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Benfica 5, Vitória Sport Clube 1. Jogo a contar para a 25ª jornada, com noite de gala, como tinha pedido a Roger Schmidt. O jogo ao início, Francisco Sousa, estava um pouco mais difícil, não sabia bem para onde ia pender, mas o Benfica mal encontrou o caminho da baliza, não o desencontrou.

Exatamente. O Benfica não estava a ser capaz de criar perigo nos primeiros 10 minutos, mas depois disso, surge o 1 x 0 e desbloqueia em definitivo, do ponto de vista atacante, esta partida. Perante um Vitória que se apresentou no registo tático habitual, havia a dúvida sobre se jogaria com quatro defesas ou com uma linha de cinco. Baixou Dani Silva, que é médio, para o meio do Villanueva e também do André Amaro. A verdade é que o Benfica entrou como sempre pressionante, mas não estava a conseguir definir as jogadas ofensivas no último terço, até que chegou esse cruzamento a partir do lado esquerdo do David Neres, e depois ataca com a área, em simultâneo, o Rafa Silva e o Gonçalo Ramos, com o Rafa a fazer uma assistência de cabeça que não é muito comum e que deu, de certa forma, vantagem também para que o Gonçalo Ramos pudesse atacar a baliza com um cabeceamento colocado para o 1 x 0. Foi o momento que acabou por mexer positivamente com o jogo na perspectiva do Benfica, não tanto para o Vitória, que quis arriscar um pouco mais, mas também se expôs em termos defensivos e o Benfica foi aproveitando para trabalhar melhor as jogadas de ataque, com tal dinâmica sempre a resultar também na recuperação a meio-campo. O Florentino com essa capacidade para recuperar bolas, para equilibrar a equipa defensivamente, o Chiquinho também, mas acrescentando a dimensão do passe. E depois chega a jogada do 2 x 0, curiosamente parte de um pontapé de baliza.

Uma inversão aqui da questão, porque tinha sido o Rafa a assistir de cabeça e depois foi o Rafa a receber de um cabeçamento do Gonçalo Ramos.

Exatamente, no 2 x 0, precisamente, Vicente. Foi um lance que começou no Odisseas, o Gonçalo recebe de cabeça e acaba a desmarcar o Rafa nas costas da defesa do Vitória, que já estava claramente mais adiantada. Aproveitou bem o Rafa, que é um jogador rapidíssimo, e isolou-se, ganhou o pênalti. Na conversão, João Mário fez o 2 x 0. Mais tranquilidade ainda para o Benfica e, claro, um Vitória a viver dúvidas, uma equipa que não conseguia chegar com grande clarividência à grande área do Benfica e que oito minutos mais tarde, depois de sofrer o 2 x 0, acabou por consentir o 3 x 0 num hino ao futebol, uma grande jogada construída a partir do meio-campo com velocidade. Foi um ataque construído de maneira ordenada, mas rápida e com pormenores fantásticos, desde logo nos apoios do Neres, o toque de calcanhar do Rafa, que acaba por estar nestes três primeiros gols e a assistência do Gonçalo Ramos para o João Mário. Eles continuam nessa disputa acesa pelo troféu de melhor marcador e aqui vão se complementando também muito bem nas ações ofensivas. Portanto, o Benfica extremamente eficaz, quatro remates enquadrados em 45 minutos, três gols, uma vantagem significativa. Diria que o jogo ficou resolvido ao intervalo.

Ao intervalo, a equipa do Vitória perdia já por três bolas a zero. Na segunda parte, apesar de tudo, parece ter vindo com, pelo menos nos primeiros minutos, alguma atitude diferente, com alguma inconformidade com o resultado, pelo menos algum inconformismo, porque houve aqui o primeiro remate à baliza e logo com perigo, a obrigar Odisseas, que até então tinha agido pouco, a testar as luvas.

É verdade. O Vitória, nas chegadas que teve na segunda parte, foi criando mais perigo, sobretudo a partir do lado esquerdo. É o Afonso Freitas que desmarca o André Silva, que praticamente numa zona sem ângulo, consegue proporcionar essa intervenção a Odisseas Vlachodimos. O Benfica baixou o ritmo de jogo intencionalmente, ou seja, a equipa foi gerindo o jogo, claramente num registo mais pausado. Também, ainda assim, tendo espaço, oportunidades e situações de aproximação, quer da bola parada, quer com cruzamentos, jogadas bem trabalhadas a partir dos flancos. O quarto gol chegou já à chegada para os últimos 20 minutos, em mais uma ação positiva do Rafa. Deixa para o João Mário, que acaba por cruzar quando tinha tudo para rematar a baliza e deste lance e destes ressaltos, surge um autogolo por parte do Dani Silva, que acaba carimbar mesmo em definitiva a vitória encarnada. Depois disso, Schmidt mexe pela primeira vez, lança três jogadores de uma assentada, Musa, João Neves e Morato. Do outro lado, a resposta por parte da equipa técnica vitoriana, o Janvier e o Wendel entraram bem, são jogadores com qualidade no passe. O Janvier, que de resto participa no lance do 4 x 1, foi a melhor jogada do Vitória com assistência de outro jogador que tinha entrado na segunda parte, o Safira, para o André Silva finalizar. E até o final, o destaque para o canto trabalhado a partir da direita entre o Neres e o Chiquinho, com António Silva a acabar por finalizar após assistência do Musa. Mais um gol para o António Silva, que mostra que não é só produtivo a defender e na saída de bola no passe, também na área contrária pode causar perigo e finalizar. O Benfica que viveu uma noite de sonho. Foram cinco remates enquadrados, descontando aqui obviamente o autogolo, mas são cinco remates enquadrados, cinco gols, noite bastante produtiva e a prova que o Benfica não precisa de estar permanentemente a ser avassalador, a atacar e a criar oportunidades para conseguir superiorizar de forma clara os adversários.

E houve também aqui talvez um segredo, o segredo da pressão, que mesmo com a ausência de Ósmense não parece ter tido cessado na equipa do Benfica, conseguiu ocupar muito bem todos os espaços dos terrenos, em todos os momentos do jogo. É muito trabalho tático do Roger Schmidt.

Claro, é um mérito fundamental e independentemente das peças, o Benfica vai tendo sempre essa eficácia na forma como pressiona, obriga o adversário ao erro, deixa a equipa adversária desconfortável. Este Vitória, se falarmos das equipas que estão abaixo dos grandes, é uma das formações que consegue trocar a bola melhor a partir de trás, tem muitas soluções, médios que trocam muito bem a bola, têm boa qualidade de passe, conseguem queimar linhas. A verdade é que hoje não vimos isso na equipa do Vitória, mérito precisamente desse trabalho da formação encarnada sem bola, desde logo a partir dos atacantes, com Gonçalo Ramos, o Neres, muito ativos também nessa pressão, a eficácia do João Mário e dos restantes médios também na recuperação de bola. E, portanto, nesse sentido, é um Benfica que se complementa muito bem na dimensão do jogo sem bola e depois quando recupera, consegue sempre chegar com perigo.

Resta saber, Francisco Sousa, o que é que para ti, neste final de tarde no Estádio da Luz, foi o pior.

O pior pra mim acabou por ser a primeira parte do Vitória, sobretudo a partir do 1 x 0. A equipa desmoronou-se completamente, acabou depois também por se expor mais aos erros e não ter presença ofensiva. Eu destacava precisamente esse lado do Vitória em jogos perante equipas do mesmo campeonato, conseguir criar perigo, ser uma equipa com soluções criativas, que hoje não demonstrou na primeira parte.

Já no sentido contrário, para fechar este relatório e deixá-lo entregue, Francisco Sousa, o que é que foi mais positivo neste final de tarde no Estádio da Luz?

A dinâmica ofensiva do Benfica, logicamente. Rafa participa nos quatro primeiros gols, uma equipa com grande capacidade criativa, com excelentes arranques, com muita criatividade e obviamente também a eficácia de Gonçalo Ramos e de João Mário, jogadores distintos, mas que continuam a complementar muito bem no ataque.

Está feito e entregue o relatório de jogo deste Benfica 5, Vitória Sport Club 1, jogo que acompanhamos aqui mais uma vez com os comentários e a análise do Francisco Sousa. Francisco, um grande abraço, bom descanso.

Abraço, obrigado.