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A cada partida que acompanhamos aqui na Rádio Observador, fazemos sempre o relatório de jogo e hoje o Futebol Clube do Porto chega às meias-finais da Taça da Liga, uma taça que ainda não conseguiu conquistar, depois de vencer o Gil Vicente por 2 x 0. Francisco Sousa, tivemos aqui um gol madrugador de Galeno e um Porto com alguma força nesta primeira parte de jogo.
Sim, é verdade. O Porto acaba por entrar bem neste encontro perante o Gil Vicente. Marca logo ao terceiro minuto, um excelente passe do Octávio, desmarcação do Galeno às costas da defesa do Gil Vicente e a partir daí parecia que o jogo se podia tornar fácil para os Dragões, mas não foi bem assim. Digamos que a equipa do Gil, pese embora essas dificuldades iniciais, na forma como ao tentar defender alto, nem sempre conseguiu controlar os movimentos dos atacantes do Porto e depois também arriscou um pouco nas saídas de bola, perdendo algumas vezes e permitindo ataques perigosos aos Dragões. Ainda assim, soube se recompor e terminou claramente melhor a primeira parte, criando oportunidades de perigo, desde logo com o Fran Navarro a ser um dos protagonistas, também o Boselli, mais pela direita, a encarar muitas vezes o Wendel, a ganhar duelos, a conseguir também ao mesmo tempo proporcionar uma excelente defesa ao Cláudio Ramos. Portanto, na primeira parte, digamos que o Porto, na primeira meia hora, conseguiu a espaços criar perigo e condicionar o Gil Vicente, mas depois sentiu essas dificuldades e, portanto, há que dar aí mérito à forma como a equipa do Daniel Sousa também se apresentou em campo. Já se veem também ideias diferentes neste novo treinador ao quarto jogo e parece-me que o Gil podia até ter marcado na primeira parte. Na segunda parte, um início de tumulto, desde logo o Evanilson substituiu Tony Martinez depois do intervalo, acabou por ver logo um cartão amarelo por entrada dura nos minutos iniciais. Foi uma fase do encontro algo confusa também, algo agressiva, de certa forma, e com algumas interrupções de jogo. Depois diria que o momento mais relevante volta a ser ao minuto 63, com o Galeno novamente como protagonista na forma como arrancou perante o Danilo Veiga e obrigou à falta, com o lateral direito do Gil a ver o segundo cartão amarelo. Foi um momento que acabou por quebrar o Gil no plano defensivo. Cinco minutos mais tarde, chegou o 2 x 0, precisamente por esse lado, a equipa a acusar a falta do lateral. Uma boa desmarcação do Octávio após passe do Wendel e a assistência para o 2 x 0 do Taremi. E quando pensávamos que o Porto podia alcançar a goleada e até teve mais uma outra oportunidade para o fazer, a verdade é que o Gil Vicente manteve a boa qualidade nas saídas para o ataque, sobretudo com o Kevin Vilhena a encontrar um bom entendimento com o Fran Navarro. E a verdade é que a equipa de Barcelos podia ter reduzido. Também o Porto podia ter aumentado para 3 x 0, mas no final parece-me que este desfecho com dois gols de vantagem para os campeões nacionais acaba por ser justo.
E apesar de podermos dizer que o Porto esteve sempre por cima neste jogo, o Gil Vicente nunca desistiu. Portanto, se calhar, também temos aqui boas indicações deste novo comando técnico liderado por Daniel Sousa.
Exatamente. São boas indicações, desde logo porque o Gil Vicente apresentava muitos problemas defensivos e apesar de ter esta qualidade técnica, que hoje, de resto, foi visível no Estádio do Dragão, em parte dos principais jogadores, sobretudo meio-campo para frente, é uma equipa que mostrava alguma permeabilidade e depois não era assim tão eficaz também no modelo de jogo com o antigo treinador. E a verdade é que com Daniel Sousa, a equipa estrutura-se defensivamente muitas vezes no 4-4-2, o Fujimoto só perto do Navarro e com a defesa um pouco mais adiantada. Ainda está a tentar ajustar estas movimentações, mas de todas as formas já se vê pelo menos uma intenção de evoluir e isso é positivo para um Gil que nesta altura se encontra em 16º lugar no campeonato, com apenas nove pontos, portanto tem obrigatoriamente de crescer para poder escapar à batalha da manutenção.
Neste jogo, podemos dizer então que Galeno esteve em grande plano.
Sim, Galeno foi um dos melhores jogadores. Aliás, eu diria mesmo que atravessa a melhor fase da carreira, sobretudo porque está um jogador cada vez mais confiante na definição dos lances, em termos ofensivos, do ponto de vista técnico, mantendo a velocidade que sempre o caracterizou, a capacidade de rutura no espaço, de atacar as costas da linha defensiva contrária. Ganhou, sem dúvida, qualidade, critério, um pouco mais de pausa também em determinados momentos em que se calhar não definia tão bem, acabava por perder a bola e tem sido muito útil para Sérgio Conceição, para o Futebol Clube do Porto, na forma como vai resolvendo os jogos.
Do lado do Gil Vicente, quem é que destacarias e quem é que deixou também boas indicações?
O Fran Navarro, não sendo um jogador que consegue em certos momentos definir da melhor maneira. Ele tem qualidade a fugir no espaço, também a oferecer apoios, mas por vezes falta-lhe o tal upgrade a nível da definição, quer no passe, quer no remate, para dar o salto. Ele foi até falado para o Sporting e para outras equipas de maior nomeada. Parece-me que falta essa diferença positiva para poder efetivamente sair do Gil Vicente para um clube maior, para fazer a diferença. Mas neste contexto, é um jogador bastante relevante e continua a ser. O Fujimoto foi aparecendo a espaço entre linhas, com muita qualidade técnica. O Boselli também deu muito trabalho à defesa do Porto, sobretudo na primeira parte. Foram os jogadores mais em destaque. Depois, saindo do banco, diria que o Kevin, a partir da ala esquerda, o jogador espanhol, foi o mais entusiasmante do lado do Gil na segunda parte.
Feito aqui este relatório dos 90 minutos, Francisco Sousa, para ti, quem é que foi o melhor e o pior?
O melhor, destacaria do lado do Futebol Clube do Porto, Galeno, obviamente. Já tínhamos falado nele pela participação no lance do 1 x 0, por ter estado noutros lances perigosos de ataque e, desde logo, também pela forma como conseguiu ganhar a frente ao Danilo Veiga, proporcionando o segundo cartão amarelo e consequente expulsão do lateral direito do Gil Vicente. Posso também fazer um destaque pela positiva para o Gil Vicente, pela forma como se mostrou ousado e conseguiu criar perigo no Estádio do Dragão, obrigando o Cláudio Ramos até a defesas difíceis. O pior, para mim, deste encontro acaba por ser a participação defensiva do Wendel, continua a não ser muito convincente. Ele até está no lance do 2 x 0, com um excelente passe em rutura para o Octávio, mas do ponto de vista defensivo continua a ter algumas lacunas. Um lateral que chegava com estatuto, tinha jogado na Bundesliga, no Bayer Leverkusen, também já com experiência de Liga dos Campeões, mas comete algumas falhas, nem sempre está bem posicionado. É verdade que hoje tem a demanda de ter tido um problema físico nos primeiros 45 minutos, mas mesmo assim continua a não ser um jogador absolutamente convincente na posição de lateral esquerdo.
Está entregue o relatório de jogo de hoje. O Porto venceu o Gil Vicente por 2 x 0, carimbou assim o passaporte para as meias-finais da Taça da Liga.