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Está aberto mais um relatório de jogo da Rádio Observador. Eu sou o Miguel Pina Andrade, está comigo o comentador de desporto, Augusto Inácio, e vamos olhar para a vitória do Benfica contra o Nacional da Madeira por duas bolas a zero. Um jogo a contar para a jornada 29 da Primeira Liga Portuguesa de Futebol. Augusto, uma entrada derrapante das águias, dois gols em 15 minutos, um Benfica bastante diferente daquele que vimos na semana passada em Rio Maior, frente ao Casa Pia. O que mudou?

Em princípio, mudou aquilo que o Mourinho já tinha dito sobre a equipa, sobre alguns jogadores do Benfica, sobre a fome de ganhar, a fome de comer relva, no sentido de todos se entregarem de alguma maneira àquilo que é o objetivo final, que é ganhar. Parece que os jogadores absorveram aquilo que foi a mensagem do Mourinho e o Benfica, o que é certo, é que em 15 minutos praticamente faz o resultado do jogo, com dois gols de rompante. Mas vimos um Benfica muito dominante, muito agressivo, muito pressionante, não deixando praticamente o Nacional pensar o jogo, salvo raras exceções na primeira parte em que o Nacional teve um pouquinho de posse de bola, mas que o Trubin praticamente não fez nenhuma defesa. Mas diria que o Benfica foi construindo oportunidades que podia ser mais dilatado, mas sai com 45 minutos de, não é o grande estilo, mas diria uma grande força coletiva em relação àquilo que poderiam ser os obstáculos que o Nacional pudesse colocar. A primeira parte correu assim, os adeptos que responderam, parecia que estava tudo harmonioso, estava tudo dentro daquilo que são os padrões de exigência da equipa do Benfica, até que na segunda parte as coisas já foram completamente diferentes. Um Nacional que, entretanto, tinha sido encurralado às cordas, conseguiu soltar-se. O Benfica deixou de ser tão pressionante, deixou todos ao mesmo tempo estarem à procura de ganhar a bola. E quando se deve ganhar a bola, há só uma bola, mas há adversários que se desmarcam e têm que ser marcados também sem bola. Esses jogadores deixaram de ter essa pressão, começaram a ganhar esse tipo de linha de passe e começaram a desenvolver o seu jogo. O que é que o Nacional queria na segunda parte? Marcar um gol pra entrar outra vez no resultado. Não conseguiu. Trubin não é que fizesse grandes defesas muito complicadas e muito difíceis, mas esteve mais em ação, principalmente a primeira meia hora da segunda parte, do que esteve toda a primeira parte, em que realmente não fez nenhuma defesa. E o Benfica, aqui, acolá, deixando rolar, entre aspas, o jogo, mas não com aquela vontade, aquela ganância de quer marcar o gol, e teve essa oportunidade de fazer o 3 x 0 pro Paulinho, que falhou a grande penalidade, o que é certo é que o Benfica não fez, mas ficou um jogo mais esticado, mais elástico, bolas de um lado, bolas do outro. Ou seja, o Benfica não teve a arte na segunda parte de fazer logo o terceiro gol pra matar completamente aquilo que era as ideias dos jogadores do Nacional. E o que é certo é que o Benfica ganha, mas ficou a ideia de que faltou mais qualquer coisa deste Benfica na segunda parte. Primeira boa, a segunda parte sofrível. Teve a oportunidade de gol pra fazer o terceiro? Teve. Caíque esteve bem? Teve. Mas faltou mais definição, mais remates certeiros, mais último cruzamento que é um passe, mais remate à baleia com qualidade. Diria que o Benfica deve a si próprio mais gols. O que é certo é que não conseguiu e sentia-se no campo que se o Benfica sofrer um gol, iria tremer. O que é certo é que o Benfica também não sofreu e as coisas foram se arrastando, mas claramente uma vitória mais do que justa do Benfica, talvez por mais um ou outro gol de diferença, seria realmente mais justo.

Mas esta segunda parte que foi mais equilibrada, foi demérito do Benfica ou também o Nacional entrou com outra mentalidade nos segundos 45 minutos?

Aqui confundem-se as duas coisas. É o demérito de uma equipa e o mérito da outra equipa. Eu prefiro dar mérito à outra equipa do que demérito. A outra equipa soltou-se, estava a perder ao intervalo, de certeza que o treinador do Nacional disse aos seus jogadores: "Malta, a primeira parte já perdemos, vamos tentar ganhar a segunda parte". E isso quer dizer o quê? Quer dizer que é para ir à procura do gol. O que é certo é que soltaram-se mais, ficaram mais distribuídos no terreno de uma forma em que o passe pudesse ser mais certeiro, com mais critério, coisa que não tinha feito na primeira parte, que aliviaram muitas bolas, mas sem aquele critério de desligar o jogo. Foi mais pra aliviar do que outra coisa. Na segunda parte, o Nacional tentou fazer isso, mas claramente também faltou ao Benfica pressionar o homem da bola, pressionar o homem que não tinha a bola. O Benfica, que tão bem tinha feito isso na primeira parte, deixou de fazer na segunda parte, mas eu prefiro dar mérito ao Nacional, que teve essa qualidade.

Falavas durante a emissão da condição física dos jogadores do Benfica. Achas que nesta reta final do campeonato, os encarnados podem ter vantagem sobre os rivais, nomeadamente o Sporting, que vai ter uma semana com jogos muito importantes?

Claramente que o Benfica vai ter essa vantagem, porque o Benfica não está nas competições europeias. Já há algum tempo que o Benfica tem semanas limpas, como se costuma dizer, não tem jogos a meio da semana. Acho que os jogadores do Benfica têm a obrigação de fisicamente, pelo menos, estar melhor do que, por exemplo, o Sporting, que é o adversário com que vai jogar, ou mesmo que o Braga, ou mesmo que o Porto, são os que estão nas competições europeias. O Sporting vai ter um jogo muito complicado, muito difícil, que tem um desgaste enorme em Londres com o Arsenal. O Benfica não vai ter isso. O Sporting depois vai ter que jogar 72 horas depois com o Benfica. Embora me pareça a mim que esse é o jogo do tudo ou nada pro Benfica, no sentido de, pelo menos, pensar no segundo lugar, já que no primeiro eu acho que não tem qualquer hipótese, mas tem a hipótese do segundo, que dá acesso à Champions, e não é direto, é indiretamente, ou seja, tem pré-eliminatórias, tem playoff pra entrar na Champions, mas tem essa grande oportunidade. Mas só pode ganhar. O Sporting tem um jogo a menos, tem dois pontos de avanço. Se ganhar esse jogo ao Tondela, fica com cinco. O Benfica, se ganhar o Sporting, fica ainda a dois do Sporting. E o que é certo é que o calendário do Benfica também não é assim tão famoso, mas Para ter algumas hipóteses, o Benfica tem que ganhar este jogo em Alvalade e parte claramente em vantagem física para este jogo. Não estou a falar em vantagem para o jogo em si, porque o Sporting tem qualidade suficiente também para ganhar ao Benfica.

Mas este segundo lugar, para ti ainda é possível para a equipa das Águias?

É possível, porque o Benfica, se ganhar em Alvalade, fica a dois pontos, no caso do Sporting ganhar esse jogo do donde ele tem atraso. E depois, se o Benfica ganhar, fica em igualdade pontual, o Benfica fica em vantagem em relação ao Sporting. O Sporting não pode ter sequer um empate desde que o Benfica ganhe os seus jogos, claro, vai ser complicado, mas o Sporting não pode sequer ter um empate porque tem o Benfica ali à perna.

Agostinho Inácio, qual é o ponto positivo que queres atribuir a este jogo?

Eu diria que principalmente a primeira parte do Benfica, para não falar dos primeiros 15 minutos que foram arrasadores. O Benfica faz o resultado nos primeiros 15 minutos, uma primeira parte completamente do adversário e eu acho que o segredo do Benfica ganhar este jogo foi pelos primeiros 45 minutos.

Resta saber se tens algum ponto negativo para este Benfica 2, Nacional 0.

Pela semana limpa que o Benfica teve, eu acho que o Benfica tinha a obrigação de continuar a pressionar o adversário conforme tinha feito na primeira parte. Não o fez. Não me parece que fosse falta de condição física, foi mais acomodismo aos dois a zero, com que o Benfica terminou a primeira parte e às vezes essas coisas podem correr mal, não aconteceu, mas às vezes pode correr mal.

Está entregue mais um relatório de jogo com Agostinho Inácio, comentador de desporto da Rádio Observador, deste Benfica 2, Nacional da Madeira 0. O jogo ficou decidido no início da partida, com golos de Scheldrup aos três minutos e Rafa aos 14. Prestianni assistiu ambos e recebeu o prémio de melhor jogador em campo. Na antecâmara do derby da próxima semana, o Benfica está a dois pontos do Sporting, que tem um jogo a menos e que ontem venceu por uma bola o Estrela da Amadora na Reboleira. As Águias tentam assim aproximar-se do líder Futebol Clube do Porto, que joga às 20h30 diante do Estoril, na Amoreira. Partida com relato e análise em direto aqui na antena da Rádio Observador. Por hoje é tudo, Agostinho Inácio. Muito obrigado e um grande abraço.

Um abraço também.