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Helpiro Andrade. Miguel, boa tarde. Começamos com as novas manifestações no Porto e em Lisboa. Na cidade Invicta, a Câmara Municipal convidou os manifestantes para uma reunião.

Encontro marcado para esta terça-feira, que, de acordo com Pedro Duarte, tem como objetivo debater a possibilidade de serem feitos acampamentos ocasionais. Na comunicação a que o Observador teve acesso, o autarca portuense diz que há a disponibilidade para um encontro para discutir os protestos na Câmara Municipal. A Câmara diz que nessa reunião pode vir a estar a compatibilização do direito à manifestação com a disponibilidade dos espaços urbanos, bem como também a preparação e agendamento de uma reunião alargada no Teatro Rivoli, como têm pedido os manifestantes sobre a atual situação do acesso à habitação. Para esta hora, 19h, está marcada nova assembleia popular na Praça Dom João I. Estão neste momento reunidas cerca de mil pessoas numa manifestação contra a repressão policial.

E em Lisboa, e depois da carga policial da última madrugada, os protestos voltaram, Miguel, a seguir à rua.

No Rossio, os manifestantes já começam a encher a praça. O protesto de hoje começou às 17h e foi convocado depois da carga policial desta madrugada, que dispersou as acampadas de Lisboa e do Porto. Na capital, agora mais gente e mais cartazes, mas ainda nada de cânticos ou palavras de ordem gritadas pela multidão. Apesar de não ter sido anunciado, está agora a decorrer uma assembleia popular no Rossio. Disso mesmo dá conta o repórter do Observador, António Moura dos Santos.

O ambiente tem sido mesmo de contestação, de palavras de ordem contra o governo de Luís Montenegro e contra, em particular, a atuação do Luís Neves enquanto ministro da Administração Interna. Entre os discursos que têm vindo a ser proferidos, foca-se em particular o que se considera ser a inação do Presidente da República. Houve alguém que disse: "Senhor Presidente, não seja com Luís Montenegro o que Américo Tomás foi com o doutor Salazar", por exemplo. Uma das pessoas a discursar, uma mulher, denunciou ter sido agredida na esquadra do Martim Moniz por dois agentes não identificados da PSP e diz que vai apresentar queixa. Outro dos destaques desta tarde é também que, perante o que consideram ser a legalidade de ter montado tendas aqui na Praça do Rossio, vão avançar com uma queixa-crime contra o diretor nacional da PSP e contra Luís Neves, pela forma como permitiram a ação da polícia. Pelo que se consegue ouvir aqui à minha volta, o ambiente tem alguma solenidade devido à violência que aconteceu na noite anterior, mas é também de solidariedade e têm sido proferidas muitas palavras de ordem para não desmobilizar, não perder o foco e, acima de tudo, uma palavra que tem sido dita é de não perder a capacidade de continuar a protestar sem recorrer à violência, considerando que isso tem sido uma estratégia por parte da governação para tentar desmobilizar o público aqui presente.

Reportagem do jornalista do Observador, António Moura dos Santos, a partir da Praça do Rossio, em Lisboa. Para hoje está previsto um concerto da Orquestra da Acampada e também uma cantina popular, como já tem sido habitual. Resta saber se os manifestantes vão ou não voltar a erguer tendas na Praça do Rossio.

E no Rossio, precisamente, Miguel, são várias as figuras políticas de esquerda que mostram o apoio à acampada de Lisboa.

A começar pela eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que não percebe o motivo da carga da polícia.

Para que existiu a carga policial? Qual é o objetivo do governo com a carga policial? Em Portugal, há 22 dias, este será o 23º dia desde 10 de outubro, que há em vários sítios do país protestos pacíficos pela habitação. Protestos pacíficos. Por que a polícia atua assim? O que o governo quer? Porque seguramente que a polícia não atuou sem ordens do governo. O que pretende o governo? O governo tem tanto medo que as pessoas falem de habitação, que manda cargas policiais para tentar que toda mundo fale de violência? Ou o governo quer instalar um Estado autoritário em Portugal?

Eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, aos jornalistas na Praça do Rossio, onde está também o dirigente do PCP, António Filipe, que diz que neste momento o Parlamento tem de debater com urgência este tema.

Justifica-se plenamente que ainda que se possa recalendarizar a discussão do orçamento, que haja um debate de urgência em plenário com o governo sobre esta questão da violência policial, porque tem que haver responsabilidades políticas relativamente a uma violação tão grosseira de direitos fundamentais como aquela que assistimos e que, de facto, põe em causa o nosso Estado de direito democrático

O dirigente do PCP, António Filipe, diz ainda que o Presidente da República tem de falar sobre este tema de forma mais vocal. O partido comunista pediu uma conferência de líderes para o agendamento de um debate de urgência sobre a atuação policial. Em comunicado, os comunistas dizem que mesmo com a discussão na especialidade do Orçamento do Estado a decorrer, a Assembleia da República deve assumir as responsabilidades de fiscalização da atividade do governo.

Entretanto, também o LIVRE já reagiu à carga policial da última madrugada no Rossio e pede a demissão do ministro da Administração Interna.

Em causa aquilo que o partido diz ser a responsabilidade política nas cargas policiais, que o LIVRE considera desproporcionais e injustificadas. Em comunicado, o partido anuncia que vai expor o caso a organizações internacionais, neste caso ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e também ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O LIVRE argumenta graves violações de direitos protegidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos e também pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Na mesma nota, o partido de Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes condena a ação policial nas manifestações pacíficas pelo direito à habitação. Considera que as novas intervenções da polícia são profundamente preocupantes e que vão também enviar, e reforça esta mensagem, que vão expor o caso a organizações internacionais.

E continuamos a falar do ministro da Administração Interna. Na verdade, vamos escutar as palavras de Luís Neves, que já reagiu à operação da PSP ao início da tarde e deixou o lugar à disposição.

Diz também que as imagens são difíceis de ver, fala em sentimentos contraditórios, mas frisa que ninguém tem prazer em ver o que aconteceu. Luís Neves assegura que a permanência com a pasta da Administração Interna está agora nas mãos de Luís Montenegro.

O meu lugar está permanentemente à disponibilidade do senhor Primeiro-Ministro. O que eu quero dizer é que nós estamos a fazer o nosso trabalho na esfera da segurança interna, em todas as suas áreas, das forças de segurança, na Proteção Civil, conforme hoje aqui tivemos, na questão dos incêndios, na questão da segurança rodoviária. Estamos muito motivados para fazer o nosso trabalho e digo como comecei: ninguém gostaria que isto tivesse sucedido.

A reação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, aqui no registo da CNN. Apesar de falar em imagens negativas, o governante sai em defesa da polícia perante o que considera ser uma pequena amostra de pessoas que colocou em causa a ordem pública.

E ainda com Luís Neves na mira, o Partido Socialista vai chamar com urgência o ministro da Administração Interna ao Parlamento.

Para esclarecer as operações da polícia que dispersaram os manifestantes na última madrugada. Em conferência de imprensa no Porto, José Luís Carneiro pede também ao primeiro-ministro que convoque o sistema de segurança interna para garantir que o caso é acompanhado.

O primeiro-ministro deve também convocar, com caráter de urgência, o sistema de segurança interna, onde reúnem as forças e os serviços de segurança, com a presença dos representantes da Assembleia da República, para garantir que se faça o acompanhamento institucionalmente devido, mas também para que ocorra o escrutínio democrático em tudo o que se tem vindo a passar no país.

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, diz ainda que quer falar com o Presidente da República sobre o tema. António José Seguro pediu esta manhã informações e esclarecimentos ao governo sobre a intervenção policial desta madrugada em Lisboa e também no Porto.

Notícia de fecho desta edição das 19h. Miguel Pina Andrade de regresso com uma síntese de notícias às 19h30. Um abraço. Até já.

Até já, Vicente.