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Final inédita da Taça de Portugal de futebol feminino. Primeiro clássico, até aqui nunca tinha acontecido. O Futebol Clube do Porto chegou à final depois de ter subido em apenas duas épocas à primeira divisão e vindo da segunda divisão encontrou um Benfica hegemônico, com seis campeonatos ganhos nos últimos seis anos e também com uma dobradinha conquistada no ano de hoje. O que é certo é que neste duelo inédito tivemos muita coisa boa para avaliar, apesar de se ter confirmado o cenário do favorito Benfica. 2 a 0, num jogo completamente controlado pelas encarnadas.
Encontraram-se hoje dois clubes históricos, mas dois clubes com uma grandeza de tal maneira que no futebol feminino isso não é assim. Neste momento, no futebol feminino, é o Benfica que tem um avanço muito grande, é um Benfica mais poderoso do que o Futebol Clube do Porto. Nesse sentido, do futebol feminino. Diria que o Porto em dois anos consegue chegar à Primeira Liga e o Benfica é hexacampeão, tem uma equipa que compete nas competições internacionais, nas Champions. É uma equipa mais madura, mais robusta, mais entrosada, mais capacitada. Enfim, tem realmente uma excelente equipa e o Porto tentou fazer tudo por tudo para dificultar ao máximo a tarefa das jogadoras do Benfica. O jogo começa e começa bem para o Benfica. Marca um gol cedo, aos quatro minutos, um Porto sempre cima do jogo, um Porto que realmente também praticamente não fez nenhum remate na primeira parte à baliza do Benfica.
O Porto que rematou pouco, quando rematou, rematou enquadrado, mas rematou mesmo muito pouco.
Sim, e de longe. Praticamente não criou problemas à guarda-redes do Benfica.
Foram quatro remates para o Futebol Clube do Porto, três deles enquadrados.
Eu diria que aquilo que se perspetivava antes da partida, que o Benfica era superfavorito, porque era muito melhor do que o Futebol Clube do Porto neste momento, confirmou-se porque as jogadoras do Benfica fizeram por isso também. Agora destacar aqui também as jogadoras do Futebol Clube do Porto, dentro das suas limitações, dentro daquilo que é o seu momento, neste momento, em relação ao poderio das jogadoras do Benfica, lutaram e não há ninguém do Futebol Clube do Porto que possa apontar um dedo a estas jogadoras que não deram tudo o que tinham dentro do campo para dar o seu melhor. Mas um Benfica que fez 2 a 0 na primeira parte, um Benfica que a sensação que fica é que se apertasse um bocadinho mais e quisesse aí ir à procura do gol, o Benfica teria conseguido mais alguma coisa.
E recordando aqui as palavras de Mariana Grão, jogadora do Futebol Clube do Porto, esta ideia de que independentemente do Benfica ser superior, havia, e talvez isso tenha acontecido na maneira como o resultado se expressou, porque o Benfica não conseguiu expressar a sua superioridade no resultado, talvez por algum nervosismo, por não conhecer a equipa adversária, por ser um jogo desta envergadura e por ser também uma final com a memória traumática do ano passado nessa derrota para o Benfica.
Sim, eu acredito que tivesse também tido essa influência. Acho que as duas equipas até podiam estar um pouco nervosas, mas sentiu-se perfeitamente bem que o Futebol Clube do Porto estava mais nervoso do que as do Benfica. Mas eu diria que o Benfica, às vezes dá-se confiança ao adversário para poder discutir o resultado, o Benfica não deixou. Essa que é a grande verdade, o Benfica fez 2 a 0. Na segunda parte já foi mais de gestão, já foi mais de controle, mas um Porto mesmo assim com as substituições que fez, nunca se chegou assim muito à frente no sentido do perigo.
Fomos falando de Lily Bryant, avançada do Futebol Clube do Porto, que fez 20 gols esta época.
Não fez um remate a gol.
Mas esteve quase a ter uma oportunidade que acabou perdendo a bola pra guarda-redes. Foi o único momento.
Quase. Mas eu diria que talvez, isto não é nenhuma crítica, mas uma equipa que está a perder 2 a 0, faz as alterações que o treinador do Porto faz e bem, para tentar ainda reduzir a desvantagem, tem que pressionar um pouquinho mais na frente, porque estava mais perto do gol. Eu sei que também, se estou um pouquinho mais na frente, também destapo um pouquinho mais atrás. E dá a chance do segundo gol. Isso também é uma verdade. Fica 2 a 0, mas ficou a sensação que o Porto podia ter feito mais qualquer coisinha em termos daquilo que era a sua desvantagem. Diria que é um Benfica poderoso, um Benfica que ganha bem. As notas do mais, já lá vamos.
Sim, mas relativamente à segunda parte, tivemos só ali talvez um pequeno momento em que o Futebol Clube do Porto tentou abrir um pouco mais o seu jogo para tentar chegar à frente. E houve também aqui outra declaração emitida por uma das jogadoras, que o Futebol Clube do Porto tinha muita dificuldade sabendo, acho que foi o treinador do Futebol Clube do Porto, Daniel Chaves, que é muito difícil jogar contra uma equipa cuja guarda-redes também entra no processo de construção do jogo e daí também essa falha de pressão que foi-nos apontada ao Futebol Clube do Porto, sobretudo quando estava a perder por 2 a 0, cerca de 80 minutos, e ficou a olhar pra guarda-redes do Benfica com a bola nos pés.
E lamento dizer, mas tenho que dizer que faltou treino, porque já sabia que era assim que o Benfica jogava, então tenho que adaptar a minha equipa para esses momentos em que o guarda-redes do Benfica tem a bola e depois liga o jogo à sua defesa e ao seu meio-campo. Diria que não houve capacidade do Porto, essa que é a verdade. Isto não há como esconder.
Houve também consciência disso por parte dos envolvidos.
Claro. Mas tanto a Mariana como o treinador do Futebol Clube do Porto também disseram praticamente que o Benfica foi superior em tudo.
Eu acho que aquilo que fica mais em torno será o registo ou a experiência de Champions, esse registo que faz toda a diferença.
É tudo. Se a gente olhar, até o andamento, o passeA desmarcação, a velocidade. Repara que eu disse uma coisa, não sei se foi contigo em off, mas vou dizer agora em aberto: o Benfica, por exemplo, nas alas, fazia um contra um, tentava criar desequilíbrios. O Porto praticamente nunca fez um contra um. Não que as jogadoras não quisessem, mas porque talvez não tivessem essa capacidade para isso.
Talvez uma das mais interventivas nesse aspecto tenha sido Nicole Heussler, do Benfica, que tentava sempre arrastar o problema.
Claro, isso também cria desequilíbrios na organização defensiva do adversário. Mas por muito que a gente esteja aqui a falar e a comentar, a grande verdade é esta, e não podemos fugir disso: o Benfica é tão superior que seria uma normalidade se o Benfica não deixasse ganhar esta Taça de Portugal. Não é desvalorizar a equipe do Porto, a equipe do Porto tem que ser muito valorizada.
É conquistar a realidade técnica.
É a realidade das coisas. E repara que a Mariana disse, jogadora do Fogo do Porto: "Para o ano temos que ter uma outra capacidade". Até falou em ritmos de jogo. Isso que estamos aqui a dizer, faz toda a diferença, e claramente que o Porto vai crescer e o Benfica vai tentar manter a sua hegemonia, mas não deixou de ser um espetáculo que claramente pendou sempre pro lado do Benfica.
Vamos aos destaques deste relatório de jogo, um relatório de jogo que também é histórico. Acompanhamos aqui uma final inédita, com um clássico inédito entre Benfica e Fogo do Porto no futebol feminino. Terminou com vantagem duas bolas a zero pro Fogo do Porto e o que é fato é que, Augusto Inácio, de negativo não houve muito hoje.
Não, negativo pra mim não houve nada.
Não, há nada? Vamos saltar.
Vamos saltar.
Vamos também fazer história no relatório de jogo.
Eu acho que esta final merece-
Então vamos aos destaques positivos.
Primeiro, mais de 22 mil pessoas nas bancadas. Acho que é fantástico para um jogo de futebol feminino, nesse caso, na final. Dizer que a Caroline Möller e a Pauleta, capitã do Benfica, foram, na minha opinião, as melhores jogadoras do Benfica, e que a Mariana Azevedo, a central do Fogo do Porto, foi realmente uma líder, ali atrás, que comandou aquela defesa e que, juntamente com a sua guarda-redes, provavelmente o Porto não perdeu por mais gols devido a essas ações dessas duas grandes jogadoras. Também dizer que o Fogo do Porto está de parabéns por uma coisa que nós tanto falamos, tanto a gente diz que o futebol devia ter um outro caminho. Repara que as jogadoras do Fogo do Porto, depois de terem recebido a medalha de prata, nesse caso, de finalista vencido, mantiveram-se em campo à espera que as jogadoras do Benfica erguessem a Taça de Portugal. Não vou dizer que isto é anormal, porque isto devia ser o normal, mas há situações. Entre as coisas, às vezes os clubes-
Quanto mais acesa a rivalidade.
Exatamente. As coisas, às vezes, não são assim. Por isso, parabéns às jogadoras do Fogo do Porto e ao staff do Fogo do Porto, que se mantiveram como grande vencido que foi, e acho que deve ser assim. E claramente, depois na parte final, parabéns ao Benfica, ganhou uma Taça de Portugal bem, foi melhor do que a adversária. E quando as equipes estavam a subir para receber as medalhas, as do Porto do lado da claque do Porto, as do Benfica do lado da claque do Benfica, eu tenho a certeza absoluta que se as jogadoras do Porto entrassem, depois, pro lado da claque do Benfica, não haveria problemas nenhuns.
E também fomos vendo ao longo, em zonas mistas do estádio.
Exatamente.
Usamos aqui a expressão que é "divididos e unidos", apesar de camisolas diferentes, muita gente a conviver.
Mas as jogadoras e as duas equipes deram uma demonstração de que realmente pode haver muita rivalidade, mas depois ali assim, no jogo, quem ganhou é de aplaudir e por isso eu aplaudo as duas equipes.
Isto também é aplausos e acabaste de entregar e assinar mais um relatório de jogo. Augusto Inácio, um grande abraço e bom descanso.
Um abraço, obrigado.