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Começamos com uma notícia de última hora. Um prédio caiu no centro de Lisboa. Houve ainda uma explosão e um incêndio que tem estado a ser combatido pelos bombeiros. Este prédio fica no centro da capital, na Rua de Santa Marta, junto ao Marquês de Pombal. É lá que está o jornalista do Observador, João Gama, que se junta agora a nós em direto. João, há várias imagens a circular nas redes sociais que mostram este prédio a arder. As chamas já foram controladas?
Bom dia, Diogo. Como creio que podes ouvir, estamos numa rua fechada, cercada por bombeiros a todas as direções. Há muito fumo no ar, daqui onde estou não consigo ver se as chamas já foram, de facto, controladas ou não. Mas, para nos dar conta da situação, tenho comigo Ana Luísa. Ana Luísa, bom dia. Foi quem às 7h30 da manhã chamou os bombeiros. Como é que foi a situação? Houve uma explosão, o prédio caiu, como é que foi essa situação?
Eu estava a descansar, a dormir, e estávamos todos e, de repente, há uma explosão enorme e percebe-se que estava a passar qualquer coisa aqui na rua.
Ana Luísa, vou só pedir para repetir, que os caminhões dos bombeiros fazem, de facto, muito barulho. Estava a dar-nos conta da situação inicial às 7h.
Entretanto, saí logo pra rua e quando me deparo, viro aqui pro lado de Santa Marta, visto que eu vivo na Alexandre Herculano, e vejo já virem uns senhores a gritar, a pedir: "Chamem os bombeiros". Eu ainda vou lá à frente, o prédio caiu completamente a fachada, vejo uns senhores, todos de pijama, cheios de pó, a tentarem saltar do prédio, vejo outra senhora do prédio ao lado a gritar: "Socorro!" E eu vou chamar os bombeiros e começa a arder o prédio todo. Começou a tornar-se um incêndio e as pessoas todas, neste momento, pensamos que há feridos e possivelmente pode haver mortes, porque estavam pessoas a dormir e não tiveram tempo de sair.
Portanto, isto era um prédio habitado, com pessoas-
Sim, era um prédio com um restaurante conhecido, que é o Mastro, que tem uma grande churrasqueira e pessoas a habitar. Depois, ao lado, havia outro prédio que tem um chinês e que também as pessoas de lá conseguiram sair pelo seu pé, mas as janelas e vidraças foi tudo danificado, porque a explosão foi muito forte e ficou tudo fora do sítio. Portanto, foi uma coisa muito grande, completamente.
Quanto tempo é que demorou a chegar os primeiros bombeiros aqui à-
Os primeiros bombeiros foram para aí três, quatro minutos, porque ninguém conseguia estar e começou tudo com medo que houvesse mais explosão, porque isto, em princípio, é gás.
Ana Luísa, peço-lhe agora a ajuda do cenário que vemos. Há muito fumo no ar, mas daqui, pelo menos, não consigo. É um incêndio que está a ficar controlado, pelo menos comparativamente ao que viu logo às 7h.
Sim, era muito pó, porque de repente só víamos pó, porque foi o prédio todo a cair. Caiu a fachada, não há telhado, não há nada, o prédio, no fundo, ruiu todo e era só fumo de poeira e de repente começa fumo mesmo de incêndio, lavas.
Ana Luísa, muito obrigado. Temos aqui também o seu filho. Vou só perguntar o nome.
Bernardo Nunes.
Bernardo, também estavas com a tua mãe quando viste a explosão?
Neste momento, quando houve a explosão, a minha mãe disse pra eu ficar em casa e desceu só para ver a situação. E quando viu a situação, como estava tudo a arder, a minha mãe subiu e chamou-me pra eu ir pra rua, porque tinha medo que o incêndio se alastrasse e pudesse explodir com mais bombas de gás.
Estão os dois aqui desde as 7h.
7h20.
Sim, 7h20, mais ou menos.
Nós e um monte de senhores que estão aí. Inclusive, há um casal que vivia no prédio ao lado, que teve logo que sair, conseguiram se vestir, mas esses têm a casa toda danificada. Inclusive, diz que a cama deles saltou pra rua. Mas esses conseguiram sair e estão aí os senhores.
Muito obrigado, Ana Luísa, Bernardo, muito obrigado. Diogo, é o relato de Ana Luísa e do filho Bernardo, eles que chamaram os bombeiros às 7h30 da manhã, foram os primeiros a dar conta do incêndio aqui no coração de Lisboa, na Rua de Santa Marta. Dar conta também que são cinco os feridos, pelo menos do que os bombeiros conseguiram avançar até agora, são cinco feridos causados por este incêndio, dois dos quais já terão sido transportados para o hospital. Estão várias pessoas na rua, também muitos jornalistas, câmaras da comunicação social, a rua que está cortada por agentes da polícia. Conto três a quatro caminhões dos bombeiros que combatem a esta hora as chamas. Chamas que não se veem, vê-se, sim, uma quantidade muito grande de fumo que vai pintando a esta hora, Diogo, os céus da cidade de Lisboa.