Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Relatório de jogo, Augusto Inácio, à quarta jornada, grupo D, Sporting vence o Raków 2-1. Um Sporting que ainda não garantiu matematicamente a continuidade nas competições europeias. Falta um ponto. Pode ser eliminado caso Raków se torne e Sporting termine o grupo com sete pontos. Portanto, o Sporting ainda não garantiu a Europa. Em relação a este jogo, tudo se complicou num jogo que a partir até estava descomplicado, com o Sporting a marcar muito cedo, a marcar de penálti e com o Raków com 10.

É verdade, mas deixa-me dizer que o Sporting deu indicações lá no jogo na Polónia de que era uma equipa muito superior a esta. E o Sporting com 10 elementos na Polónia equilibrou o jogo e criou dificuldades a este Raków. Agora aconteceu precisamente ao contrário, um Sporting que entrou no jogo e o Raków também, olhos nos olhos, só a verem baliza. Parecia que não havia táticas defensivas para nenhuma das partes, até que surgiu aos 14 minutos uma grande penalidade a favor do Sporting e a expulsão de um jogador do Raków muda completamente o cariz do jogo e a forma como o jogo se estava a desenrolar. O Sporting, sem empregar grande velocidade ao jogo, sem aquela sanguice de procurar o gol porque tinha espaços para isso, o que é certo é que o Sporting foi trocando a bola e obrigou os jogadores do Raków a recuarem tanto no terreno, que viu-se ali uma floresta de camisolas vermelhas e meias vermelhas, junto à pequena área do Raków, e o Sporting passeou praticamente durante a primeira parte, como quis e como criou. Praticamente o Adam não fez nenhuma defesa e o Raków não incomodou a equipa do Sporting. O Sporting pecou aí no último passe, aquele passe que eu costumo dizer que é o passe da morte, que é o passe do gol, que é aquele passe da qualidade. Os passes estavam sempre desviados, um pouco talvez mais à frente, um pouco mais atrás, no momento certo não era assim. Faltou ali qualidade, classe, visão e técnica para colocar a bola, porque o cruzamento, quer queira, não quer, não é um passe, não é meter a bola de qualquer maneira e depois eles lá aparecem. As coisas não são assim. Acredito que haja treinos para isso, que o jogador, às vezes, quando tem a cabeça no chão, sabe que tem que colocar a bola no primeiro poste, porque sabe que o parceiro vai atacar o primeiro poste, mas muitas vezes o jogo não diz isso e há que ter outras alternativas e os jogadores do Sporting não souberam procurar os melhores caminhos. Na segunda parte, o Sporting, logo aos sete minutos, salvo erro, da segunda parte, faz o 2 a 0, outra vez numa grande penalidade que o Pote marcou e a partir daí, o jogo para o Sporting acabou. Desligou a ficha. O Sporting foi jogando à média de 30, 40 km/h, sem grandes velocidades, sem grandes piques, sem grandes carrinhos, sem grande intensidade a procurar a bola quando ia perder. Nada disso, até porque o Raków optou por uma coisa que normalmente é sempre um suicídio, nunca chegam lá à frente. É um jogador ir contra o mundo todo, tentar driblar todos, tentar marcar a diferença, tentar ganhar faltas e perdeu-se muito jogo do Raków aí. Mas entretanto, o Rúben Amorim foi substituindo jogadores. E é verdade o que ele está a dizer. Ele diz que tirou velocidade. Não, a velocidade é a mesma. O que ele tirou foi, se calhar, a ligação e posse de bola com outra qualidade do que aqueles que entrou, porque os jogadores não entraram no ritmo. E claramente viu-se que o Rúben Amorim estava a pensar no jogo com o Benfica. Só que entretanto há um livre, frontal, praticamente a 40 metros da baliza, e o jogador do Raków ganha a frente do jogador do Sporting, faz o remate que o Adam defendeu e na recarga faz o gol. É daqueles gols que o treinador diz assim: "Mas parecia que isto já tinha sido eliminado nos treinos, que os avisos já foram dados noutros jogos em que o Sporting sofreu gols assim". Mas não, o erro repetiu-se. O Sporting sofre 2-1 e ficou aquela sensação de que 2-1 é muito curto, o Sporting não vai ganhar este jogo, claro que vai ganhar. Mas a bancada ficou silenciosa a partir daí. Não ficou eufórica, porque o jogo não dava para estarmos ali contentes com a exibição que o Sporting estava a fazer. O Sporting acaba o jogo 2-1, não digo de aflitos, porque não foi isso que aconteceu, mas diria que o Sporting jogou o quanto baste, guardou energias talvez para domingo, não as gastou todas aqui, mas sinceramente, acho que acabou por ser mais um treino para o jogo de domingo do que propriamente aquele jogo competitivo, emotivo, empolgante. Não foi nada disso que aconteceu. Só olharmos para o jogo do Chile ou da Amadora, olha que diferença.

Há aqui um dado, falando nesta componente defensiva, o Sporting em casa tem uma média de 1,6 gols nas últimas cinco partidas em casa. Isto não acontecia. Tem a ver com aquilo que tem também frisado e sobretudo aquela falta e o Rúben Amorim foi o primeiro a reconhecer que a culpa é dele, porque a equipa não consegue colocar realmente a linha, a chamada linha, a funcionar como funcionava no passado. Deve-se a quê?

Não sei se é bem assim.

Ou tem a ver com o meio-campo?

É conjetural. O João ainda há pouco tocou nisso, o João Castro. O Sporting antigamente jogava mais atrás e a partir daí o jogo para o ataque. Contra-ataque, ataques rápidos, a partir daí. Agora o Sporting está mais na frente. Estando mais na frente, deixa mais espaços Mas o Sporting tem ali um problema. Às vezes no ano passado, quando ia para o contra-ataque, depois perdia a bola, teve sempre aquele problema. Desde que o adversário passe a primeira barreira do meio-campo, a defesa do Sporting fica logo em sobressalto. E depois tem um outro problema, é que a zona central da defesa do Sporting é lenta, o Coates é lento. O Coates não vai buscar os jogadores quando a bola é metida nas costas. O Santos justo é mais rápido, o Diomande é mais rápido, o Gonçalo é mais rápido. Para mim, são os três centrais, na minha opinião, eram os titulares do Sporting, mas o Rúben Amorim sabe da valia do Coates, porque é o capitão, porque tem voz, se calhar comanda a defesa, mas eu diria que o Sporting, se quer jogar mais na frente, tem que ter esse cuidado, porque depois o adversário também sabe jogar, também sabe explorar os espaços e também tem jogadores rápidos. Repara que o Jabala, o jogador do Chaves, as dificuldades que colocou na defesa do Sporting com a sua rapidez. E o Sporting só estancou quando realmente entrou o Santos justo e saiu o Coates. Isto para dizer o quê? O Sporting talvez esteja a sofrer mais gols. Para uma equipa grande é muito gol, para uma equipa que está no top e quer ser campeã. Está bem que o Sporting tem capacidade para fazer três, quatro gols por jogo. É verdade. Mas sofrer um gol, vira qualquer coisa, de média por jogo, é realmente muito para uma equipa que é sólida ou que se quer ser sólida. Mas enquanto isto for dando para ganhar, sofre os gols, mas o Sporting marca mais do que um do que o adversário, a coisa vai passando por espinhos da chuva.

Enquanto se ganha.

Enquanto se ganha. Se não ganhas ou só empatas e com os mesmos erros destes defensivos, aí a coisa tem um tom muito mais feio.

Deu para estrear um jovem, mais um da academia, é mais um sinal também que o Rúben está muito atento àquilo que acontece na academia do Sporting.

Sim, mas repara uma coisa, isto de dar oportunidades a um jogador que joga hoje e daqui a três, quatro meses é que vai dar outra oportunidade, às vezes não é bem assim. Eu entendo e compreendo que há certos momentos em que faz falta um jogador para certo determinado jogo. Eu entendo isso perfeitamente bem. E dá oportunidade ao miúdo. Fantástico, o miúdo ganha uma moral. É preciso que o miúdo também tenha a cabeça no sítio, quando voltar aos sub-23 ou à equipa B, seja humilde e continue a trabalhar, porque sabe que o treinador da equipa principal está a olhar para ele para dar oportunidade e estes miúdos têm que estar prontos para quando tiverem essa oportunidade. Agora, às vezes, essa oportunidade aparece hoje, mas pode não aparecer no domingo, e no outro domingo, e no outro domingo, e no outro domingo. E às vezes o jogador pode perceber ou entender, o que não é verdade, de que o treinador já deixou de olhar para ele. As coisas não são assim e é preciso que os jogadores tenham essa capacidade mental de perceber que o treinador está a olhar para eles, mas às vezes não tem as oportunidades. Não é que o treinador não quer, mas é porque às vezes as necessidades são assim mesmo.

Vamos então para a reta final deste relatório de jogo. O que destacarias de mais importante na vitória do Sporting por 2-1, com dois gols do Pote?

O que eu destacaria é a vitória. São três pontos. De resto, não há nada a destacar, a não ser o menino Thiago Ferreira que entrou. Mais nenhum jogador se sobressaiu muito para além, mas vou aqui falar de um jogador que as pessoas às vezes falam muito dele, mas eu olhava pra ele e dizia assim: "Ainda não estás tão competitivo como eu espero que seja um jogador do Sporting. Tens técnica, tens tudo isso, tens pontapé, mas falta qualquer coisa". Acho que hoje cresceu um bocadinho, o Bragança. Hoje cresceu um bocadinho em relação àquilo. Às vezes os jogadores precisam de jogar para desenvolver outras coisas, são as coisas menos boas que eles têm. Tecnicamente muito bom, bom passe, tudo muito bom. Mas eu dizia assim: "Mas para ser jogador do Sporting, ainda precisa mais alguma coisa". Está a querer ganhar hoje, hoje deu um sinal disso. Vou esperar, como costuma-se dizer, nos próximos capítulos, se a evolução continua a ser assim.

Pelo lado negativo?

O gol do Sporting, claramente, que sofreu. Eu não entendo como é que sofre um gol daqueles, de uma bola frontal em que se leva uma bola, também praticamente entre a zona da linha lateral com a zona da linha da área quase do meio, levar ali uma bola para o espaço, para o jogador do Rasic poder rematar à beleza. Não percebo que jogador é que estava ali, não me lembro, sinceramente. Se eu me lembrasse do nome, dizia já. O que ele estava a ver, o que ele estava a olhar? Não sei se estava a falar com algum colega, se estava, algum colega estava a chamar a atenção e ele distraiu-se, que aquilo só pode ser uma distração. E esses gols hoje não foram fatais, mas no futuro podem ser.

Muito bem, entrego este relatório de jogo, um relatório que fica também disponível lá em podcast da Rádio Observador. Augusto Inácio, muito boa tarde. Neste caso, muito obrigado e muito boa noite. E até domingo, se calhar.

Até domingo.

Até domingo.