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Eu lembro-me perfeitamente da sensação de orfandade naquela fase em que aqueles livros perderam a magia para mim.

Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", a vossa orientação pelos meandros complexos da cultura popular, servida semanalmente por estes mestres: Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Bucho Mendes. Esta semana vamos falar de banda desenhada à boleia do mais famoso dos irredutíveis, Asterix. A 23 de outubro é publicado "Asterix na Lusitânia", é o novo livro de uma coleção que, se fiz bem as contas, já leva mais de 40 títulos. Desta vez, o gaulês e os seus amigos vêm até à costa mais ocidental da Europa continental, numa história que inclui muitos clichês portugueses, do que eu estive a ver, tem muito bacalhau e azulejos, e também inclui muitos romanos, isto sem surpresa. Vamos falar aqui de banda desenhada.

Caso para perguntar o que é que os romanos fizeram por nós.

Exato. O que é que alguma vez esses sacanas fizeram por nós? Maria Ramos Silva, vamos começar por ti, porque há uma coisa que eu acho de particular interesse. Para já, finalmente, o Asterix vem aqui visitar-nos. Mesmo na capa do livro, está ele com o Obélix a subir uma calçada.

Nós já tínhamos tido menções a portugueses, a personagens portuguesas. O menino dos deuses.

Mas agora é uma coisa-

E era assim, pois.

Agora é uma coisa com outra dignidade.

Mas também é caso para dizer, desculpem, o tempo que demorou a haver uma aventura passada aqui.

Ora aí está. Isso é que ninguém fala.

Foi preciso Portugal estar na moda.

É sintomático.

Oportunistas.

Por outro lado, está tão na moda que até Asterix vem cá.

É verdade. Eles também são nómadas, só não são e-digitais porque aquilo é antigo, mas eles andam sempre de um lado para o outro.

O nosso SNS. Vamos ver se há referências ao preço da habitação. Não sei, vamos ver. Geografias à parte, vamos tirar essa parte emocional. Maria, o que é que se passa com estes gauleses? Primeiro, eu diria que não há fim à vista.

Enquanto houver mundo.

Será uma coisa tipo James Bond? Aliás, eu acho que vai melhor do que James Bond. James Bond, por exemplo, vai mais-

Está mais incerto o futuro.

Continuamos à espera. Mas o que é que faz desta rapaziada uma marca assim tão especial para funcionar? E funcionar curiosamente, muitas vezes usa-se aquele clichê de geração em geração, sem saber, mas neste caso resulta mesmo.

Sim, resulta. E na verdade, quando nós olhamos para enredos como o do Asterix e Obélix, não só este, mas neste caso em particular, de facto parece uma espécie de zona franca, que consegue dar-se ao luxo de ir envelhecendo sempre bem e manter uma espécie de cotada dos estereótipos. Tu falaste de uma série de referências, imune a julgamentos. Nós hoje vivemos num mundo em que é muito difícil tu usares e abusares do estereótipo sem seres automaticamente julgado. Repara, os próprios protagonistas, temos o quê? Um tipo gorducho, um tipo baixote. Quer dizer, tudo isto parece altamente anacrónico e politicamente pouco correto, à forma como nós os tratávamos também, sempre que olhamos para o Asterix. Mas eles, de facto, conseguem insistir nos pastéis de nata, nos azulejos, calculo eu que esteja lá tudo. E parece que estão sempre ali num tempo. Eles, de facto, vêm de um tempo, um tempo muito especial. Eles estão cristalizados naquele tempo.

Sim, o tempo não passa.

O tempo não passa. E isso, quando o tempo não passa, é uma mais-valia inegociável, porque tu, na verdade, não podes ser julgado pelos parâmetros e experiências deste tempo. E portanto, é como se tu pudesses sempre circular livremente, sem passaporte, pela cultura, pela sociedade, e conseguisses de alguma forma preservar essa imunidade. Portanto, eu diria que também é parte do sucesso, se quiseres, estará aí, como estará, por exemplo, no Lucky Luke, que também é muito cristalizado ali naquele contexto. E portanto, nós não imaginamos estas personagens a ficarem mais velhas, a terem doenças, a tratarem problemas. Quer dizer, eu suspeito que haja, ainda não li o livro, mas depois até possa haver um enquadramento, obviamente, mais recente.

Sim, há aqueles toques.

Mas o template é o mesmo. A fórmula está feita e, portanto, se funciona, é daqueles casos em que para que se vai mexer também?

Mas esta marca funciona de uma forma muito melhor, até recentemente. Há poucos meses houve uma nova série de animação na Netflix, continuam a fazer os filmes.

Desculpa, só para dizer uma coisa, para rematar. Para além disso, todos estes plots têm uma mensagem ou premissa que é muito forte. No caso do Asterix, tu tens aquela imagem que nós usamos quase de forma metafórica, da luta de David contra Golias, ou seja, a aldeia que resiste ao invasor. E isso é uma imagem-

E usamos a expressão gaulês para qualquer pessoa que resista.

Culturalmente, essa fórmula tem uma vitalidade, que vive para além disso e que continua a fazer sentido.

Não tem prazo.

Não tem prazo.

Os franceses foram inteligentes, ou têm sido inteligentes, porque a marca Asterix é um emblema da cultura francesa. Os parques temáticos são os mais visitados a seguir à Disney, que é a cultura americana.

Desde logo, porque a produção de álbuns permite que programas como estes continuem a falar dos personagens. É interessante que o Asterix usa doping. Caiu no doping. Mas tem muito a ver com esta pegada cultural que os países e as nações acham que têm que ter, e na minha opinião, correctamente. O Asterix é uma parte importante da estratégia francesa, que não é só Torre Eiffel, baguetes e aquela boina que por acaso até é basca.

Mas tu enquanto ilustre especialista da banda desenhada franco-belga, aliás, da cultura franco-belga, da existência.

Certo. Não tem alguma ironia, mas sim, continua sim.

O ADN, faltou dizer a palavra ADN.

Reino legítimo. Não há ironia aqui. Podemos dizer que há uma BD franco-belga e que continua a haver e continua a seguir as mesmas regras?

Sim, mas o Asterix não é franco-belga. O Asterix de 1959 não está alinhado com a chamada BD franco-belga. Aquilo que nós chamamos hoje banda desenhada, normalmente refere-se a uma coisa que é do tempo dos nossos pais. É quase como uma coleção de cachimbos. O Tintim e marcas semelhantes, onde o Asterix acaba por estar porque é um grande cesto onde cabe muita coisa. Eu não sei se os miúdos hoje em dia leem o Asterix, mas suspeito que muitos recebem estes novos álbuns no Natal. "O padrinho ofereceu há dois anos um, agora o padrinho oferece o outro." Não sei se os miúdos não metem diretamente na estante. Por exemplo, os meus filhos não leram muita banda desenhada franco-belga, para não dizer nenhuma, apesar de na minha casa haver bastante.

Mas se calhar foi por isso que não leram. Lá está, foram gauleses.

Não sei.

Tu eras o Júlio César.

Se calhar também podem não gostar do pai.

Não, mas posso dizer que há miúdos de gerações recentes que gostam muito e que leem.

Está bem, mas quando eu era miúdo, e sobretudo antes, era uma coisa.

Era inescapável.

E era muito masculino, era uma coisa de afirmação dos rapazes. E tínhamos uma relação que hoje existe com as séries, porque as aventuras originais do Asterix ou do Tintim e de muitos outros, eram publicadas em doses semanais, portanto todas as semanas saía uma página, que depois eram compiladas em álbum desde o início da primeira prancha.

Mas era preciso ter muita paciência, uma página por semana.

Sim, mas os tempos eram outros, não tinhas telemóveis nem PlayStation.

Tinhas mesmo que ter paciência.

E costumavas ter paciência, eu lembro-me.

Nem se podia chamar paciência.

Não se colocava a alternativa.

Era a vida.

Era a vida a acontecer, devagar. Ainda este fim de semana falava com um amigo sobre isso, ele tem uma grande coleção também e por coincidência falávamos, e o Asterix não fazia parte da revista Tintim. Era da revista Pilot, era outra coisa. Não é um mundo do universo Tintim, do universo à volta de Tintim, que inclui o Ric Hochet, ou inclui o Modeste e Pompon, o Gaston.

Daí também estar à parte desse lado franco-belga.

Sim, não é dessa escola. Os desenhos são mais ruidosos. Há mais ação, os narizes são maiores, há uma perspectiva mais caricatural.

Há mais exagero.

No Tintim é muito mais naturalista, é muito mais clean, como agora se diz, na altura não se dizia. Note-se que o Spielberg tentou levar a personagem Tintim para os Estados Unidos quando adaptou aquele filme com o Jamie Bell, e não conseguiu, para todos os efeitos, creio eu.

Como era de esperar.

Sendo que o Tintim, hoje em dia, por várias razões, sobretudo porque houve um tipo que casou com a viúva do Hergé e que tem um posicionamento diferente. Hoje o Tintim é uma coisa de adultos. Há um museu magnífico em Louvain-la-Neuve, na Bélgica, que aconselho vivamente a visitarem, mas não é um museu para a petizada. É como se Tintim fosse arte.

Não é um parque de diversões.

Não, de todo. Como se a criação de Hergé pertencesse ao mesmo como Magritte, por exemplo, que é outro artista belga muito conhecido. E o Asterix, não. O Asterix é para a petizada. Existem parques de diversões com carrosséis, onde podes supostamente andar.

Ser feliz com adrenalina.

Sim.

E as adaptações cinema.

Exato. E as adaptações ao cinema.

Até tiveram bastante sucesso na Europa e França.

E estão bastante bem feitas, diga-se de passagem. O filme do Tintim era mais um filme de aventuras que um adulto podia ver. E os filmes do Asterix são filmes para toda a família.

Bruno Vieira Amaral, falamos aqui do Tintim e tem muita graça.

Deixa-me só dizer isto, que é importante, antes que me esqueça.

Diz.

Nem o Hergé, nem depois os herdeiros alguma vez permitiram que o personagem fosse continuado. Tanto que a última aventura, "Tintim e o Alfarte" está inacabado, foi editado inacabado. Quem detém os direitos do Tintim não permite que outros artistas continuem a história. No caso do Asterix, não é verdade. Estes álbuns são desenhados por outras pessoas.

Bruno, estás aqui para destruir sonhos e para seres verdadeiro. Podemos dizer que além de nunca teres sido grande fã do Asterix, sempre detestaste o Tintim. E eu preciso de saber de onde é que vem esse ódio.

É uma pessoa muito frontal.

O que é que se passa? É um trauma?

Eu quando venho aqui a este nosso programa.

Este consultório.

Eu ia dizer isso. É um bocado terapia, porque tenho que procurar as raízes desta minha repulsa, desta minha aversão.

E de outras. Esta semana.

E de outras. Esta é desta semana. E não te sei explicar porquê, porque eu fiz preparação para este programa.

A ver filmes do Christopher Nolan.

Exatamente. E a tentar encontrar as raízes, a motivação dessa resistência ao Asterix e, em particular, ao Tintim, que é uma personagem que me irrita, sempre me irritou, e nunca gostei dos álbuns. O Spielberg tinha um fascínio desde miúdo pelo Tintim, desde adolescente. Pela figura. E aliás, o Indiana Jones tem alguns dos elementos da aventura. Por isso é que ele tinha esse sonho de adaptar. E eu pensei logo: "Isto não vai correr bem", porque há qualquer coisa na personagem que é sinistro, é esquisito. Emite umas vibes um bocado suspeitas. Suspeitas do quê? Não sei.

Mas não joga.

Há qualquer coisa que não funciona ali, que não é convincente. Ele é um miúdo? É um adulto?

Essa parte também me faz um bocado de confusão.

Parece um miúdo. E eu nunca percebi bem isso e também nunca quis desvendar esse mistério.

Será um problema?

Será? Há ali um problema hormonal? O que se passa com o Tintim? E depois é o cão. O próprio cão que não é propriamente um cão de um aventureiro.

Se calhar, é esse contrassenso que também faz com que tenha resultado.

Tenha resultado. Alguma coisa aquilo tem de bom para ser tão amado, e acho que é mesmo o termo, não só tão lido, mas verdadeiramente amado pelos seus leitores. Eu também não gostava muito do Asterix. Creio que do Asterix li alguns, do Tintim devo ter lido, já não me lembro, já foi há muitos anos. Mas do Asterix também não gostava e talvez tenha que ver um pouco com os cenários. Há qualquer coisa que desafia. És incapaz de suspender a tua descrença. E nestes dois isso acontecia. Não acontecia, curiosamente, com o único que eu gostava, que era o Lucky Luke.

Mas esse já lá vamos falar.

Isto é apenas uma teoria sobre as minhas preferências.

Eu gosto de teorias, aprecio.

Talvez aquele mundo retratado, o cenário das aventuras do Lucky Luke, fosse mais familiar pelo nosso convívio, o nosso contacto com o cinema de caubóis, com os filmes de caubóis. E a própria personagem, o próprio desenho da personagem, na minha cabeça, talvez se assemelhasse mais ao que eu entendia que era um herói.

Mas há um lado.

Que era menos europeu também. Acho que tem muito a ver com essa cultura.

Mas há um lado do Asterix, que eu acho que resultava sempre, pelo menos quando eu era miúdo, que era primeiro aquelas coisas de eles sozinhos arrombarem todos os romanos pelo caminho. Eu achava piada àquilo, esse lado da ação.

E isso tinha esse lado também deles de repente terem aquela força da poção.

Tomarem uma poção.

E de repente aquilo era o deus ex machina que resolvia o problema.

E depois eu estava constantemente à espera das cenas em que eles se juntavam todos a comer javali.

Ao banquete.

O banquete.

O último colherinho.

Mas é extraordinário.

Aquilo irritava-me imenso.

A sério?

Porque eu nunca percebia, não tinha literacia suficiente, ainda não tenho, porque é que prendiam sempre o bardo.

Porque se ele começasse a cantar, ia chover. Como se diz hoje, o Pedro não percebia o racional da coisa.

É isso. Irritava-me.

Eles estavam a curtir a festa, acho eu.

Chover ou o tipo era desafinado? Se calhar as duas coisas, não sei.

Também.

As duas coisas. Não sei.

Especialistas, decidam-se. Eu queria só, Maria Ramos Silva, há um lado interessante, porque tu vês o Tintim um bocadinho de outra maneira. E até que ponto és jornalista graças a este rapaz, homem, homem, rapaz? Tem 10% de culpa?

Talvez, tem um pouco. Eu recordo, por exemplo, o Asterix, há pouco o Pedro falava naquela questão do padrinho. Não era o padrinho, mas a minha relação com o Asterix vem da coleção do meu tio mais novo, e portanto não é uma coleção feita por mim, mas que eu vou descobrindo porque alguém tem.

Isso faz-me lembrar aquela história do Pedro do Padrinho. "Ah, o Padrinho?" "Sim, dá-to."

Sim, mas é isso, exatamente.

É isso que a Maria está a dizer.

E ele está todo contente porque estamos a dar-lhe a razão.

E eu gostei muito do Asterix aí, mas nunca foi a minha coleção. A minha coleção, ou seja, feita por mim, "eu quero fazer isto", começa com o Tintim. Aliás, eu lembro-me que ainda há o primeiro de todos, que é o "Segredo do Unicornio", ainda tenho a edição antiga, está velhíssima.

Não podes mexer, porque senão desfaz-se.

Não posso, mas a partir daí comecei eu própria a fazer, a colecionar os álbuns do Tintim e tirei todos. Não sei se terei este. Isto já foi recentemente lançado, não é, Pedro? O último do Tintim já é uma coisa.

Já são os 70.

É, não sei se por acaso tenho esse.

"Tintim e os Picaros".

Tenho.

Mas ainda guardas esses?

Guardo. Está lá tudo em casa dos meus pais.

E ninguém lhe está a mexer.

Então não guardas, se não está em casa dos teus pais.

Não, pronto.

Guarda em casa dos pais. Responde a guardar.

Mas gosto muito. O Tintim tem essa aura, eu compreendo aquilo que o Pedro dizia. Se pensássemos hoje, nestes tempos absolutamente higienizantes: "Vamos criar um personagem que não é carne nem peixe, que é indiferenciado".

Não binário.

Mas é mesmo, o Tintim presta-se muito a isso. Nós até hoje não sabemos se é um cão ou se é uma cadela. Quer dizer, é o Milu.

É um cão.

Pronto. Temos aqui um problema.

Mas vamos lá ver, como dizem os políticos quando se irritam.

Mas vai ser rápido ou é melhor vermos isso na segunda parte?

Vai ser rápido. Estas coisas eram para ser consumidas semanalmente. Depois o Tintim começou a ter tanto êxito que o RG montou um estúdio

Faz lá mais uma aventura então.

Industrializou aquilo.

Exatamente. Tem esse lado. Não tem um lado programático aqui fazendo uns álbuns para serem discutidos em outubro de 2025.

Não, mas isso também, na verdade, não tinha interesse. Ou seja, esse detalhe e coisas que nós hoje discutimos não eram relevantes para o nosso consumo daquela banda desenhada. E para mim, o que era mais interessante, e isso também havia no "Astérix", é talvez o primeiro contacto de um miúdo com a ideia de movimento e de viagem, porque essas pessoas deslocam-se. Ou seja, é o mais próximo que tu tens do filme antes de teres essa cultura cinéfila e de começares a consumir as tais séries e os filmes. E o Tintim era um tipo que acho que nunca deu uma notícia na vida.

Nunca escreveu.

Pronto, nunca escreveu, guardou-a para ele.

Vocês ainda vão apanhar.

Conseguia viajar com um cão atrás, que era extraordinário, que é uma coisa dificílima de se fazer. Depois tinha ali umas personagens engraçadas à volta.

E foi à Lua!

Foi à Lua.

Pois é, meus amigos.

Se bem que hoje até o Catita viaja ao espaço.

Esse Armstrong lá, como é que ele se chama?

Antes da Laika.

Eu via aquilo sem grande pretensão. É uma espécie de "Missão Impossível" da BD. Aquilo vê-se com pipocas, é divertido.

E depois vais à tua vida.

E depois vais à tua vida.

E muito bem. Por falar em ir à vida, chegamos ao final da primeira parte do "Pop Up". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "Pop Up" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Bucher Mendes. Esta semana estamos a falar de banda desenhada. Começámos por "Astérix", porque há um novo livro na coleção, sai a 23 de outubro, chama-se "Astérix na Lusitânia". Entretanto, também já passámos por ódios e amores face a Tintim. Pedro Bucher Mendes, antes de eu fazer a pergunta que tenho para te fazer, tu ainda guardas os teus livros de banda desenhada, os teus álbuns? Sim, tenho alguns e tenho algumas reedições. Tenho o Tintim num grande livro compilado em francês.

Muito bem.

Mas não revisito muito.

Pronto. Já os leste todos, portanto.

Não, revisito de outra forma.

Em sonhos.

Não, tenho acompanhado algumas discussões, como sabem, se o tipo era racista, não sei o quê. Tenho acompanhado essas partes. Descobri há relativamente pouco tempo, há poucos anos, que muitos dos álbuns foram muito redesenhados, por exemplo. Quando são reeditados 20 anos depois ou qualquer coisa do gênero, uma determinada colarinho, imagina, o uniforme de uns soldados quaisquer que estavam em plano de fundo, foram redesenhados de outra forma. Eu acho que era essa a trivialidade.

Deixa-me só dizer que até o próprio Indiana Jones padece, nas leituras atuais, desses males. É um explorador colonialista, que vai roubar os artefactos que pertencem àqueles povos para depois os exibir nos museus ocidentais.

Num fim de semana, não sei se era no Hollywood ou desses canais de filmes, estava a dar o "Indiana Jones e o Templo Perdido". Eu inevitavelmente fiquei a ver, como é óbvio.

Imagina.

Mas sim, eu percebo que hoje, para algumas pessoas que procuram determinados alvos, encontram ali uns quantos.

Nesse em particular, tens ali uma certa exotização dos indianos.

Totalmente.

E depois aquele tipo que arranca o coração. Enfim, é um lado também já um bocadinho pós-moderno, porque já não é ingenuamente racista. Claro que há ali uma exploração da figura do explorador e uma certa idealização, exotização, de facto, do outro, mas que é propositado, que tem que ver muito com aquilo que era feito no cinema nos anos 30, 40, com os serials, e que também vai buscar ao Tintim, estamos a falar já de patamares diferentes.

Sim. Pedro, antes do programa começar, falavas de uma coisa que eu achei muita graça, porque quando eu era miúdo era esta a realidade: os livros de banda desenhada que eu me lembro era o Tio Patinhas e a Turma da Mônica. Curiosamente, era tudo publicado em português do Brasil, eram as edições Abril.

Abril. Sim.

Numa altura em que também o maior fenômeno pop que havia no país, digo eu, a esta distância, pelo menos é aquilo que eu me lembro, eram as telenovelas brasileiras, aquilo que toda a gente falava. Não sei bem como é que chegamos aqui, não sei se na altura te apercebeste, eras mais velho, mas também não eras o sábio que és hoje. E depois também havia os livros de super-heróis.

Depois um bocadinho, que era os Marvel.

Marvel. A DC Comics acho que nunca pegou muito em Portugal.

Não, nunca. Tens aí uma pergunta? Qual é a pergunta?

Não, a pergunta é: como é que quando tu eras miúdo se prestava atenção a um tipo de banda desenhada e depois passado não assim tantos anos- A BD franco-belga era mais presente de Natal.

Sim, não estava no quiosque.

No meu tempo oferecia-se muito quando passavas de ano na escola, os pais davam presentes aos filhos. Não sei se ainda é assim, não faço ideia. Depois há sempre alguém que diz: "Ah, mas eu nunca recebia porque não fazia mais do que a minha obrigação". Que é o meu caso. E os Tintins, e os Astérix, e os Luca e Lucas pertenciam a essa esfera, ou presente, ou uma ocasião especial, ou o menino foi operado às amígdalas e vamos recompensá-lo. Os gibis, como dizem os brasileiros, eram comprados nas papelarias e havia "N", havia o Almanaque, o Zé Carioca, depois a Turma da Mônica.

Super Disney, Hiper Disney.

É verdade.

Os Hiper Disney eram uns capa dura.

Depois a Mônica tinha um acento circunflexo, mas ninguém dizia Mônica.

Mônica, pois é.

Mas Astérix também tem um acento, devia ser Astérix, mas também nunca ninguém dizia Astérix.

Pois não. Também há o Dióspiro.

Está bem, mas isso não de um personagem. Estou só a dizer que essas eram as minhas incantações quando era pequeno.

Mas quando chegámos aqui tu já não ligavas nenhuma banda desenhada, não é?

Não, eu tive uma fase, acho que toda a gente teve, e acho isso francamente interessante. Há uma fase em que tu consegues ler de facto aventuras com o Cascão ou com o Super Pateta, e depois aqueles amendoins. Fazia-me impressão que o tipo comia os amendoins com casca. Não sei se te lembras do Pateta, o Super Pateta comia amendoins, mas era com casca.

Mas eu gostava muito.

Com casca. Mas depois há uma idade em que tu não consegues, por mais que te esforças, achar graça nenhuma. Deve haver alguma coisa na nossa psique que muda e não consegues submergir, aquela imersão naquela ficção. E alguns eram francamente boas histórias. Ou seja, se nós hoje tivéssemos que fazer um argumento de uma historieta do Mickey em quatro ou cinco páginas, é extremamente difícil de fazer. Depois vais a saber mais tarde que muitas daquelas histórias eram geradas em Itália, que tem uma grande indústria de BD, de comics. O que me desiludiu um pouco, porque eu achava que era o próprio Walt Disney que se calhar desenhava todas.

Exato.

E comecei a achar meio batota. Como é que é possível?

Isso é uma indústria que ia funcionando.

Sim. E na altura eu ainda se calhar era meio de esquerda.

E agora? Já eras. Ninguém esperava.

Mas são camadas de relação diferentes. E depois havia pessoas que guardavam os Patinhas, como nós dizíamos.

Eu adorava o Tio Patinhas e a caixa-forte. Ele a guardar as moedas.

Mas havia pessoas que guardavam, havia pessoas que estava lá na sala a um canto, havia pessoas que deitavam fora, havia pessoas que emprestavam. E depois a quantidade de vezes que nós reliamos.

Eu reli os mesmos livros vezes sem conta. Eu não tinha muitos.

E foste feliz.

Era muito feliz a fazer isso.

Não, e a sensação, aquilo que o Pedro estava a dizer, eu lembro-me perfeitamente da sensação de orfandade naquela fase em que aqueles livros perderam a magia para mim, que é talvez a altura em que nós damos o salto da infância para a adolescência. Eu gostava tanto daqueles livros do Tio Patinhas, do Pateta, do Mickey, do Pato Donald, que achava que aquilo devia durar para sempre, e ia durar para sempre aquele fascínio. E quando senti que pegava naquilo e aquilo já não me dizia nada, foi quase tão traumático como quando olhei para os meus carrinhos.

Já não querias brincar com eles.

Já não acreditava naquilo.

Mas tiveste consciência de uma mudança?

Tive consciência de que aquilo deixou de me interessar.

Tu agarras num e não percebes.

O que é que eu faço com isto?

Não, isto já não me diz nada. E ao mesmo tempo, em vez de te sentires orgulhoso porque dei o salto, já estou crescido, não. O que tu sentes é: "Para onde é que foi aquela criança?"

Mas olha, isto está mesmo a ser terapêutico. Eu não estava à espera disto.

Eu não tenho uma relação assim tão profunda. Isto sou mulher.

Não tinhas a Anita, não lias a Anita.

Mas isso não era banda desenhada.

Isto não vai acabar bem.

Não era banda desenhada? Tinha a mesma.

Não era a mesma coisa.

Não era.

Um rapaz recebia o Lucky Luke e o Tintim.

Não. A Anita é uma coisa para mim.

Recebia a Martine, um nome muito mais bonito.

Mas agora é Martine. Martine é um nome muito mais bonito.

E porque é que se mudou para Martine?

Não sei lá exactamente quem foi.

Acho que a Anita.

Porque é que o Observador não faz um especial sobre isto, eu gostava de saber.

Um explicador.

Mas eu quero abrir aqui mais uma crise, que é Bruno Vieira Amaral, tu realmente és um tipo difícil. Porque tu gostavas muito da Mafalda, acho que ainda gostas.

Gosto.

Porém, nunca gostaste de Calvin and Hobbes. E continuas a não gostar.

E continuo a não gostar.

Tudo facto.

Eu não percebia.

Não sei se vais voltar a ganhar prémios.

Vou já dizer, eu não percebia. E depois, quando percebi que havia certas pessoas que usavam aquilo quase como um distintivo, um emblema daquilo que o Pedro disse, e bem, enquanto falávamos na preparação deste programa, que era uma certa coolice erudita ou erudição cool. Então aí foi mesmo: "Eu não quero gostar disto".

Dos tempos em que o Pedro ainda era meio de esquerda, foi ele próprio que disse.

Claro. O Calvin and Hobbes cá em Portugal creio que se tornou conhecido no Público. Ora, o Público era um jornal de elite urbanas. Eu não vos vou contar aqui as dificuldades para comprar o Público na Baixa da Banheira nos anos 90.

Tinhas que apanhar o barco.

Era uma aventura digna do Tintim, descobrir um artefacto maravilhoso e quase mítico. Quer dizer, não ligava muito. Eu lia de vez em quando na biblioteca, lia todos os jornais, incluindo o Público, mas aquilo nunca puxou, nunca percebi aquilo. E lembro-me, esta história é verídica. Tinha um amigo, que tinha uns amigos.

Esta história é verídica.

Desta margem, mas que eram sempre um bocadinho mais sofisticados, mais evoluídos.

Claro, eram da cidade.

E ele diz-me um dia: "O Manel" ele não se chamava Manel, mas pronto, "o Manel adora o Calvin and Hobbes". Aquilo, os amigos dele.

E tu nunca mais falaste com o Manel.

Não, e eu a partir daí percebi. Se estes tipos gostam tanto disto, isto marca de facto uma diferença de estatuto. Para já, eu aos meus pais, lembro-me, os meus pais compram o Público E eles também acabavam por consumir aquilo. E depois ou percebiam, eu admito que percebessem aquilo tudo, ou tinham um certo gosto em dizer que percebiam. Via-se que não era apenas uma coisa que tu partilhavas, dizer: "Olha, descobri uma cena que eu curto bem." Não. Há ali uma coisa que é fantástica. A banda desenhada que vem no Público.

Ou seja, tu associavas isso a um lado de capital intelectual com o qual não te identificavas.

Claro. Porque no meio em que eu vivia, aquilo era uma moeda sem valor. Aquilo não tinha valor nenhum, porque ninguém sabia o que era aquilo. E depois percebi que noutros meios aquilo tinha um certo valor. E tem até hoje.

É ótimo o Calvin.

Sim, eu já te dou a palavra.

Ao contrário da Mafalda, que sempre teve um alcance muito mais transversal, muito mais abrangente.

E até a nível geracional.

Sim, e eu lembro-me de ler com 12, 13 anos. Lia e adorava. Há todo um subtexto político na Mafalda, que não é assim tão importante para perceber.

É isso. E diferentes leitores, com diferentes idades, encontram razões de satisfação diferentes na Mafalda.

Mas mesmo lendo hoje e já conhecendo o mundo e todo aquele contexto político, não acho que seja algo ostensivamente ideológico.

Até porque uma família também não era uma democracia. Ou seja, tu tinhas aquele subtexto.

Exato, aquilo funcionava muito bem.

Para os dois lados, para as duas dimensões.

Há o lado da utopia, que é um lado infantil de ver o mundo. E a Mafalda põe-te nessa perspectiva da criança olhar para as complexidades do mundo e pôr-te a fazer as perguntas que as crianças fazem para algumas coisas do mundo dos adultos que são incompreensíveis, incluindo também as questões políticas.

Da América do Sul. Com uma vibe da América do Sul.

Claro, não nos podemos esquecer do período em que-

Mas lias onde a Mafalda? Já agora.

Na biblioteca.

Ele vivia na biblioteca, não sei se já percebeste.

Estes livros do Lucky Luke, era tudo da biblioteca, da Mafalda.

Deixa-me só pedir aqui ao Pedro Boucher Mentos para, pela primeira vez na vida, defender um produto jornalista. Uma coisa de jornalistas, que é o Calvin and Hobbes. Estamos de acordo?

O jornal Público, quando aparece, era, e agora já não é, mas era bom demais, era demasiado bom. Era como se fosse um semanário. Nós naquele tempo, em 1990, havia muito a lógica dos semanários em Portugal. Tínhamos o Independente, tínhamos o Semanário, tínhamos o Expresso, claro, que eram jornais cheios de cadernos e cheios de caracteres, como diríamos agora, para ler. Precisavas mesmo de muito tempo. E quando surgisse o Público, o jornal era de tal forma bom, tinha tantos suplementos, tinha tantas coisas, que era frequente nós dizermos, eu já tinha 20 anos: "Não, depois à noite leio aqui este especial sobre a conquista do Egito por parte dos otomanos." Porque o jornal tinha muito disso. Tanto que o jornal começou a apresentar prejuízos muito rapidamente e foi mais ou menos salvo pela Guerra do Golfo, que acontece no princípio de 91. Ou seja, as tiragens aumentam, as pessoas querem saber, não há internet, não há canais de notícias, portanto, as pessoas querem saber.

Aliás, desculpa, houve um adiamento do lançamento do Público.

Mas isso foi um ano antes, sim.

Exatamente.

Alguns jornais, incluindo o Correio da Manhã, não sei se as pessoas têm noção, faziam várias edições. Portanto, comprávamos uma edição às 06:00, imagina, ou quando abrisse o quiosque, mas depois às 11:00 havia um Correio da Manhã segunda edição, ou o Público segunda edição. E o Calvin, que estava na última página, e a última página dos jornais, as pessoas que leram jornais sabem a importância dessa última página. Ou tem um cronista que nós gostamos, ou tem a previsão do tempo.

Eu até hoje leio os jornais.

Eu quero dizer, a última página também conhecida como a primeira página que se lê.

E o Calvin estava lá. E o Calvin era um bocadinho como ler o Público sem ler o Público, a princípio. "Empresta aí, deixa-me ler o Calvin." E portanto, eu passava-te a minha cópia do Público, tu lias o Calvin e depois devolvias-me, passados 30 segundos, depois de rir e seres inteligente como eu, tinhas percebido.

É um manel, o Pedro é um manel.

Claro.

Mas ele assume.

Havia esse daily fix, essa dose de sofisticação. E era, de facto, um ótimo jornal de suplementos, como eu já disse quatro vezes. Mas o Calvin é absolutamente extraordinário, muitíssimo superior à Mafalda, na minha opinião. Quando eu digo muitíssimo superior, o Calvin está no andar 44 e a Mafalda está no andar 12.

Pronto.

Não quer dizer que não seja bom a Mafalda. Eu acho é que é de facto muitíssimo superior e seria muito mais famoso e popular se o seu criador tivesse permitido a adaptação a cartoons, venda de pijamas ou de capas de colados. O Bill Watterson nunca permitiu a exploração em merchandising do Calvin. Só temos os álbuns, a Gradiva editou-os naquela altura, eu acho que tenho todos ou quase. E eu ainda leio de vez em quando, quando estou mais aborrecido com a vida, leio de vez em quando as tiras.

Estás a ver?

Que acho extraordinário.

Em vez de se entregar ao uísque.

Nem sequer percebo como é que pode haver alguém que não gosta do Calvin. Não consigo perceber.

Sai deste estúdio.

Isso não, mas quase.

Antes de irmos embora, só pedir aqui à Maria Ramos Silva umas palavras sobre o Corto Maltese. Citando Maria Ramos Silva, antes deste programa: "O impacto nos homens de Corto Maltese dava uma tese de mestrado."

Ou de doutoramento.

Pronto.

Tu já viste a psicanálise? Nós viemos aqui hoje e chegamos a Corto Maltese.

Precisamos que isso seja explicado.

Não, mas Corto Maltese.

Não, eu acho que é uma forma. Tem a ver com aquilo que já falámos aqui um pouco. A banda desenhada, penso que era a poesia, era essencialmente uma experiência no masculino, era muito uma coisa de rapazes. E muitos destes personagens, heróis, incluindo o Corto Maltese, o Lucky Luke também, mas muito o Corto Maltese, é aquela ideia do aventureiro solitário, o marinheiro, uma mulher em cada porto, o tipo que corta a mão para fazer a sua própria linha do destino. Quer dizer, tudo isto é absolutamente-

Tóxico.

Não, hoje seria. Mas hoje seria, exatamente. Hoje seria um exemplo cristalizado de masculinidade tóxica. Mas fez a sua escola, de facto, terá sido relevante para toda uma geração. Eu só queria dizer, a propósito também disto, que de facto a Mafalda, eu penso que a grande virtude, pelo menos para mim, lá está, a falta de outros heróis no feminino. A Mafalda era a única. É uma falha durante muito tempo, e eu recordo, por exemplo, ter amigas que a certa altura liam aquelas histórias da Marvel em que já tinha as personagens femininas, com ar mais empoderado, como se diria hoje.

Vestidas de colientes.

Pronto, exactamente. A Mafalda não tinha isso. A Mafalda, eu acho que a grande virtude, mais do que ideológica ou literária, é de facto a inspiração que terá sido para montes de miúdas e menos miúdas, mas em todo o mundo, que consumiram e que conseguiram de uma forma acessível chegar à ideia da Mafalda, e sobretudo ao espírito contestatário. E ter ali uma voz, de pensar: "Eu posso ser a miúda que dizer não quero comer a sopa."

A Mónica era um bocadinho assim, mandona.

Batia.

E tinha aquele coelho.

Batia o Cebolinha.

Sim.

Isso irritava-me imenso.

A Mónica...

Mas não tinha essa, lá está, é tipo a chata. A Mónica é tipo a chata.

Não era o mesmo.

Mas também era forte.

Era.

Eu gostava do Chico Bento. Desculpem.

Eu gostava da família, o Piteco.

Bruno Vera Amaral.

Eu.

Um minuto para fazeres a apologia do Lucky Luke.

Do Lucky Luke. Eu acho que a figura, claro que não é um Corto Maltese, o traço-

Eu acho sempre mais pinta

...o traço é diferente, mas o Lucky Luke é mesmo do tipo, eu não sei, já acabaram com o cigarro.

Já, claro.

É palha.

Era palha. Substituíram pela palha, mas tinha esse lado do herói solitário, esguio, só tem por companhia o seu cavalo e o cão.

O Jolly Jumper.

O Jolly Jumper.

Os Daltons.

O cão, o Rantanplan.

O Rantanplan. E o cavalo é uma das grandes personagens. Tens os irmãos Dalton, que eram fascinantes, o humor com que eram trabalhados aqueles quatro irmãos era fascinante, mas eu acho que o fascínio que eu tinha pelo Lucky Luke tinha muito que ver com a figura e com esse imaginário também do herói, do caubói solitário, ainda que um herói com sentido de humor, ou seja, não é o invencível. Há ali um outro lado que é por vezes explorado e que talvez explique o meu fascínio pela personagem. Em relação à Mafalda, deixa-me...

Às provocações.

A estas provocações. Eu sou team Blair, em relação aos Oasis, mas os Blair há pouco tempo concederam a derrota final. Depois dos concertos em Wembley dos Oasis, eles disseram que ganharam a batalha, a guerra, ganharam tudo. E a Mafalda é um bocadinho isso, é aquele boneco mais popular, que tem este apelo, não é tão sofisticado. Eu acho que o Pedro também está a falar um pouco por aí.

Sim.

Não é claramente tão sofisticado, mas tem um apelo mais universal, eu diria.

Muito bem, meus amigos, final de mais um "PopUp". Voltamos na segunda-feira em podcast, já sabem, com as sugestões da semana. E sigam-nos sempre nas vossas plataformas favoritas para não perderem nenhum episódio. Até lá.