de num dia chuvoso poder estar feliz.

Sim, usar cor não é necessariamente sinônimo de estar feliz.

É.

Eu estou mal. Estou a brincar, não estou. Estou bem.

Estás bem, mas não estás feliz. Não precisas de falar mais sobre isto. Nós já percebemos que há uma diferença grande.

Exato.

Ok. Há que aceitar a tristeza.

Claro.

Estar bem na tristeza.

Olha, gostei. Estar bem na tristeza, aceitar que ela é passageira, há de passar.

Parece que eu disse uma frase muito inteligente, mas é capaz de ser até... Não foi nada mesmo de especial.

Não, eu acho que podia ser o título de um livro, de um autor duvidoso, mas podia. Estar bem na tristeza. Podia ser o título do livro do autor. Duvidoso.

Tu também julgas, Joana, tu tens julgamento dentro de ti.

Eu adoro julgar. Eu estou entusiasmada de estar aqui. De ouvir-vos.

A Joana afinal tem julgamento dentro dela. Joana, nós temos a partir de agora um cronômetro a contar. Quando o nosso despertador tocar, este episódio acabou e começa sempre com as boas-vindas da avó Glória, que é a grande anfitriã deste podcast. Ela, na temporada anterior, que era a temporada Rapazes Giros, recebia toda a gente em casa dela com lanchinho, com uma caminha lavada, quem sabe. Agora não está aqui, mas continua a receber todas as nossas convidadas com as boas-vindas e, portanto, aqui vão as tuas.

Viva, Joana. Estou há mais de 80 anos a tentar desconstruir-me e ainda assim acho que não consegui ser tão solta como tu. Mas como nunca paro de me impressionar com os jovens, é uma alegria poder ouvir-te conversar sobre as novas ideias que trazes. Diverte.

Que amor, obrigada. Um beijinho para a avó Glória. Tenho pena que não haja bolinho.

Pois é. Mas tens um copo de água.

Obrigada.

Que diz Observador. Uma caneca cinzenta grande e pesada.

E bem gira, por acaso gostei. Não dão, no fim, tipo brinde. Ainda não chegaram a essa fase.

Nós não podemos mesmo dar nada a ninguém, Joana. Estamos dispostas a receber também, mas é isso. Nós já te demos o nosso convite.

E é muito.

Boa, ok. Foi muito bem dito. Joana, por que tu és incrível?

Essa pergunta achei, não é? Mas olha, estive a pensar, não vamos fingir que as pessoas não sabem, as pessoas ouvem. E eu acho que sou incrível porque tenho conseguido transformar em espetáculos de teatro coisas horríveis que me têm acontecido, espetáculos de teatro divertidos. Portanto, capitalizar a tristeza. Está tudo ligado, já viste? Começamos assim.

Vamos dar o contexto antes de estarmos a gravar. Eu posso ter estado a desabafar com a Joana, que conhecia há dois minutos, que queria pintar o cabelo, cortá-lo. Estive a recolher conselhos com quem sabe.

Exatamente.

Eu fui à origem, que é a Joana.

Bem mais.

E estávamos a falar de, mesmo que eu fique feia, eu vou pôr no Instagram. E a Joana respondeu: "Capitalizar o cabelo." E eu: "Claro, há que acontecer alguma coisa na minha vida, pronto, seja o cabelo." E portanto, a Joana capitaliza também as emoções.

Sim, os dramas da vida e transformá-los em espetáculos de teatro, que as pessoas pagam bilhete para ver.

Uma verdadeira capitalista.

Exatamente.

Não tens vergonha?

Não, tenho orgulho.

No capitalismo?

Sim, da minha forma de navegar o capitalismo. Tens que estar dentro do sistema para subverter o sistema.

Isso é muito bonito de se dizer. Não vejo a ninguém a subverter. Estás lá dentro e estás a fazer dinheiro com as tuas coisas.

Já foste ver os meus espetáculos?

Nunca. Não. Eu acabei de dizer que eu te conhecia há um minuto.

Disseste dois.

Disse dois. Repara, na minha cabeça parece ainda menos. É esta a intimidade que nós temos uma com a outra.

É isso. Nós vamos dizer por que tu és incrível.

Joana, tu és incrível porque com a Mariana Fonseca fundaste a companhia de teatro Lobby ou Lobby Teatro, tentando contribuir para que mais artistas emergentes tenham a oportunidade de levar as suas criações a cabo.

És incrível porque em todos os projetos que crias e integras, tens a preocupação de integrar pessoas com diferentes perspectivas, experiências de vida e lugares de fala, acreditando que a criação pode também ser um lugar de intervir ativamente na sociedade.

És incrível porque nas tuas redes sociais és muito ativa na partilha de vozes que nos fazem pensar em questões como o feminismo e as questões de gênero e a desconstrução de algumas visões sobre o amor.

És incrível porque estando consciente das dificuldades que a tua profissão exige, tentas combatê-las criando os teus próprios projetos, pensando alto e experimentando novas áreas de encontro.

E por fim, és incrível porque achamos que tens um bom sentido de humor, com leveza e consegues tornar assuntos importantes, transformá-los para que sejam menos aborrecidos.

Obrigada, vocês é que são incríveis. Isto é muito fofo. Obrigada.

É raro isso acontecer. Obrigada por teres dito isso.

As pessoas não retribuem.

Não retribuem muito. Agradecem muito, ficam mas nunca dizem de volta: "Vocês é que são incríveis."

Tem muito a ver com o individualismo dos dias de hoje.

Pois é. Mas eu achei incrível de vocês terem encontrado isso tudo que é no Google.

Nós fazemos o nosso trabalho.

Dentro da nossa cabecinha e do nosso coração.

Muito obrigada, foi muito fixe. Vocês são incríveis.

És muito bonita, Joana.

Vocês é que são, parem.

Joana, nós passamos a um segmento de perguntas flash. Tens de responder o mais rápida e honestamente possível.

Ok.

Estás pronta?

Acho que sim.

Vamos embora. Joana, esclarece para as crianças que assistem ao teu espetáculo o seguinte enunciado: a monogamia é o paradigma hegemônico, produtivo e reprodutivo da afetividade sexual.

Então, crianças, vocês não têm idade para namorar, portanto, quando crescerem, logo pensam sobre isso. O lugar de fala é o lugar onde a minha boca se encontra quando quero falar, mas não consigo. Quando queres falar, mas devias estar calada.

Por que tu atacas a masculinidade tóxica quando tudo o que tu queres é pau?

Tudo o que eu quero não é pau, isso não é verdade. I'm sorry. Acho que a masculinidade tóxica tem que ser atacada e combatida.

Sopa de agrião ou sopa da pedra?

Agrião.

Meias palavras são necessárias quando se fala com pessoas de grande inteligência?

Como é o ditado? Para bom entendedor, meia palavra basta.

França sempre esteve na vanguarda da feminilidade?

Não.

Beijocar ou fofocar?

Beijocar.

O Teatro Nacional Dona Maria II, se calhar, hoje em dia trata mais os temas que te interessam a ti do que à sociedade em geral, ou não?

Sim, mas eu faço parte da sociedade em geral, portanto, vou aproveitar enquanto eles tratarem dos temas que me interessam.

Poder escolher ser woke não é também um privilégio?

Sim.

Panquecas tradicionais ou de Oreo?

Tradicionais.

O que tu gostas que seja clássico?

A literatura, a música. Acho que os clássicos são muito importantes para sabermos ler a contemporaneidade.

Não me venhas com coisas. Por que tu fizeste um espetáculo a atacar aqueles que estão dispostos a lutar por uma vida conjugal fiel?

O espetáculo não era atacar ninguém. Porém, no fundo, eu e o Diogo só queríamos comer pessoas, no fim. Era sobre isso.

Olha, como nós também fizemos uma temporada chamada Rapazes Giros só para poder comer homens.

Vês?

Sim. E resultou?

Muito bem.

Por acaso resultou bem.

O nosso, não.

Nós depois conversamos. Nós depois damos dicas.

Sim.

Firmeza é um dos teus maiores defeitos?

Firmeza? Acho que é uma qualidade.

Que cuidados tens com o teu lindo cabelo?

Menos do que gostaria, mas desde que fiz uma hidratação e que pintei, deixei de ter que usar condicionador e isso é fixe porque poupas tempo e dinheiro nos produtos.

Nós estamos completamente obcecadas com o teu cabelo. Agora que eu cheguei até aqui.

Muito obrigada.

Preferias ser a Beyoncé ou a Whitney Houston?

A Beyoncé.

Já sabemos que odeias a burguesia e o clero, mas qual é o prazer caro de que não abdicas?

Uma casa com garagem.

Eu não odeio a burguesia e o clero.

O clero sim, a burguesia não.

Preferes granola caseira ou das grandes superfícies comerciais?

Caseira.

Muito bem.

Muito bem. Foi mais fácil do que eu estava à espera. Estava nervosa para isso.

Foste boa.

Obrigada.

Tinhas medo que pegássemos em que temas?

Sei lá, vocês falam imenso do Durão Barroso e eu não percebi por quê.

Hoje não falamos.

E eu estava assim: "O que se passa com o Durão Barroso e este podcast?"

Mas se tivesses de definir o Durão Barroso numa palavra, qual seria?

Não. Cherne, não é? Porque há aquela história. Lembram-se dessa história? Que idade é que vocês têm?

28.

27.

Ok, devem se lembrar. Não se lembram?

Lembro-me perfeitamente.

Pronto. Houve uma coisa qualquer que a mulher dele lhe chamava o Cherne, meu querido Cherne, ou não sei o quê, e ele aparecia como o Cherne em vários programas de humor da altura do início dos anos 2000.

Sabemos tantas curiosidades sobre o Durão Barroso e a cativiana pomba.

E não sabias o quê isso? Eu acho que é sobre o Durão Barroso.

Eu acho que é sobre as mulheres é que definem os homens.

Exato.

Porque ela disse que ele é o Cherne, ele passa a ser o Cherne 25 anos depois.

Cherne é uma palavra estranhíssima, agora que eu estou a ouvir várias vezes repetidamente. Cherne.

Mas Cherne é sexy?

Esse é o Cherne da questão.

É isso, para mim vem mesmo um cheiro a peixe.

Sim, eu percebo por quê, mas associo logo a uma coisa, o que é que se passa com o Durão Barroso para ser Cherne?

Hoje sinto-me Cherne.

Eu gosto, não sei se alguém me quiser insexualizar. Joana, nós temos uma outra pergunta para te fazer sobre o teu espetáculo, que está agora em cena. Podes aproveitar para dizer datas, se quiseres.

O espetáculo chama-se O Filme que a Disney Nunca Fez, é um espetáculo para um público infanto-juvenil, que fala sobre, como o título indica, que temas e que abordagens é que a Disney nunca teve nos filmes que nós vimos ao crescer, e se a Disney ainda é ou não uma influência para as crianças e os jovens de hoje em dia. E vamos ter uma data este domingo, dia dois, em Lisboa, e de resto vamos andar e temos andado em digressão pelo país e as datas estão todas no Instagram do Lobby Teatro.

Boa, e nós gostávamos de perceber, fazer um teatro para crianças ou jovens é uma responsabilidade, não sei se maior, mas diferente da habitual. E ainda mais um espetáculo que questiona tanta coisa, que põe em causa alguns modelos de que se fala mais hoje em dia, que podem estar ultrapassados. Como é que vocês, quando estão a construir esse espetáculo, pensam para criar não respostas, não condicionar as crianças a pensar de uma maneira, mas talvez só ajudá-las a pensar? Qual é a principal preocupação disso na criação?

Neste projeto em concreto, nós ganhamos um apoio, que é a Arte em Rede, que tinha como premissa que nós teríamos de fazer algum trabalho com a comunidade em questão, e neste caso a comunidade eram crianças de várias escolas. E por isso nós fomos às escolas antes do espetáculo fazer workshops com crianças de várias idades, em que fizemos justamente essas perguntas e recolhemos essas ideias de como a Disney influencia ainda as vidas deles ou não, os contos de fadas, a visão da mulher, do amor, tudo isso. E tentamos transportar para o espetáculo isso mesmo que tu estavas a dizer, não uma agenda, apesar que, obviamente, o espetáculo tem uma agenda, o Lobby tem uma agenda.

Um ponto de vista.

Um ponto de vista, mas tentamos não dar respostas fechadas a nada, mas dizer que é ok questionar. Acho que o espetáculo é, sobretudo, sobre isso.

Muito bem respondido. Nós fazemos esta pergunta porque nós nunca fizemos um espetáculo nem para crianças nem para adultos.

Não, já fiz.

Isso não é verdade? Aquilo não era arte. Ia te fazer uma pergunta e esqueci-me completamente.

A mim?

Sim, a ti.

Mas isto hoje é só a Joana.

Eu sei. Mas era sobre o espetáculo da Joana.

A mim, se eu gosto da Disney. Por que a Disney? Que é porque arrobas e xis?

Olha, acho que sim, é uma brincadeira com isso e também algum medo de direitos de autor, vou confessar. Imagina que alguém se preocupava.

Não pode ter a palavra Disney no teu título.

É o filme que a Disney nunca fez.

Achas que não se pode ter a palavra Disney no título?

Eu não sei, mas nós somos uma associação muito pequena.

É melhor não arriscar.

Nós não temos força para lutar contra a Disney.

Mas podiam pôr Disney com Z, porque a leitura era igual.

Mas o Xis.

Acho que é uma brincadeira com isso que estavas a dizer, com uma linguagem neutra.

Como a Nana disse, os arrobas e os xis.

Os arrobas e os xis.

E os és.

E os és.

E os és. Mas o Xis às vezes tem o problema de quando é a inteligência artificial a ler, não conseguir ler bem e pode ter alguma dificuldade para pessoas que não têm a mesma capacidade que tu tens de ver.

Sim, e pessoas disléxicas também já me chamaram a atenção para isso.

O Xis pode, pronto.

Sei que agora o E é o mais comum.

Portanto, cuidado.

Podia ser o espetáculo que a Disney nunca fez. Era difícil dizer isto.

É assim, a dificuldade era maior para ti, mas não trazia um bem maior para a sociedade, Joana?

Acho que a sociedade não está muito importada com este espetáculo de uma associação pequenina, mas obrigada por estarmos aqui.

Não, não subvalorizes dessa forma, atenção. Se tu estás a fazer é por alguma razão. Dentro de ti tu achas que aquilo vai chegar.

Não, vai chegar e tem chegado. Tem sido muito fixe ver a reação das crianças e dos adultos também. Na verdade, o espetáculo é para famílias e para a comunidade escolar também. Os professores também têm tido, e professoras, uma reação muito boa. Então acho que é importante, sem dúvida.

Eu posso agora fazer uma pergunta que não tem nada a ver?

Podes.

Joana, tu às vezes quando estás em relações sexuais, não interessa com quem, tu alguma vez olhas para a pessoa que está ao teu lado, no fim, e dizes: "Nós vamos mudar o mundo. Nós vamos conseguir mesmo, com os nossos princípios, a nossa ideologia, nós vamos terminar..."

Mas numa relação sexual? Assim, tipo uma night?

Mas porque é que não toma?

Não tem de ser uma noite. Pode ser uma relação de 10 anos e um dia estás no fim de uma relação sexual com uma pessoa de 10 anos. Não tem de ser um one night stand.

Bem, a Titi ouve relações sexuais, pensa que só se faz uma vez, que é sempre mesmo assim.

O one night stand. Acho que não. Acho que eu já não acredito muito em mudar o mundo assim dessa forma, mas acho que com 19 anos diria isso.

Já te aconteceu, não? Já te vês num carinha.

Mas agora não.

Tens o mesmo carinha

Agora bem, então, queres um ovo mexido?

Sim, agora é tipo: onde é que vamos jantar?

Ah, tu fazes sexo antes de jantar.

Sim, é a melhor hora, não é? Final do dia. Final de tarde.

Sim.

Qual é que é o teu tema, Joana? O meu tema é as princesas da Disney, dentro do título do espetáculo, do tema do espetáculo.

Queres começar com qual?

Exatamente. Queres falar de uma específica? O que tinhas em mente?

Então, nós fizemos uma pesquisa não muito aprofundada, porque não é difícil chegar a estas conclusões. Atenção, não somos nós que somos assim tão inteligentes, mas sobre como é que as princesas, mesmo aquelas que parecem mais empoderadas, as mais recentes, têm sempre um viés qualquer, um senão qualquer, até nos seus poderes e na sua magia, para servirem uma ideia de, ou de que precisam de um homem para ser felizes ou para a sua história ser completa. E eu amava a Ariel, ainda amo, era a minha princesa preferida, só que ela basicamente para poder ter pernas, deu a sua voz e não pôde falar. Para poder ficar com um homem e para subverter as regras de outro homem, que era o seu pai. E se nós formos avaliar as histórias destas princesas todas, até a Elsa e tudo isso, é um bocado triste. E já viram que as princesas nunca têm amigas? É uma coisa que nós vimos. Não há nenhuma princesa da Disney que tenha uma amiga.

Os homens têm sempre um buddy, não é? É sempre o buddy. Pois, têm animais.

Animais ou criaturas fantásticas, mas nunca são amigas. A amizade entre mulheres não existe na Disney.

Quem escreve? Quem é que escreve os filmes da Disney?

Pois, são diferentes pessoas. I guess que na sua maioria, homens brancos, héteros, acho que isso tem sido.

Não podes dizer isso neste podcast onde estou a passar. Desculpa, estamos a falar de princesas da Disney e tu dizes homens brancos.

Mas elas só gostam de homens brancos, héteros, já viste?

Sim.

Mas eu acho que, pronto, estás a dizer.

Serei eu uma princesa da Disney.

Porque é que nós pomos para ficar com homem e não é para encontrar o amor? Mas é um homem.

Mas encontrar o amor é sempre o foco da vida destas princesas e muitas vezes elas têm 15 anos, elas não vão à escola. Elas não têm amigas. É sempre uma vida extremada, ou limpam o chão e são maltratadas pela madrasta e pelas irmãs e não sei o quê.

E o que tu dizes àquelas pessoas, que não sou eu, que dizem que nós não queremos ver na ficção a realidade, queremos ver outra coisa?

Pois, eu acho que sim.

Queremos ver um idealismo qualquer, mas achas que é ideal esse mundo?

Para mim é completamente.

Precisas de uma fada madrinha para ter um vestido ou para ir a um baile encontrar o amor.

É assim, eu olho para os príncipes e de facto-

E penso: "Ah, fazia."

Sim.

Convidava. Mas qual?

O Eric da Pequena Sereia, por exemplo.

O da Pequena Sereia é ótimo. É o loiro, não é?

Não, tem cabelo preto.

Desculpem, eu não sei-

O loiro é o da Cinderela

O do loiro é o que?

É o do loiro da Cinderela.

Mas há vários loiros. Digam uma coisa, a Rapunzel é da Disney ou não?

A Rapunzel é da Disney, acho que não é considerada uma princesa.

Por quê?

Lá está, eu acho que para seres princesa, tipo a Brave, por exemplo, ela não é considerada princesa.

Não?

Eu acho que não.

Não é uma princesa moderna?

Eu acho que não. As princesas têm que ter príncipe.

Pois.

Estás a ver?

Porque uma princesa divorciada perde o seu status. Não, se for filha, não perde.

Se for filha? Estás a dizer na vida real?

Se fores filha de um rei, continuas a ser princesa, mesmo que nunca cases ou que te separes. E as princesas da Disney são filhas de reis ou casam-se com o príncipe?

Uma das duas.

Estava a tentar pensar em exemplos. Porque, por exemplo, então por que a Ariel é uma princesa?

Porque ela é filha do Tritão.

Exatamente.

Que é o rei dos mares.

Pois, ela é filha.

Ela é sempre uma princesa. E casa-se e vive feliz para sempre. Eu acho que é um bocado esse o conceito de ser princesa.

Mas a Rapunzel também vive aprisionada e depois consegue fugir com a ajuda de dragões.

Uma quarta-feira à tarde. Na minha torre.

Um mural energético, que até é muito para frente, há assim uma bolha de energia, e vai casar também com o seu príncipe.

Sim, ela se calhar é princesa, não tenho a certeza.

As únicas mulheres que existem são as bruxas, não é? Que triste.

Sim.

A relação de mulheres com outras mulheres é má.

É má, é sempre má. É sempre de inveja, de maldade.

Há uma boa e ingênua e há uma que é má e então é só maléfica e faz tudo só por si.

Exato. Ou então há as fadas madrinhas, lá está, mas que são sempre uma figura gordinha, velhinha. Sabes, quem tem magia e bondade, são sempre umas velhinhas gordinhas.

A Branca de Neve é princesa?

É.

Porque ela casa.

Porque ela casa com o príncipe. E os amigos dela são sete anões, que vão buscá-la enquanto ela está a dormir. É assim.

É estranho.

É estranho.

Sim, Joana. Então qual é que era a solução?

Olha, eu acho que era fixe irem ver o espetáculo no domingo, se puderem, porque nós temos uma proposta do que é que poderia ser um filme.

Não podes dizer aqui. As pessoas têm que ir ver o espetáculo.

Não, têm que ir ver o espetáculo. Temos uma proposta do que é que podia ser uma personagem protagonista de um filme da Disney que não seja nem esteja importada em ser princesa, ou princeso, ou príncipe. Mas acho que seria fixe.

Mas isso existe? Ou seja, existem outros filmes da Disney que não são só-

Das princesas existe. Sim, há o Realião, há vários. O Bambi, mas depois são todos um bocado traumatizantes, morre a mãe, morre o pai. Imagina, eu amo a Disney, é só que quando fazes um olhar adulto sobre as narrativas.

Mas eu também te pergunto se, por exemplo, a relação de mulheres com outras mulheres não é, na realidade, a que está representada nos filmes das princesas.

E se se calhar só querem tipo: "Uou, atenção, mulheres." Imagina, aqui dentro desta sala se sente que há um bocadinho.

Pronto.

Entre vocês.

Sim. Então eu não sei se a Disney está errada.

Eu não acho que está errada, mas nós podemos mudar o mundo. Eu ainda acredito.

Pronto. Se se calhar estão só a tentar. Olha, atenção, vocês são assim umas para as outras e nós estamos a topar. E aqui está retratado o que vocês são.

Expor, é expor.

É expor.

É o que tu fazes também nas tuas criações, é expor.

Porque é assim, eu olho para a minha vida e eu posso não querer admitir isto, mas de facto muitas vezes eu estive ali entre quero um homem ou quero isto.

Em que sentido? Desculpa.

Também não sei. Isto de fico com um homem ou agora vou cinco meses para a Noruega.

Mas isso era fixe, poderes escolher. O que parece é que as princesas da Disney não podem escolher ir cinco meses para a Noruega. Primeiro, se calhar, não sabem o que é a Noruega, mas não faz mal.

Porque não estudaram.

Não, porque não foram à escola. A única que lê é a Bela, mas depois fica presa lá. Enfim, está tudo mal.

Sim, mas tu achas que os filmes da Disney são arte, em primeiro lugar?

Acho.

Achas que sim?

Acho mesmo.

Pronto. Então, se a arte, para ti, mais uma vez, deve expor, denunciar, deve provocar, deve o quê?

Acho que não deve nada, acho que pode isso tudo.

Isto pode apenas ser uma provocação da Disney para: olhem bem para o que se está a passar aqui. Vocês querem mesmo continuar a viver nesta sociedade em que uma mulher está presa numa caverna, em que uma mulher precisa da ajuda de um animal porque ela própria não consegue.

No fundo, estás a propor que a Disney possa ter feito todos os filmes para que nós aqui, e eu na minha companhia, conseguíssemos chegar a esta conclusão, desvendar isto tudo e fazer este espetáculo e deitar abaixo estes preconceitos todos.

Joana, propor não estou, mas estou-te a fazer pensar.

Já viste? Obrigada.

Que é só uma projeção dos problemas. Quer dizer, nós também estamos a ser um bocado arrogantes ao pensar que a Disney não pensa nestas coisas.

Não, eu acho que pensa e acho que é importante dizer isso. Há um gabinete, nos últimos anos, de representatividade a trabalhar. Quando perguntavas quem é que escreve, acho que hoje em dia são pessoas mais diversas que escrevem.

O que é pessoas diversas?

Pessoas diferentes umas das outras. Por exemplo, aqui nesta sala somos todas muito parecidas, então se tu pintares o cabelo, vamos ficar ainda mais.

Eu vou ser a mais diferente, eu vou ter um galho preto.

Só falta a minha franja. Mas percebes, pessoas diferentes umas das outras, que necessariamente pensam de maneiras diferentes. Não é que nós por sermos parecidas, pensemos igual, mas acho que há uma probabilidade maior.

Eu tenho a certeza que nós não pensamos igual, Joana.

Sobre as princesas da Disney?

Sobre as princesas da Disney, sobre a arte, sobre o sexo.

Ok.

Sobre... Ó Joana, porque tu expões muito as opiniões.

Sim.

Eu agora já penso que te conheço.

Vês? Também já passaram... quando é que toca o cronômetro?

Estás farta?

Não, estava só a pensar quanto tempo é que já passou.

Fogo! O teu processo de desconstrução dá para tudo, é tipo, quando é que isto acaba? Porque tu respeitas-te imenso. Então tu ficas assim, se eu já estou farta de estar num sítio, eu vou dizer que estou farta.

Eu não estou farta, eu estou a gostar muito desta conversa.

Tu respeitas-te muito.

Acho que sim. Acho que sim. Nem sempre.

Esse extremo respeito em relação a ti, às vezes não prejudica outras pessoas à tua volta?

Sim, mas não tem mal.

As pessoas que se respeitem elas próprias. É cada um por si e nem mais.

É cada um por si? Não, não é cada um por si, mas temos que saber os nossos limites. Não concordas?

Mas nem toda a gente está na posse das mesmas capacidades que tu para chegar à conclusão de quais são os seus limites.

Pois é, terapia.

Desculpa, vou só voltar à Disney. Tu adoravas a Ariel, porquê? Era aquela coisa de querias ser como ela?

Queria ser sereia.

Queria ser sereia?

Ya, a cena do príncipe não era. Lá está, essa coisa de ensinarmos as crianças que o amor ou que a ideia de namorar é uma coisa muito importante. Para mim podia não ter tido príncipe o filme inteiro. Andava lá com o caranguejo, a pentear o cabelo com um garfo.

A descobrir o que é que era ser humana.

Ou não. Pronto. Sim, ou não. Ou a mostrar-nos mais sobre o que é que é ser sereia.

Eu não sei qual era a minha princesa da Disney preferida. Tu tens, mana?

A Rapunzel.

A Rapunzel?

Bem, agora estamos a julgar.

Por que a Rapunzel?

Ela é awesome. Ela pinta, ela toca guitarra, ela tem um iguana sempre aqui ao ombro.

Isso é a Má que tem. Não, a Má é que tem o Otto. O Otto é que anda sempre a espiar a Rapunzel de um lado para o outro e vai contar à Má, que a tem lá presa. Ela tem é um amigo dragão e um amigo... Tu estás a falar desse.

De um verde.

Não é verde.

Não é? É um camaleão, está sempre a mudar de cor ou não é um camaleão?

Não. Não é um camaleão, mas eu não me lembro qual é o animal. É um que desmaia, às vezes fica assim e fica flutuando para o lado, é o amigo dela. E ela depois também sai e conhece umas meninas bonitinhas, pequenininhas, muito normativas. Ela conhece umas crianças completamente normativas, Joana.

Perigoso.

Muito perigoso. Eu até diria que essa é a grande crítica à Disney.

O quê? As amigas da Rapunzel serem muito normativas?

Todas as pessoas no filme da Rapunzel.

Todos os filmes.

E até o dragão, como é uma menina, é cor-de-rosa.

Isso eu acho bem. Rosa para as meninas e azul para os meninos.

E o pai, que é um homem, é mau. E no fim transforma-se o pai dragão e passa a ser bom.

Ela tem um pai?

O dragão. Mas a dragãozinha pequenina também é burrinha, também não consegue voar e depois no fim ganha força.

Eu não estou a ver a parte do filme da Rapunzel.

Mas eu creio é que, Joana, há uma importância no teu espetáculo. Eu não sei se tu devias focar-te em fazer com que as crianças não gostem da Disney.

Não, eu acho que o foco não é esse.

A mim parece-me que é esse o foco.

Não é, até porque elas adoram. Isso foi uma das coisas que nós constatamos nos workshops que fizemos, é que os miúdos sabem quem é a Ariel, a Branca de Neve. Nós pensamos: "Se calhar estas referências desapareceram porque há outras coisas. Consomem outras plataformas e há muito mais oferta." Mas não, conhecem as histórias.

E tu achas que ficam mesmo alimentados com aquilo? Ou seja, tu estás a ver e estás ativamente a pensar que aquilo é um reflexo das tuas escolhas que tens pela frente?

Eu acho que a Disney, para mim, nos anos 90 e no início dos anos 2000, quando eu era uma criança, teve influência na forma como eu olhava para algumas coisas, nomeadamente para o amor e para essa ideia de que o amor me vai salvar, de que vou encontrar alguém com quem vai fazer tudo sentido e que vai encaixar, e uma alma gêmea e que tens que passar por uma provação qualquer para depois encontrares o amor. Agora, eu não pensava sobre isso.

Eu preciso mesmo ir ao teu espetáculo.

Mas sim, estás convidada. No domingo, às 17h00.

Precisas, por quê? Eu penso tudo aquilo.

Achas que ainda vais encontrar alguém que vai ser a tua cara-metade?

Sim. Eu estou disposta a fazer tudo.

Pronto, boa sorte.

Para esse amor resultar.

Boa sorte.

Por isso é que é perigoso as pessoas que dizem que não é importante nós termos uma identidade e definirmos. Depois acabamos como está a Titi, que é não tem identidade nenhuma, vai perder tudo aquilo que ela é para se adaptar a um homem.

Estás a pôr mesmo palavras na minha boca.

Estou a falar com a Joana. Estou a falar com a Joana, a expor um problema que há na sociedade, que é sobre a identidade. Se deixares a Joana dizer o que ela pensa sobre a tua identidade ou a falta dela.

O que é que pensas sobre a minha identidade ou a falta dela?

Tu podes te identificar como uma princesa da Disney.

Não.

E está tudo bem.

Eu identifico-me como Titi, uma mulher de cabelo castanho.

E tudo o resto, percebes? Como não há profundidade nenhuma nesta questão, tudo o resto ela está disposta a abdicar para se adaptar a um homem. Eu gostava de saber a opinião da Joana sobre isto.

Eu gostava de saber onde é que vais encontrar esse homem. Onde é que tens procurado?

Ele aparece.

Aparece?

Aparece.

Pronto.

Essa é a minha visão do amor, é que de repente é num virar de esquina e ele vai estar.

E de cavalo branco, ou não? À partida.

Não, eu preferia mesmo assim um grande carrão.

Um grande carrão. Branco?

Não, branco não.

Acho um bocado parolo. É que cavalo branco soa bem, carro branco é parolo, ou não?

Não, isso não.

Mas se estiveres apaixonada, já não é. Parolo? Um carro branco?

Eu já passei por isso. Já tive os dois.

O caso é que o meu namorado tem um carro branco, mas não é um carrão. Faz diferença.

Sim, eu também um carrão branco nunca.

Estás a perceber? Mas ela disse um carrão.

É pior. Se vês um carro branco, tens um carro branco, tens um carro branco.

É isso.

Quanto pior o carro, melhor, neste caso.

Exato.

É assim. Mas olha, já nem me importa que seja branco, porque é tão mau que até parece que é bom, porque fica melhor.

Mas agora, se tiveres só de alugar um Porsche branco. Pois é.

Tu escolheste aquela cor, tens dinheiro para comprar um Porsche e escolheste que seja branco.

Sim, mas pronto, o amor na tua teoria vai vencer.

É isso mesmo.

Pronto.

O amor vencerá.

É isso mesmo, o amor vencerá.

Mas para ti também, Joana. O amor para ti também vencerá.

Sim, mas de outra forma. É isso.

Uma forma menos normativa. Foi a palavra que eu aprendi hoje antes de vir pro podcast contigo, foi normativa.

Não. Eu acho que o amor vencerá. Não sei se não está mais a vencer o ódio, mas isto olhando assim para o geral. Acabamos é de falar de ódio.

Não, acaba lá a tua frase. Mas tu achas que o ódio está a vencer neste momento?

Acho. Acho que as personagens más da Disney estão a ganhar, os vilões.

Mas não são as mulheres.

Então fazem falta mais princesas, Joana.

Então fazem falta mais princesas, vamos ser princesas.

Sim, só temos de mudar aquilo que é uma princesa.

Boa. Atenção, porque é assim, também só queria acabar com esta, que há princesas da Disney que se deparam com problemas existenciais muito grandes e que são inteligentíssimas a pensar sobre eles.

São. Só que, por exemplo, a Elsa, que tem este lado mais emancipado, depois tem que ficar trancada, porque o seu poder, que é uma coisa que no fim até é boa, transformar tudo em gelo, ela é fechada e trancada para não causar dano por ser especial. Nunca ninguém a celebra. Não acho que é por ser mulher.

Mas é assim, a vida não é só prazeres? A Elsa que se habitue. Então ela nasceu com coisas que as outras não têm e não pode abdicar nem um bocadinho. Pensei que era isso que tu defendias.

Abdicar, não.

Tem que pensar sobre isso, tem que pensar: "Isto realmente pode ser perigoso."

Sim, ficar num quarto fechada a congelar tudo, eu acho que é uma boa resolução.

Saúde mental.

Exato.

Ela que vai resolver os problemas dela. Parte congelar tudo por todo lado lá por ter um superpoder.

É também para ir para um supermercado, não é? E torna-se mais útil para a sociedade.

Exatamente.

Para a seção de congelados.

Usavas o que tu tens para benefício de todos.

Aí está a realidade.

Portanto, isso tenta se secretar no mundo.

Exatamente.

Que a Elsa está a pensar sobre isso.

Exato.

Pronto, se ela se calhar antes de a fecharem tivesse ido: "Esperem, eu tenho onde usar isto", ninguém tinha fechado lá.

Mas é que elas não vão ao supermercado, não cozinham, não fazem esse tipo de tarefas, senão podiam aplicar os seus poderes à seção de congelados, por exemplo.

Eu só acho perigoso nós retirarmos o poder que a Elsa também tem de escolha. Ela pode ter algum para mudar a sua vida.

Achas que ela tem?

Pode ter. Eu disse pode ter.

Pois, se calhar vão fazer um Frozen Tres. E vamos ficar a saber.

Joana, nós passamos agora ao nosso segmento final chamado Clickbait Consentido, em que queremos escolher contigo um título para este episódio, que faça as pessoas carregar muito. A nossa questão é: o que as pessoas te querem ouvir dizer? O que é que o teu público...

Assim, eu disse uma frase muito sinistra neste podcast, mas que não pode ser o título.

Que é qual?

Que é: eu não quero só pau, mas não pode ser o título.

Eu nunca mais.

Porque a minha mãe vai ouvir.

Ok, ela vai ficar...

Eu não posso aparecer em todo lado só assim, eu não quero só pau.

Porque tu ainda estás à procura que a tua mãe te ame.

Sim. Mas vocês têm sugestões?

Fazemos um brainstorming. O foco que procuras é a Disney? Ou o foco que procuras é a liberdade individual da mulher emancipada?

Eu acho que o foco que procuro é a Disney, mas enquanto espetáculo, ou seja, enquanto o meu trabalho, não enquanto a Disney.

Pronto, mas tens de pôr um spice disso.

Um spice. É preciso.

A Disney. Assim, nós não temos muito medo da Disney aqui. Eu não me importo de pôr Disney com S, mas só para fazer referência ao espetáculo pomos com X.

Acho que sim.

A Disney. As princesas vestem as calças. Como é que é a expressão que se diz? É vestir as calças, não é?

É vestir as calças. Quem veste as calças lá em casa é ela.

Exatamente. As princesas é que podiam não querer só pau, não é?

Podiam. Por exemplo, não há nenhuma princesa lésbica, já viram?

Nem que não queira nada com ninguém, não é?

Sim, senão não é princesa.

Pois.

A Brave acho que não tem amor, mas não é princesa.

Não há nenhuma princesa lésbica. Queres dizer essa frase no nosso título?

Pode ser. Não há nenhuma princesa lésbica.

Is that me? Gostas desse título?

Gosto. Acham que me vão acusar de não ter lugar de fala por não ser lésbica?

Acho que não, porque não há nenhuma princesa lésbica.

Exato. Eu não sou nem princesa.

Tu consegues ver se ela é lésbica ou não pelos atos que ela tem, porque eles mostram. Quer dizer, ela pode ser lésbica e estar...

A Mulan? Não, o namorado da Mulan é que há uma grande teoria sobre ele ser bi.

Ok.

Porque ele quando se apaixona por ela, acha que ela é um homem, durante muito tempo. Portanto, há uma grande teoria sobre ele ser uma pessoa bissexual.

Sabia que havia uma questão qualquer com a Mulan. E nós também sabemos que pode haver uma princesa que está casada ou enamorada de um príncipe e ao no entanto ser lésbica.

Sim, isso é o que mais há por aí.

Isso é o que não falta.

Isso melas a manjas.

É assim, quem nunca experimentou não sabe.

Isso aí.

Portanto, a tua afirmação pode ser falaciosa, mas acho que não entra o problema do lugar de fala.

Não, pronto. Olha, obrigada.

Estás só a dizer ...

Não há princesas lésbicas. Era assim?

Não há nenhuma princesa lésbica. Mas se calhar não há uma princesa lésbica, para ser mais curto. Pode ser?

É que não há uma.

Queríamos ainda propor que ouvissem todos os podcasts do Observador, que são podcasts mesmo extraordinários. Estamos querendo isso. Em todo lado, em todas as plataformas, no Spotify, no Apple Podcasts, no site, na aplicação. A sério, eu não sei porque vocês não estão a ouvir sem parar.

São brutais.

Eu achei que você ia dizer: "São uns brutamontes por não ouvirem."

Também. Quem não é brutamonte é a nossa querida convidada, Joana, que foi fantástica por estar aqui conosco. Muito obrigada, adorei. Obrigada.

Vão ao teatro ver...

O filme que a Disney nunca fez.

Disney. E nós burrinhas a dizer Disney.

Mas pode-se dizer Disney também. Mas Disney é mais giro ou não?

Disney. É. Um beijinho, Joana.

Um grande beijo. Obrigada.

Volta sempre. Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser este.

E também contar novamente.

Agora está aqui esse mini booker. Pequenas reivindicações de liberdade.

Pequenas reivindicações.

Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.

De liberdade. Pessoas incríveis.