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Paulo Ferreira, o que está a acontecer? São os produtores a tentar segurar as suas receitas?

Sem dúvida. A OPEP é um cartel assumido. Sentam-se a uma mesa e combinam produções para controlar preços, e é isso que está a acontecer. É um grupo de países relativamente restritos, países da OPEP, que têm o essencial das suas receitas enquanto economia dependentes da venda deste produto. Quando eles cortam a produção e aumentam o preço, o que eles estão a pedir é aos outros países todos, de uma forma genérica, que contribuam mais para as suas economias e paguem mais pelo produto que têm. É isso que está a acontecer com este aumento de 6%. Eles não controlam o preço, mas controlando a quantidade, abrindo ou fechando a torneira, manipulam claramente o preço do mercado. Estes valores que estão agora com esta subida de 6%, colocam-nos na casa dos tais US$ 84 por barril. O Brent do Mar do Norte, estamos a falar daquilo que é referência para a Europa e para Portugal. Este valor está muito abaixo ainda daquilo que nós pagámos há cerca de um ano, que chegou aos US$ 120, quando a gasolina e o gasóleo chegaram aqui aos €2.

Ainda estamos muito longe de uma linha de alarme, mas tendo sido ou estando a ser os produtos energéticos o motor de alguma desaceleração da inflação, isto pode virar estas coisas todas.

Nós vamos querer sempre o petróleo mais barato, nós consumidores e não exportadores, e eles vão querer sempre o petróleo mais caro. Para nós, Portugal e os outros países, é obviamente uma má notícia, porque, como bem dizes, há aqui uma desinflação destes produtos, que nós ainda vemos nos dados de março, que pode agora ser travada. Vamos ver, de facto, se esta tendência vai continuar e se isto vai fazer subir os preços muito mais ou se ficamos por aqui com este degrau de 6% numa semana.