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Depois comecei a ver: não tem nenhum filme do Clint Eastwood. Espera aí.
Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o vosso júri favorito no mundo da cultura popular. Esta semana com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Vamos falar de cinema e fazer a pergunta: serão estes, de facto, os melhores filmes do século XXI? É isso, meus amigos. Estamos de volta a um dos formatos que muito apreciamos, que gostamos muito de trazer aqui ao PopUp, que é a análise de listas alheias. Assim também eu. Desta vez a culpa é do New York Times, que elencou os 100 melhores filmes do século XXI, escolhidos por 500 personalidades ligadas ao cinema, entre realizadores, críticos, atores, etc. E perguntam vocês: o que nós temos a ver com isto? Temos tudo a ver com isto, porque os nossos especialistas nas coisas em geral olharam atentamente para este ranking, que é, já agora, liderado por "Parasitas", do sul-coreano Bong Joon-ho. Portanto, agora tem uma escura conotação.
Todos para casa. Acabou.
Isto não é notícia. Bruno Vieira Amaral, tu como cinéfilo apaixonado pelas fitas, já não se pode dizer fitas que agora é tudo digital. Uma das tuas primeiras questões tem a ver com uma ausência. Muito indignadamente, talvez seja a primeira nota que tu assinalaste, é: como é que não está aqui nenhum filme do Clint Eastwood?
Atira logo esta lista diretamente para o lixo.
Agora, falando sério.
Não, eu estou a falar sério.
Nós estamos a falar sério. Foi a primeira coisa que tu viu?
Não, a primeira coisa quando vi a lista completa foi: o que é que o "Parasitas" está a fazer no primeiro lugar?
Mas começando por baixo, há uma coisa boa antes de chegares lá, porque tu ainda tens alguma esperança de que ele possa estar, que é o Nicholas Sparks a escolher o "Gladiador" em 92. Eu fiquei a pensar: Nicholas Sparks, de repente aqui no meio, escolher o "Gladiador".
Eu confesso que não percebi muito bem os critérios, ou seja, como é que foi ordenado. Mas também não quero perceber. Está em primeiro, está em primeiro. E depois, sim, comecei a ver: mas isto não tem nenhum filme do Clint Eastwood. Espera aí, não pode ser.
Depois chegas-te a alguém: "Manel, podes ver se está certo?"
Podes confirmar se eu estou a ver isto bem? E não há nenhum filme do Clint Eastwood. Tu tens 10 filmes do Christopher Nolan.
Tem vários de um cineasta que tu precisas muito, que é o Wes Anderson.
E lá mais para cima. Eu até entendo uma certa questão geracional, mas daí a não haver aqui nenhum filme do Clint Eastwood. Do Woody Allen já seria de esperar. Uma coisa é verdade. Por exemplo, o Spielberg tem aqui um, creio, que é o "Minority Report". Eu acho que ele até tem outros filmes. Não me choca que seja este, choca-me que não estejam outros.
Por exemplo?
Por exemplo, o "Catch Me If You Can", o "Munich", que é talvez deste século, o melhor filme. E o "Inteligência Artificial". Eu estaria hesitante entre o "Inteligência Artificial" e o "Munich" como o melhor filme do Spielberg neste século. Mas aquilo que me choca mais nesta lista, claro, não é só o fato de estarem pouco representados estes realizadores clássicos, mas é porque alguns deles, como o Spielberg e o Woody Allen, por exemplo, não fizeram os melhores trabalhos deles neste século. Mas, no caso do Clint Eastwood, é perfeitamente legítimo tu defenderes a ideia de que alguns dos melhores filmes, senão os melhores filmes do Clint Eastwood, foram feitos neste século.
Será praticamente unânime.
Eram os mais populares. Por exemplo, o "Million Dollar Baby" é uma coisa que na altura é superfalado. Quer dizer, mesmo que não quisesse ir muito por diante, paravas em 2006.
O "Million Dollar Baby", o "Gran Torino", o "Mystic River", qualquer um destes.
Eu ia perguntar, o "Mystic River" é deste século?
É deste século.
O "Richie Jewel" também.
Claro, já estou a falar dos mais populares, que ganharam prêmios, ou que foram mais falados na altura.
E um tipo que até há pouco tempo andava a fazer filme de dois em dois anos.
Há outros que eu gosto muito, aquele do caso do piloto de aviões, que é com o Tom Hanks.
Do Hudson.
Do Hudson. E lá que em português ficou-
"Sully".
Que em português ficou como "Milagre no Rio Hudson". O do correio de droga também gosto bastante.
Do "Mull".
Do "Mull". E a mim, de facto, espanta-me muito. Como é que não está nenhum filme nos 100 primeiros? Eu depois fui ver a lista dos leitores e aparece um conjunto de mais de 400 filmes.
Porque cada leitor pode fazer a sua lista.
Exatamente, e depois aparece todos os filmes. É verdade, só por uma opinião geral sobre o cinema deste século, eu acho que é pobre. Mesmo assim, sendo pobre, conseguiram cometer aqui a injustiça. Não diria injustiça, mas coisas que são difíceis de explicar.
Nunca seria uma lista que ia agradar a toda a gente.
Sim, em 100 tem-se espaço, certamente, para tirar um. Nem que seja pela cortesia. Porque as pessoas que estão aqui, estão a fazer coisas e até estão a fazer coisas boas.
Os cinco ou seis filmes do Christopher Nolan que estão nesta lista não são todos melhores. Aliás, para mim, nenhum é melhor do que o pior do Clint Eastwood.
O Bruno está com aquela cara. E vamos passar ao Pedro.
Que vai criar uma tensão.
Se estivesse aqui o Christopher Nolan neste estúdio, ele não saía daqui vivo. Pedro Moçambique.
Já falamos do resto.
Também queres falar de ausências. Uma delas, Clint Eastwood, também a notaste. E também notaste que quase ignoraram Spielberg. Aliás, como o Bruno falou aqui, que só tem um filme nesta lista, não é?
Sim, começar por dizer que nós não somos críticos de cinema.
Mas temos a nossa opinião.
Sim, não é-
Mas não é o nosso métier.
Creio que estamos de acordo que não é uma avaliação cinematequês.
Não, é passional, é perfeitamente passional.
E este programa, creio que encara os fenômenos pop pelo seu impacto cultural e social.
E pelas nossas emoções.
Sim, pelas tuas, pelo menos. Eu vejo sempre estas listas, de que gosto muito. Gosto muito destas listas.
Também eu.
Aliás, é muito interessante que o jornalismo português não tenha a coragem de as fazer. Porque não tem.
Não posso falar por todos, mas sei-te dizer que são coisas muito difíceis.
Eu sei, porque houve uma-
E muito elaboradas
...vida que eu vivi e uma publicação que eu dirigia, que nós fazíamos estas listas, de facto, e tinham imenso impacto junto dos espetadores. E às vezes eram assuntos tipo: os 50 momentos em que Portugal abriu a boca de espanto. Até pode ser isso.
Também depende da forma como o fazes. Há várias formas.
Não, eu acho que é mesmo falta de coragem do jornalismo.
Umas mais ambiciosas, outras menos ambiciosas.
Imagina, os melhores romances portugueses dos últimos 50 anos. Pronto, os 50 melhores romances. Isso eu acho falta de coragem. Acho mesmo. E também preguiça, que é uma coisa que o jornalismo português é bastante preguiçoso. Eu gosto muito de consumir estas listas e vejo-as como cápsulas do tempo, ou seja, vejo-as como qualquer coisa que alguém daqui por 100 anos, imagina, tem acesso e consegue ter um retrato da época. Enfim, neste caso, são os 100 melhores filmes do século XXI, dos últimos 25 anos, coincide com o século XXI. E acho que tem falhas, omissões graves, caso esta lista seja vista como eu a vejo. Além dos que o Bruno disse, eu que eu acordo quase todos, não tem, por exemplo, o "Finding Nemo", o "À Procura de Nemo".
Sim.
O impacto social e cultural do filme foi brutal e os miúdos andaram a comprar peixes.
Não, é uma das ausências.
O Shrek também.
O Shrek. Eu não percebo. Eu estava a dizer que neste século, se calhar, a qualidade geral, eu não quero ser nostálgico e dizer que antigamente é que era bom, mas olhando para os 500 filmes, eu fui passando os olhos. Este não.
100 filmes.
Não, depois para a lista dos 500.
Sim.
Para os 500, porque eu passei aqui no fim. E é difícil. Por isso é que estas omissões são ainda mais chocantes, porque se calhar uma das áreas do cinema em que houve mais criatividade foi, por exemplo, o cinema de animação. E tu não veres aqui o "Finding Nemo", como o "Toy Story 3", que eu acho que é um dos grandes filmes, acho que está no top 10. Nem aparecer aqui, não sei se aparece nos 500, mas acho que sim. Não consigo compreender muito bem, porque, de facto, acho que houve um período de grande criatividade e inovação no cinema de animação. Vieram daí algumas das melhores coisas, como eles reconhecem, com o "Ratatouille", o "Up!", o "WALL-E" é um darling dos jornalistas.
É, mas é.
Quando eu acho que havia outros melhores.
Continuando o meu raciocínio, também sinto falta do "Casino Royale", o primeiro filme com o Daniel Craig, de 007, que eu acho que é um ótimo filme e que teve também impacto cultural e social. Outros filmes, talvez mais discutíveis, tenho aqui o "Manchester by the Sea", filme de que eu gostei bastante, com o Casey Affleck, e o "In Bruges". Fiquei muito admirado de não estar aqui. E poderão pensar: "Mas ele está a dizer, mas isto é uma lista meio intelectual." Não é, porque tem filmes como o "Arrival", o "Gone Girl", o "Once Upon a Time in Hollywood" e o "Whiplash", filmes que eu acho que devem estar. E finalmente, a partir do momento em que tem o "Get Out", do Jordan Peele, em oitavo lugar, como é que não tem então o "Django Unchained", por exemplo?
Um filme de que eu gosto, por acaso gosto muito do "Get Out".
Mas o oitavo?
Mas o oitavo, lá está. É um filme dos filmes de terror deste século.
Está bem sacado, mas o oitavo?
Sim. E há outros. É como o "Moonlight" em quinto.
Mas o "Moonlight", apesar de tudo, acho que é melhor. E depois fiquei admirado pelo "Barbie" não estar também.
Mas a isso já lá vamos, espera aí. Porque Maria Ramos Silva, além da ausência em geral, há uma questão que me falaste antes de começarmos o programa, que tem a ver com: o resultado seria sempre visivelmente muito mais americano do que, se calhar, no teu entender, devia ser? Isso era inevitável?
É um pouco como os Oscars. Nós seguimos os Oscars como os grandes prémios do cinema, mas tendencialmente são os grandes prémios do cinema americano. E depois há ali uns outsiders que se vão destacando mais e que até conseguem fazer-
Sobretudo nos últimos anos, não é?
Sim, já que tocas nisso, é engraçado porque eu não encontrei o "Anora" nesta lista e eu acho extraordinário, porque tens outros filmes que venceram Oscars e que foram superbadalados, como o "Tudo em Todo Lado ao Mesmo Tempo". Mas está em septuagesimo sétimo.
Ou o "Nomadland".
Exatamente. Que eu não sei se está.
Acho que não está.
Esta lista, de facto, é uma coisa muito esquisita. Para já, houve uma coisa que eu notei, que é: tu falas do século XXI, quer dizer, parecendo que não, já vão 25 anos.
Parecendo que não, já lá foi um quarto.
Mas eu acho que as pessoas que avaliaram estes filmes começaram a ver cinema há três, quatro anos.
É, olha!
Estas pessoas, se nós formos ver filmes, alguns que já foram falados aqui, como por exemplo, deixa-me cá ver, o "Tar", o "After Sun", o "Uncut Gems", o "Moonlight", o "Get Out". Ok, são tudo filmes muito bons. Agora, e todos aqueles que estiveram lá no início dos anos 2000? É que a maior parte deles não estão aqui. A sensação que eu tenho é que, de facto, ou são pessoas muito jovens a ver isto e que já estão a olhar para coisas como o "Minority Report" como um clássico. E então fazem essa concessão ao clássico e põem ali umas coisas pelo meio, como o "Mulholland Drive". Ok, vamos lá buscar este, tem que ser. Vamos buscar aquelas coisas boas do P.T. Anderson, que felizmente estão ali, mas mesmo assim podemos discutir a ordem. Aliás, aquele clímax é uma coisa absolutamente desoladora, porque tu vais andando, aproximando do top five, vais descendo, e quando chegas ao primeiro: "Ah, 'Parasita'! Parece que estivemos ali a brincar, de facto."
Mas há uma questão, voltando à questão extra-americana. Uma das exceções que assinalaste foi o caso do Almodóvar, não é?
O Almodóvar, enquanto participante, porque o Almodóvar tem duas escolhas que eu também subscrevo. Uma é o "Amour" do Michael Haneke, que eu incluiria nesta lista. A outra é o "Phantom Thread" do P.T. Anderson, que eu também colocaria, obviamente, nesta lista.
Para mim, seria o melhor dele.
Estaria ali no top, seguramente, lá em cima.
E o "Haverá Sangue", não? É tramado.
É difícil. Lá está, é que isto não é uma questão-
Não estou a dizer qual deles é que é melhor.
Eu acho que isto é um ranking tão estranho.
Mas há filmes do Almodóvar na lista?
Há o "Volver". Mas, por exemplo, o "Dora e Glória", eu acho que é muito melhor.
Eu teria escolhido o "Dora e Glória".
Eu também teria escolhido esse.
Deste século.
Sim, exatamente. Agora, eu acho é que nós nem chegamos ao ponto de estar naquelas discussões de: "Epá, os primeiros três..." Porque antes disso já é um absoluto desastre. Quer dizer, isto é uma coisa sem nexo nenhum. E depois, já agora, abrindo aqui um pouco o pano, se quisesses, de facto, ir buscar filmes não norte-americanos, que tiveram algum sucesso lá fora, muitos deles até passaram nos principais festivais de cinema, e não sei o quê. Tu tens o "Laço Branco", também do Haneke, é um filme incrível. O "Cavalo de Turim" do Béla Tarr. Tu tens "A Caça" do Thomas Vinterberg, com o Mads Mikkelsen, que também conseguiu passar essa coisa de fronteiras da Dinamarca.
O "Drive My Car", não percebo como é que não aparece aqui.
Ó Bruno, e tens até uma coisa muito esquisita, é que dentro das próprias escolhas associadas a um realizador, por exemplo, e reforça essa ideia de que eu acho que as pessoas, de facto, não viram filmes entre o ano 2000 ou 2001 e 2010. Tu tens o "Kill Bill", que culturalmente teve um impacto estrondoso, numa posição muitíssimo modesta, e depois tens o "Era uma Vez em Hollywood" em 44º e o "Inglourious Basterds" em 14º. Quer dizer, nós podemos obviamente discutir, e eu não estou a dizer que os outros filmes não são bons, são também francamente bons. Mas quer dizer, é um pouco aquilo que o Pedro dizia, é assumidamente uma lista, ou supostamente uma lista dos melhores, mas esquece muitos fenômenos culturais.
Esperavas ver algum filme português?
Esperava. Claro que sim. Até porque normalmente estão nas listas do New York Times. É verdade, tens alguns realizadores portugueses como o Pedro Costa e como o Miguel Gomes, e outros, mas sobretudo estes, que conseguiram, não só pela sua trajetória nos festivais de cinema, mas também pela campanha norte-americana, portanto, não percebo por que não. Já nem cheguei aí.
Eu acho que isso seria muito improvável, não só em relação, aliás, mas pelo tipo de lista, tu percebes que muito dificilmente filmes dessas cinematografias periféricas apareceriam nesta lista. Quer dizer, quando tens seis filmes do Christopher Nolan.
Ó Bruno, e depois tens aquele fenómeno na Cidade de Deus.
O Nolan em "Dunkirk".
Parece que vai fazer as 15, depois vamos pôr isto em 15.
Não, mas o "Parasita" é o mesmo fenómeno. Isto prova, aliás, a vitória nos Oscars foi um bocado isso, que é: isto prova que nós estamos abertos a outras cinematografias e a filmes noutras línguas que não o inglês. Eu acho que se o "Parasita", de facto, fosse um filme em inglês, já o tínhamos esquecido. Eu lembro-me sempre de uma história com o Wong Kar-wai, que está aqui com o "In the Mood for Love".
Belíssimo filme.
Que, segundo a Maria, devia estar em primeiro lugar.
Podia ficar, mas queria que ficasse para baixo.
Quer dizer, tinha que ficar à frente do "Parasita".
Sim, pronto, é isso.
Mas o Wong Kar-wai, creio que foi em 2007 ou 2008, foi aos Estados Unidos fazer um filme, o "My Blueberry Nights", com a Nora Jones, que é um filme atroz.
Pois é.
E eu lembro-me sempre de uma conversa que tive com um amigo nessa altura em que ele me dizia: "Epá, os filmes dele são sempre assim, só que este é em inglês." Se calhar, deixa cá ver, se o "In the Mood for Love" fosse em inglês... Não, mas eu acho que o "In the Mood for Love" é mesmo um grande filme, mas o "Parasita" é um bocado essa: vamos expiar as nossas culpas por ignorarmos as outras cinematografias.
Colocando este em primeiro lugar. Muito bem, mas vocês apreciam o "Parasita"?
Epá, está bem.
Ok.
Sim, mas quando estás a fazer uma lista com essa pretensão, essa ambição de juntar os 100 melhores. E depois ainda por cima, quer dizer, isto foi escrito pela Julianne Moore. A escolha do "Parasita", não é um badameco qualquer. Eu acho que devia ter ganho o "Parasita".
Eu percebo, e de facto teve lá algum impacto, mas acho que está claramente acima das suas possibilidades.
Muito bem, rapaziada, a brincar. Já lá vai metade do programa. Chegamos ao fim da primeira parte do "Pop Up". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "Pop Up" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Bochim Mendes. Esta semana estamos a analisar a lista dos 100 melhores filmes do século XXI publicada pelo New York Times. Bruno Vieira Amaral, o alinhamento que eu tinha foi completamente comido pela voragem da vossa opinião.
Manda aí qualquer coisa que eu apanho no ar.
Mas há aqui uma coisa que eu sinto que te melindrou, que é: faltam comédias nesta lista.
Ora bem.
Muito bem.
É verdade, porque eu ia dizer isso.
Os cinéfilos wannabe gostam de escolher estes filmes que têm-
Sérios.
Sérios, percebes?
Têm mensagem.
Têm um lado edgy, que é ousado, mas ao mesmo tempo que lhes dá algum conforto. E as comédias, eles sentem que se escolherem uma comédia, vão parecer uns idiotas.
O Bruno: "Eles".
Não fui eu que escolhi, não foi. Eu admito que outras pessoas que não escolheram, mas que teriam o mesmo tipo de critério. E olha, sinto falta. Claro, está aqui o "Anchorman" com o Will Ferrell, e há o "Borat" também. Mas, por exemplo, não estão aquelas comédias do, como é que ele se chama?
Não sei. Mas vamos a isso.
O tipo do "Virgin aos 40". Não é o Steve Carell.
Tipo a "Ressaca". Isso até a "Ressaca" devia estar.
A "Ressaca", o "Aguenta-te aos 40", os "Fura Casamentos", o "Mean Girls". O "Mean Girls" foi um fenômeno. É uma comédia um bocadinho diferente destas. O Judd Apatow. Era a ele que eu me queria referir, que foi uma espécie de guru de um movimento de renovação da comédia. E está completamente ausente desta lista. Foi um dos fenômenos mais interessantes da revitalização do cinema mainstream americano neste século e é completamente ignorado, para se pôr aqui seis filmes do Christopher Nolan. Até o "White Chicks". O "White Chicks" eu acho que um dia ainda vai ser-
Qual é o "White Chicks"?
É aquele com os irmãos Wayans.
Sim, está o "Napoleon Dynamite" também.
Está o "Napoleon Dynamite" ou está o "Superbad"?
O "Superbad" está. O "Napoleon" não está. E não está o "Juno" também.
O "Juno", exatamente. Mas aí tinham que referir Ellen Page e não Elliot Page, ia ser um problema. E eu senti falta desta atenção, que é histórica. Esta desatenção é crônica, é histórica, de Hollywood, em relação às comédias. As comédias são sempre completamente desvalorizadas e senti que não foi feita justiça a um movimento que, quanto a mim, foi dos mais interessantes, dos mais produtivos, sobretudo na primeira década deste século. Portanto, estranhei, por um lado, que isso não tivesse sido reconhecido, por outro, não estranhei, porque o desprezo histórico de Hollywood e da crítica pelas comédias é conhecido.
Tiago, queria só referir que nós estamos a avaliar uma lista do New York Times. Entretanto, eu acho que deve ter sido mais ou menos na mesma altura, a Rolling Stone lançou uma igual. Dá uma ideia. Que é mais simpática dentro dos nossos padrões. E aqui temos o "There Will Be Blood" em primeiro lugar.
Olha, estás a ver?
Já é uma melhoria.
Nós, o moderador deste programa, não disse ainda o top 10 da lista. Não sei se estás a perceber.
Vamos guardar para o fim.
O quê? O meu?
Não. Ou seja, os ouvintes estão nos a ouvir, mas não sabem quem ficou afasto.
Mas espera.
Não, só dissemos o primeiro. Sim, é verdade. Mas tem que haver aqui uma razão para as pessoas chegarem ao fim do programa.
10, vá, 10.
Espera. Vamos começar em 10. Vocês vão fazendo uma pequena reação. Em 10, "The Social Network", David Fincher. A seguir, "Spirited Away", do Miyazaki. Este é 2002. O "Get Out", do Jordan Peele, 2017.
É bom, mas não para oitavo.
Depois, o "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" do Michael Gondry.
Boring.
Pois é.
Isto dá um filme de jornalista.
Não é boring.
Mas não é para ser.
Percebo.
Sexto lugar.
Sim.
"No Country for Old Men".
Sim.
Dos Coen. Sim, está ok. É um bom filme. Depois, em quinto, "Moonlight", de Barry Jenkins.
Eu gostei do filme.
Sim, mas é que estão a falar do quinto lugar.
Pronto, em quarto, "In the Mood for Love" do Wong Kar-wai, 2001. Em terceiro, o "There Will Be Blood", do Paul Thomas Anderson. E em segundo, o "Mulholland Drive" do David Lynch, de 2001.
Está muito bem.
E depois em primeiro, pronto.
Olha, deixa-me só dizer quanto às ausências, e que isto está relacionado com o "Moonlight", que ganhou o Oscar nesse ano. Foi aquela celebre prova.
Quase não ganhava.
Quase não ganhava para o "La La Land". O "La La Land" não está aqui.
Que não está na lista.
O "Whiplash" do Damien Chazelle está aqui.
E bem.
Está bem, o "Whiplash", mas o "La La Land" devia estar nesta lista. E é um filme prejudicado pela questão racial, porque é aquela coisa do salvador branco, do jazz, vai ensinar o jazz aos negros. Ou vai criar ali um clube que vai salvar um bar, que vai salvar o jazz, vai renovar o jazz. Eu acho que é completamente prejudicado por esse contexto, ao contrário do "Moonlight", por exemplo, que é claramente beneficiado pela questão do conteúdo, do tema.
Deixa-me só dar os outros, do 11º ao 20º. Em 11º, o "Mad Max: Fury Road", que eu acho um ótimo filme.
Este também não sei se acho que é 11º.
É mesmo muito bom filme. Talvez não tenha tido o reconhecimento que merecia, quer dizer, esta lista dá-lhe algum reconhecimento
Porque é assim meio da ação. É um filme da ação, mas é um muito bom filme. A Zona de Interesse, do Jonathan Glazer, que chegou à Max e à Filmin entretanto.
E está em 12º.
Está em 12º.
Não concordo nada com isso.
Também podia estar o Bird.
Não concordo nada com isso.
O Children of Men, do Alfonso Cuarón.
Certo.
Eu não gosto muito, mas é como vai a onda. O Inglourious Basterds, do Tarantino. Depois, Cidade de Deus, do Fernando Meirelles. O Hidden Dragon, Crouching Tiger ou Crouching Tiger, Hidden Dragon. Há muito tempo que eu não ouvia falar deste filme. Este filme era ótimo.
O Tigre e o Dragão.
Y Tu Mamá También, do Cuarón, em 18º. Desculpa, o Brokeback Mountain, em 17º.
Talvez pudesse estar um pouquinho mais acima, conto eu.
O Zodiac em 19º.
Também gosto.
É um bom filme.
O Lobo de Wall Street, do Scorsese, em 20º. Acho que sim.
Mas ia-te perguntar uma coisa, até porque o Bruno falou aqui neste lado, que é: até que ponto, como em tudo, aliás, há política nesta lista e em havendo política, o filme, como tu já disseste, e bem, Barbie, não devia estar na lista?
Eu já participei, já encomendei listas, já fui diretor de publicações que encomendou listas, já fiz listas e já fui jurado de listas ou contribuidor. É contribuinte que se diz, não é?
É.
Não soa muito bem. E é preciso alguma...
Sensibilidade.
Não.
Diplomacia.
Ou coragem, ou desfaçatez.
Vergonha na cara.
Não, é preciso ter alguma coragem para saíres fora da caixa.
Certo.
Tipo, melhores escritores portugueses. Eu não gosto nada do X, do Y e da Z.
Mas neste caso, não escolher Barbie, não é de facto isso sair da caixa?
Não, acho mesmo que no fim do dia, para usar uma expressão irritante: "Ah, eu gostei imenso da Barbie, mas não vou escolher um filme sobre uma boneca."
É um pouco aquela coisa das comédias.
Vou escolher aquilo.
Exato, também tem a ver com a questão das comédias.
É como se não fosse a sério.
Não vou desperdiçar aqui um voto.
Sim, é fugir naquele vrau, mas quer dizer, não abusem.
Não vou escolher um filme sobre um ogre verde e um burro com a voz do Eddie Murphy. Arranjai um filme de um coreano qualquer para eu escolher. Pronto. Vais ao Google.
Mas o Shrek, o impacto que o Shrek teve. É cultural.
É estranhíssimo não estar aqui.
Mas essa é outra questão, que é até que ponto.
Só para acabar, desculpa, Tiago.
Sim, senhor.
Existe uma espécie de modo, agora não me chamem para jantar que eu estou em modo fazedor de listas. Percebes? Há uma certa previsibilidade que tu tens que ter. Nos filmes toda a gente é muito corajosa, mas na vida real nem tanto assim.
Mas o outro lado da pergunta, há aqui política ou não?
Há, claro. Há um viés de esquerda, creio eu. Mas é a vida. Se houvesse um viés direito também era a vida.
Ou seja, seria inevitável um viés.
Sim, é isso. Claro, são humanos a escolher, não é baseado no box office. É uma questão de gosto e acho que se o Clint Eastwood fosse de esquerda, estava aqui, por exemplo. É nesse sentido que eu quero dizer. Ou se o Spielberg fosse mais comprometido politicamente com certas causas, e não fosse tão judeu, desculpa a expressão, se calhar também estava aqui. Como é que não está aqui o Catch Me If You Can, por exemplo? Como é que é possível? Mas a verdade é que não está.
Maria Ramos Silva.
Ou o Munich, claro, como o Bruno disse.
Uma questão interessante, que é: até que ponto a importância que um filme tem, e já falámos dessa expressão aqui, importância cultural, impacto, o legado, aquilo que gerou, pode e deve, ou não, sobrepor-se à sua qualidade enquanto obra cinematográfica para estar incluído numa lista. Ou seja, este filme tecnicamente ou a nível de interpretação, ou a nível de realização, não é assim tão incrível, mas como foi tão importante nos últimos 25 anos numa outra série de coisas, isso não justifica ele estar numa lista?
Mas isso depende daquilo que são os princípios da lista. Tem é que ser claro desde o início, porque esta é assumidamente uma lista dos melhores. Mas podiam ter feito a coisa de outra maneira. Podiam ter assumido: "Nós queremos escolher os 100 filmes, ou não fossem 100 filmes, mas queremos escolher 20 filmes que achamos que marcaram cada ano ou cada década por algum motivo." Repara, esta é uma lista, de facto, tão bizarra. Eu não consigo compreender como é que, por exemplo, o Match Point do Allen não está aqui. Não consigo, ponto. E acho que isto vai para lá de tudo.
Ou mesmo o Blue Jasmine.
Sim, por exemplo.
Não está nenhum filme do Allen.
Não está nenhum filme do Allen.
Mas isso já se sabe porquê.
Certo.
Sim, mas não. Qual é a validade, de facto, de uma lista quando tu começas e vês logo, como o Bruno dizia, que há uma ausência de peso e aquilo não tem validade nenhuma, tu não a reconheces. Obviamente, tudo isto é altamente subjetivo. Da mesma forma que quando nós falamos em impacto cultural, por exemplo, imagina, vou-te dar um exemplo muito básico, provavelmente até nem contaria, porque é de 2000 e eu acredito que eles tenham começado a contar provavelmente a partir de 2001. Mas tu no ano 2000 tens um filme, daqueles filmes de domingo, muito chick flick, que é o Coyote Bar, e que é um filme que na altura teve um impacto brutal. Altamente pop, era uma coisa altamente pastilha elástica, descartável, mas falou-se daquilo, inspirou a moda. Moda que curiosamente está a voltar a usar. Portanto, tu até conseguias analisar aquilo do ponto de vista cultural com esta distância temporal, que é interessante. Eu não estou a dizer que devia estar aqui, mas se calhar faz sentido tu pensares, analisares esses anos também desta perspetiva, porque a verdade é que eu quando olho para o resultado final desta lista, eu também não reconheço a autoridade nas pessoas que escolheram e nestas decisões finais, porque muitos destes filmes não são para mim nem os melhores, muito menos o seu ordenamento faz sentido. Há um conjunto de lacunas que são brutais.
O David Cronenberg. Do David Cronenberg não tens um filme dele uma vez mais.
É uma lista muito parcial.
O melhor trabalho dele, as melhores obras dele não foram feitas, quanto a mim, neste século. Mas tem coisas, uma história de violência, por exemplo.
É extraordinário.
Ou o "Eastern Promises", os dois com o Viggo Mortensen, pelo menos um deles.
Sim, mas vamos lá ver, como diz o grande filósofo António Costa.
Vamos lá ver.
Fazer uma lista é um ato de coragem também.
Claro, e é sempre parcial.
Sim, é sempre discutível, parcial e debatível. A lista tem alguns méritos, acho eu, de alguns filmes que se calhar nós já não nos lembrávamos, se calhar agora vamos ver. Imagina, alguém tira umas férias: "Olha, vou ver os 100 filmes do New York Times." Tem sempre esse mérito. O que é mais discutível ou mais interessante de abordar é por que os votantes, as pessoas que votaram, se esqueceram desses filmes que nós estamos a falar e eventualmente de outros. Por que, insisto, o "Barbie" ou o "Cassino Royale" ou o "Nemo" ou o "Shrek" não foram considerados? Será que nós próprios devemos pensar: "Se calhar os filmes não foram assim tão importantes" ou "Se calhar eu é que gostei do Shrek, porque via com meu filho. Se calhar não é assim tão importante."? Mas depois ao vermos outros, como volto a dizer, o "Social Network", por exemplo, em décimo e o do Jordan Peele em oitavo, pensamos: "Mas há aqui qualquer coisa que claramente está ligado ou ao ar dos tempos." No caso do "Social Network", tem a ver com os Facebooks, ou o Jordan Peele, que é um fenómeno relativamente, não digo recente, mas de alguns anos. E a melhor solução é fazermos a nossa própria lista. O observador devia fazer.
Eu acho que o imediatismo é tal que não há passado. Tu vais perdendo essa noção do passado.
Agora tens a internet que ajuda.
Mas é pior, tu reparares, a verdade é que devia ajudar, mas não ajuda. Vais ter esta questão. Repara, eu já nem vou mais longe, porque o Paul Haggis tem dois filmes que podiam perfeitamente estar aqui. Eu já nem vou por aí. O que eu quero dizer é se amanhã descobrirmos.
O "Law & Criminal".
Certo. Se amanhã descobrires que o Michael Curtis batia na mãe, vamos tirar o "Casablanca" da lista? Eu não sei, se calhar vamos. Se calhar estamos a caminhar para isso.
Sim, "O Pianista", por exemplo.
Eles podem assumidamente fazer uma lista: os 100 filmes mais livres de polémicas e consensuais e limpinhos da história da América. Podem fazer.
Deixa-me só lembrar aqui uma ausência que eu também entretanto lembrei, que é qualquer um dos filmes do Bourne.
Olha, também.
Acho inacreditável, para uma lista que é até razoavelmente mainstream, não ter um filme do Bourne.
O terceiro é dos melhores filmes de ação que eu já vi.
Não sei o quarto qual é.
O quarto é com o Jeremy Renner.
É esse. Até ao quarto, eu acho que são todos.
Esse não é grande coisa.
Eu gosto.
Sim, os outros são melhores.
Eu, por acaso, gosto muito desse. Não vou dizer que é o meu preferido, mas gosto muito desse. Mas todos esses filmes renovaram completamente o cinema de ação. Aliás, não haveria "Cassino Royale".
O James Bond começou a correr atrás do prejuízo até certo ponto.
Passou a ser o James Bourne.
E é surreal também não teres aqui nada da franquia do Bond.
Foi uma boa piada, Bruno.
Não, foi o James Bourne.
Tiveste muita. O Pedro Bush Mendes, tu assinalaste uma questão que tem a ver com filmes de fantasia, ficção científica, distopias.
Gostei. São imensos.
Estão muito presentes nesta lista.
Sim, são mais de 10%. Tenho aqui, não sei se me esqueci de algum, mas "Mad Max", "Children of Men", "Dark Knight", um dos "Batmans", "Arrival", que é um filme que eu gosto muito.
Também gosto muito.
"Wall-E", o "Pan's Labyrinth", o "Labirinto de Pan", que não vi, e se tudo correr bem.
Se tudo continuar como tem corrido.
O "Inception", o "Everything Everywhere All at Once", que ganhou o Oscar, "Lord of the Rings", um dos "Senhores dos Anéis". Fiquei contente que estivesse um dos "Senhores dos Anéis" na lista. Eles puseram o primeiro na lista.
Porque já é do mesmo princípio do século.
E é claramente o melhor.
O primeiro? Pois, eu estaria entre o primeiro e o terceiro.
Achas?
E ainda "Interstellar", "Minority Report", "Black Panther", que é um filme que eu não entendo como é que a comunidade negra de Hollywood deixa passar aquele sotaque.
O "Black Panther" é miserável.
Sim.
É um filme miserável.
Tens os negros a falar com sotaque.
"Wakanda forever."
And also "Gravity", don't forget my friend.
Parece o James Earl Jones no "Coming to America".
Não percebo como é que a comunidade negra, o lobby, deixa passar isso.
Eu não vou por aí.
Mas eu vou.
O filme é mau.
É mau.
E foi nomeado para melhor filme.
Pronto, lá está, uma vez mais explica-se por tudo o resto.
Está nesta lista.
Tirando os do Nolan, os Batmans do Nolan, que já se sabe, têm aquela aura. Poderia também, para um período em que um dos setores do cinema mais ativos foi o dos super-heróis, que se abriu completamente. Não haver mais, por exemplo, um dos Homens-Aranha do Sam Raimi, também são completamente ignorados, que eu acho que são muito melhores, pelo menos o primeiro e o segundo são muito melhores do que muitas das coisas que foram feitas, não só no cinema de super-heróis, e são completamente ignorados. Portanto, é verdade que esta lista é um bocadinho mainstream, mas foge de certas coisas, como o "Diabo da Cruz", para tentar provar as suas credenciais intelectuais. E isso explica o primeiro lugar do "Parasitas" e os seis filmes do Nolan. Não gostas mesmo do Christopher Nolan.
Mas não está aqui em Memento?
Está.
Está?
Está.
Mas há algum filme do Christopher Nolan do qual tu gostes?
Ui. Não desgosto completamente.
É mania. Já é mania.
Não, depois aquilo vai acumulando.
Gostas do Inception?
Gosto do Inception.
Atenção, não estou a dizer que é um filme...
Mas, por exemplo, não gosto do Interstellar. Acho que é um Kubrick feito por uma criança de seis anos. Se uma criança de seis anos vir: "Agora tenta fazer um Kubrick".
Agora eu era o Kubrick e fazia um filme, é isso?
Pois.
Estou a ver a tua...
Não, mas claro, e mesmo naqueles do Batman, eu acho que dão uma outra dimensão à coisa, ainda que também acho que às vezes haja um exagero nessas interpretações de profundidade que ele deu.
Concordo.
Calma. Dito isto, preferia que tivesse aqui um dos Homens-Aranha do Sam Raimi.
Não há nenhum filme com a Nicole Kidman?
Podia estar o Birth.
Não. O que leva a crer que ela, se calhar, está a ter uma reunião com o agente.
Neste momento.
O que é que isso é possível?
E há filmes com o George Clooney, que há o primeiro Ocean's.
E há o Michael Clayton.
E o Brother Outlaw, ele não entra nesse.
Entra.
Muito bem. Bom, rapaziada, chegamos ao fim do "PopUp". Voltamos na segunda-feira em podcast com as sugestões da semana e a quem nos ouve, siga-nos nas vossas plataformas favoritas para não perderem nenhum episódio. Até lá.