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Estamos a poucos dias de irmos votar. Até lá continuamos a conhecer melhor que país é este que vai a eleições com a ajuda da Luísa Loura, directora da Pordata. Muito bom dia, Luísa.

Bom dia, Maria João.

Não foi há muitos dias que nos trouxe os números do comércio internacional e neste aspecto, Luísa, um sector muito crítico e que depois do apagão está ainda mais na ordem do dia, é o sector da energia.

Por isso é que desde logo, sem eletricidade, sem petróleo, até em último recurso, sem o carvão, regressamos à Idade da Pedra.

Exatamente.

E todos sabemos, isto da energia é o que faz andar a nossa sociedade. Há países que conseguem produzir muita energia com os recursos próprios. Portugal não está exatamente nesse ponto, mas na União Europeia, atualmente, é a França quem mais produz. Seguida da Alemanha, da Polónia, da Espanha, da Itália e da Suécia. Sendo que a França produz mais que a Polónia, Espanha e Itália juntas. A França subiu muito, note-se que no início dos anos 90 era a Alemanha quem tinha o pódio da produção de energia. Quanto a Portugal, em 2023 encontrava-se na 16ª posição entre os 27, o que para a dimensão do país se pode considerar uma boa posição. E além disso, a nossa produção de energia atualmente mais do que duplicou dos anos 90. Portanto, temos vindo a produzir cada vez mais energia utilizando o nosso recurso natural que é o sol.

Então vamos aos números?

Sim, mas antes é bom fixarmos a sigla da unidade usada para medir a energia: TEP. Em peso, é o equivalente a uma tonelada de petróleo e lê-se tonelada equivalente de petróleo, TEP. E o primeiro número é o do nosso consumo de energia, 22 mil TEPs.

Portanto, esse é o consumo. E quanto é que produzimos?

Produzimos 7,3 mil TEPs. Não chega, temos de importar. Acontece que também exportamos e não é pouco. Do ponto de vista económico, pode ser vantajoso exportarmos quando não conseguimos consumir no momento. Portanto, dos 7,3 mil TEPs, exportamos 4,7 mil, que é mais de metade. A diferença do que sobra para os 22 mil que consumimos é o que compramos fora, com uma pequena folga. Em 2023 importámos 19,8 mil TEPs de energia. No entanto, como estamos a produzir mais, apesar de termos de importar a quase totalidade do que consumimos, como só o fazemos por questões de economia de mercado, a nossa dependência energética tem vindo a reduzir. O nosso dado disponível, que é o de 2023, indica 67% de dependência energética. Ele era 85% no início do século. Estamos a progredir mais.

Sim.

Na União Europeia, os países com maior dependência energética são o Luxemburgo, Malta e Chipre. E os com menor dependência são a Estónia, a Suécia e a Roménia. Portugal está entre os mais dependentes, bem como a Espanha, a Alemanha e a Itália. Globalmente, a dependência energética da União Europeia ainda é bastante elevada, 60%.

Pois é.

Portanto, está aqui um trabalho a fazer.

Luísa, para terminar, sei que nos trouxe uns números curiosos sobre a quem temos vindo a comprar energia. Que países são esses?

Muito bem. Aqui temos dados por produto energético: carvão, gás natural e petróleo. Aquilo que mais importamos é o petróleo e os seus derivados, mesmo em muitos TEPs. No início dos anos 2000, comprávamos à Nigéria, à Arábia Saudita e ao Reino Unido. E nos anos mais recentes, passámos para o Brasil, para Espanha e para a Argélia. Nos entrementes destes anos também comprámos bastante a Angola e à Rússia, mas agora já não.

Agora já não, pois.

No gás natural, o principal país de origem atualmente é a Nigéria. Embora bastante menos que há quatro anos, ainda continuamos a importar gás natural da Rússia. Quanto ao carvão, era um produto que importávamos muito no início do século, mas agora deixámos cair. Já não importamos nada.

Já não importamos nada disto.

Não, exatamente.

Luísa Loura é a diretora da Pordata. Obrigada por mais um episódio. Amanhã voltamos a mostrar que país é este que vai a eleições. Até amanhã, Luísa.

Até amanhã.