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Lamentos, queixas, pedidos de ajuda. A tempestade Cristina passou por Leiria há três meses e deixou um rasto de destruição, destruição que tocou a todos.
Inimaginável, não. Foi horroroso. Só se ouvia barulho, tudo a bater, tudo a partir, tudo a cair. Eles agora aqui à volta, todos sofremos. Não houve ninguém que não sofresse.
Elídio Teodósio, nascido e criado na freguesia de Carvide. Hoje trabalha na paróquia, ajuda a preparar o dia de aulas que, hoje em dia, acontece na igreja por causa da depressão. A uma rua de distância, Virgínia Pequeno abre o café, um luxo, depois de meses fechado.
Olha, aqui não tive ajudas nenhumas. Tive fechada um mês. Durante esse tempo não tive luz para poder abrir. Primeiro não tinha luz nem água.
Os últimos clientes tinham sido os bombeiros no dia da depressão e o tema continua a ser o mesmo, até porque há muito que resolver.
Ainda se fala, porque ainda há bem pouco tempo, ainda há coisa de uma semana, ainda havia aqui gente sem internet nem televisão.
Em Carvide, a tempestade Cristina é um tema delicado, apesar das imagens de casas destruídas e árvores rachadas ao meio, não deixar espaço para dúvidas. José Alberto bebe o café de um trago, espera que venha um dia melhor.
Epá, não sei. Para que diga, não sei. Mas penso bem que sim. Eu penso que isto é capaz de se compor um bocado, mas vai demorar um tempo.
A poucos quilómetros, Manuel Ribeiro e Isabel Morais fazem fila no mercado do Falcão, agora adaptado a armazém solidário. Pedem telhas e soluções a longo prazo.
A casa está coberta com plásticos, mas vou ter que mudar uma parte do telhado.
Até quando é que tem que trocar as telhas? Até ao próximo inverno?
Até ao próximo inverno.
Estão mais de algumas 500 telhas arrancadas. Mas já sei que os pobres não dão nada. Dizem que dão, mas sabe o que é que dão? Quando for o mês seguir, já dá até o papel para pagar o IMI.
Leiria, três meses depois da depressão Cristina.