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Estamos em contagem decrescente para as legislativas de domingo. Até lá continuamos a conhecer melhor que país é este que vai a eleições, sempre com a diretora da Pordata, Luísa Loura. Bom dia!

Bom dia.

Luísa, hoje vamos falar sobre a nossa paisagem? O que é que descobriu?

Pois, gosto muito de fazer estas descobertas. Tenho a certeza de que os números de que vou falar irão deixar os nossos ouvintes tão surpreendidos como deixaram a mim. Todos sabemos que na nossa paisagem temos casas, estradas, rios e lagos, florestas, zonas cultivadas, zonas não cultivadas. O que não é tão fácil de avaliar é qual o peso de cada uma destas formas de ocupação no global do território. E o resultado não é nada intuitivo.

Pois, imagino. Então comecemos pelo que mais ocupa o território nacional, que é a floresta.

Exatamente. Vou usar o relógio para se perceber melhor. Fazendo girar o ponteiro dos minutos, a floresta vai do zero aos 25 minutos. Seguem-se os arbustos. E aí o ponteiro gira mais 10 minutos e já estamos nos 35.

Exatamente.

Logo a seguir vem a terra cultivada e as pastagens. O ponteiro avança 18 minutos, nove mais nove, cada um. E com isto já chegamos aos 53 minutos.

Impressionante.

Acontece que já não temos quase margem para as cidades, vilas, aldeias e estradas. Elas correspondem apenas a quatro minutos de avanço no nosso relógio. Mais precisamente, são apenas 6,4% do território. E nós achamos que é quase só isso.

Exatamente.

Temos cidades e prédios. Já agora, os três minutos sobrantes são dos rios e lagos e de terreno sem nada.

Luísa, se olharmos para o resto dos países da União Europeia, a paisagem é muito diferente?

Não, não difere muito. Principalmente aqui na região mais central. Os países nórdicos é que têm tendência a ter mais floresta. Na Suécia e na Finlândia, ela ocupa quase dois terços do território. E na Irlanda, mais de metade é pastagens. Também Malta, que é uma ilha pequena, muito povoada, sai bastante do padrão, quase não tem floresta e reparte o território entre áreas urbanizadas e artificializadas, áreas de cultivo e pastagens. Estamos então a chegar à conclusão de que a quase totalidade do território é repartida entre floresta, arbustos, terra cultivada e pastagens. Acontece que face ao tamanho do nosso país, somos dos que temos menos área dedicada à agricultura. Na floresta, estamos na parte cimeira, mas na terra cultivada estamos entre os 10 menos. De qualquer maneira, aqui temos algumas culturas que se sobressaem: oliveiras, vinha, o milho, as nogueiras. Somos o segundo país a seguir à Grécia, que tem mais área ocupada por oliveiras, e somos também o segundo nas árvores de fruta, logo a seguir ao Chipre.

Luísa, para terminar, só falta mesmo percebermos qual é o contributo dos setores da agricultura e das florestas para a riqueza nacional.

Não é muito. Os dados que englobam também o setor das pescas mostram um contributo que não chega a ser metade do contributo do setor da construção, um terço do setor do alojamento e restauração e um sexto da riqueza gerada pelo setor das atividades imobiliárias. O imobiliário ocupa muito pouquinho território, mas em riqueza é de lá que vem mais.

Luísa Loura, muito obrigada por mais um "Que país é este que vai a eleições". Até amanhã para o nosso último episódio.

Vem mais.

Até amanhã.