Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É uma vitória gorda que dá a passagem de Portugal para o mundial do próximo ano. Conosco está o comentador de desporto Filipe Coelho. Esteve a acompanhar no Dragão esta vitória histórica de 9 x 1 frente à Arménia. Filipe, quais foram para ti as chaves de tantos gols nesta seleção frente a uma Arménia que está muito abaixo no ranking da FIFA em relação a Portugal, mas Portugal também mostrou-se uma equipe muito diferente daquela que defrontou a Irlanda há alguns dias.
Sim, mas desde logo a questão do adversário a enfrentar e nesse sentido a Arménia possibilitou as duas exibições mais convincentes da seleção nesta qualificação, desde logo no primeiro jogo na Arménia com aquele 5 x 0 e hoje no Dragão um 9 x 1. Nove a um que até poderia ter uma dimensão superior, porque apesar de tudo, Portugal desperdiçou alguns lances na segunda parte. É uma goleada absolutamente natural. Portugal foi amplamente melhor do que a Arménia. Jogou quase sempre no meio-campo ofensivo, conseguiu empurrar os arménios para trás. Beneficiou hoje de ter mais presença nos três corredores, desde logo com a integração do Rafael Leão como extremo esquerdo. Contou com a presença, o regressado Bruno Fernandes, que foi muito importante também na forma como a equipe agrediu a baliza arménia, e Gonçalo Ramos, que na frente de ataque acabou por corresponder a um belíssimo nível. Portanto, como disse, é uma goleada totalmente natural, uma missão cumprida, que eu diria até que tocou por atraso. Este era um apuramento que estava anunciado, não só pelo próprio formato, mas pelo sorteio que acabou por calhar a Portugal, porque nem Irlanda, nem Hungria eram seleções que pudessem, à partida, criar assim tantos problemas à seleção portuguesa, considerando a diferença de valor individual que existe entre as seleções e a Arménia era claramente o parente pobre desta qualificação. Portanto, diria que tudo absolutamente natural na tarde hoje. Pode até discutir-se mais gol, menos gol, é certo, mas diria que é um resultado totalmente esperado e uma exibição positiva da equipe comandada por Roberto Martínez.
As cinco alterações que fez para esta partida podem ter sido também uma das chaves desta vitória gorda?
Sim, diria que sim. Apesar de tudo, parece-me mais natural ter João Cancelo como lateral esquerdo, como aconteceu hoje, do que ter Diogo Dalot, como ocorreu na Irlanda. E aí, como que Roberto Martínez anulou o flanco esquerdo nessa partida, com Dalot e João Félix nesse corredor e Portugal teve muitas dificuldades para criar jogo e sofreu também em termos defensivos. Depois Xa Nelson, também pela direita, faz uma exibição competente e há que destacar, como já disse, a entrada do Rafael Leão, que traz sempre outro tipo de imprevisibilidade para o lado esquerdo do ataque, até porque o João Félix, que jogou na Irlanda, é um jogador que procura mais os espaços interiores, colocando-se entre defesas e médios contrários e o Leão é um jogador que dá outro tipo de largura e outro tipo de capacidade no um para um. Depois, também referir a titularidade do Renato Veiga. É certo que não é propriamente neste tipo de jogo que o Renato Veiga vai ser testado do ponto de vista defensivo, mas parece-me que é um jogador que do ponto de vista dos duelos aéreos, dos duelos físicos, acaba por acrescentar um pouco mais do que o Gonçalo Inácio e também me parece que é um jogador que em termos até pessoais, é um pouco mais líder do que o Inácio, é mais vocal, é um jogador que tem mais demonstrações de liderança no terreno de jogo. Isso também pode ser importante e isso pode também explicar a opção de Roberto Martínez, sendo que me parece que este é um dos lugares mais em aberto, se pensarmos já no 11, que pode iniciar o próximo Campeonato do Mundo, ou seja, o parceiro de Rúben Dias é uma posição que me parece claramente em aberto entre Inácio, Renato Veiga. Incluiria aqui também Tomás Araújo, que me parece que é um jogador que vai ter de ser pensado, equacionado para o futuro, a breve prazo da seleção nacional.
Roberto Martínez diz que todos fazem falta, a propósito da questão também sobre Cristiano Ronaldo. Faz muita falta, como fazem todos, foi a expressão usada por Roberto Martínez. Portugal é melhor com Ronaldo ou é melhor sem Ronaldo?
Eu diria que Portugal tende a ser diferente. Parece-me que Cristiano Ronaldo...
Gonçalo Ramos faz uma bela exibição hoje.
Sem dúvida. Estamos a alguns meses do mundial e Ronaldo, entretanto, vai completar 41 anos. Não sabemos até como é que vai estar fisicamente nessa altura. Agora, olhando ao dia de hoje, parece-me natural que Ronaldo continue a fazer parte dos convocados da seleção nacional, porque continua a ser um goleador absolutamente fora de série, um jogador que faz a diferença na caixa mágica. Agora, parece-me também que Gonçalo Ramos tem que ser valorizado de outra forma. É um jogador que joga no Paris Saint-Germain. É certo que não é titular, mas tem contributos importantes na equipe francesa. É um jogador que acrescenta sempre do ponto de vista da eficácia e tem uma questão que Ronaldo não tem. Isso parece-me perfeitamente claro. É que Gonçalo Ramos oferece muito mais em termos de pressão, de condicionamento ao adversário, quando a equipe contrária quer começar a construir. E vimos isso contra a Arménia, mas já vimos isso noutras partidas. Ramos é um avançado que se dá à luta, que é combativo, que pressiona e que condiciona o adversário. E Ronaldo, não só pelas suas características naturais, mas pelo próprio avançar da idade, não oferece isso. Portanto, Portugal, do ponto de vista defensivo, fica mais diminuído quando é Ronaldo a jogar e não Gonçalo Ramos. Depois do ponto de vista ofensivo, Ramos dá coisas diferentes. É um jogador que se desmarca melhor do que Ronaldo, se quisermos no espaço, ataca o espaço com outra naturalidade, mas Ronaldo, por exemplo, no jogo aéreo, é imbatível. É um jogador que se impõe entre os centrais e tem outra questão. É um jogador que consegue atrair também uma atenção especial dos adversários, o que pode libertar também algum espaço para os outros atacantes e para os médios que surgem detrás.
Filipe, vamos a um resumo final desta partida. Quem é para ti o jogador mais, onde esteve o sinal mais desta vitória de Portugal frente à Arménia?
Vou dividir por duas exibições individuais. João Neves, primeiro hat-trick ao serviço da Seleção Nacional, um médio cada vez com uma maior abrangência. No Benfica era um jogador muito mais voltado para o aspecto defensivo, mas em Paris tem crescido do ponto de vista ofensivo. Além do mais, marca um livre direto absolutamente espetacular e foi muito importante na exibição portuguesa. Depois Bruno Fernandes, também ele a fazer um hat-trick. É um jogador que tem um papel diferente na seleção em comparação com o que tem no Manchester United. É um jogador que aparece mais à frente ao serviço da seleção, muito importante no último passe, muito importante na forma como atira à baliza contrária e hoje sai aqui com uma nota também ele, em termos pessoais, muito relevante. Tornou-se o sexto melhor marcador da Seleção Nacional, passando Rui Costa e Hélder Postiga.
Algum sinal menos para atribuir nesta partida de Portugal?
Sim, diria que sim. A postura defensiva, que é algo que Portugal vai ter de rever depois desta fase de qualificação. Não especificamente nesta partida, mas ao longo da primeira parte também houve alguns momentos em que a Arménia teve alguma liberdade para chegar ao último terço. Mas olhando a toda a fase de qualificação, Portugal sofreu demasiados gols para os adversários que enfrentou e a várias dimensões, não só no ponto de vista da transição defensiva, ou seja, depois de perder a bola, a forma como abriu os passes, mas também na bola parada defensiva. Sofreu gols por essa via contra a Hungria e contra a Irlanda. E foi uma equipa que quando quis pressionar mais alto, quer a Hungria, quer a Irlanda, abriu brechas no bloco ofensivo e isso foi muito bem explorado pelos seus adversários. Portanto, eu diria que Portugal terá sempre capacidade de ferir e de marcar gols e, portanto, ser muito capacitado em termos atacantes, mas creio que do ponto de vista defensivo, saem daqui alertas importantes e que devem ser valorizados pensando já no próximo Campeonato do Mundo.
Está feito este relatório de jogo com a ajuda do comentador Filipe Coelho, aqui na Rádio Observador. Esteve no Estádio do Dragão, onde ainda está também a decorrer esta fase final do jogo, já com as bancadas vazias, ainda com alguns responsáveis políticos também presentes no Estádio do Dragão. Já há declarações de Luís Montenegro à comunicação social. Estava aqui também a ver uma homenagem que será feita pelo Presidente da República aos vencedores da última Liga das Nações e que é uma homenagem que vai decorrer também ainda no piso zero do Estádio do Dragão. Filipe, um abraço e até à próxima emissão especial de desporto da Rádio Observador.
Um abraço, Nelson.