Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bem-vindos ao "Porque sim não é resposta" com o psicólogo Eduardo Sá. Hoje vamos falar da idade em que os bebês devem entrar na creche. E fazemos isso à boleia de um ouvinte que nos escreveu. Já vamos a esses detalhes, mas primeiro, olá, Eduardo. Há uma idade certa para um bebê entrar na creche?

Olá Judite. O mais tarde possível. Judite, há um pormenor que eu acho que é importante, que é um pormenor que faz toda a diferença. As creches hoje já não são o que eram, felizmente. Hoje já não estão envolvidas naquela atmosfera um bocadinho empírica, um bocadinho curiosa. E portanto, têm pessoas qualificadas a tratar dos bebês, mas eu reconheço que, para todos os efeitos, um bebê é muito pequenino. E portanto, implica, para que esteja na creche, uma separação muito precoce em relação à mãe. Portanto, numa circunstância dessas, seja deixando de estar com a mãe, seja deixando de estar com o pai, o que acontece também em muitas circunstâncias, felizmente, o mais tarde possível, Judite. Sendo certo que se nós apontássemos ali para os seis meses já era uma coisa boa, é muito melhor do que aos dois. Por quê? Porque eles estão mais crescidos, porque de alguma forma as capacidades que eles entretanto desenvolvem são inacreditáveis. Para não ir mais longe, porque nós pegamos neles ao colo de outra forma, a motricidade dos bebês acaba por ser diferente. Eles aos dois meses já seguram a cabeça, quase, ou fazem por segurar a cabeça e querem andar a ver o mundo e coisas do gênero. Mas claro que quanto mais competências tiverem, quanto mais capacidade tiverem para perceber os ritmos de um sítio e de outro, a ausência e a presença da mãe, e esta transição que eu acho que tem que se fazer quando eles entram numa creche, claro que a resposta mais sensata será o mais tarde possível.

Neste caso que nos chegou por e-mail, o primeiro filho só foi pra creche aos dois anos e aos três ainda não fala. E os profissionais que acompanham o filho mais velho aconselham, para o segundo filho, a creche com um ano para ajudar o desenvolvimento. A creche estimula o desenvolvimento?

Judite, estimula, mas acho muito importante que não deixemos essa questão com pedacinhos em branco. É claro que estimula, porque evidentemente que por mais pequeninas que as crianças sejam, vão convivendo umas com as outras e, como se diz popularmente, vão se puxando umas às outras. Portanto, vão ter que aprender a coexistir, o que não é fácil. Vão ter que aprender a dividir os mesmos brinquedos, o que é dificílimo. E portanto, a certa altura, por todas aquelas solicitações interativas, vão crescendo. Vão crescendo no plano da sociabilidade, chamemos lhe assim, de uma forma mais versátil, mais expedita. Mas cuidado, porque não é por as crianças falarem mais tarde que o desenvolvimento delas está comprometido. É importante que não percamos isso de vista. Ou seja, muitas vezes um filho mais velho começa a falar mais tarde, porque como tem um tipo de estimulação diferente, mais empático, mais intuitivo, mais digital, portanto, é tudo muito corpo, muito olhar, muito tom de voz e tudo mais. E ele vai ficando muito acutilante e há, de facto, uma discrepância entre aquilo que ele intuitivamente percebe e a forma como utiliza a palavra, até porque durante muito mais tempo, neste caso, teve uma mãe a falar por ele ou a falar mais por ele do que talvez até de vez. E portanto, nessas circunstâncias, eles parecem começar a falar mais tarde, mas que as pessoas da creche tenham em atenção que as crianças quando começam a falar mais tarde, depois, quando começam a falar, popularmente costuma-se dizer "desentopem" e de repente passam a ter uma linguagem muito rica e muito expressiva. E portanto, não é por aparentemente não serem explicadinhas mais cedo, que elas falam melhor. Não é nada disso. E portanto, a creche que fique descansada e se esta mãe tem a hipótese de esperar mais um bocadinho para pôr um segundo filho na creche, não perde nada por isso, não o está a estragar, por outras palavras.

Esta relação de ter ficado em casa com a mãe e com os avós até aos dois anos e o atraso na fala, estamos a procurar uma causa onde ela não existe.

Estamos, Judite, porque há uma diferença entre a linguagem e a fala. As crianças quando são pequeninas, às vezes surpreendentemente pequeninas, e a mãe diz: "Olha, pega neste papel e vai pô-lo no caixote do lixo do escritório". A criança faz isso tudo. E portanto, em termos de operação mental, é uma operação de uma grande complexidade, muito maior do que dizer "água" ou "balaça". E portanto, o fato de ter uma avó, um avô Mamãe, em princípio, fazendo as contas pelo mimo. Estimulá-la significa que, por um lado, estimulam, mas por outro lado, também estão muito à sua disposição, prontos para falar por ela, por intuir gestos e outras atitudes, às vezes, preguiçosas que as crianças têm. Portanto, nessas circunstâncias, elas têm uma capacidade fora do vulgar para a linguagem a que nem sempre corresponde uma versatilidade por aí além com a fala. Não é por elas falarem mais tarde que têm problemas de linguagem. Vamos devagar. Às vezes, esta precipitação preocupa-me, por quê? Porque de repente, há jardins de infância ou creches, só mesmo pais, que depois ficam numa aflição muito grande, terapeutas da fala, etc. E se for um terapeuta da fala sensato, não se precipita, mas se for menos experiente, corre o risco de depois de estar aqui a tentar mecanizar toda uma competência, que se for desenvolvida num plano intuitivo, fica muito mais afinadinha, muito melhor. E portanto, que não se preocupem e que não façam esse tipo de correlações. Uma criança que não fala de forma clara aos dois anos, não tem um atraso na fala. Calma. Quando ela começa a falar, este salto dos dois para os quatro, às vezes, é explosivo. Não quer dizer que tenha um atraso do desenvolvimento. Cuidado, porque às vezes estas leituras mais à pele, mais superficiais, encaminham para mal-entendidos.

Então, na balança, o que um bebê ganha na creche, que não ganha com os avós ou vice-versa?

Os netos, com os avós, ganham mimo. Ganham duas pessoas que estão em dedicação exclusiva para ele, que vão percebendo os trajetos da linguagem mesmo antes de uma criança começar a aventurar-se pelas palavras e, portanto, numa circunstância destas, claro que mimo é a vitamina do crescimento. Na escola ganha solicitação social e, portanto, ganha mais jogo de cintura, ficam ali mais capazes de se defender, razão pela qual tão depressa aparecem com uma dentada muito bem dada por um colega, como a seguir são eles a fazer pela vida e portanto, ficam com outra autonomia, outra segurança, mas feitas as contas, eu se calhar prefiro sempre os avós à creche.

Esta mãe tem algum receio de contrariar o conselho dos técnicos. Mas cada cabeça a sua sentença, não é?

Infelizmente, às vezes é assim. E portanto, os pais depois ficam muito sozinhos. Mas nem sempre os técnicos têm a experiência suficientemente robusta para os deixarem seguros, por outras palavras. E, portanto, vais uma mãe que tem um técnico a dizer: "Olhe, veja lá o que é que está a fazer". E uma mãe, por mais convicta que esteja, fica a tremer da cabeça aos pés.

Claro.

Os técnicos são importantes, desde que sejam sensatos e tenham experiência. E às vezes não se aventurem para fora de pé, porque às vezes leem um livro e de repente começam a fazer umas extrapolações e estragam tudo, por mais que a intenção às vezes seja ajudar.

Eduardo, ficamos por aqui hoje. Voltamos amanhã com mais um tema. Até lá, um grande abraço e obrigada.

Outross, Patrícia. Muito obrigado eu e até amanhã.

Até amanhã.