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Começamos este jornal com a notícia de que a PSP encontrou três coquetéis molotov no Rossio, palco das acampadas pelo direito à habitação em Lisboa. Na Agência Lusa, fonte oficial da PSP, avança que os engenhos foram detectados hoje no local do protesto, enquanto a polícia fazia a vistoria de segurança no local. Um destes objetos estava intacto, composto por uma garrafa de vidro com líquido inflamável, e os outros dois já estavam partidos, sem que nenhuma deflagração tenha sido verificada. Os objetos foram recolhidos e entregues à divisão de investigação criminal da PSP para realizar perícias técnicas e eventual abertura de um processo crime. Seguimos com as manifestações desta tarde em Lisboa. Depois de uma nova assembleia popular, a multidão já começou a abandonar a praça. Depois da carga policial desta madrugada, os manifestantes não vão voltar a erguer tendas esta noite. Neste momento, no Rossio, decorre um concerto, e é aí que a maior parte das pessoas está concentrada. Para esta hora está marcada uma cantina popular e depois disso tudo vai ditar se a multidão começa ou não a desmobilizar do Rossio. Nas últimas horas foram várias as figuras políticas que mostraram apoio à acampada de Lisboa. A antiga deputada Helena Roseta descreve a noite de ontem com uma palavra.
Foi uma noite sombria, muito preocupante no Estado de Direito. E, portanto, vamos ver agora as consequências disto tudo. Agora, toda a gente viu a desproporção. E há aqui um pormenor que eu gostaria de sublinhar: se a polícia está tão convencida que estava a fazer cumprir a lei, por que é que esperou para as 4 h da manhã? Isto não é sério. Não precisavam de esperar para as 4 h da manhã. Estão à espera das 4 h da manhã para ver se as pessoas se vão embora. Sabiam que as pessoas não se iam embora. O que acontece às 4 h da manhã é que já não está ninguém a ver. E, portanto, isso é lamentável.
Lamentável a reação da antiga deputada Helena Roseta, aqui em declarações à Rádio Observador. Já a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, não percebe o motivo da carga.
Para que existiu a carga policial? Qual é o objetivo do governo com a carga policial? Em Portugal, há 22 dias, este será o 23° dia desde 10 de outubro, que há em vários sítios do país protestos pacíficos pela habitação. Protestos pacíficos. Por que a polícia atua assim? O que o governo quer? Porque seguramente que a polícia não atuou sem ordens do governo. O que pretende o governo? O governo tem tanto medo que as pessoas falem de habitação, que manda cargas policiais para tentar que toda mundo fale de violência? Ou o governo quer instalar um Estado autoritário em Portugal?
Eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, aos jornalistas na Praça do Rossio, onde esteve também o dirigente do PCP, António Filipe, que diz que neste momento o Parlamento tem de debater com urgência estas cargas policiais.
Justifica-se plenamente que ainda que se possa recalendarizar a discussão do orçamento, que haja um debate de urgência em plenário com o governo sobre esta questão da violência policial, porque tem que haver responsabilidades políticas relativamente a uma violação tão grosseira de direitos fundamentais como aquela que assistimos e que, de parte, põe em causa o nosso Estado de Direito Democrático.
O dirigente do PCP, António Filipe, diz ainda que o presidente da República tem que falar sobre este tema de forma mais vocal e também apurar as responsabilidades. O Partido Comunista pediu, entretanto, uma conferência de líderes para agendar um debate de urgência sobre a atuação policial. Em comunicado, os comunistas dizem que mesmo durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado, a Assembleia da República deve assumir as responsabilidades de fiscalização da atividade do governo.
E Miguel, na sequência dos protestos da última semana, a Secretária de Estado da Habitação diz estar disponível para se reunir com as organizações das acampadas.
"Está e sempre estará disponível para reunir com todos", é o que diz Patrícia Gonçalves Costa à Agência Lusa. A Secretária de Estado diz, no entanto, que já teve mais de três centenas de reuniões com várias entidades, como trabalho deste ministério. Ainda assim, salienta que está disponível para reunir com todos aqueles que tenham ideias e que sintam necessidade de as partilhar. Patrícia Gonçalves Costa, a Secretária de Estado da Habitação, diz que a orientação do ministério é muito clara: aumentar a oferta pública, criar capacidade no setor da construção para responder aos desafios que a área da habitação apresenta.
E também disponível para uma reunião está o presidente da Câmara do Porto, que convidou os manifestantes, Miguel, para um encontro na próxima terça-feira.
De acordo com Pedro Duarte, o objetivo é debater a possibilidade de serem feitos acompanhamentos ocasionais. Na comunicação a que o Observador teve acesso, o autarca diz que há disponibilidade para um encontro para discutir os protestos, o encontro a acontecer na Câmara Municipal. O presidente da Câmara do Porto diz que nessa reunião pode vir a estar a compatibilização do direito à manifestação com a disponibilidade dos espaços urbanos, bem como a preparação e agendamento de um encontro alargado no Teatro Rivoli, numa reivindicação dos manifestantes que querem falar sobre a atual situação do acesso à habitação. Neste momento, continuam reunidos na Praça Dom João I, várias centenas de manifestantes, e o movimento da acampada do Porto decide hoje se aceita ou não este convite de Pedro Duarte.
E seguimos com o LIVRE, que entretanto também já reagiu aos desacatos, na verdade, também já reagiu à carga policial da noite de ontem, na madrugada de ontem, no Rossio, e pede a demissão do ministro da Administração Interna.
Em causa aquilo que o partido diz ser a responsabilidade política nestas cargas policiais Que considera desproporcionais e injustificadas. Em comunicado, o LIVRE anuncia que vai expor o caso a organizações internacionais, tais como ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e também ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O LIVRE argumenta graves violações de direitos protegidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos e também pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Na mesma nota, o partido de Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes condena a ação policial naquilo que diz serem manifestações pacíficas pelo direito à habitação, LIVRE que considera que as novas intervenções da polícia foram profundamente preocupantes.
O LIVRE que, como ouvimos, pede a demissão do ministro da Administração Interna. Luís Neves, entretanto, também já reagiu à operação da PSP ao início da tarde e deixou, Miguel, o lugar à disposição.
Diz que as imagens são difíceis de ver. Fala em sentimentos contraditórios, mas sublinha que ninguém tem prazer em ver aquilo que aconteceu na última madrugada. Luís Neves assegura assim que a permanência à frente da pasta da Administração Interna está agora nas mãos do primeiro-ministro.
O meu lugar está permanentemente à disponibilidade do senhor primeiro-ministro. O que eu quero dizer é que nós estamos a fazer o nosso trabalho na esfera da segurança interna, em todas as suas áreas, das forças de segurança, na proteção civil, conforme hoje aqui tivemos, na questão dos incêndios, na questão da segurança rodoviária. Estamos muito motivados para fazer o nosso trabalho e digo como comecei: ninguém gostaria que isto tivesse sucedido.
O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, aqui num registo captado pela CNN. Apesar de falar em imagens negativas, o governante sai em defesa da polícia perante o que considera ser uma pequena amostra de pessoas que colocou em causa a ordem pública.
E escutávamos Luís Neves, o ministro da Administração Interna, que o Partido Socialista vai chamar com urgência ao Parlamento.
Quer esclarecer os acontecimentos da última noite. No Porto, José Luís Carneiro, em conferência de imprensa, pediu também a Luís Montenegro que convoque o sistema de segurança interna para garantir que este caso, o caso das cargas policiais, é devidamente acompanhado.
O primeiro-ministro deve também convocar, com caráter de urgência, o sistema de segurança interna, onde reúnem as forças e os serviços de segurança, com a presença dos representantes da Assembleia da República, para garantir que se faça o acompanhamento institucionalmente devido, mas também para que ocorra o escrutínio democrático em tudo o que se tem vindo a passar no país.
O secretário-geral do Partido Socialista diz ainda que quer falar com o presidente da República sobre este tema. António José Seguro pediu esta manhã, e foi esta a reação, pediu informações e esclarecimentos ao governo sobre as intervenções policiais desta madrugada em Lisboa e também na cidade do Porto.
E a fechar este jornal das 20:00, mudamos de tema, falamos de desporto. Uma notícia de última hora que está a ser avançada por meios de comunicação portugueses, como a SIC ou a Bola: Rui Borges já não é o treinador do Sporting.
Depois de uma série de maus resultados, duas derrotas consecutivas, o Sporting venceu na sexta-feira o Casa Pia, em Rio Maior, um jogo que não convenceu os adeptos e também Frederico Varandas. Esta notícia que está a ser avançada por alguns meios de comunicação. Rui Borges está de saída do Sporting. O novo treinador já está com negociações avançadas. O nome mais falado é o de Paulo Fonseca para o próximo jogo contra o Shakhtar Donetsk, em Londres. Tiago Fernandes é o nome indicado para orientar os Leões. Ficamos com esta notícia de que Rui Borges está de saída do Sporting. Também uma informação que vamos continuar a detalhar nos próximos espaços informativos.
Fica também por confirmar se Paulo Fonseca vai trocar o Lyon pelos Leões de Alvalade. Um abraço, Miguel. Um ponto final neste Jornal das 20:00. Estás de regresso às 20:30 com a informação atualizada. Até já.
Até já, Vicente.