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Olá a todos, sejam bem-vindos a mais uma semana de "Intermédios". Boa semana para todos vocês. Bom dia, se estiverem a ver isto já cedinho nesta segunda-feira, quando estreiam estes episódios. Muito obrigado por estarem desse lado. Falta exatamente uma semana para o meu último espetáculo deste ano, o "Volte Já", na Aula Magna. Ainda há alguns bilhetes, a sala é gigante e eu gostava de contar com vocês, malta. Se vocês estão em Lisboa, Almada, Sintra, Oeiras, Cascais, diria até Mafra, por exemplo, malta de Setúbal, já fiz em Setúbal também. Se estão nos arredores de Lisboa, em Lisboa, aproveitem para ver o espetáculo, porque eu duvido que volte a esta cidade de Lisboa e aqui à volta. Depois vou, para o ano, andar pelo país. Quarta-feira, um novo episódio com um tema um bocadinho diferente do habitual. É muito curioso o tema, porque tem a ver com algo que eu fazia na infância. Não vou adiantar mais, mas acho que é um episódio diferente e foi muito curioso. Continuem a seguir e a subscrever e essas coisas todas, não vou estar aqui a alongar mais. Quanto ao tema de hoje, o título diz tudo: eu já não estou para fretes, malta. E eu gostava de saber isto também e gostava de pensar um bocadinho sobre este tema. Até que ponto vocês ainda estão dispostos a fazer fretes? Quando eu digo fazer fretes, eu sempre fui um tipo caseiro. Gosto de estar sossegado em casa. E já não tenho paciência para estar a sair à noite, não tenho paciência para dizer que sim a uma data de coisas. Se bem que isso às vezes implique não ver pessoas que gostava de ver. O que quer dizer que eu não sei se estou completamente correto nisto. Eu acho que eu devia arranjar aqui um ponto de equilíbrio. Por exemplo, uma coisa que eu odeio é quando a malta amiga marca jantares ou almoços no centro de Lisboa. No centro de Lisboa, para mim, é meio caminho andado para dizer: "Não vou". Não vou, meu. Tipo: "Vamos jantar ao Bairro Alto" e eu: "Esquece, não vou. Nem vale a pena". "Ei, mas a gente já não se vê há buéda tempo, há dois anos". E eu: "Se tu me querias ver e sabendo tu que o Bairro Alto e Chiado e essa zona de confusa não é uma cena para mim, marcavas noutro sítio, meu". "Mas o resto da malta gosta", então está tudo bem, mas eu não vou. E a malta que leva isto a mal. Mas eu já falei sobre este tema, porque é curioso, porque eu também deixei de contar essas pequenas mentirinhas. Que é uma coisa muito curiosa, que nós aceitamos do ser humano, que é: se eu tivesse dito a esta malta amiga: "Ei, pá, tenho um trabalho". A malta: "Ah, está bem". Apesar de, se calhar, a maior parte saber que eu estou a mentir, mas aceitava a mentira e não dizia mais nada. Mas como eu estou a ser sincero, levam a mal. Apesar de se eu tivesse mentido, também sabiam que eu estava a mentir, mas não levam a mal a mentira. Mas é este equilíbrio. Por exemplo, hoje, que eu estou a gravar isto, também havia um almoço em Lisboa e eu pensei: "Vou ou não vou?" Acho que era importante ir, por um lado, porque vou estar com malta, era para marcar o fim de um processo, de um trabalho, por assim dizer. E eu estava a pensar: "Sim, acho que podia ir, por uma questão até institucional, acho que podia ir". Doutor Julião está a mandar aqui mensagens. Mas ao mesmo tempo, era um sítio que eu ia demorar 40 minutos a chegar lá. Mais, o restaurante não era todo do meu agrado. Mais, não conheço toda a gente. Vou ter uma semana complicada. Às tantas, comecei a pensar: "Ok, o que é que pesa mais aqui? Eu fazer o frete de ir. Eu sei que me vou divertir e vai ser um momento agradável, ou o ficar em casa mais uma vez?" Adivinhem o que é que ganhou? Sendo que eu estou a gravar isto à hora de almoço. Está a oferecer. Agora, se eu estou correto, eu não estou a dizer que estou 100% correto. Eu acho que, por um lado, poderia ter ido. Mas eu acho que é este ponto de equilíbrio Que eu acho que quem está desse lado e que tem o hábito de fazer estas coisas também, é este ponto de equilíbrio que nós temos que encontrar entre eu não digo não a tudo, não digo sim a tudo. E então procuro às vezes fazer o frete, ou seja: "Ok, não me apetece, mas eu tenho dito muitas vezes não, então hoje vou". Geralmente as coisas correm bem, não há estresse, é mesmo uma questão de equilíbrio para também não me tornar depois um bicho completo do mato. Mas o curioso é que depois, ao mesmo tempo, eu também aceito. Quantos de vocês que estão desse lado fazem isto? Eu tenho a certeza absoluta que há montes de malta que está aí que faz isto, que é aceitar coisas. "Sim, eu vou" ou "Sim, eu faço". E passado 10 minutos, está assim: "Para que eu fui dizer que sim?" E vai estar até ao dia da realização dessa coisa a pensar: "Por que eu disse que sim? Caralho, agora vou ter que ir, meu. Fogo, eu não me apetece nada, por que eu não disse que não na altura? E agora vou ter que ir e agora vou ter que fazer não sei o quê". E tudo isto é um peso na cabeça completamente desnecessário. O que eu acho que é desnecessário aqui? As duas coisas, ou seja, o facto de termos dito que sim, quando claramente na nossa cabeça era um não, e depois de termos dito sim, ficar o tempo todo a pensar que devíamos ter dito que não. Agora o que eu procuro fazer é: "Meu, eu já disse que sim, agora vais e acabou". Não há mais discussão na tua cabeça. Isso é pragmático, tem que ser. "Ah, vou inventar uma desculpa". Não vale a pena. Por que eu também deixei de inventar desculpas para me baldar às coisas? Vamos lá ver uma coisa. Eu acho que quem lida com uma cabeça muito ativa, ou seja, que está constantemente a pensar, nunca há uma resposta correta. Nunca vai haver uma resposta correta. Portanto, se eu vou dizer que sim e não queria, claramente vou andar o tempo todo a dizer que sim, ou melhor, a pensar que devia ter dito que não. Depois, se eu invento uma desculpa e vou dizer: "Afinal não queria ter ido", e invento uma desculpa para não ir, vou andar o tempo todo a pensar: "És um baldas do caraças, e agora mentiste e devias ter ido e não sei o quê". Portanto, o melhor é um gajo assumir logo a cena e ser pragmático. É o meu conselho que vos dou. O ser pragmático de aceitar que se tomou aquela decisão e bola para a frente, e acabou. Isto para decisões. Por exemplo, há pouco tempo eu estava no Porto e encontrei o comediante, o meu amigo, que já não via há montes de tempo, o Hugo Sousa. Nós estávamos no grandioso espetáculo da RFM, eu estava cansado, acabou tarde, e o Hugo Sousa, claro, gajo do Norte: "Bora sair, bora para os copos, bora não sei o quê". E eu estava naquela: "Fogo, eu não estou há bué tempo com o Hugo, era giro sair, mas ao mesmo tempo estou muito cansado. E agora o que eu decido? Vou, não vou?" E às tantas venceu o cansaço. E eu tive que aceitar, tipo: "Hugo, já sabes como é que eu sou, meu. Curto bué". E essa é uma perspectiva engraçada, que nós não sairmos com os nossos amigos não quer dizer que não gostemos dele. Eu gosto muito do Hugo, conheço-o há muitos anos. E não tem a ver: "Quer dizer que o teu amigo não vale o teu esforço?" Não tem a ver nada, nós não temos que colocar as coisas assim. Acho que não temos que colocar as coisas dessa maneira. Então eu disse ao Hugo: "Já sabes como é que eu sou, o mais certo é eu não ir. Diz-me para onde é que vais, eu logo vejo, mas já estás a ver que isto é claramente um não ir". Mas fui supersincero. E ficou tudo bem. Pormenor superinteressante: tive uma noite de merda, meu. Dormi mal como o caraças. Acordei e pensei: "Devia ter ido". Mal por mal, mas sabem uma coisa? Pensei: "Devia ter ido", mas não fiquei a ruminar nisso. Eu acho que é aqui este ponto que eu estou a melhorar bastante, que é: "Olha, devia ter ido, não fui. Está pronto, está resolvido". E não fiquei: "Fogo, e dormiste mal, e não sei mais o quê". É como aquela mentira que todos nós contamos de: "Temos que combinar qualquer coisa". E toda a gente sabe que este combinar qualquer coisa é claramente um nunca mais vamos falar. E entretanto, nós continuamos a dizer isto: "Temos que combinar qualquer coisa". Ainda há pouco tempo, com um amigo meu, liguei-lhe, não falava com ele há imenso tempo. Isto é uma coisa que eu procuro fazer mais, que é: lembro-me da pessoa e ligo-lhe. Estivemos a falar um bocado, e ele diz no fim: "Temos que combinar qualquer coisa". E eu respondi: "Diz-me quando podes ir e a gente combina". Mas é aquele combinar qualquer coisa que acaba sempre todas as conversas. E ninguém combina porra nenhuma. Por quê? É quase uma norma social terminar de conversa como: "Então vá, um abraço" Só que dizemos: "Então vá, depois combinamos qualquer coisa". Devia ser obrigatório por lei nós quando usamos esta frase termos mesmo que combinar um prazo legal. Há um prazo legal de 15 dias úteis para combinar qualquer coisa. A partir daí, a outra parte pode exigir realmente um jantar. Era uma regra do caraças, a malta deixava de usar isto ou então passava a combinar qualquer coisa mesmo. O facto de eu já não estar para fretes, que é o título deste episódio, eu acho que nós podemos não estar para fretes. Eu estou aqui a pensar no meu caso e devemos ser sinceros, eu pelo menos procuro ser cada vez mais sincero. E experimentem também, não usar as pequenas mentirinhas, dizer as coisas só como são. Tipo: "Olha, não me apetece, estou cansado, dormi pouco", whatever. Mas eu acho que temos que procurar, se vocês são como eu, procurar um ponto de equilíbrio. E esse ponto de equilíbrio é isto: não dizer que sim a tudo, mas também não dizer que não a tudo. Eu tento sentir a coisa. E geralmente divirto-me. Se eu tivesse ido sair com o Hugo, tenho a certeza absoluta que me ia divertir, mas ia-me pesar no dia a seguir. E estava tudo bem. Acabou-me por pesar por eu não ter dormido. Mas é esta a perspectiva que eu procuro usar. Pensem nesta semana, o que é que vocês têm marcado? Ou os convites que vão receber para alguma coisa, pensem nisso. Quando receberem esses convites, pensem nesta conversa: "Até que ponto eu quero mesmo fazer isto?" Que é aquele clássico de a gente dizer que sim e depois ficar a semana toda a pensar: "Não devia ter dito que sim". E se forem dizer que não, até que ponto eu posso abrir a exceção e me faz sentido abrir a exceção? Em vez de sair logo aquele não disparado de não se encontrar com a pessoa ou não estar com a pessoa. Eu acho que isto é uma boa perspectiva de análise. E muito obrigado por estarem desse lado. Eu por acaso estive quase para não fazer este episódio. Por quê? Porque estou cansado e pensei: "Não vou fazer". Mas depois pensei: "Não". Porque eu fico sempre com aquela ideia, no YouTube não tens muitas views, aliás, quer o "Somos Todos Malucos", quer este "Intermédios", são sobretudo ouvidos, têm bons números e agradeço por isso no Spotify, iTunes, Castbox, por aí fora. Tem tido bons números, é sobretudo ouvido. E eu penso: "Mas por que eu vou fazer isto?" Depois penso: "Não, eu comprometi-me com as pessoas, vou fazer" e fiz, e espero que tenham gostado. Se vou fazer para a semana? Será? Que me apetece? Vai me apetecer. Quer dizer, não me vai apetecer, se calhar, mas eu vou fazer à mesma. Obrigado, malta, por estarem desse lado e continuem a acompanhar os episódios. Esta temporada tem mais dois episódios do "Somos Todos Malucos", o desta semana e da próxima semana. Depois vêm uns cinco episódios especiais com o IPDJ, não diretamente relacionados com o "Somos Todos Malucos", mas que vão estar disponíveis para vocês, que eu acho que podem ser também interessantes. Muito obrigado por estarem desse lado. Reflitam sobre esta conversa, digam-me o que acharam, partilhem as vossas opiniões. Obrigado também a quem enviou as histórias da semana passada. Eu recebi por e-mail e nas mensagens, histórias de fantasmas. Já dá para fazer outro episódio. Obrigado e até para a semana. Obrigado, malta. Volto já. Isso é no sábado. Sempre a promover coisas. Não sei se me apetece ir ao espetáculo, mas vou ter que ir.