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Séries, filmes, livros, festivais, há de tudo nesta montra semanal de sugestões do Pop Up. Vamos a mais uma dose e vamos começar pela Susana Romana, que está por aqui esta semana. Susana, vamos começar por uma série. É uma série? Chama-se "Adults".

É uma série, sim. Está na Disney Plus. Devo admitir que ainda só vi um episódio, mas gostei bastante e parece-me que a série tem algum potencial. É da FX, que é aquela chancela da Fox. Normalmente faz séries um bocadinho mais arriscadas.

É, que faz o "The Bear", por exemplo.

É, que faz o "The Bear", faz o "It's Always Sunny in Philadelphia", faz o "What We Do in the Shadows", que é uma comédia da qual eu gosto particularmente. E tem uma nova comédia chamada "Adults", que se eu vos ler a sinopse, isto é a sinopse de 50% das sitcoms alguma vez feitas. A sinopse oficial é: uma comédia sobre jovens na casa dos 20, centrada em colegas de casa codependentes, a tentar enfrentar a vida adulta juntos, apesar das suas falhas.

É o "Friends".

É o "Friends", mas parece-me ser uma série que, apesar de tudo, tem uma linguagem própria, que é uma série muito adaptada, e podemos gostar mais ou gostar menos, mas muito adaptada àquilo que de fato é a vida dos Gen Z, e o que é que de fato angustia os Gen Z. O primeiro episódio que eu vi é sobre o fato de eles descobrirem que um ex-colega de escola secundária, do qual eles nem sequer gostavam muito, está nas notícias porque diz que foi vítima de assédio sexual no trabalho. Então como está a aparecer muito nas notícias como uma grande voz das vítimas, eles resolvem tentar ser amigos dele outra vez pra ganharem protagonismo nas redes sociais. À custa de uma pessoa da qual nem sequer gostavam em primeiro lugar, mas que agora está nas notícias porque foi vítima de assédio sexual no trabalho. E uma das pessoas da série tenta usar isso no seu próprio trabalho. Portanto, eu acho que apesar de tudo, não é 100% uma nova reciclagem rigorosamente dos mesmos lugares-comuns e rigorosamente das mesmas coisas. Parece-me ter alguma frescura daquilo que são os tempos atuais. Não sei se é uma série que vai envelhecer bem, mas é uma série que para ver em 2025 parece-me bem feita. Foi criada por dois guionistas do Tonight Show do Jimmy Fallon, chamados Rebecca Shaw e Ben Krongold. É a primeira sitcom deles e o primeiro episódio eu gostei bastante, pelo menos.

Muito bem, e além disso, queres sugerir um vício teu, que já é tradição.

Dita sim.

Fringe Festival em Edimburgo. Lá vais tu, Susana.

Lá vou eu. Eu gosto muito de ir pro Fringe. O Fringe é um festival de artes, é considerado o maior festival de artes do mundo. Existe noutros sítios, existe na Austrália, por exemplo, mas o clássico e o original é de Edimburgo.

Tens que ir ao da Austrália.

Tenho que ir ao da Austrália. Tens que me pagar melhor os artigos.

Vamos embora.

Para eu ir ao da Austrália. É basicamente um mês de espetáculos. O Fringe surgiu em 1947, é um festival já bastante antigo. Fringe quer dizer à franja ou à margem, porque aquilo foi uma espécie de um festival que foi criado à margem do Festival de Edimburgo, do grande e do mítico Festival de Edimburgo. Só que o The Fringe hoje em dia tornou-se maior do que o festival original, do qual tentava ser alternativa. E basicamente, durante um mês, os escoceses têm uma relação amor-ódio complicada com o Fringe, porque durante um mês a cidade é absolutamente tomada por todo gênero de espetáculos.

Por pessoas como tu.

Por pessoas como eu. Percebos porque é que eles ficam chateados. Desde espetáculos de rua até espetáculos que são feitos em grandes venues, espetáculos que são feitos em ginásios de escolas secundárias, espetáculos que são feitos dentro de uma farmácia, dentro de uma igreja. E há centenas de espetáculos. Uma das regras do Fringe é que não há propriamente um painel que escolhe que espetáculos é que existem ou não existem. Desde que tu te inscrevas e que tenhas o arcabouço financeiro para tal, qualquer pessoa pode ter um espetáculo no The Fringe. É um mês que eu acho particularmente entusiasmante e divertido. Eu vejo sobretudo espetáculos de comédia, mas há tudo. Há comédia, há música, há teatro, há espetáculos pra crianças.

Foi que começou o Baby Reindeer, não é?

Foi que começou o Baby Reindeer, começou o Taskmaster, começou o Fleabag, começou o Flight of the Conchords. E às vezes acontece de eu estar a ver televisão e dizer: "Já vi aquela pessoa no Fringe." Por exemplo, o Trevor Noah, que depois veio a ser apresentador do Daily Show, eu já o tinha visto anos antes no Fringe, numa cave, a cheirar a cerveja e com os pés a pegar o chão. Portanto, é um sítio também bom pra estar atento.

Podíamos fazer este programa num sítio destes. Pedro Bichari Mendes, também na Disney Plus. Traz aqui uma sugestão que se chama "O Amador", mas isto é um filme?

Sim, é um filme que entra naquela categoria: "Estava a perceber um filme." Pronto.

No geral. O que é que tu querias dizer?

Isto é uma categoria muito popular e as pessoas não admitem.

E lá está, que é uma coisa que se chama verbal overshadow, que é quando não há palavras.

Exato.

O Rami Malek, que é o tipo que fazia de Freddie Mercury. É um nerd da CIA, casado, feliz, que se veste assim de uma forma nerdy. E a mulher vai a Londres e ela pergunta se ele quer ir com ela, e ele diz: "Não, querida, tenho muito que fazer na CIA." Pronto, a mulher morre.

Credo!

Ele percebe um atentado terrorista.

Ao menos não foi um concerto de Coldplay, o homem só morreu, calma.

Ele percebe que a CIA não está a fazer tudo o que deveria, e depois faz algumas coisas, enfim, sempre aquelas coisas que é o computador. Que descobre coisas no computador e lá está câmaras de videovigilância. E o filme parece assim um carinho: "É mais do mesmo, parece uma daquelas séries incontáveis que já vimos." Mas o filme começa mais ou menos previsível e lento e ganha dimensão ao longo dos minutos seguintes e, portanto, é uma boa proposta, O Amador na Disney Plus, um filme com o Rami Malek. É muito provável que haja um Amador 2, um Amador 3, um Amador 4. E aqui fica quem entra na tal categoria: "Estava a perceber um filme."

Já agora, quando vês um filme destes, tu já sabes que vais à procura porque já viste em algum lado ou é um perfeito acidente e experimentas?

Faz parte da minha profissão. Isso eu sabia, mais ou menos. Eu sabia que este filme existia. Eu já gostei muito do Rami Malek a ponto de talvez convidá-lo para irmos jantar fora. Ele agora irrita-me um bocado, porque eu acho que ele tem sempre a mesma expressão.

É verdade.

Foi o vilão James Bond que te fez isso.

Sim, mas ele aqui adequa-se. Esta cara que ele tem meia fixa, parece quase paralisada, aqui adequa-se.

Bom, avançando. Também tens uma sugestão que envolve um clássico da televisão americana, que é o senhor Ed Sullivan.

Sim, eu gosto muito de documentários sobre televisão antiga, talvez não tão antiga. O "Ed Sullivan Show" era um programa de variedades, que é essa a palavra que se usava na altura, foi aquele programa onde os Beatles explodiram na América.

Exatamente.

Os Beatles explodiram na América. Foi a tocar no "Ed Sullivan Show". Também há atuações memoráveis de Elvis Presley e obviamente de outros músicos.

Seria o programa mais visto na América, talvez?

Sim.

Por aí.

50 milhões de pessoas veriam isto. O programa chama-se "Sunday Best: The Untold Story of Ed Sullivan". Era ao domingo à noite. Há aqui um device narrativo interessante e que talvez ainda vá dar polémica, mas que é: o documentário é narrado pelo próprio Ed Sullivan, através de inteligência artificial.

Claro.

Mas foram buscar frases verdadeiras e pensamentos verdadeiros e meteram a voz dele, via IA, a dizê-los. Portanto, aquelas palavras são verdadeiras, a voz não é, mas é como se ele tivesse a contar parte da sua história. Mas este documentário senta-se numa dimensão emocionante, pelo menos para mim, ou pelo menos nesta altura da minha vida, que é: o Ed Sullivan nunca discriminou os artistas negros. E foi dos primeiros, talvez o primeiro, a verdadeiramente trazê-los à parte da frente da televisão, à televisão oficial, à televisão mainstream, para atuarem. E vemos, por exemplo, o Nat King Cole, só para dar um exemplo evidente. E vemos algum contexto histórico em que, por exemplo, o Sammy Davis Jr. conta isto, que é uma coisa horrível, que eu não sabia, que os artistas negros andavam em digressão, mas para ficar em determinadas cidadezinhas, eles tinham que encontrar uma família negra.

Senão ficavam noutros sítios.

Não tinham ficado com uma família negra.

Era como aquela história de usarem o tal "Green Book" para viajarem pelo sul dos Estados Unidos.

Isso é uma coisa profundamente ofensiva.

Desumana.

Pronto. E ainda bem que houve a Ed Sullivan. Então, o documentário é um bom documentário, talvez um pouco aborrecido, na medida em que depois também estamos sempre a ver artistas a atuar, independentemente da cor da pele deles. É muito musical o documentário. Eu preferia que tivesse sido mais documentário. Mas vi até ao fim e aprendi bastante. Se estiverem numa de conhecer a história da América, a história da televisão, e ouvir muita música, quase sempre de artistas negros fabulosos, inclusive há um Stevie Wonder pequenito. "Sunday Best: The Untold Story of Ed Sullivan" na Netflix.

Na Netflix, muito bem. Eu rapidamente tenho aqui uma sugestão que vai sobretudo direcionada ao Bruno Vieira Amaral, que não está, porque foi publicada no início deste mês uma nova biografia do Clint Eastwood, que se chama "Clint: The Man and The Movies". O autor é o Sean Levie, que já escreveu uma série de coisas sobre cinema. O livro tem muito bom ar. Lembrar que Clint Eastwood, 95 anos, 40 filmes. A Maria está-se a rir porque não se pode falar do Clint Eastwood.

Pensar que tenho de levar isso para as férias.

O homem, os filmes, como se misturam e como às vezes se separam e um bocadinho também, e muito, a história da América.

Verdade.

Está tudo muito baralhado e é o que parece. Há outras biografias do Clint Eastwood. Há pelo menos uma que é oficial, já se sabe que não vale a pena. E depois há pelo menos outra que é uma crítica de cima a baixo, provavelmente escrita por alguém do espectro político oposto ao do Clint Eastwood. E ao que parece esta, eu ainda não li, vale o que vale.

Fica ali no meio.

Cruza um bocado as coisas. Quando é para elogiar, elogia, e quando é para assinalar a falta de virtude, também está lá. E depois, música. Por um lado, a surpresa do álbum inesperado do Justin Bieber, que se chama "Swag".

A dica são sempre do Ricardo Vidal.

Podem pensar assim: "Este bacano está aqui a sugerir R&B, classe dos anos 90". Muito bem feita. Grandes canções. E depois, um senhor chamado Alex G, que tem um álbum novo que se chama "Headlights", que é um tipo a falar sobre as suas próprias misérias à guitarra. Que é uma coisa que me impressionou muito e com grandes canções. Vão lá espreitar. Chama-se "Headlights", o novo álbum. Maria Ramos Silva, falar em música e miseráveis.

Sim, mas eu primeiro queria começar aqui só por um livro, para juntar às sugestões. "A Vida Secreta das Árvores". Isto é de dois senhores, Fred Bernard e Benjamin Fall. A edição é da Bertrand, mas é uma novela gráfica baseada, na verdade, num outro livro, um livro que saiu em 2015, do Peter Wollenbeck. Ora, quem é este senhor? Este senhor é um engenheiro florestal alemão. O trabalho dele é administrar uma floresta de faias, em Uma, portanto, é um trabalho deste gênero. Também tem as suas controvérsias nas suas cruzadas verdes, obviamente, mas é muito interessante para quem gosta de novelas gráficas, para quem se quer desligar um pouco das redes e mergulhar ali no mundo das árvores. Vale a pena, porque ele trata muito este tema, um pouco à semelhança, ou tenta, essa sua inspiração, trata-lo como o Cousteau tratou, por exemplo, dos oceanos. Ou seja, divulgar isto aproximando mais do público, às vezes cometendo ali faltas, porque acaba por falhar um pouco em termos de rigor científico, mas temos sempre esta fronteira difícil nestes casos. Depois, voltando à miséria este facto. Eu penso muitas vezes, quando ando a ver as plataformas de conteúdos e os documentários mais biográficos, faço uma lista mental de quem é que devíamos pensar, quem é que falta fazer.

Exato.

Quem é que deixamos de fora. E o Billy Joel era um deles. E de repente, eu vou à Max e percebo que finalmente temos.

Agora é a HBO outra vez.

Pronto, lá estão vocês. Ok, agora é a HBO outra vez. E 25 de julho percebo, tenho a agradável notícia, eles chamam de minissérie.

É um documentário em duas partes.

É um documentário em duas longas partes, até, que se chama "And So It Goes" e explora a vida de um tipo que, se calhar, nós aqui não temos bem a noção do impacto que tem do outro lado do oceano, mas é de facto gigantesco no cancioneiro dos últimos 40, 50 anos.

E sabes qual é a parte boa? Quando as pessoas ouvirem isto, já as duas partes estão disponíveis.

O que também é excelente. Aliás, no momento em que as pessoas nos vão ouvir, já as duas partes estão disponíveis.

Exatamente, é isso. Quatro horinhas de Billy Joel.

É muito mais fácil.

E é uma história fascinante.

É mesmo.

Mesmo que não gostem da música.

É uma incrível série, ainda por cima porque explora, obviamente, essas misérias todas pessoais. A vida não foi fácil para o Billy, mas depois também o seu catálogo com mais de 120 temas, que é uma coisa absolutamente extraordinária. E vão reconhecer muita coisa que se calhar já nem se lembravam que era do Billy Joel, o nosso piano man.

Exatamente. Sugestões entregues, rapaziada. Sugestões que estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perderem nenhum episódio. Voltamos, já sabem, na quinta-feira, para a despedida antes da pausa do verão. Até lá.