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Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", aquele que pode muito bem ser o único programa da rádio portuguesa com uma convidada especial que é sempre a mesma: Susana Romana. Olá, Susana.

Tens muito pouca gente a atender-te o telefone, é o que se retira.

Não sabes quantos telefonemas eu faço. Atenção! Foi um início de programa muito engraçado. O que é que sentes de cada vez que regressas?

Sinto inveja da pessoa que foi de férias e que por isso faz com que eu esteja aqui.

A Susana junta-se aos artistas do costume, Maria Ramos Silva e Pedro Boucher Mendes. Quanto ao Bruno Vieira Amaral, esta semana está ausente, derivado de assuntos que teve de tratar. E Bruno, onde quer que estejas, um abraço para ti. Não vamos usar a língua estrangeira que ele está a falar neste momento para não revelar nada. Esta semana vamos tentar perceber se uma nova temporada de uma série ainda é razão para ansiedade, mas daquela ansiedade boa, ou se esse tempo já lá vai. Antes, vamos trocar aqui umas ideias sobre conflitos entre celebridades que se transformam em fenómenos pop. Ou talvez não. Comecemos pela boa dica. Para quem não esteja a par do que se passa entre Amber Heard e Johnny Depp, nós próprios tivemos que nos inteirar da situação. É esse o dilema que trazemos aqui para cima da mesa. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti. Para já, porque mereces que comecemos por ti.

Que simpático.

E porque eu queria que nos ajudasses com um resumo sobre o que se passa entre estes dois atores. Que dilema é este, conflito é este?

Isto é muito complicado. Vamos tentar resumir da forma mais eficaz possível. Eles conheceram-se em 2009, durante a rodagem do Diário, o "Rum". Aquilo deve ter sido uma daquelas paixões muito esfolapadas. O Johnny Depp deixa a Vanessa Paradis, divorciou-se passado uma série de anos, para aí 14 anos. Eles casam-se em 2014 e depois logo, imediatamente a seguir, começam a surgir ali umas situações meio complicadas, porque a Amber Heard interpôs logo uma daquelas ações para ele se manter afastado. Porque entretanto parece que era evidente o abuso de álcool.

Uma providência cautelar.

Uma daquelas coisas. Para manter aquela distância de segurança. Aquilo, de facto, começa com ele sempre negando estas acusações, o Johnny Depp. Até que eles acabam por se divorciar mesmo em 2017, mas claramente o divórcio estava muito longe de ficar concluído por aí, porque o processo, entretanto, eu penso que isto continua a ser uma espécie de resolução desse divórcio mal resolvido. E em 2018, o que acontece é que o jornal The Sun faz um artigo em que classifica o Johnny Depp como um wife beater, um tipo que espanca mulheres, que faz disso sua vida. O Johnny Depp não gosta, claro, não gosta muito de ver isto. Eles, aliás, na altura contam mesmo com o testemunho da Amber Heard e processam o grupo de mídia, um processo que acaba por perder. Mas a situação depois também não fica por ali, porque nesse mesmo ano, a ex-mulher, Amber Heard, decide ir para o Washington Post escrever um artigo de opinião em que se assume como vítima.

Ela própria a escrever o texto.

Ela própria assina o texto, diz que foi vítima de violência doméstica, sem nunca mencionar o nome do ator e do ex-marido, algo que se torna demasiado evidente e, portanto, o Johnny Depp vai à luta e acaba por processá-la por difamação, que depois acaba por dar origem a um contraprocesso. E é isto que nós estamos a seguir a partir de Fairfax, na Virgínia. O que é muito curioso, porque ele nunca chega a se estar formalmente acusado de violência. Nós estamos a falar aqui de um caso estritamente de difamação e com estritamente entre aspas, porque isto, de facto, é um lavar de roupa suja gigantesco.

Quer dizer que essa parte da violência doméstica ficou nesse artigo do The Sun.

Parece que não, mas até agora não é nada de alguma forma formalizado, consumado. Isto está em julgamento agora, estamos aqui em tribunal a seguir um caso que começou ao 11 de abril, salvo erro. O Johnny Depp foi escutado durante quatro dias. Ainda não há data certa para nós ouvirmos a versão da Amber Heard, mas já ouvimos muitos dados absolutamente escatológicos daquela relação que inclui um dedo decepado.

Nossa.

Casas destruídas, há ali descrições que, de facto, parece que estávamos a falar de um grupo de jovens que foram para Lorian Del Mar e destruíram a sua casa de férias, mas não.

E pessoas que claramente não têm problemas com despesas, nem com seguros de saúde.

Com despesas também. E portanto, é um caso muito complexo.

A minha pergunta é: isto às tantas dá uma ideia que aparece nos média depois, quase como se fosse isto próprio uma série.

Um reality da Netflix.

A questão é: te parece que a atenção à cobertura que se faz destes casos, se há 10 ou 15 anos é diferente, ou se tem um impacto-

Não, eu acho que nós estamos aqui a empular na realidade, porque este é o caso que marca a atualidade, e pode de facto ser seguido em tempo real no YouTube, as pessoas podem assistir ao caso. Mas eu acho que eles ainda têm que comer muita papa para chegar aos pés do O.J. Simpson e do caso O.J., que marca os anos 90. Eu não sei se as pessoas se recordam, provavelmente os mais novos não se vão lembrar.

Mas há séries sobre isso.

Mas mesmo antes das séries, a própria trash TV novela que foi o caso O.J., tu tiveste quase 100 milhões de pessoas a seguirem a perseguição ao O.J. O caso foi seguido durante 133 dias ao vivo na televisão, portanto, aquilo falava-se em todo lado. Há um episódio até muito curioso em que o Yeltsin visita o Bill Clinton e lhe pergunta: "Ouve lá, o que tu achas? Ele é mesmo culpado?" Isto atingiu uma proporção que ia muito para além

Da mera curiosidade popular. Ganhou de facto uma aura de mito e depois com todas as séries que se seguiram. Este caso parece um micro reality show.

Mas se calhar ainda não tem os ingredientes.

Ainda não tem, apesar do dedo, apesar de todos esses detalhes absolutamente dramáticos.

Então dirias que a atenção tem a ver sobretudo, se calhar, por parte do Johnny Depp, obviamente a estrela mais popular desta luta.

E que caiu, e que perdeu muito já com isto, mas é evidente.

E que já foi expulso de elencos, etc.

Sim.

Susana Romana, eu sei que não é teu hábito acompanhar estes temas, em princípio.

Por acaso é.

Por acaso é. Ainda bem!

Eu adorava dizer que sou imune a uma boa cusquice, mas isso está muito longe da verdade.

Ora bem, mas de que forma? Tu sabes das coisas e queres saber, vais investigar, como é que funciona?

Se é um caso que me interessa muito, eu sou capaz de cair num vórtex de Google.

Ok.

Muito pouco saudável e que não recomendo.

Pois. Aquele infinite scroll sobre um tema.

Sim. Eu sou partidária a uma boa cusquice e acho que neste caso, pelo menos a Amber Heard tem muita noção do potencial televisivo e digital do que se está a passar. Não fosse ela, circulam imagens, ela tem alguma tendência para, no dia a seguir a determinado fase do julgamento, vestir-se da mesma maneira que o Johnny Depp se tinha vestido na véspera. Ela copia os looks de Johnny Depp com 24 horas de backstage.

Isto já é uma análise meta linguística.

É muito coreografado.

E semiótica.

Sim, exatamente.

Mas diz-me uma coisa, isso foi uma conclusão a que tu chegaste?

Não.

Seria muito mais brilhante se tivesses.

Mas uma coisa que eu também acho interessante neste caso, é que este caso, já muito se falou sobre as celebridades e o peso das celebridades nas nossas vidas, mas o que eu acho interessante é que surge numa altura em que o público tem muito apetite por true crime. Por causa dos documentários da Netflix, por causa dos podcasts, ou seja, tu de repente tens pessoas a fazer estas investigações, que me permite chegar à conclusão de que as roupas são muito semelhantes, não fui eu que descobri, porque as pessoas querem o lado true crime disto. Por exemplo, as beauty bloggers em peso conseguiram desmontar um dos argumentos da Amber Heard, porque ela dizia que tinha disfarçado hematomas com um determinado produto de cosmética que, dizem as beauty bloggers, não existia na altura da ação.

Ora bem, isto de facto tem-

É muito complexo

...tem uma escala muito mais elaborada do que eu esperava.

Sim. Por isso, porque de repente parece que as pessoas estão a assistir a algo no qual elas sentem que podem ter algum peso, no sentido em que eu vou descobrir aquilo que as outras pessoas ainda não descobriram, ou vou fazer as linhas cronológicas que aqui estão a faltar. E eu acho que isso é uma das coisas que faz com que as pessoas tenham um apetite grande por um caso destes, que lá está, está a dar em direto no YouTube, é muito fácil uma pessoa ceder a essas coisas.

Quando dizem que está a dar em direto no YouTube, nós podemos ver as sessões do julgamento no YouTube?

Podes ver tudo, Tiago.

Isso é fantástico, não fazia ideia.

É um full time job.

Mas isso é muito pior para esse vórtex de que falavas.

Sim. Aliás, eu estive antes de vir para aqui a ler um bocadinho da cronologia, por isso há tanta coisa que às duas por três já é um bocadinho difícil perceber o que é que aconteceu quando.

Porque nós também já falámos várias vezes dessa espécie de contaminação entre o nosso consumo de séries e de ficção, e depois a realidade e quando é que as coisas se cruzam. E aqui parece que é um desses casos.

Sim, eu sinto que as pessoas querem de alguma maneira sentir que têm alguma intervenção. Há um nome, que eu agora não me lembro, que se dá às pessoas que se põem a investigar os true crimes. Eu acho que são os sloths.

Ok.

Há o nome de um animal, que eu agora não tenho a certeza qual é, que é dado às pessoas que se põem por sua própria conta em risco a investigar coisas que estão ligadas com true crime.

Ou quando são cold cases e acham que vão conseguir resolver finalmente passado 35 anos.

Sim. E eu acho que este caso está a ter um bocadinho esse lado, que é claramente quem está a assistir está a tomar partidos, porque como qualquer boa novela, nós queremos torcer por alguém e odiar alguém, por isso as pessoas estão a tomar partidos. E depois, dependendo desse partido que tomaram, estão a fazer as suas próprias investigações e a tentar, de alguma maneira, sentirem que estão a contribuir para este elenco.

Fantástico. Pedro Mochar Mendes, espero que estejas desse lado e não sei se tens feito a tua investigação, se já tomaste um partido, provavelmente já tomaste, mas não o vais tornar público.

Sim.

Exato. Vamos falar de uma coisa aqui mais teórica, mais televisiva. Eu não fazia ideia desta parte, que estes julgamentos dão em direto no YouTube, mas se isto desse na televisão, isto teria audiências, as pessoas veriam isto, há público para este tipo de coisas? O que é que é preciso para um julgamento ser uma boa história televisiva?

Há sempre público para os diretos. Já agora, olá Susana, tudo bem?

Olá.

Palavra colada.

Olá só para a Susana.

Olá, Pedro.

Não sei como é que se pronuncia, sloth é detetive, ser detetive.

Ok.

Sim, sobretudo o que nós precisamos, o que as pessoas precisam, é que exista um elemento onde nos possamos agarrar, que seja inequívoco. No caso do caso O.J. foi a luva. Tivemos a perseguição, depois tivemos o caso, e depois será que foi ele. Mas isso depois são muitos detalhes para a nossa cabeça, mas depois chegamos ao caso da luva. Se bem se lembram, havia uma luva que era demasiado pequena para a mão dele, mas o tipo lá se safou. No caso Clinton, que não foi um julgamento, mas foi uma comissão de inquérito que para todos os efeitos vai dar ao mesmo, era o vestido azul de Monica Lewinsky e a eventual mancha que pudesse ter. Aqui temos também uma ocorrência.

Uma ocorrência.

Parece um agente, o senhor agente.

Sim, uma ocorrência, supostamente ter-se-á passado qualquer coisa ali nos lençóis, acho que as pessoas podem ir à internet ver o que é, e que eu até julgava que ia ser mais explorado no julgamento e pelos media, mas não tanto. Ou seja, estes julgamentos claro que têm Nos apaixonam, porque significa que as pessoas famosas, ricas e bonitas também são como nós, também cometem erros.

Podem falhar.

Exatamente, podem falhar. E depois, obviamente, espreitar pelo buraco da fechadura é uma atividade ainda mais antiga do que a profissão mais velha do mundo. Nós temos uma curiosidade imensa sobre o que os outros fazem e se nós pudermos saciar essa curiosidade sem que o outro se aperceba que estamos a saciá-la, melhor ainda. Eu acho que este julgamento também vem deste tempo do woke e da vida mais difícil para os homens, o tempo do feminismo. Estou a generalizar, mas é só para situar a conversa. Mas parece que a Amber Heard não vai sair por cima. Tudo indicava que sim, que era mais um caso em que, infelizmente, há um homem que é abusivo para com uma mulher, porque os homens, como sabemos, têm mais força, mas talvez não seja bem assim. Inclino-me para pensar que no final, talvez a Amber Heard não tenha motivos para sorrir.

Já percebemos, não, estou a brincar. Não vamos tirar conclusões.

Não, eu acho o Johnny Depp um tipo interessante, mas na medida em que é um pândego.

Pândego, exato. Apesar de que quis dizer um sacana, um bandido.

Não.

É um galofeito.

Provavelmente será. Mas julgo que sabem que aquele personagem dos "Piratas das Caraíbas" não era para ser assim. Ele é que o modelou e transformou naquele, nem sei bem o que ele é. Um cassino pirata mocado. Não sei se vocês acham que são assim.

É um Aubrey eterno.

Exato. Ele deve ser assim na vida real. Imagina, é um pândego.

Pelo menos é assim que ele é. Sem a roupa.

Pelo menos na fase final da carreira, é muito mau ator, de facto. Era um homem muito mau ator, acho eu, pelo menos nesta fase final.

Maria, rapidamente, só para fechar aqui este capítulo. Pode alguém sair a ganhar daqui? A perder, acho que perdem todos, mas alguém pode vir a ganhar? Incluindo nós. Quer dizer, nós também perdemos.

Eu não sei, eu acho que nós vamos continuar entretidos, se me lembrar veio bem. Não, porque agora ainda falta ouvir a parte da Amber Heard, estamos longe de ficar por aqui. Mas sobretudo, o que nos vai entusiasmar mais é esta fase de tomar partido, porque eu acho que é a discussão do momento, que é quem fica do lado de quem, as razões que são discutidas de um lado e do outro. E, portanto, é um bocadinho este confronto aqui de clubes, mais do que pensar do ponto de vista de carreira mediática, porque o Johnny Depp já estava assim numa fase um bocadinho descendente. Isto obviamente não vem ajudar. Amber Heard não sei, porque também não sei qual é o desfecho do caso, quais são as suas ambições. Há, de facto, uma dimensão, uma noção mediática que ela tem, que provavelmente não era dominada tão na perfeição há umas décadas, como a Susana também lembrou. Há aqui toda uma coreografia, forma de estar, de se apresentar, o que vestir, como se manifestar e, portanto, tudo isso não será inocente, de parte a parte, obviamente. Portanto, é interessante, sobretudo ver, não sei, daqui por uns meses ou daqui por uns anos, estaremos a falar destas pessoas.

Prognósticos no fim do jogo.

Ou se pelo contrário, já nem saberemos quem é a Amber Heard. Vamos ver.

Muito bem. Antes do final da primeira parte, vamos deixar aqui as sugestões da semana com o post-it. Susana Romana, convidada especialíssima, tão especial que trazes duas sugestões, não uma.

Serei rápida. Uma delas é uma série que na verdade eu só descobri agora, mas estreou em fevereiro de 2020, o que em linguagem de séries é século passado.

Exato.

É da Apple+, chama-se "Mythic Quest" e é uma sitcom sobre os bastidores da criação de um jogo de vídeo.

Ok.

Tem de facto, no meio das imagens normais, tem de facto reproduções de um jogo de vídeo, é daqueles de role-playing com ar um bocadinho Dungeons and Dragons, de feiticeiros.

Nada geek, portanto.

Sim, completamente geek. É uma série criada pelos mesmos protagonistas e guionistas do "Always Sunny in Philadelphia", que foi uma sitcom que também marcou bastante. E tem duas temporadas, ambas disponíveis na Apple+, vai ter terceira e quarta. E isso é uma sitcom sobre os bastidores de um jogo de vídeo. Lembrou-me um bocadinho uma série que eu gosto muito que é o "Silicon Valley" e tem um naipe bastante bom de atores e tem um dos melhores episódios que eu já vi feitos sobre quarentena, porque obviamente que na altura da pandemia toda a gente fez episódios produzidos de quarentena, e eu acho que o "Mythic Quest" tem dos melhores e mais consistentes que eu já vi. A outra série também é da Apple+, que eu acho que tem melhorado bastante o seu catálogo, chama-se "Slow Horses" e é uma espécie de liga dos últimos do MI5, dos espiões britânicos. Os espiões que de alguma maneira falham nas suas missões, são mandados para uma espécie de segunda casa, versão pequenina e low cost do MI5, que se chama Slow House.

Gostavas de ter tido essa ideia.

A ideia é muito boa. Chamada Slow House, e depois eles tinham a alcunha dos Slow Horses, porque são os piores agentes do MI5, que não foram despedidos, mas que estão ali na retaguarda. São seis episódios, mais ou menos uma hora cada um. Tem o Gary Oldman em pico de forma, um Gary Oldman absolutamente incrível.

Gary Oldman é daqueles que vai sempre bem, não é?

Vai sempre bem.

Como é que se faz, não sei.

Porque ele faz sempre de Gary Oldman.

Mas ninguém faz Gary Oldman como Gary Oldman. Ali se está. E é uma série, são 50 minutos, seis episódios, já se sabe que vai ter segunda temporada. É uma série de ação com alguns leves de humor, não é uma sitcom, mas é uma série de ação bastante bem feita, que eu acho que tem ideias bastante boas. Ainda não cheguei ao fim, espero que o final não desiluda.

Muito bem.

E é baseada em livros.

Sim, exatamente.

Sim. Agora deixamos as estrelas e damos atenção à forma das coisas. Ainda queremos esperar pela próxima temporada da série, que temos gostado de ver, mas não sabemos se vamos continuar a gostar. Não sabemos, não fazemos ideia. Dilemas primeiríssimo mundo, meus amigos, servidos agora no "Pop de Arroz". Pedro Bucharin Mendes, vamos começar por ti, porque foste o corajoso que trouxe este tema para cima da mesa. A pandemia mudou a relação que temos com as séries. Tu perguntavas se o tempo de espera por uma nova temporada mudou. Nós ainda temos paciência para esperar?

A vida é feita de âncoras.

Eu adoro quando tu começas com-

Com um aforismo.

Sim.

A dizer frases que podem ser tatuagens.

Eu ia dizer T-shirts, mas tatuagens é muito melhor.

Certo. Natal, Páscoa, Carnaval, regresso às aulas. E a televisão tem, desde sempre, desde que existe, ou desde que começou a emitir com regularidade, um papel fundamental nesse instaurar do real em todos nós. No fundo, é muito provável que nós saibamos que o Natal está quase, quando começamos a ver anúncios, não sei se é em agosto agora, da IKEA a dizer que já chegaram as decorações de Natal. O Natal já está à porta. Portanto, a televisão vai nos dando uma perspectiva do que está a acontecer e do que virá, do que estará a acontecer. E tradicionalmente, as séries marcavam esse compasso. As séries acabavam ali para maio, junho, e recomeçavam em setembro, outubro, numa lógica de temporada. Uma temporada de uma série antigamente demorava cerca de seis meses, era interrompida na altura do Natal, porque as pessoas viajam de um lado para o outro e não veem tanta televisão e portanto eram dadas repetições das séries. E uma série, tipicamente, séries do "Lost" ou do "MacGyver", por exemplo, tinham 20 e tal episódios, porque corresponde a cerca de 20 e poucas semanas, que é metade do ano, descontando a altura do Natal. Isso com os streamers, sobretudo com a Netflix, que estreou "House of Cards". "House of Cards" vai fazer 10 anos para o ano, portanto, estreou esta lógica de temporada toda de uma vez, isso perdeu-se. E nós já não sabemos bem, já estamos um pouco perdidos sobre quando é que virão as temporadas. E outra coisa que se perdeu é também a noção de gancho no final. As temporadas, tipicamente, ou pelo menos em alguns casos, tinham uma espécie de arco narrativo durante a temporada, havia um novo médico que chegava ao hospital e fazia isto e aquilo. E depois, no final, havia normalmente um acontecimento dramático que mantinha em suspenso o apetite para continuar.

Sim, deixava-nos pendurados.

Exatamente. Obrigado. E eu acho que isso se perdeu com os streamers e agora com a pandemia. Isto porque eu ia falar da última temporada de "Better Call Saul", já temos três episódios, é a prequela de "Breaking Bad", e Saul talvez seja melhor ainda do que "Breaking Bad". A terceira temporada estreou na AMC e também na Netflix, por agora, temos os três episódios, como eu disse. E a verdade é que se nota pouca preocupação nestes primeiros episódios, por parte dos criadores e dos seus autores, em ligar esta série, como vocês imaginam que são vagões de um comboio. Parece um vagão isolado, autónomo. A série é filmada de uma outra maneira, por exemplo, eu estou a gostar imenso. Cada episódio parece quase um filme. Os personagens estão a ser tratados de uma forma diferente, temos pouco Saul, pouco protagonista. Talvez tenha a ver com o facto de ele ter tido um enfarte durante as filmagens, mas não é uma season finale, portanto, não é uma temporada final que nós sintamos aquilo que sentíamos antigamente, ou pelo menos falo por mim, em que há uma espécie de ligação às outras e haverá um encerramento deste universo. E por causa disso é que eu me lembrei do tema, porque agora, julgo eu, que a maior parte das pessoas está meia perdida. Quantas temporadas já houve do "Stranger Things" ou quantas temporadas há de "La Casa de Papel" e quando é que estreou a última. E foi há um ano? Não, foi há seis meses. Não, foi há dois anos. E eu acho que um dos segredos do Natal, voltando ao início da minha intervenção, é ser sempre na mesma altura. E um dos segredos da Páscoa também é ser sempre na mesma altura e do regresso às aulas também é sempre ser na mesma altura. Eu acho que nós precisamos destas balizas na nossa vida e esta questão das temporadas, eu acredito que vá voltar, tanto que esta crise agora da Netflix pode muito bem acelerar um regresso à forma como a televisão era difundida e consumida.

Gostei muito deste conservadorismo emocional do Pedro Bucharin Mendes.

Mas eu sou um conservador.

Eu sei, mas este, por ser emocional, é mais um cobertorzinho. Ainda que a internet tenha tentado sabotar o teu som. Isso também me lembrou que tu já falaste do "Better Call Saul", que era a tua sugestão, e eu miseravelmente não dei espaço à Maria Ramos Silva para dar a sugestão dela.

Está tudo bem.

Não, mas vamos a isso, até porque tu queres falar de uma senhora que merece respeito e consideração.

Esta senhora, que por acaso já tinha alguma ligação com o nosso tema da primeira parte. Eu trago um livro da Margaret Atwood.

Mas isto já está com mais temporadas.

Está tudo colado. Um livro de poesia que se chama "Políticas de Poder". A Margaret Atwood esteve cá neste fim de semana em conversa.

Verdade.

Isto é uma obra que foi originalmente lançada em 71, é publicada agora pela Relógio d'Água, e atravessa também esta história das relações entre homens e mulheres de uma forma muito contundente, mas bem mais saudável que Johnny Depp e Amber Heard, parece-me. E põe aqui em situação um jogo naturalmente romântico, mas também social, político, cultural e uma relação de poder. Há aqui também esta ponte involuntária com este nosso casal sensação da primeira parte.

Alguma classe aqui no meio disto tudo, essencialmente é isso. Voltando aqui às séries. Susana Romana, gostava muito de saber, primeiro, como é que tu que gostas de ver séries e que escreves sobre as séries que vês aqui para o nosso observador. Como é que tu as vês? Se vês tudo de enfiada, se ela estiver já disponível, se esperas pela próxima semana.

Eu prefiro ver, se calhar porque me habituei nos tempos recentes, de longe ver em binge watching. Eu às vezes deixo acumular antes de começar. Para começar, eu sou extraordinariamente organizada com as minhas séries. Eu tenho uma aplicação para gerir todas as séries que estou a ver.

Como assim?

E perguntas: mas tens uma aplicação, por exemplo, para gerir os teus impostos, os teus gastos? Não.

Não, claro.

Mas tenho uma aplicação para gerir as séries que estou a ver.

Pausa. Isto tem que ser analisado. Mas espera aí. É uma aplicação que te propõe-

Sim, chama-se TV Showtime, e tu colocas lá as séries que estás a ver e aquilo avisa-te quando há um episódio novo, avisa-te quando uma temporada está para voltar, permite-te ver resumos dos episódios que já foram.

Não fazia ideia.

Ver comentários.

Eu pensava que usavas uma coisa tipo Excel.

Não.

Ok.

Tenho mesmo uma aplicação só para gerir as séries. Ou seja, não me acontece muito o: voltou a série X passado dois anos e meio e eu não me apercebi. Isso não me acontece.

Exato.

Eu faço questão.

E tu sentes que desde que começaste a usar essa aplicação, que o teu consumo de séries mudou e se tornou uma coisa mais controlada?

Para começar, deu para perceber a enormidade de coisas que eu vejo, que é mesmo muita coisa, que aquilo depois aparecem-te gráficos.

Mas é o teu trabalho.

E é do género: este ano já passou dois meses e 23 horas a ver séries.

Isso não é bom, de facto.

Se calhar. Mas é bom para teres uma noção do que está a dar e do que não está a dar. Eu como vejo muita coisa, eu vou melhor com o imergir-me completamente numa série e sair à tona do outro lado. Até porque, desde que tive um filho e desde que os meus horários de sono são um bocadinho mais malucos, eu não ligo muito, infelizmente, ao que é um episódio. Eu vejo até ter sono e se desliguei a meio do episódio, eu não tenho muito a lógica de episódio um, episódio dois. Eu vejo até-

Até conseguires

...até o meu sistema de descanso permitir. Por isso eu prefiro, de longe, e gosto mesmo da experiência quase obsessiva.

Mas também corres o risco de ficar a meio dos episódios, não é?

Às vezes pauso.

Mas aprendemos a viver com isso.

Aprendemos a viver com isso. E eu gosto, até porque era um bocadinho aquilo que o Bucherie estava a dizer, que a maior parte dos episódios já não têm tanto aquele cuidado do episódio que começa engajo. E então eu prefiro a experiência extremamente intensa de passar muito tempo com aquelas personagens, até porque eu tenho que me lembrar de tantas personagens, de tantas séries, que a mim dá-me jeito uma experiência mais intensa.

Este caso da pandemia é interessante, porque eu não sei até que ponto houve séries que tu estavas a seguir antes da pandemia e que esperámos mais do que o habitual por uma nova temporada e continuaste a ver, não desististe.

Não, por exemplo, "Better Call Saul", que o Bucherie falava, foram dois anos de espera, mas é uma das minhas séries preferidas de sempre.

De sempre. Estás a elevar a fasquia.

Sim, a única coisa que me custou nos dois anos foi, lá está, Bob Odenkirk teve um badagulho e eu pensei: pronto, já na última temporada.

Já não vai haver.

Esperámos demais. Eu só desisto de uma série antes de temporada, se a série já não me estava a interessar de qualquer maneira. A última que eu me lembro de ter desistido foi "Killing Eve", mas acho que teria desistido eventualmente.

De facto, a primeira temporada foi muito boa, mas depois aquilo perdeu todo o interesse.

Não, sempre foi má.

Cá está. A primeira temporada não era boa?

A Sandra Oh estraga todas as séries em que participa. Deixa-me só dizer isto, deixa-me só discutir criativamente, violentamente, construtivamente com a Susana. Tu não achas, Susana, que nós ao vermos muitos episódios de seguida, é um pouco como estar a comer muitas bolachas de chocolate ou o que for, e que portanto, a utilidade marginal da última bolacha ou do último episódio, depois às tantas já não sabemos o que estamos a ver e nos perdemos um pouco. Ou seja, não te parece que uma dose alta-

Deixa-me só meter a colherada, não estou a perceber qual é o problema de comer um pacote de bolachas.

Logo aí já me perderam.

É porque o último enjoa. Ver séries em binge, que eu também vejo algumas, não é melhor ver um episódio de cada vez?

A mim baralha-me muito mais ver um episódio de cada vez, mas se calhar tem a ver com como são muitas séries seguidas, eu não fico uma semana a pensar que falta para o episódio, porque entretanto já vi outras oito séries.

É porque se calhar assumes que vês mais séries ao mesmo tempo que o comum dos mortais, não é?

Sim.

Até porque faz parte do teu trabalho.

Sim. O volume é tanto que isso provavelmente também faz com que a minha relação com séries e o modo de consumo seja, se calhar, um bocadinho diferente de outras pessoas que veem uma ou outra coisa de vez em quando. Mas faz-me confusão é, continuando a fazer uma analogia com comida, estar a comer um salame e depois uma lata de sardinhas e depois voltamos para o salame, mas a enjoar bem é um pato.

Eu sou tolerante a misturas, confesso, mas essa-

Se isto aqui é Vale Zero.

Talvez dependa da série. Por exemplo, esta série "Severance", não sei se já viste na Apple TV, é uma série que precisa de algum tempo entre episódios, creio eu.

Sim. Eu, por exemplo, não consigo ver muitos episódios de "Black Mirror" seguidos, porque o "Black Mirror" é muito intenso e o "Black Mirror" tem que fazer pausa.

Porque sentes-te mal com a humanidade, não é?

Sinto-me mal com a humanidade, sim.

Não censuro.

Há bocado falávamos da pandemia. Na pandemia, o consumo de séries foi muito intenso. E uma série que eu não consegui ver na pandemia, porque pensei: "Já estou chateada com o mundo que chega, eu não consigo," foi o "Ozark". Eu não conseguia ver o "Ozark" em binging quando o mundo lá fora estava a ruir.

Exato, percebo. Demasiada maldade. Maria Ramos Silva, aqui no meio disto, há um outro fenómeno que eu próprio tenho vindo a descobrir, e eu acho que a pandemia também ajudou nisso, estes dois anos ou um ano e meio que passou mais pandêmicos, que foi nós irmos ao fundo do catálogo e tentar descobrir coisas que estão na totalidade. As séries estão completas, já são coisas antigas. Eu confesso que só agora comecei a ver "Breaking Bad". E tenho gostado. Imaginem. Eu sei que a minha crítica agora não vale nada, mas tenho gostado, acho que vão muito bem.

E conseguiste ver passados estes anos todos sem saberes como é que acaba?

Não faço ideia como é que acaba. Comecei agora, portanto está tudo muito fresco. Mas desde há pouco tempo, a HBO Max está em Portugal há um mês e pouco e, por exemplo, "West Wing" está toda na HBO Max. São seis ou sete temporadas, já não sei quantas é que são, e é um clássico da televisão americana. Eu não sei até que ponto te parece que isto é um fenómeno ou não, ou se sou eu que estou só enganado porque descobri "Breaking Bad".

Não, é comida de conforto. Eu, por exemplo, também dei por mim a enfiar-me nesse buraco fundo outra vez do "West Wing". E tu ontem falavas do "Breaking Bad". Eu já não me recordei de algumas coisas do começo.

Então vai.

E estou muito capaz, já me estou a ver a voltar também a esse precipício.

Mas não digam nada, até porque eu acho que me meti numa grande embrulhada.

Meteste-te numa ótima embrulhada.

Não, mas aquilo é muito grande. E com esta média, não sei quando é que vou acabar.

Não tens dias de férias para meter?

Pois, está bem, certo. Está aí um bom plano.

Tratas isso.

Estavas a falar do "West Wing".

Sim, são séries que têm um selo de qualidade. Aquilo é um elenco fantástico, a história é boa.

É como tu dizes sempre...

O frangassado.

O bitoque.

É o bitoque.

Desculpa estar a usar carne.

Muita comida neste programa, mas sim, é um prato muito confortável, sabemos que aquilo vai cair bem. Depois tem aquele ar nostálgico, de ver o tempo em que as pessoas usavam os bips, que é uma coisa que tu nem tens noção que se usava ainda no final de 90, muito ainda no início dos 2000.

Como assim bips?

Os pagers.

Sim, isso é aquelas coisas que os médicos usam em todas as séries.

Exatamente.

E que existia uma famosa marca de refrigerantes a determinada altura da nossa adolescência.

Pois foi nos anos 90, não é? E andávamos todos a tentar colecionar essa porcaria.

Pois é. Mas aquilo é interessante, até porque eles estão todos ali muito concentradinhos e eu já estou aqui numa fase muito parecida à da Susana. Eu até certa altura gostava daquela régua do episódio semanal, aquela dose homeopática. Mas agora eu acho que ajuda muito, sobretudo para quem vai perdendo aqui um pouco de memória e para quem vê muitas séries e se perde aqui um pouco nos personagens.

Senti aí uma facada, vai perdendo um pouco de memória.

Não, é verdade, porque é muito difícil, sobretudo, e o Pedro falava disso também no começo. Ainda por cima quando tu tens uma interrupção entre séries, reconstituir tudo aquilo, as personagens. Eu às vezes dou por mim quase por um lado a precisar da aplicação da Susana para organizar um grande filofax com as séries e saber em que plataforma dão e a que hora e tudo mais. E por outro, se pudesse também criar uma espécie de fantasy league, um FIFA 2022, mas para personagens. Juntavam dali, dali.

Ainda falando de comida, é um pijaminha.

Um pijaminha. Reunir as melhores, fazia uma superequipe e uma supersérie, que também podia funcionar muito bem. Mas consumo cada vez mais também nesta modalidade. Espero que saiam todas, prefiro. Porque senão acontece uma coisa, imagina, eu agora estou aqui muito impaciente, mas provavelmente daqui a uns meses já nem sequer me vou lembrar dela, que é a "Yellowjackets". Eu adorei ver a primeira temporada. Aquilo ficou ali pendurado no ar.

Tu queres mais.

Eu quero mais. Aquelas pessoas certamente pensaram: "Bem, vamos ser aqui um pouco humildes nas nossas ambições e, portanto, fazemos só uma, vemos como é que corremos e depois logo ponderamos a segunda". Aquilo claramente foi um sucesso. E agora vamos ter que esperar imenso tempo.

Mas olha que pode acontecer o contrário de outra forma, porque eu quando vi "Sopranos" comprei a caixa, ainda streaming não existia, DVDs todos, tudo de uma vez, tudo de seguida. Cheguei ao fim, senti-me miserável, quase que derreti por meio.

Para onde foram os meus amigos?

A minha família, desculpa, não eram amigos, era a minha família.

Eu pensei que fosse aquela sensação de uma pessoa.

O ecrã fica todo preto no fim.

Dos cadernos de Pickwick, que agora o que é que vou ler?

Eu não sabia o que fazer à vida. Senti-me mesmo miserável. Pedro, vamos só terminar aqui este capítulo, porque temos umas cantigas para ouvir. Ainda é bom negócio fazer várias temporadas ou mais vale apostar numa minissérie e resolver o problema assim?

Depende do objetivo. Os grandes estúdios americanos, os grandes canais americanos fazem muitas temporadas de algumas séries porque sabem que esse produto é mais vendável para os canais de cabo estrangeiros ou para as estações estrangeiras, ou para os canais afiliados nos Estados Unidos, portanto, o canal lá do Nebraska ou do Delaware, do que séries com poucos episódios. Portanto, sobretudo, compensa fazendo a segunda temporada, compensa fazer a terceira. Por isso é que muitas vezes algumas séries que não são grande pistola continuam a ser produzidas. Note-se que os atores, quando são convidados para uma série de televisão generalista americana, têm de assinar um contrato em que se comprometem a fazer pelo menos três temporadas. Portanto, são coisas planeadas. Não tem só a ver com a virtude artística ou os resultados de audiências das séries. Eu prefiro minisséries, e acho que os criadores também, porque conseguem sintetizar em poucos episódios, normalmente têm um pouco mais de dinheiro para contar uma história, em vez de andarem a ter que desenvolver personagens ao sabor dos interesses das televisões, porque às vezes as televisões precisam de mais episódios e é preciso esticar um bocadinho a história paralela do inspetor adjunto que de repente está divorciado e a mulher não o deixa ver o filho. É por aí. A Susana saberá melhor do que eu essas coisas.

Sim, ela conhece a técnica por dentro. Dizem que quando se fala na rádio, não se espirra. Eu estou a fazer um esforço tremendo para isto não acontecer. Vamos ver se consigo até o final do programa. E antes do fim, vamos fazer a viagem habitual pelo passado com o Isso é que Era Bom. Ora bem, meus amigos, há 55 anos, Aretha Franklin deu ao mundo "Respect", R-E-S-P-E-C-T, canção original de Otis Redding, como se diz em Portugal, mas que a rainha da soul e das canções todas deste mundo tornou maior, melhor e coisa sua. E, portanto, a pergunta é: Qual é para vocês a versão ou as versões que são melhores que o original? Susana Romão.

Assim de cabeça, duas que as pessoas acham sempre que são originais daquelas bandas ou daqueles artistas e não são, o "Tainted Love", que não é do Soft Cell.

É verdade.

E o "Valerie", que não é da Amy Winehouse, é dos The Zutons.

É dos The Zutons.

E eu gosto muito de uma versão que eu tenho algum pudor em dizer que é melhor original, porque o original é dos Beatles, mas talvez uma das minhas músicas preferidas de sempre seja a versão do Stevie Wonder do "We Can Work It Out" dos Beatles.

Muito bem, é uma bela cantiga, o Stevie Wonder é um belo rapaz, parece-me tudo muito bem. Maria Ramos Silva.

Eu trago um tema que foi escrito originalmente para a Motown Records e já na altura foi muito bom, a primeira vez que foi gravado. Nunca sabe muito bem se o mês é 66, 67 ou 67, 68, que é o "I Heard It Through the Grapevine". Tem uma interpretação original, ou essa primeira gravação que sai é de um grupo de soul, depois entra o senhor Marvin Gaye. E depois tens uma série de atualizações, é um daqueles casos em que eu acho que o original sendo muito bom, as versões vão sempre acrescentando um pouco de categoria adicional. E portanto, a versão dos Creedence ou mesmo das Slits, naquele mais punk riot, vão muito bem, iterando para o Michael Bolton, que eu acho que também meti ali pelo meio, mas tudo o resto é bastante recomendável.

Podíamos falar aqui do Michael Bolton. Não sei porquê, acho que faz falta. Pedro Boucher Mendes, versão melhor que o original.

Eu preciso dizer que versão prefiro. Eu gosto muito da versão do Jeff Buckley, do "Hallelujah", do Leonard Cohen. Essa do "Tainted Love", que a Susana cita e bem, eu também ia citar, mas de facto o original eu nunca ouvi.

Eu ouvi extravações de YouTube e acho que não perde as gravações.

Ok. E depois há uma versão relativamente recente, Tiago, aqui podes me ajudar, do Beck, do "Never Tear Us Apart" dos INXS, que eu acho que é uma banda que também deveríamos falar, porque acho que é uma banda que vai ser recuperada um dia destes, um ano destes. E com a vocalista do St. Vincent.

Annie Clark.

Sim, o "Never Tear Us Apart". É uma versão, não sei se é a melhor, obviamente, mas foi uma de que me lembrei.

"Tainted Love" que foi primeiro cantada pela Gloria Jones, que era a namorada do Marc Bolan, dos T. Rex, e acho que ia no carro com ele quando ele tem o acidente fatal e acho que ela morreu há pouco tempo.

Deu em T. Rex. Vês que também sabes uma boa cusquice, dizias no início.

Não, sim.

Eu gosto muito de saber coisas no geral.

Muito bem, final de mais um "PopUp". É pena que a Aretha já se tenha calado, mas voltamos na próxima semana. Até lá.