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Este tipo de literatura é muito facilmente ignorável pela crítica e muito facilmente desprezada por quem nunca leu.

Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o vosso oásis de cultura popular, que é também, meus amigos, temos que dizê-lo, temos que fazer a autopromoção, o vencedor do prémio para melhor programa de rádio da Sociedade Portuguesa de Autores. Palmas. Um aplauso. Obrigado a todos quantos nos ouvem. Obrigado às nossas visitas mais regulares, que ajudam a dar alguma seriedade a isto, a Joana Stichini Vilela e a Susana Romana, cumprimentos para elas. E obrigado a vocês, Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buzerimentes, por serem quem são. Nunca se esqueçam disso. E já agora, obrigado à Sociedade Portuguesa de Autores. Ganhámos, vencemos, seguimos em frente. Vitória. E esta semana seguimos com outro dos grandes, quase tão grande como nós, Dan Brown. Chama-se "O segredo dos segredos", é o novo livro de Dan Brown, oito anos depois de "Origem". É o sexto livro protagonizado por Robert Langdon. O professor aventureiro é o herói de uma missão em busca de Katherine Solomon, que é um nome muito cinematográfico, parece-me. É uma cientista que afirma ter feito descobertas revolucionárias sobre a consciência. A cientista desaparece, o trabalho dela também. Pelo meio, há organizações secretas, conspirações, símbolos, todas as coisas a que Dan Brown nos habituou. Pedro Buzerimentes, estou certo de dizer que estás a ler o novo livro de Dan Brown.

Sim, vou a meio.

Vais a meio. Quantas páginas tem o livro?

Umas 600, 700.

600 e tal.

É generoso.

Mas tem capítulos curtos e alguns acabam com uma página com três linhas.

Que é para te deixar-

E depois na página seguinte é que começa o outro capítulo.

Pendurado. Muito bem, vamos então fazer aqui uma avaliação precoce. O que te parece até agora? É bom, é mau, é o mesmo de sempre? Se é o mesmo de sempre, e se é bom ou é mau, a que conclusão é que estás a chegar?

Este tipo de literatura era um hábito que eu tinha, lia muito. Quando digo muito, lia francamente muito há 25, 30 anos. Houve umas férias que chegava a ler um destes livros por dia.

É, isso é que são férias.

Agora, o Dan Brown, já estás a ler o Dan Brown e não a ler um livro que é uma história escrita por um tipo chamado Dan Brown. Não estou tão interessado na história. Estou mais interessado na técnica, nos elementos novos que o Dan Brown terá incorporado vis-à-vis as obras anteriores, etc.

Portanto, mas daí também podemos concluir que leste, não sei se leste todos os livros anteriores, mas leste algum.

Li todos. Li "O Código Da Vinci". Só lembrar que é 2003, não é do ano passado. Esta é a oitava aventura do Robert Langdon, interpretado no cinema pelo Tom Hanks. E é a primeira vez neste livro, por exemplo, que o Robert Langdon faz amor, pelo menos à nossa frente, digamos assim. Há uma cena romântica ou há a descrição muito elegante de uma noite bem passada. Estou eu armado em Sherlock Holmes, estas coisas. Notam-se algumas concessões à chamada modernidade. Por exemplo, o Robert, o personagem principal, nos primeiros capítulos, vai nadar e ficamos a saber que ele nada, já não me lembro se é 3 km, se é 30 km por dia.

Com estilo, não é?

Sim, mas nada. Que é para nos dizer que o tipo está em boa forma física, porque o homem já tem 50 e tal anos.

E se nada isso tudo é porque está em forma.

E para poder ter aventuras, onde vai ter que fugir dos maus, fugir a correr.

Tem que estar pronto.

Exato, tem que estar pronto. E é tudo muito mais apto a ser guionável numa série ou num filme do que os livros anteriores, tanto quanto me lembro. Este livro passa-se em Praga, capital da Chéquia/República Checa. Quer dizer que parece um guia turístico. Ocorreu-me que uma das promessas dos candidatos agora à Câmara de Lisboa podia ser: "Não, eu vou falar com o Dan Brown, vou fazer uma pipa de massa para ele escrever um livro sobre Lisboa". E nós já sabemos que vai ser uma série, o próprio Dan Brown já o disse, vai ser uma série Netflix para o ano ou daqui a dois anos, julgo eu, não sei, em 2026, 2027. Não vai ser com Tom Hanks. Vão ter que arranjar outro Robert Langdon. Tem alguns traços do personagem antigo, tem aquele relógio do Mickey, aquelas coisas. Todos os personagens recorrem ao monólogo interior para nos dar alguma informação. Imagina, estamos aqui a fazer o programa de rádio e o equipamento começa a falhar. Haveria umas notas tuas, do teu monólogo interior, a dizer: "Ainda bem que o meu pai me ensinou os básicos de eletricidade para eu poder..." Eletrotecnia ou whatever. Lá está, o leitor está constantemente a ser Servido de informação, a informação vai às pazadas, informação sobre tudo, qualquer coisa que aconteça. Imagina, eles estão na estrada, agora vou inventar, mas estão na estrada e a seguir conta com 10 linhas a explicar a evolução do alcatrão. Tem um lado wikipediando, que eu pessoalmente gosto, mas que às vezes parece um bocadinho metido a martelo. A técnica do Dan Brown não é original, não é exclusiva dele, obviamente, mas ele, de certa forma, universalizou-a na medida em que muitas pessoas que nunca tinham lido um livro deste tipo, leram livros deste tipo. No fundo, está sempre a acontecer qualquer coisa e é sempre uma lógica matrioska, há sempre uma boneca que se abre, depois tem outra boneca lá dentro, depois tem outro enigma. Depois há sempre um mau, há sempre bons e há sempre um cavaleiro, que neste caso é ele.

Um mau que é sempre surpreendente, a identidade.

Há vários mauzinhos, depois há um mauzão, eu ainda não percebi quem é, mas eu também não sou o tipo de pessoa que queira adivinhar.

Falças pistas.

Na verdade, é como um jogo de vídeo.

Tem esses red herrings.

"Vai ser aquele" e depois não. Então não é.

Mas é muito isso, parece que vais saltando de nível.

Sim, mas como eu te digo, não estou a ligar muito à história, porque como já sei que tem estas coisas todas, este tal sapões todos. Mas é uma leitura, como estar a ver uma série, ao fim e ao cabo. Isto não é uma coisa negativa, pelo contrário.

Maria Ramos Silva, tu também tiraste esta empreitada. Quero saber as tuas conclusões até já, mas também quero saber se estás a ler porque és fã do Dan Brown, porque estavas curiosa em saber em que estado-- o último livro tem oito anos, algo assim.

Não, eu nunca li livro Dan Brown.

Estavas curiosa para perceber como é que estava este best-seller.

Não, eu estava curiosa para repor o meu stock de leite. Entrei numa grande superfície, o Dan Brown estava à minha frente.

Portanto, essa história é verídica.

É verídica, eu não inventei isto.

É que já íamos falar sobre esse leite, mas tudo bem.

Ou seja, ele apareceu literalmente nesta camada de enigmas ali no meu caminho e eu passei por cima dele.

É leite animal ou leite vegetal?

Ai, Diogo.

Não, só para saber.

Animal.

Muito bem.

Só há leite animal.

É verdade, bebida vegetal.

E portanto, lá vim carregada com uma palete e com Dan Brown debaixo do braço, já que perguntam. Eu subscrevo aqui boa parte do Pedro, voei também por aí. Fiquei surpreendida para positivo, ou agradavelmente surpreendida, como costumo dizer nestas coisas. É evidente que há ali detalhes do ponto de vista da escrita, que me interessam mais, se quiser fazer uma análise mais rigorosa, em que eu me lembro que é Dan Brown e que não é propriamente o meu autor predileto, quando ele diz coisas como: "Olá, linda", logo na página 20. Mas é o professor Robert Langdon, que de facto está aqui numa fase um pouco de metamorfose, como dizia o Pedro. Aliás, não é por acaso que nós já não vamos ter o Tom Hanks. O Dan Brown diz assumidamente que quer alguém mais jovem e eu acho que há um pouco essa Bondização do professor Langdon. Ele tem a capacidade de nadar, ele também é um homem, mostra que é um homem renovado, com aquela sua paixão assumida pelo investigador. Enfim, tudo aquilo tem ali, de facto, uma frescura que projeta ou, de alguma forma, parece projetar esta personagem para os próximos.

E também é um sedutor, não é?

Sim, até porque desconstruí muito aquela ideia, e eu penso que também já falaremos sobre isso, do rato de biblioteca. Estes tipos que têm vidas interessantes, sabem umas coisas, andam de volta de enigmas, modelos, sistemas.

Em vez de serem um bad boy, como deviam ser.

Exato, são tipos bem comportados. Não devem fumar, nem beber, nem fazer mais nada.

Mas afinal podem ser sexy também.

Pronto, eu acho que há uma tentativa também.

Há aqui dúvidas.

Há pelo menos uma tentativa. Aliás, o próprio Dan Brown assume nas entrevistas que se revê de alguma forma.

É uma projeção.

É um alter ego, é aquilo que ele gostaria de poder ser.

Muito ambicioso.

Até um gajo que não é sexy.

O Dan Brown é muito ambicioso.

Que não está em grande forma, que não é bonito, pode ser um herói. Acho que é um pouco essa a ideia.

Claro.

Mas tem essa vantagem, de facto, de nos levar, neste caso, por Praga. Eu não sei se há hipótese de Lisboa, mas sei que pelo menos também a entrevista ao Dan Brown já disse que adora Sintra e a Regaleira e que é um sítio muito perto.

Está mesmo a pedi-las.

Está mesmo a pedi-las. Mistérios, camadas e camadas. E portanto, eu acho que de facto, se houvesse condições para isso e se as pessoas fossem inteligentes, da mesma maneira que andámos todos a tentar caçar o Diala uma certa altura, por que não tentar caçar um Dan Brown? Porque há, de facto, esse trabalho que parece quase um pré-guião. Nós lemos o livro, é muito visual. Nós estamos sempre a imaginar-nos na matrioska seguinte. Estamos, neste caso, a imaginar-nos em Praga. É provável que algumas pessoas até tenham vontade de ir a Praga. Até porque ele assume que também foi a alguns destes sítios que não são propriamente visitáveis, ou que é preciso ter uma autorização especial, e ele terá conseguido para também fazer o seu trabalho de investigação. E portanto, consegues ter um bom tempo de entretenimento. Eu não sei bem qual vai ser o desfecho, também acho que não é o mais relevante aqui, como dizia o Pedro, mas vais lendo como vais seguindo uma série com interesse, o tal interesse em que podes até ir fazendo outras coisas. Aqui tens de estar um pouco mais focado. Mas de facto o entretenimento é o principal. Aliás, o próprio autor assume isso: "Eu faço livros por querer entreter as pessoas. Houve uma altura em que escrevia livros que ninguém lia porque nem a mim me entretinham e, portanto, agora eu consigo fazer isto." E acho que para quem é fã ainda vai ser mais interessante este regresso.

Faz-me lembrar aquela frase: "Habituem-se."

Por exemplo.

Bruno Vieira Amaral, aqui, ao contrário dos nossos amigos, não estás a ler Este novo livro de Dan Brown. Já leste Dan Brown?

Já li Dan Brown. Creio que o primeiro que li foi "O Símbolo Perdido". Agora tive que recapitular que foi o livro primeiro que ele lançou depois de "O Código Da Vinci". Portanto, havia na altura uma grande expectativa em relação a esse livro. Acho que bateu recordes de vendas de venda antecipadas. Lembro-me de o ler na altura e depois li "O Código Da Vinci", muito depois de ter saído.

Leste o apanágio, não é?

É, onde sempre é traçado em relação às grandes tendências da cultura contemporânea. E depois, creio que li, agora não tenho bem a certeza se li todo, mas acho que me aventurei no "Inferno", que depois também foi adaptado ao cinema. E essa é a minha relação com a leitura do Dan Brown. Eu concordo com quase tudo que o Pedro e a Maria disseram, essa análise que fizeram de o que é um livro do Dan Brown.

E é por causa deste entretenimento que a Maria falava que ele vende tanto?

Eu acho que ninguém sabe se um livro vai vender. Mas depois de um livro vender muito e se tornar um best-seller.

Consegue-se explicar.

Toda a gente tem uma explicação para que aquilo vende. É um destes mistérios. Agora vende já um pouco por inércia, por ser o Dan Brown.

Óbvio.

A questão é: por que o Dan Brown se tornou este enorme sucesso de vendas com qualquer coisa que publicasse? Eu acho que tem muito a ver com esta estrutura, que é uma estrutura simples, que é um pouquinho um rally paper, em que tu vais saltando de local em local. Há sempre esta referência, ou muitas vezes há referências a locais reais, o que também torna aquilo um pouco interativo. Eu lembro-me de estar a ver "O Inferno" depois de ter ido à Florença e depois: "Ei, olha, estivemos ali." Isto cria uma sensação.

E cria uma ligação.

Uma ligação.

Existem, tu diz que "Inferno" é em Florença.

Desculpa, só, é mais do que isso. É que nós às vezes temos muito a ideia, há esse estigma de que é muito oco e tu tens ali, factualmente, de facto, dados em que aprendes alguma coisa sobre pessoas que não ligam muito a isso.

Mas essa acho que é o segredo.

O segredo dos segredos.

O segredo dos segredos que vai ser revelado agora por mim aqui, não o segredo dos segredos do Dan Brown, mas é esta tentativa, que eu acho que não é exclusiva do Dan Brown, mas talvez ele faça melhor do que outros. Eu não conheço muitos de ler, mas sei que há, que é apresentar temas muito complexos dentro de uma forma muito apelativa, de entretenimento. Ou seja, biotecnologia, agora é noética. Que eu nem sei o que é, mas vou saber.

Mas deve ir com esse estudo da consciência.

Ou inteligência artificial, ou os grandes mistérios do cristianismo. Temas muito complexos apresentados de uma forma simples, com muita informação.

E que não têm respostas necessariamente óbvias. Isso também joga a favor dele.

Não têm. E depois há ali uma mistura, por exemplo, no "Código Da Vinci": será que isto é mesmo assim? Será que o Santo Graal, para quem ainda não leu, não vou revelar.

Não digas para que lado.

Será que o Santo Graal será aquele Santo Graal que o filme diz que é?

O do Indiana Jones.

E isso dá esta sensação de conhecimento. "Estou a aprender alguma coisa com este livro." Apesar de isto ser para me divertir. De facto, eu acho que foi o próprio que contou isto na entrevista ao Expresso, dizer que a melhor definição que ele tinha encontrado para os livros dele, foi uma senhora que lhe deu, era como estar a comer algo altamente nutritivo, mas que sabia a McDonald's.

É como se fosse sobremesa, não é? Ele disse assim qualquer coisa.

Qualquer coisa do gênero. Ou seja, é algo muito saudável, porque tem muita informação, mas que sabe a McDonald's.

Exato. Mas é açucarado e aditivo, não é?

Ora, aí é que está. Só que depois, tipo quatro horas depois de consumires aquilo, já estás com fome, porque aquilo, na verdade, o que te dá é gordura e açúcar.

É satisfação imediata.

Claro, aquilo cria a ilusão que estás a aprender ali alguma coisa. E se saíres do quarto ou da sala naquele momento, depois de fechares o livro e fores falar com alguém, provavelmente tens ali assunto de conversa, mas aquilo não é para ficar e não é para aprenderes nada. Dá-te, de facto, essa ilusão. Por exemplo, do que cá faz o José Rodrigues dos Santos. Já foi muitas vezes comparado ao Dan Brown, e o Tomás Noronha.

É o mesmo tipo de leitura.

Sim, e isso que o Pedro estava a dizer, de concentrar muita informação, às vezes, nos diálogos ou nos pensamentos das personagens, lá está, é informação. Mas é isso também que eu acho que é o que tira qualquer aspiração artística aos livros do Dan Brown. Aquilo é só para funcionar. E até pode funcionar, mas não tem mais do que isso. Enquanto outros autores, não sendo exatamente deste gênero, mas como o Daniel Silva ou Stephen King, levam um bocadinho mais além os formatos, os gêneros em que trabalham, o Dan Brown é aquilo, e parece que muita gente gosta daquilo.

Deixa-me só dizer uma coisa.

Diz, Pedro, rapidamente.

Tem que ser rápido, é isso?

É interessante que nós no cinema e na televisão conseguimos assumir, nas entrevistas e nas análises, que é um trabalho de equipa. E aqui, na literatura, mesmo a do Dan Brown, que não será tão literatura como outras literaturas, é muito importante para nós, observadores, críticos e líricos, que ele tenha feito tudo sozinho. No fundo, o tipo investigou Praga sozinho, viu aquilo tudo sozinho.

O que provavelmente não aconteceu.

Escreveu tudo sozinho. Sim, não terá acontecido. É provável que não tenha acontecido. Aliás, no livro há umas partes que parecem coladas com fita-cola, porque eu acho que também é mais ou menos inevitável. É tanta informação. Como eu disse há pouco, cada vez que o Robert Langdon dá um passo, levas com 15, 20 linhas de informação histórica. E também tem a ver com o fascínio dos americanos, isto agora na origem da carreira do Dan Brown e de outros, com a Europa e com o passado. Além da inquietação muito humana de que as coisas têm que fazer sentido. Que se nós ligarmos as coisas e o Leonardo Da Vinci se calhar era uma mulher, ou se calhar era um OVNI, ou se calhar era qualquer coisa, para dar uma espécie de sentido, neste caso, ao sorriso enigmático da Mona Lisa.

Muito bem, final da primeira parte do "POP UP". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "POP UP" com Maria Ramos e Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Não sei se já vos disse aqui esta semana, mas ganhámos o prémio para melhor programa de rádio da Sociedade Portuguesa de Autores. Ora bem, parabéns a nós e a quem nos ouve. Resta saber se vou fazer referência a isto todos os programas durante o próximo ano. Não, não vou. Não preciso.

Não, é tipo um daqueles selos do Plano Nacional de Leitura, por exemplo.

Fica lá.

"Este programa foi galardoado."

Olha, fica a ideia. Esta semana estamos aqui no meio das histórias de Dan Brown, por causa do novo livro do autor americano, "O Segredo dos Segredos". Pedro Buchinho Mendes, há sempre esta questão fundamental que eu aprecio bastante, que é: também se fala muito mal de Dan Brown. Fala-se mal de muita coisa, mas depois há coisas sobre as quais as pessoas não têm vergonha de dizer mal.

Sim, este tipo de literatura é muito facilmente ignorável pela crítica e muito facilmente desprezada por quem nunca leu.

Por quem nunca leu o Dan Brown.

Ou qualquer outro. Eu escrevi um policial passado em Lisboa, ao jeito de Dan Brown, no sentido que o meu investigador teve a ver com o incêndio do Chiado, etc. O meu investigador também vê uma coisa no Jardim de São Pedro de Alcântara, depois some e não sei o quê, arranja uma especialista, depois tem a ver com o Fernando Pessoa. O livro não correu bem em termos de vendas, embora as pessoas que tenham lido, me tenham dito que adoraram, porque aprenderam imenso sobre Fernando Pessoa, aprenderam imenso sobre a cidade de Lisboa, etc. Ou seja, estes livros são desprezados por não serem literatura. Eu, enfim, nada a dizer, mas depois não são também valorizados, portanto, a força contrária, por terem muita investigação e por partilharem muito saber que as pessoas não sabem, passo a expressão. Por exemplo, eu descobri, não fazia ideia, que o Jardim de São Pedro de Alcântara, ali em Lisboa, era um suicide spot. As pessoas atiravam-se ali para baixo para se matar.

Não façam isso.

O saber não ocupa lugar, como sabemos. Este tipo de livros, estão incluídos os Érico Santos, estão incluídos Dan Brown e estão incluídos muitas outras pessoas, acabam por ser mais difíceis de fazer, porque não recorrem a outro gênero, que são os tecnothrillers ou qualquer coisa, em que tu metes no fundo um hacker que vive numa cave, e que rapa o cabelo e é antissocial, mas consegue sempre entrar nos bancos da Suíça e desviar dinheiro.

É um pouquinho mais Stieg Larsson, não é?

Isso. Não é bem Stieg Larsson, porque Stieg Larsson também tem outros temas. É mais fácil fazeres ficção com informática, porque há sempre um tipo que consegue coisas. Aliás, este livro está a ser criticado por causa disso, por não ser um Robert Langdon que decifra códigos antigos. E mais por ser um Robert Langdon, que é um passageiro de uma história onde há montes de coisas tecnológicas. E eu acho que às vezes, tenho a certeza, que estes livros deveriam ser mais respeitados pela investigação que têm e pelo saber que partilham. Ainda que sejam só entretenimento ou o que for.

Sabes qual é que eu acho que é o problema em muitos desses casos? É que não será para a maior parte dos leitores, mas para alguns leitores, é tu perceberes que o autor, na verdade, não se interessa muito por aquele tema. Esteve ali a fazer um curso rápido, uma investigação rápida para usar aquilo como cola ou cimento narrativo, mas não se interessa particularmente pelo tema. E eu acho que é isso que repela alguns leitores, é tu perceberes que, no fundo, aquilo é um esquema, é uma fórmula em que a pessoa faz uma investigação muito wikipediana sobre a coisa e, ainda pior, quando depois aparece quase que a afirmar-se como um grande especialista ou que vai fazer uma revelação bombástica sobre um tema que, se calhar, outras pessoas passam uma vida inteira a estudar. E eu acho que isso parece um pouquinho de batota. Se tu estiveres a partilhar um interesse que é teu, isso acaba por se perceber. De sinceridade, em literatura vale o que vale, mas tu percebes que aquilo é algo que interessa muito. Eu não estou a dizer que é este ou aquele o caso, ou o Dan Brown não se interessa. Provavelmente ele interessa-se muito avidamente por essas coisas todas, mas muitas vezes parece apenas um pretexto: "Espera aí, isto é capaz de ser interessante em termos de mercado, as pessoas gostam deste tipo de temas." Se for algo que resulta dos interesses do autor, essa paixão nota-se. Quando é apenas uma coisa meramente funcional.

Instrumental.

Utilitária.

Ele consegue tocar em temas, não digo leviana, mas de uma forma mais corriqueira, não tão aprofundada. Ou seja, não tem uma grande tese, não está há oito anos a tentar descobrir se há vida após a morte. Mas quando traz, por exemplo, este tema, que é um dos temas do livro também, a questão do heliocentrismo e uma série de coisas. Se calhar, eu acho que ele fala para aquele leitor médio que não está todos os dias a levantar-se e a pensar: "Será que há vida depois da morte?" Mas a certa altura pensa nisso. E pensa nisso também de uma forma um pouco descontraída, não com essa profundidade.

Nem que iria estudar o tema.

Exatamente.

Ou ler um livro mais acadêmico sobre o tema.

São complexidades humanas.

É um pouco como o aviãozinho. Vai olhar a sopa, para comer a sopa vai fazendo o aviãozinho e agora engole. Eu acho que é um bocado isso. É dourar a pílula.

Desculpa, estes Dan Browns depois são avaliados ou pegam-lhes pelo lado literário. Estou a usar o Dan Brown como exemplo deste tipo de autores. O objetivo dele é ganhar umas massas, obviamente, e acho que isso é legítimo. E percebe que tem uma receita. As pessoas gostam. "Deixa-me então inventar agora e vou fazer este passado em Praga. Quais são os temas que estão a dar aí? Não sei o quê, a vida depois da morte, ética. Vou." E depois ele, de facto, mete tudo na bimby, como se costuma dizer, ou ouve-se dizer às vezes, e produz uma obra de ficção e de entretenimento que o tipo sabe que depois vai dar uma série. É errado? Eu acho que não. Não, claro. Sim.

E acho que todo este trabalho, todo este processo, merece mais crédito do que normalmente lhe é atribuído a obras deste género.

Porém, se a crítica em causa ou a análise em causa for literária, é possível apontar falhas e críticas.

Claro, imagina uma coisa. Sempre que estão a dar os filmes do Steven Seagal na televisão, eu fico a ver. Eu adoro os filmes do Steven Seagal. Vais me perguntar se aquilo tem algum valor cinematográfico. Não tem. Eram filmes de baixo orçamento.

Tu só queres tentar ver se consegues ver as mãos dele a mexer, não é?

Eu quero vê-lo a partir braços, é a única coisa que eu quero ver.

Nós temos o exemplo do Rodrigo Santos.

E partir braços no Dan Brown é estas coisas de decifrar mistérios. Toda a gente, eu acho que é uma coisa um bocado infantil.

É o saltar de capítulo em capítulo.

Capítulo em capítulo e para poderes passar para o capítulo seguinte, tens que decifrar.

Sim, aliás, eu estou com a sensação que vou chegar ao final e não vou descobrir nada. Vou continuar sem saber.

É um MacGuffin, vais de pista em pista.

E pode haver um acordo estabelecido entre o leitor e o livro, que é: eu vou abdicar da minha exigência literária.

Claro.

Que era absorver esta história. Só isto.

Nós temos o caso do Rodrigo Santos, que nas raríssimas vezes em que ele é criticado nos jornais, contextos, há uma obsessão em encontrar falhas e frases mal construídas e até metáforas e imagens que não são muito felizes. Mas a verdade é que o tipo é um absoluto best-seller em Portugal. O Rodrigo Santos é um absoluto best-seller em Portugal e noutros países.

Sim.

E se calhar nós, em Portugal, quando eu digo nós, programas como o "PopUp" e pessoas que escrevem em jornais sobre livros e o que for, devemos aceitar mais confortavelmente este tipo de fenómenos. Nem tudo tem que inventar a roda. Quando a Maria Gabriela Pinto publicou o "Sei Lá" em 1999, demorou muito pouco tempo a montar-se um autêntico exército contra a literatura light. Portanto, os livros dela e depois de outros autores que faziam coisas semelhantes, vendiam imenso, mas havia um exército de ataque. É como se aqueles livros não pudessem existir. "Mas são bons livros, são maus livros?" Quer dizer, há livros que são melhores do que outros, mas há espaço para todos, não é assim que se diz?

Muito bem.

Mas com um sorriso, melhor ainda. E às vezes dá ideia que estes Dan Browns, ou Rodrigos Santos, ou Maria Gabriela Pinto, ou o que for, são obrigados a escrever sempre uma obra-prima que cumpra com as exigências da crítica. Quando às vezes livros que essa crítica critica têm uma condescendência muito maior, têm um crédito à partida muito maior, só porque é um novo nome do Paraguai. E o leitor em casa.

Pouco subtil.

E o leitor em casa. Nós na política estamos a assistir a fenómenos que podemos traçar algum tipo de paralelismo com este tipo de atitude perante obras como Dan Brown. "Free Dan Brown".

São estes gajos, as elites, são os esnobes dos críticos.

Vamos fazer uma "Tchutchuca".

Mas eu também sou esnobe.

Em vez de ligarem aos desgraçados dos paraguaios deviam ligar.

O Pedro, esnobe? Parem com isso.

Pensos do Paraguai.

Maria da Silva.

Já que falamos de pensos, não é?

Não, mas há aqui outra questão, porque eu ia-te perguntar sobre o leite, mas tu já falaste disso. A questão da proximidade, é tão imediato, está tão in your face.

Mas eu não disse tudo sobre isso, porque eu acho, de facto, importante.

Eu interrompi a Maria.

Não. Uma das coisas que se falava na altura também, que se apontava o dedo aos Dan Browns desta vida, era precisamente isso: "Que horror, isto até se vende no supermercado. Isto é uma vergonha, não deve valer nada."

Supermercados, posso dizer em Portugal, pelo menos, são pontos de venda importantíssimos.

Não é só isso, Tiago. Eu vou dar uma notícia às pessoas deste país que não tenham percebido isso. Infelizmente, é mais fácil em muitas terras encontrar um supermercado do que uma livraria. Portanto, há muitas pessoas que, seja para comprar leite ou um livro, têm que pegar no seu carro e ir à grande superfície mais próxima. E, portanto, uma livraria então, e uma livraria ótima, incrível, como nós ainda temos a sorte de ter em Lisboa, não está ao virar da esquina para todos os portugueses, as pessoas que vivem cá.

Se vamos falar depois de pontos de venda, como os supermercados, e como é que eles selecionam os livros que estão lá.

Isso é outra questão. Agora, dito isto, eu acho que há parte todo esse sistema, que é demasiado complicado para agora estarmos aqui a falar. Acho importante, e não me parece nada desprestigiante, que se aproxime e que se tente aproximar de leitores novos ou não tão novos, que se tragam os livros até às pessoas nesse contexto. E quem diz do supermercado, diz nas áreas de serviço, no sítio por onde as pessoas regularmente passam. Eu tenho a ideia que isso pelo menos acontecia um pouco com os jornais quando eram em papel. Eu recordo-me de começar a ler porque lá em casa alguém tinha um jornal e o jornal estava ali na mesa. E, portanto, tu mesmo quando não estás a pensar naquilo, não estás desperto, quando as coisas te vêm ter à mão uma, duas e três vezes, é mais fácil tu contactares com isso de uma forma ou de outra. E portanto penso que para os livros também vale. Se é o Dan Brown ou se depois é o Nobel A, B, C ou D.

Mas diz-me uma coisa, tu que costumas estar atento ao mundo em redor. Apareceu-te agora com este novo lançamento de Dan Brown, que ainda existe a ansiedade do lançamento literário? As pessoas ainda esperam, e depois ainda falam, e depois ainda compram?

O Dan Brown tem aqui outro lado muito interessante, que é: vive muito de duas coisas que parecem contraditórias, mas que acabam por confluir. Por um lado, é um tipo muito omnipresente, lá está, até te chega ao pé de ti no supermercado. Por outro, vale-se da escassez. Da escassez no sentido em que tu, num mundo em que tudo é altamente rápido e efervescente, tens que estar oito anos à espera do Dan Brown, se de facto quiseres ler. Já nem te lembras quando é que foi a última vez. Mas depois chega e aquilo de facto tem ali um certo cariz de acontecimento. E depois eu acho que ele consegue, na sua própria vida também, cultivar muito desse distanciamento. Ele é um tipo que diz uma coisa muito engraçada, que de alguma forma é caricata, ao mesmo tempo, talvez um pouco negligente nos tempos em que vivemos, mas ele diz: "Se repararem bem, eu passo metade do meu tempo a dormir e a outra metade a trabalhar nos meus livros. Portanto, eu não vivo bem na realidade, eu vivo num mundo de ficção com personagens que não existem assim propriamente, existem em parte, naturalmente, mas é como se eu tivesse uma realidade paralela." Até porque o Dan Brown depois é muito confrontado pelas suas ligações. Já não sei quem é que lhe pergunta: "Então e ainda anda de Tesla?" Como se aquilo nos interessasse muito. E ele: "Sim, ando de Tesla e conheço este e aquele e tudo mais." Mas há sempre ali uma tentativa de facto de tu ires mais além da vida do Robert Langdon. Tentares esmiuçar muito aquilo que é depois a vida e as opções e as decisões do Dan Brown. Mas sim, eu acho que ainda tem algum efeito acontecimento. E é extraordinário num mundo em que, de facto, há muita concorrência, há muitos autores e teres esse efeito global, massivamente.

E para lá dos livros, há muita coisa a acontecer e a ser prontamente consumida.

Completamente. E ele continua a ser um lançamento acontecimento.

Uma coisa é uma pessoa comprar um livro, outra coisa é lê-lo.

Claro.

Nós quando falamos de livros, falamos de vendas no sentido das pessoas que compram, depois se leem ou não, não se sabe. Não há maneira de saber, claro.

Naturalmente. Bruno Vieira Amaral, o senhor Robert Langdon, que é o herói dessas histórias do Dan Brown, é uma boa personagem?

Acho que é um cabide, onde o autor projeta um pouco o herói que ele acha que poderia ser, se um dia fosse um herói.

Cabide ou uma cruzeta?

Ou cruzeta, depende de onde nos estão a ouvir, e acho que funciona nesse aspeto, serve para isso. Não sei se será uma personagem muito cativante, mas é o tipo que usa mais o cérebro, a cabeça do que propriamente o corpo. Não é violento, não é um Jack Reacher, não é um Steven Seagal.

Não é o John Wick.

Não é definitivamente o John Wick, tem outras qualidades e tem esse lado até de mais do que não ser sexy, é unsexy. É quase assexuado. Não sei se agora está mais solto. Mas deixa-me só ainda ir aqui um pouco à questão de livros que se vendem nos supermercados. Não me interessa muito se os supermercados vendem o Dan Brown, ou se autores como Dan Brown são vendidos aos milhões, seja onde for, em bombas de gasolina, seja onde for. Há aqui uma questão que depois afeta todo o mercado, que é: os supermercados, o peso do negócio dos livros para um supermercado é irrisório. Eles não precisam de vender livros, o negócio deles não é aquele.

Não é com isso que fazem dinheiro.

Agora, imagina, tu tens uma pequena livraria em Trás-os-Montes, em Bragança, em Portalegre, num sítio do interior. Tens uma pequena livraria. E um dos grandes livros do ano, claro, que vai vender muito, é o do Dan Brown. Se as pessoas ... comprarem o Dan Brown no hipermercado da zona, deixam de dar esse rendimento à livraria.

Como acontece noutras áreas.

Como acontece noutras áreas. E qual é que é o problema? É que os hipermercados têm uma variedade muito limitada de livros, porque não lhes interessa ter lá muitos livros. Interessa-lhes ter aqueles livros.

Sim, não é ao supermercado fazer essa curadoria. É a opção livraria.

Obviamente, mas isso depois tem um impacto que vai até àquilo que se publica, às opções que se fazem editoriais. Portanto, aquilo que parece de alguma forma inócuo, eu pelo menos quando critico isto, é pelo efeito que isto tem em todo o sistema editorial. Parece que se está a desvalorizar o livro. Não, quanto mais livros houver disponíveis, seja em supermercados, seja noutros sítios, melhor. A questão é que isso depois tem consequências para todo o mercado, para os livreiros, também para os autores e as editoras.

Já estou a trocar os vossos nomes todos dos prémios, uma pessoa fica atabalhoada. Pedro Boucher de Mendes, para terminar, dois minutos sobre Dan Brown no cinema, sobre as adaptações. Um, achas que correram bem? E dois, estas histórias vão encaixar melhor no formato televisivo? O que é que te parece?

Acho que sim. Acho que agora é tudo televisão. Quando "O Código Da Vinci" saiu, lembro-me, não havia nem smartphones, nem Netflix. Não havia essa ideia.

Tanta coisa que não havia agora que penso nisso.

Sim. E é mais ou menos óbvio, evidente, claro, seguro, lógico que nos inclinemos para a série, ou que o sistema se incline para a série e não tanto para o filme. Embora eu tenha gostado bastante de "O Código Da Vinci", o filme. Não sei se vocês viram ou se gostaram.

E gostaste do Tom Hanks?

Nós falávamos disso nas mensagens. Eu não gostei muito, porque ele tem o cabelo puxado para trás, não sei se te lembras.

Um dos penteados mais famosos dos últimos anos, a par daquele do Javier Bardem.

E eu imaginava o Robert Langdon um homem mais bonito, mais atraente. Não sei bem como pôr a questão. Porque, por exemplo, o Indiana Jones, que é um herói de tipo Robert Langdon, ou o Robert Langdon é um herói de tipo Indiana Jones. O Indiana Jones também é um cabide, é uma amálgama daqueles aventureiros exploradores.

Mas depois é o Harrison Ford.

É um homem muito mais bonito do que o Tom Hanks.

Mas olha que o Indiana Jones tem esta particularidade que é uma espécie de super-homem.

Isso, que é mais físico.

Aquele transforma-se. Há ali o lado Clark Kent.

Põe o chapéu e o chicote.

E depois veste a farda dele e transforma-se num super-herói físico.

Deixa-me só esclarecer uma coisinha, que é: eu não tenho nada contra a crítica gostar mais dos livros do Paraguai do que dos livros do Dan Brown. Mas talvez o que eu quisesse dizer, e que vou dizer agora, é que é difícil fazer estes livros. E pelo menos isso deveria ser mais respeitado. É só isso. E também devíamos ter falado da tradução, que foi traduzido pela Tânia Ganho, que é uma tradutora muito famosa em Portugal e também escritora, também famosa e reputada e premiada. Portanto, é um passo que a editora em Portugal deu para que o livro seja melhor servido, digamos assim. E ela teve dificuldades interessantes. Um dia que a conheça eu vou-lhe perguntar, com certeza. Por exemplo, ela traduz scanner, que é uma palavra que toda a gente usa, por digitalizador. Deve ter havido ali algumas questões com a editora ou opções dela própria para evitar os anglicismos. O livro tem muito poucos anglicismos.

Pois, porque são palavras que nós não traduzimos na nossa linguagem corrente.

E que usamos. E que, agora estou eu a dizer, se tivesse participado na reunião entre a Tânia Ganho e a editora.

E Dan Brown.

Que é o leitor típico deste tipo de livros, também diz scanner, não diz digitalizador.

Mas como é que dizes: "Olha, faz-me aí uma..."

Cópia? Sei lá.

Digitalização?

Uma scanagem.

Mas espera.

Depois ela a dada altura a um personagem "save changes", faz "save", que é o que nós dizemos. E a Tânia põe "guardar alterações". De facto, está bem traduzido, mas soa a guardar alterações. Ah, ok, save, está bem. Portanto, deve ter sido um dilema interessante para a tradutora e para a editora.

Muito bem, meus amigos, final de mais um "PopUp". Voltamos na segunda-feira em podcast com as sugestões da semana. Já sabem, sigam-nos nas vossas plataformas favoritas e não percam nenhum episódio. Até lá.