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Relatório de jogo com Augusto Inácio. Muito bem-vindo, Augusto, a mais uma emissão especial de desporto. O Sporting levou de vencido o campeão europeu, 2 x 1. Diria que nada fazia prever este resultado, tendo em conta uma primeira parte muito difícil para a equipa portuguesa.
Antes de o jogo começar, há sempre aquela expectativa de que tu também podes ganhar. Agora, como é que tu vais ganhar? Olhando para aquilo que foi o jogo e olhas para a primeira parte, o que é que eu vi nestes primeiros 45 minutos? Um Sporting bem organizado defensivamente, é verdade, um PSG a tomar conta completamente do jogo, a rondar a baliza do Sporting, mas não a criar aquelas grandes oportunidades ao ponto de o Rui Silva não ter feito aquelas tais grandes defesas. Mas via-se tudo um Sporting inibido, um Sporting que respeitou em demasia o PSG e um Sporting que perdia muitos espaços, principalmente Matheus Reis lá atrás falhou muitos espaços e deu oportunidades ao PSG rondar a baliza do Rui Silva. Eu diria que foi um Sporting realmente envergonhado e que parecia que não tinha capacidade para chegar mais à frente. O intervalo fez bem à equipa do Sporting. O Rui Borges, de certeza absoluta, disse qualquer coisa aos jogadores, que afinal o PSG não é aquele papão que não se pode ganhar. É um adversário forte, sim, mas pode-se ganhar e pode-se batê-lo. O Sporting avançou mais as linhas, pressionou mais alto, começou-se a acercar da baliza do PSG e o efeito disso é a confiança com que os jogadores ficaram. O Sporting realmente faz um gol. Teve ali uma pontinha de sorte do ressalto, mas o Sporting estava ali e fez o gol, e passados cinco minutos o Sporting sofre um gol. Aí poderia abanar, mas o resultado era favorável mesmo assim para o Sporting, para aquilo que o Sporting pretendia, que era não perder o jogo, para ter a hipótese de chegar pelo menos aos playoffs da fase seguinte. O que é certo é que o Sporting ainda teve capacidade e força. Quando o Alisson entrou, era para esticar o jogo, e aí tudo podia acontecer. O que é certo é que o Alisson faz a jogada, o Trincão faz o arremate, o guarda-redes vem para a frente e lá está o matador, o tal homem de área que fez o 2 x 1. Uma vitória histórica, diria eu, pelo aquilo que é o nível das duas equipas, o campeão europeu, o Sporting bate o campeão europeu.
E o momento do Sporting também.
O momento do Sporting, com muitas baixas, sim. O PSG também tinha, mas no Sporting nota-se muito mais. Diria que o Sporting faz também o pleno em casa, quatro jogos, quatro vitórias. Não é para qualquer um. O Sporting a fazer uma Champions fantástica, espetacular. Somou três pontos e deu pontos ao ranking para o nosso futebol ter mais equipas no futuro de estar na Champions. Eu diria que acabou tudo bem. Um Sporting que começou, como eu disse, desconfiado e acabou confiante.
Como é que avalias também o trabalho do Rui Borges? Foi de alguma forma quase ousado também algumas substituições que fez. Eu próprio não esperava aquela entrada depois do Vajeni, que se junta ao Fresneda no lado direito. Essa mudança organizacional foi também parte dessa melhor segunda parte que o Sporting fez?
Eu acho que nessa altura estava o jogo 1 x 1 e o Rui Borges viu, talvez, que o Kvaratskhelia podia fazer estragos daquele lado e colocou ali os dois laterais direitos. Eu acho que nessa altura, e não é agora pelo Sporting ter ganho que vou alterar a minha opinião, eu acho que o Sporting tentou segurar ali, que não houvesse perigo para aquele lado e se pudesse chegar à frente para tentar fazer o segundo, tudo bem, mas aquilo era estancar o perigo que vinha do PSG, que era do lado esquerdo, através do Kvaratskhelia. O que é certo é que o Rui Borges, quando as equipas têm esta performance, quando as equipas têm realmente esta pontuação, quando têm uma vitória dessas, muito se deve também à estratégia do treinador. Isto não quer dizer que as coisas correram sempre bem para aquilo que o treinador queria. E eu acho que o Rui Borges vai dizer, provavelmente, que a primeira parte do Sporting podia ter sido outra. É isso que ele vai dizer, porque foi o jogo que nós vimos também. Isto não quer dizer que o Sporting não merecesse ganhar o jogo. O Sporting mereceu ganhar o jogo através do acreditar, do espírito de sacrifício, da luta, da determinação, da união. Isso fez com que o Sporting ganhasse este jogo. E naturalmente, quando se ganha uma partida destas e quando tu tens uma performance tão patente como esta, tem sempre a ver com o treinador.
Já vamos ouvir as declarações do Trincão, do João Simões. Ao longo da partida, fomos um pouco críticos da atuação, por exemplo, de Morita, que parecia um pouco desligado do jogo. O próprio Trincão também quebra um pouco fisicamente, mas ainda assim está ligado também ao segundo gol com aquele arremate. Com tantas debilidades e jogadores de fora por lesão, esperava-se que Morita pudesse aqui dar um outro contributo à equipa que continua sem dar.
Eu acho que deve ser um dado histórico para o Morita também. Dois jogos seguidos, 90 minutos, não é normal. Mas o Morita, por razões que a gente desconhece ou que eu desconheço, não sei se são pessoais, são profissionais, são particulares, não sei. O Morita nunca atingiu o patamar este ano daquilo que atingiu, por exemplo, o ano passado e há dois anos. É um jogador que tem a sua mentalidade, às vezes mentalidades difíceis de entender, de compreender. Não sei o que se passa lá dentro, mas o Morita hoje também esteve ali no jogo. Foi mais um a ajudar, é verdade, mas não marcou aquela diferença no jogo como se esperaria. Diria que o Sporting, com as habilidades que tem, o Morita acabou por fazer este jogo os 90 minutos, mas estou convicto, se o Sporting tivesse um banco bem diferente e melhor, que o Morita seria um dos jogadores a sair.
Como é que olhas também agora para a perspectiva do que será o resto desta Liga dos Campeões para o Sporting? Dá um passo muito decisivo na passagem à próxima fase.
O Sporting agora começa a entrar, como se costuma dizer, com a bonança. Depois de passada a tempestade, vem a bonança. Os jogadores lesionados começam a recuperar. O Sporting, mesmo sem os jogadores, continua a ganhar. O Sporting tem três pontos de avanço sobre o Benfica para o campeonato e já carimbou a passagem à fase seguinte da Champions. Vamos ver se é diretamente ou se tem o playoff. Tem o jogo em São Mamés. Vai haver o Hjulmand, que esteve castigado e que vai voltar. O Diomande provavelmente vai voltar, o Debast está a voltar. Começa a ficar um Sporting mais forte, não só no seu 11 inicial, como também no banco. E a partir daí, o Rui Borges tem que jogar com aquilo que é a gestão dos jogadores e aquilo que ele acha que é melhor pra equipe. Por isso, é um Sporting que começa bem 2026 e vamos ver como é que vai decorrer o resto da época.
Tens um sinal mais nesta partida para atribuir a quem?
O sinal mais tem que ser sempre a vitória do Sporting e eu vou dar o sinal mais ao Rui Borges, porque o Rui Borges, com aquilo que tinha, nunca se queixou das ausências, foi à luta com isso mesmo, arregaçou as mangas, arranjou uma estratégia que realmente o PSG não soube ultrapassar. Os jogadores cumpriram à risca tudo aquilo que o treinador pediu. Sabes que no jogo, depois a individualidade pode desbaratar tudo aquilo que é a ideia de jogo de um erro que possa acontecer. Os erros que o Sporting cometeu, o Sporting não sofreu gols, mas o Rui Borges teve aqui uma estratégia bem montada, que os jogadores, depois na parte final ou na segunda parte, principalmente, acreditou que era possível ganhar e conseguiu.
E onde é que esteve o sinal menos desta partida, na tua opinião?
O respeito demais que o Sporting teve na primeira parte perante o PSG. Tu podes respeitar uma equipa que é boa, que talvez seja melhor que a tua, tem excelentes jogadores, que é o campeão europeu, podes respeitar tudo isso, mas não podes ter medo. E acho que o Sporting teve um bocadinho de medo na primeira parte do PSG.
Muito bem, Augusto, está feito este relatório de jogo. Muito obrigado também pela tua presença, pelos teus comentários em mais uma emissão especial de desportos. Até à próxima. Um abraço.
Até à próxima. Um abraço.