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Justiça para Odair! Justiça para Odair!

Pedidos de justiça pela morte de Odair Moniz fizeram transbordar a avenida que liga o Marquês de Pombal aos Restauradores. A primeira fila transporta tarjas a mostrar a cara do cidadão cabo-verdiano e a mensagem é repetida em vários cartazes, como o de Dina Loureiro.

O cartaz, já tu não viste? Quem será o próximo? Eu quero viver.

É a mensagem da manifestação. Há quem carregue bandeiras de Cabo Verde, país de Odair Moniz, como Maria Furtado, vestida de azul, de pés à cabeça.

Porque eu tenho um tio de 89 anos que mora no bairro, não é nesse bairro, então podia acontecer comigo também, como eu vi nas filmagens.

E há quem se recuse a participar sozinho na manifestação, mesmo que a companhia seja um carrinho de bebé.

É porque ela está viva, porque ela faz parte dessa sociedade, porque desde sempre a gente precisa estar na rua reivindicando o direito de estar viva.

A marcha é liderada por Raquel dos Santos e Rui Jaci, que lado a lado, dão o murro na mesa.

Eu sou negra, então é uma luta que não é só minha, é uma luta que é de todo mundo. Então isso poderia estar a acontecer com todo mundo, poderia ser pessoas da minha família, poderia ser eu.

E tem que ser levado em consideração a nossa luta. Nós não vamos parar, porque hoje é Odair, amanhã pode ser qualquer um de nós. Não vamos parar, enquanto não haja justiça, não há paz.

E acaba com uma vigília com flores, velas e fotografias de Odair a preto e branco. E acima de tudo, lágrimas de amigos.

Ai, senhor Deus! Ai, senhor Deus! Brother, joelhos no chão, punho no ar. Jamais se irá esquecer!

Mais de uma dezena de pessoas subiu a um palanque improvisado para partilhar testemunhos daqueles que não se sentem seguros quando têm medo de chamar a polícia.

Eu, sinceramente, só chamo a polícia, se for num local público, porque se for dentro do meu bairro ou no bairro aéreo, eu não vou chamar a polícia para me proteger. Não, porque eles vão me dar um tratamento que não é digno.

Maria Ferreira é uma das vozes das milhares de pessoas que desceram a Avenida da Liberdade até aos Restauradores para prometer paz apenas depois de justiça por Odair Moniz.