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Pet Radio na Rádio Observador, hoje em direto a partir de Aveiro. Bem-vindo, Nuno Paixão.

Olá! Há tanto tempo que não nos ouvíamos.

É verdade, há muito tempo que já não tínhamos a oportunidade de conversar aqui na rádio.

Esquecidos ao reencontros .

Exatamente. É verdade. Esta semana tivemos muito calor em todo o país. Agora, felizmente, o tempo já está um pouco mais fresco. Os nossos cães e gatos, obviamente, também sofrem bastante com o calor.

Sofrem, sim, e a gente tem vindo a falar bastante sobre isso, porque nenhum ser vivo que viva dentro de uma casa, que viva habituado a estar protegido das intempéries e dos elementos naturais, está preparado para lidar com estas variações tão grandes. Reparem, 47 °C, como a gente tem estado a ver, é muito difícil que nós, em tão pouco tempo, nos habituemos, nos preparemos para viver assim. E eu agora vou puxar um bocadinho o assunto para outro lado.

Puxa.

O calor, sim, mas reparem, eu tive a felicidade ou infelicidade, não sei, de na quarta-feira ter ido até aos incêndios de Palmela para ajudar na evacuação, na retirada de animais que estavam em risco. E há muita coisa que hoje em dia a gente ainda tem que fazer. Primeiro, é óbvio que nos incêndios temos muito que fazer na prevenção, mas eu nem vou entrar nessa conversa que todos nós já conhecemos. Mas nós temos que estar preparados também para proteger os nossos animais. E quando eu falo de animais, falo de cães, gatos, silvestres, exóticos, pecuária, todos. Porque nem que seja pelo interesse econômico do problema. Reparem, há muita gente que a sua vida são aqueles animais e tem que ser protegido por si só, pelos animais em si, e nós temos hoje em dia a consciência de que são seres sencientes, portanto, sofrem, portanto, têm que ser protegidos, de qualquer maneira. Mas isso tem que ser preparado. E se bem que há pessoas que, sim, estão preparadas, têm as suas transportadoras, quando lhes dão ordem de evacuação, de sair daquele local, muitas delas preocupam-se em trazer os animais. Há sempre alguma forma de uma quinta, uma herdade, ter uma colaboração com outra quinta, outra herdade, noutro local e deslocar os animais, porque normalmente a gente consegue perceber os planos, apesar de hoje em dia os incêndios serem muito mais rápidos no seu alastramento, nós podemos ter informação pela proteção civil, pelos bombeiros, pelas forças de segurança, para onde é que está a avançar e delinear um plano para retirar e evacuar esses animais no sentido oposto, para outros locais onde eles possam ser albergados. Isso é um pequeno planeamento antes das coisas acontecerem.

Deixa-me só interromper-te. Estás a dizer que é um pequeno planeamento para uma família normal? Cada família pode fazer esse planeamento?

Cada família pode fazer esse planeamento? Pode.

Para um cenário catastrófico como esse?

Sim, pode. Nós temos que pensar que estamos a viver cada vez mais alterações climatéricas que nos levam a ter que lidar com desastres, ponto. Portanto, mais vale a gente aceitar e estar preparados para ele. Se não acontecer, não aconteceu, ótimo. Agora, há pequenos planeamentos. É óbvio que eu acho que as estruturas nacionais, o Estado, também deve pensar nisso, também deve ter as suas formas de... Mas, mais uma vez, a proteção civil somos todos nós. Portanto, se a proteção civil somos todos nós, também nós devemos começar a proteger os nossos animais. Não há animais de segunda. E vamos supor, no último dos extremos: não houve possibilidade, não soube o que fazer, o fogo está nos a chegar à porta, deram-nos ordens de evacuação. No mínimo, tenham a decência de os soltar. Se há coisa que revolta, que dá raiva e dá vontade de ir procurar aquelas pessoas que, por muito boa intenção ou por muito aflitas que estivessem para sair, deixar animais com cadeados, deixar animais fechados, sem qualquer hipótese de fuga, eu vou no mínimo chamar covardia, porque não tiveram qualquer hipótese. Isso é daquelas imagens que há anos, infelizmente, que as vejo e continuam a acontecer. Aconteceram há dois dias atrás, em 2022, em Palmela, como poderia ser noutra localidade qualquer deste país. Portanto, não é Palmela que fez isso, mas aconteceu ali e isso revolta. Revolta ver animais carbonizados, fechados em pequenos espaços que não tiveram qualquer hipótese. Quando a 10, 15 metros, 50 metros, um bocadinho à frente, havia partes do mato que não estavam queimadas, portanto, eles teriam tido a hipótese de fugir. Poderiam ter sido queimados na mesma. Sim, alguns, infelizmente, não iam saber para onde fugir e poderiam ser cercados, como infelizmente muitos humanos, às vezes, também o são. Mas os animais, pelo menos, tinham a hipótese. Eu ficaria muito mais feliz hoje em dia estarem a me chamar para: "Olha, venha aqui ajudar a recolher estes animais que foram libertados e que agora a gente tem que os recolher". De certeza absoluta que tínhamos um batalhão de voluntários para fazer essa recolha e voltar a colocá-los nas casas deles ou nos locais onde eles pudessem ser novamente abrigados, do que estarmos a assistir a corpos carbonizados. Eu não consigo imaginar o sofrimento, primeiro emocional e mental, de quem tem a perfeita noção de que está em risco de vida, a seguir o sofrimento físico de estar a ser queimado, até o alívio de morrer, porque é impensável. Não consigo aceitar. Isso é uma daquelas coisas que eu gostava de alertar ao máximo.

E de resto, Nuno, tens falado nisso aqui repetidamente no Pet Radio, essa sensibilização para que as pessoas se preparem também para estes momentos. Mas nesta altura e com este calor todo, deixa-me fazer-te uma pergunta que até pode parecer muito básica: mas quem é que sofre mais com isto, são os cães ou os gatos?

Normalmente os gatos são um pouco mais pequenos e conseguem ir até buraquinhos e são mais flexíveis também. Conseguem ir até alguns buracos mais refrescantes. Eles procuram nem que seja uma tocazinha, qualquer coisa mais recondita e conseguem fazer. Os cães às vezes têm mais dificuldades, não são tão flexíveis, não conseguem saltar para locais que possam ser mais frescos. Portanto, eu diria que talvez os cães.

E já agora, Bruno, as almofadas das patas dos cães, ao tocarem num pavimento que esteja quente, é verdade que eles sentem o dobro da temperatura que nós sentimos, se pusermos o pé no chão?

Eu não diria que sentem o dobro, pelo menos sentem o mesmo que nós e isso é suficiente para queimar. Já todos nós tivemos a experiência de estar na praia, na areia seca e naquela hora que queremos ir para o banho, vamos aos saltinhos. Imaginem o que é isso, ou pior ainda.

Naquelas almofadinhas.

Sim, as almofadinhas têm um bocadinho mais de queratina, são um bocadinho mais resistentes, mas não são resistentes a temperaturas que queimam, como o alcatrão, as pedras absorvem calor e depois começam a libertá-lo. Portanto, tudo isso é óbvio que temos que ter cuidado. São um bocadinho mais tolerantes do que nós? Sim, mas não são super-homens, queimam-se na mesma.

Supercães.

Supercães, nesse caso, sim, exatamente. Queimam-se, perfeitamente.

É uma boa altura para refrescar os nossos animais? Eu diria não os gatos, os cães, com um banho de mangueira?

É divertido. Eu acho que é um jogo de família. E há gatos que até gostam. Nem todos gostam, mas isso é como as famílias, há sempre algum que não gosta da brincadeira que a gente está a ter. Há sempre alguém que fica num canto, que não quer participar e acha: "Isto é tudo bacrisense". E também temos cães nobres, que também não acham piada a essas coisas. Há sempre uns cães com uma maturidade acima da média. Mas é uma brincadeira divertida e muitos gatos, às vezes, se vocês lhes derem acesso a um alguidar cheio de água. Nós temos o velho ditado de gato escaldado de água fria tem medo. Mas não quer dizer que os gatos não gostem de água, pelo menos eles quando está calor, muitos deles até vão tomar banho e gostam de estar dentro de água também. Adoram brincar com a água, porque com as patinhas dentro da água eles vão-se refrescando e vão-se molhando aos poucos. Gostam de beber, colocando a patinha dentro da água e tirar a água cá para fora e vão lambendo, portanto isso vão também bebendo água. Adoram brincar com gelo e isso também é uma brincadeira que a gente pode fazer com os nossos cães e gatos. Os bebedouros da água, congelarmos caixas cheias de água, congelamos e depois primeiro podemos deixá-los beber à medida que vai descongelando.

E eles vão lavando o chão também.

E vão lavando o chão, vão brincando, depois tiram as pedrinhas cá para fora. Aquilo acaba por ser divertidíssimo.

É muito típico os cães fazerem isso, porem as patas, sobretudo quando vêm de correr e vêm quentes. Põem as patas dentro do alguidar exatamente para refrescar.

Como eu já disse aqui, até à exaustão, os nossos cães e os nossos gatos não transpiram, não suam. Eles perdem calor principalmente pela respiração e daí os desgraçados dos braquicefálicos, aqueles dos focinhos para dentro, terem tanta dificuldade quando está muito calor e esses têm que ter cuidados extremos em alturas de calor. E a outra forma de perderem calor é através das almofadinhas plantares, das patinhas. E por isso é que eles põem as patitas dentro da água, que é a forma de arrefecer.

Nuno, regressas na próxima semana no Pet Radio, Nuno Paixão, no Pet Radio, na Rádio Observador. É sempre às sextas-feiras, depois das 17h30, fica também disponível em podcast. Um abraço, Nuno.

Um abraço e divirtam-se em Aveiro.

Obrigado.