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Começamos com o PS, Miguel. Entregou esta manhã um pedido de audição urgente a Luís Neves e ao anterior secretário-geral do Ministério da Administração Interna. O Partido Socialista quer ouvir no Parlamento estes dois protagonistas da mais recente polêmica neste ministério.
Diz o PS que quer esclarecer os fundamentos da decisão de Luís Neves de demitir Ricardo Carrilho e que quer esclarecer também as questões levantadas sobre o SIRESP. Ontem, José Luís Carneiro já disse que concordava que Luís Neves fosse ouvido no Parlamento para esclarecer todas as questões sobre essa decisão de demitir Ricardo Carrilho desse cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna. O PS comunica agora que quer que estas audições sejam feitas com caráter de urgência. No requerimento, os deputados do PS fazem o filme dos acontecimentos desta demissão e referem que os dois comunicados do governo apresentam fundamentações distintas para a mesma decisão. Primeiro, o governo aponta para a reorganização do serviço, depois fala em quebra de confiança.
Esta é uma polêmica que estalou ontem, quando o ministério anunciou que o secretário-geral Ricardo Carrilho cessou funções por determinação do ministro Luís Neves.
E a polêmica estalou porque houve, de facto, uma reação ainda durante o dia de ontem por parte de Ricardo Carrilho. Nessa reação, considerou a exoneração um ato de retaliação e acusou o ministro da Administração Interna de pressões ilegítimas e de uma interferência política asfixiante. Logo depois, na sequência dessas declarações, o ministro emitiu um novo comunicado e aí falou em quebra de confiança, resultante de situações, incluindo algumas de particular gravidade, que comprometeram o funcionamento dos serviços. Luís Neves acusou mesmo Ricardo Carrilho de ter, nos últimos meses, uma permanente atitude de confronto e de procurar, por todos os meios, prejudicar o funcionamento do SIRESP.
Ora, o Bloco de Esquerda considera que o Ministério da Administração Interna é uma novela permanente de casos.
E o Bloco quer também esclarecimentos do secretário-geral do ministério. José Manuel Pureza lamenta uma nova polêmica envolvendo o gabinete de Luís Neves.
É um bocadinho constrangedor tudo isto. Um ministério como o Ministério da Administração Interna, qualquer outro ministério, mas desde logo o Ministério da Administração Interna, ser palco de uma novela permanente de casos, de trapalhadas, de situações que degradam a vida política e a democracia. Este ministro tem claramente consigo essa imagem de alguém que decide muitas vezes não cumprindo escrupulosamente os procedimentos que são necessários.
Considera o coordenador do Bloco de Esquerda que Luís Neves está com um mar de situações que considera ser trapalhadas. José Manuel Pureza roga os pedidos de esclarecimentos do ministro da Administração Interna, chama também o secretário-geral do ministério ao Parlamento. O coordenador do Bloco de Esquerda falou à margem da entrega de uma queixa junto à Provedora de Justiça sobre o erro no cálculo de pensões, que levou a que perto de 3 mil pensões fossem fixadas acima do valor previsto na lei.
E o secretário-geral do PCP também falou sobre este assunto. Paulo Raimundo pede clarificação ao governo acerca da demissão de Ricardo Carrilho da Secretaria-Geral da Administração Interna.
Considera que Luís Neves devia estar mais preocupado em fazer um bom serviço ao país. Raimundo defende que é preciso clarificar o mais rapidamente possível o que se passou e chama Luís Montenegro. Diz Raimundo que este já não é um problema do ministro, é um problema do governo. A demissão de Carrilho da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, relacionada com a gestão da rede SIRESP, leva também Raimundo a deixar críticas à estratégia do governo para esta rede com uma gestão privada.
O modelo de SIRESP S.A., nas condições em que descreveu, é o mesmo que o governo quer fazer para a Saúde S.A., para a Educação S.A., para a Economia S.A., para as Finanças S.A., para a Habitação S.A. E um país, Portugal S.A., não é o caminho para Portugal, nem para esses pequenos e médios empresários, nem para os trabalhadores.
O secretário-geral do PCP visitou uma fábrica de produtos de pastelaria nos arredores de Sobral de Monte Agraço e pede também esclarecimentos ao governo acerca da compra de mais 5% de ações da REN.
Entretanto, o PCP também comentou a entrevista de Pedro Passos Coelho. Dizem os comunistas que Passos Coelho quer voltar a 2015.
Foi também nessa visita a Sobral de Monte Agraço que Paulo Raimundo considerou que o antigo primeiro-ministro tem saudades de tempos de grande sobressalto social.
O Passos Coelho está com saudades de 2015. Está com saudades desse tempo, está com saudades do tempo dos cortes das pensões, está com saudades do tempo do corte dos feriados, está com saudades do tempo em que os manuais escolares não eram gratuitos, está com saudades do tempo em que não havia passe social na dimensão em que há hoje. Está com saudades desse tempo. É um direito que tem, eu não quero questionar isso.
Paulo Raimundo é crítico dos planos políticos de Pedro Passos Coelho.
Sobre essa entrevista, falou também hoje na Rádio Observador Luís Filipe Menezes, o antigo presidente do PSD. Diz que não percebe as críticas que estão a ser feitas a Pedro Passos Coelho dentro do próprio Partido Social Democrata.
Fala de uma estratégia errada. Entende Luís Filipe Menezes que o partido e o governo têm de saber lidar com a crítica e explica que a força do PSD está precisamente na existência de diferentes opiniões dentro do partido.
É uma tradição democrática e sempre foi a força do PSD. Lembra-se bem quando Cavaco Silva foi uma peça fundamental da queda de Pedro Santana Lopes, quando escreve aquele famoso artigo das duas moedas.
Boa moeda, má moeda.
Lembra-se, por exemplo, quando o próprio Santana Lopes abandona o PSD, embora agora seja muito crítico do Pedro Passos Coelho, mas quando abandona o PSD discordando da liderança do Rui Rio, ou quando eu próprio discordei da liderança de Manuela Ferreira Leite. Portanto, é preciso que os líderes do PSD leiam a história do partido e convivam com a crítica.
Reação de Luís Filipe Menezes. Ontem, Luís Montenegro respondeu a Pedro Passos Coelho, sem nunca referir o nome do antigo primeiro-ministro. Luís Montenegro disse que quem espera o insucesso do PSD pode esperar sentado.
João Almeida, deputado do CDS, reconhece algum mal-estar no governo, também a propósito dessa entrevista de Passos Coelho.
Foi aqui na Rádio Observador esta manhã, apesar de considerar que Pedro Passos Coelho não é um inimigo da Aliança Democrática, João Almeida fala em algum desconforto no governo.
Não é um inimigo, de maneira nenhuma. Nem acho que queira o mal do governo. Acho que tem opiniões que são próprias, não são novas. Eu acho que, mesmo com divergências, o passado dos partidos é relevante, até porque há sempre militantes que continuam a rever-se em cada uma das fases e, portanto, deve haver cuidado nessa gestão.
Se isto atrapalha de alguma forma a ação do governo, para todos os efeitos, em consciência.
Não é bom, isso eu disse até recentemente. Claro que não é bom ter o último primeiro-ministro do AD, ex-líder do PSD, a fazer críticas que são críticas à condução política do governo. Não é bom, mas como alguém disse na política há uns anos, é a vida.
João Almeida, na Rádio Observador esta manhã.
Uma panela de pressão que pode explodir a qualquer momento. É assim que o presidente de Ceuta descreve a situação na cidade após a crise migratória de junho.
Aconteceu hoje uma cerimônia de recepção aos reis de Espanha. Juan Jesús Vivas afirma que o que chama de invasão colocou em risco a soberania e deixou os cidadãos de Ceuta sem segurança, tranquilidade e sem liberdade. O presidente de Ceuta, o líder de Ceuta, classifica a migração de junho como a maior crise de segurança nacional da democracia espanhola.
Esta é a maior crise de segurança nacional da nossa democracia. Ceuta já não é o que era. Nós, os habitantes de Ceuta, perdemos segurança, tranquilidade e liberdade. Juntam-se a ruína econômica, a incerteza de não saber até quando, a inquietação de que isto possa voltar a acontecer e o risco de colapso do nosso precioso bem, que é a convivência. Resumindo, é uma panela de pressão que a qualquer momento pode explodir. Ceuta não se vende, Ceuta defende-se. Ceuta é Espanha. Ceuta resiste, mas não se resigna.
O presidente de Ceuta pede o retorno dos migrantes a Marrocos, agradece a presença dos reis neste momento, a quem entregou a chave de ouro da cidade. Felipe VI e Letícia estão hoje numa visita a Ceuta, que marca a primeira viagem de um chefe de Estado espanhol ao enclave em quase 20 anos. Também de hoje, o ministro das Finanças espanhol anunciou uma subvenção direta de mais de €45 milhões para a cidade de Ceuta, com o objetivo de cobrir as despesas decorrentes da crise migratória.
Vamos a outras notícias em destaque a esta hora.
Youth League, Liga dos Campeões de juniores em futebol. O sub-19 do Sporting jogaram em França frente ao Lens e perderam por 3x2 frente aos juniores da equipe francesa, jogo da Youth League. Mais daqui a pouco, há jogo da equipe sênior, Liga dos Campeões, 17h45, Lens-Sporting, jogo com relato em direto aqui na Rádio Observador. Ursula von der Leyen diz que o Mar Negro é a nova frente de escalada na guerra da Rússia na Ucrânia. Diz que é inaceitável a situação de ataques com drones que atingiram hoje dois navios mercantes perto da costa búlgara no Mar Negro. Uma das embarcações afundou. É o segundo caso em poucos dias. Reação de Ursula von der Leyen. Fechamos com o Papa Leão XIV, que já está no Hospital Gemelli, em Roma. Vai ser submetido a uma cirurgia para remover um nódulo pulmonar. À chegada, surgiu com sorriso no rosto, cumprimentou as milhares de pessoas que estavam nesse local. O anúncio de que iria ser operado foi feito pelo próprio Papa durante a missa de domingo na Praça de São Pedro, no Vaticano.