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João Pedro Valente, muito bem-vindo a mais um relatório de jogo desta feita para olhar para um encontro da quarta jornada: Boavista zero, Benfica três. O Benfica costuma sempre passar por grandes dificuldades frente às equipas de Petit, ou pelo menos há esse histórico e esse fantasma nas últimas épocas. Hoje fez brilharete. Roger Schmidt pode ser também o caça-fantasmas deste Benfica.
Sim, embora tenha pairado também no início da partida alguns fantasmas, desde logo pela forma como o Boavista estrategicamente conseguiu entrar no jogo, obrigar o Benfica a baixar um pouco as suas linhas, ou seja, não ser tão pressionante e tão acutilante no momento de pressionar a saída de bola do adversário. E a verdade é que nos minutos iniciais, o Boavista teve essa capacidade também no momento de ataque rápido e de transição, descobrir os passos deixados pelos laterais. Chegou a criar algumas situações de perigo, mas sem nenhuma oportunidade clara de gol. E a verdade é que o Benfica, no momento de bola parada por Morato, trouxe o jogo completamente para o seu cariz, para o seu conforto. A partir do primeiro gol, o Benfica geriu da melhor forma, teve mais posse, mais capacidade também de encontrar espaços, sobretudo entre linhas, para Rafa conseguir receber de frente para a baliza adversária, onde consegue acelerar e combinar com outros jogadores. E lá está o destaque também para João Mário, que mesmo na primeira parte, foi um dos jogadores mais capazes de ter a bola e de pensar o jogo da equipa do Benfica, e hoje faz também uma exibição que consegue premiar com dois gols. E isso é importante também para ele, apesar de desperdiçar aquele gol há 1 minuto 45.
E foi algo que fomos também dizendo aqui ao longo da emissão, que não é o tom.
Eu falei na emissão, não é um jogador com muito gol na sua carreira. A prova disso é que a época que fez mais gols foi a época no Sporting, antes de sair para o Inter de Milão, onde fez apenas sete gols. Portanto, não é muito para um médio criativo pelos terrenos que pisa João Mário, mas a verdade é que hoje faz uma grande exibição e consegue coroar essa exibição com dois gols. Na segunda parte, o Boavista voltou a responder. Obrigou, inclusive, o Benfica a ter que baixar ainda mais as suas linhas. E acho que depois está aí o mérito de Roger Schmidt, de ter percebido o jogo, de ter percebido também que a equipa estava a perder intensidade para conseguir pressionar o adversário. E a verdade é que aquela tripla alteração voltou a mudar o cariz do jogo. O Benfica foi mais acutilante na sua forma de pressionar, roubou mais bolas na primeira fase de construção do Boavista, conseguiu chegar à vantagem do segundo gol e depois geriu a seu bel-prazer. É verdade que o Boavista teve alguns momentos próximos da baliza de Vlachodimos, mas ao longo destes 90 e poucos minutos não conseguimos registrar uma clara oportunidade de gol.
E a equipa do Boavista começou compacta, depois o Benfica começou a explorar os corredores e por aí conseguiu também alguns lances de perigo, mas houve, sobretudo do lado do Benfica, alguma paciência com bola, apesar de tudo, também alguma paciência sem ela. A equipa do Benfica tem alguns problemas na transição, aqui identificados, para a defesa, mas apesar de tudo, é uma equipa muito intensa, que não dá grande hipótese aos adversários. Roger Schmidt pode ter encontrado aqui uma fórmula infalível, sendo que ainda não perdeu à frente do comando técnico do Benfica.
É difícil de responder a isso, Vicente. Aliás, quando se ganha, obviamente, são poucos os defeitos que se encontram, mas esta é a verdade, é uma ideia de jogo e Roger Schmidt é sempre fiel àquilo que é a sua ideia de jogo, e o Benfica tem feito sempre da mesma forma. É uma equipa que pressiona muito alto, que condiciona muito a primeira fase de construção da equipa adversária, que rouba muitas bolas ainda no seu meio-campo ofensivo, e isso permite com os jogadores talentosos que tem, estar sempre mais próximo da baliza. A verdade é que esta pressão muito alta, muitas vezes com muitos jogadores a pressionar o portador da bola, pode permitir que o adversário depois consiga descobrir espaços para encontrar a equipa do Benfica desequilibrada. Mas isso tem a ver também com a capacidade que o Benfica ainda não encontrou no adversário, de conseguir saltar essa linha de pressão. E a verdade é que até agora, o Benfica tem sido muito eficaz nos seus momentos de pressão. Agora, acho que a equipa está claramente muito confiante e isso também traduz aquilo que são as vitórias. O Benfica ainda não tinha feito muita coisa para chegar ao primeiro gol e a verdade é que chegou, e isso também diz daquilo que é uma equipa, neste momento, com um ciclo, diria, quase vicioso de vitórias, que traz obviamente à equipa muita confiança.
E fez três gols. Esta equipa do Benfica não sofreu nenhum, mesmo apesar de ter nesta defesa Morato a comandar e António Silva de apenas 18 anos. Bom jogo também do ponto de vista defensivo.
Sem dúvida, 18 anos, também foi curiosa esta aposta de Roger Schmidt em António Silva, quando se calhar seria mais expectável a inclusão de Vertonghen. Pode ter a ver também com o pé preferencial. Vertonghen é um canhoto, Morato também. Se jogasse Vertonghen e Morato, o Benfica jogaria com dois centrais de pé esquerdo. E a verdade é que António Silva fez um jogo muito competente. Levou um cartão amarelo muito cedo na partida e a verdade é que apesar dos seus 18 anos, mostrou maturidade e muita competência. Ele é muito competente nas suas ações defensivas, mas depois tem, para mim, aquilo que é muito bom num central moderno, a sua capacidade e a sua assertividade no momento com bola e no momento de construir. E acho que esteve muito competente também a esse nível. Portanto, boa estreia para António Silva, que sobe aqui também na hierarquia, obviamente, dos centrais. Vai aproveitando também a ausência dos dois centrais brasileiros da equipa do Benfica para ganhar o seu lugar também no plantel.
O que foi o pior esta final de tarde no Bessa, João?
Difícil referir o menos nesta partida. Aliás, se olharmos para o rendimento dos jogadores do Benfica, diria que estiveram todos num plano mais alto. Hoje, Enzo mais discreto.
Neto, talvez.
Provavelmente Neto, sim. Faz os primeiros 45 minutos com algo displicente até nas suas ações. E falta perceber isto também de Neto, porque é um jogador que nas últimas épocas a sua consistência exhibicional não tem sido regular, mas é um jogador incrível do ponto de vista técnico. Mas, Vicente, e para aí, no Benfica, claramente Neto, hoje a unidade de menor rendimento. Ao Boavista faltou um avançado mais de referência. Eu percebo o lado estratégico de Petit jogar com dois avançados mais exteriores, mas a verdade é que faltou alguém capaz de responder a situações de cruzamento e que fizesse também mossa entre Morato e António Silva.
E o melhor esta noite?
O melhor tem que ser, sim. Há poucas dúvidas nisso. Florentino faz um grande jogo do ponto de vista da recuperação da bola, mas a verdade é que João Mário, por tudo aquilo que já referi também ao longo da emissão, pelos gols que fez, pela forma como este jogar de Roger Schmidt casa perfeitamente naquilo que é as suas características, é claramente um jogador que temporiza, que pausa, que cria, que aparece no último terço uma grande capacidade para definir. E acho que o Benfica reencontrou João Mário. João Mário também reencontrou o seu melhor futebol, portanto é claramente hoje o homem da noite.
E hoje bisou, foi capitão e foi considerado o homem do jogo. Um grande abraço ao João Pedro Valente. Até à próxima jornada. Vai ser já a quinta do campeonato. Está a passar a correr, ainda agora começou. Um abraço.
Um abraço.
Rádio Observador