Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Adalberto Campos Fernandes é antigo Ministro da Saúde. Considerou ontem que os dados sobre a pandemia indiciam que o mundo venceu o vírus da Covid-19. Podemos dizer que o fim da pandemia já está à vista?

Não querendo ser excessivamente otimista, naturalmente, quando eu falo que o mundo venceu o vírus, tem que ver com as boas notícias que as vacinas nos trazem. As vacinas provam, de facto, de uma forma geral, um elevado nível de eficácia e de segurança. E o que nós temos testemunhado nos países que vão mais avançados no mundo, nomeadamente o caso de Israel, é um caso exemplar, mas também nos Estados Unidos e no Reino Unido, é que à medida que progredimos nos planos de vacinação, nós, em primeiro lugar, temos resultados muito relevantes na queda da mortalidade, mas também de internamentos. Portanto, essa medida de eficácia está feita. Eu acredito em ciência, neste combate que nós fomos várias vezes descrevendo como um combate entre a ciência e o vírus. A ciência passou para a frente e temos nós ainda muitos riscos no planeta, nomeadamente alguns países em grandes dificuldades, o meu sentimento é, de facto, que a prazo nós teremos a situação controlada.

Tendo em conta esta diminuição do número de mortalidade, acredita que agora entrando nesta fase de desconfinamento, nomeadamente em Portugal, que este poderá ter sido o último confinamento que tivemos ou que o país ainda corre o risco de dar um passo atrás?

Eu acho que os portugueses estão muito sensibilizados. Os portugueses têm sido exemplarmente responsáveis e as mensagens de ontem, quer do primeiro-ministro, quer também do presidente da República, vão no sentido de que basta que nós sejamos capazes de manter um nível de comportamento individual que seja responsável, nomeadamente o distanciamento, evitar a proximidade que é indesejada, uso de máscara. Portanto, se nós mantivermos aquele conjunto de medidas mínimas sobre as quais nos fomos habituando ao longo do último ano, nós podemos efetivamente fazer com que este tenha sido o último confinamento e fazer aquilo que é neste momento muito importante, que é recuperar o ânimo das pessoas, recuperar a economia, criar emprego e pôr a crise para trás das costas. Mas é evidente que não podemos passar do 80 para o oito. Há aqui um meio-termo. E eu acredito que ao longo destes meses, os portugueses sempre deram sinais de enorme responsabilidade e vão continuar a fazê-lo, porque ninguém quer voltar a esta situação de restrição da liberdade, não só individual, mas económica e de entretenimento.

Temos assistido a um aumento dos processos de vacinação no país e no mundo. Isto será uma grande ajuda. Acredita que no verão já estaremos cada vez mais perto da imunidade do grupo? Tem alguma previsão?

Repare que ontem o discurso do presidente americano foi muito entusiasmante desse ponto de vista. Os Estados Unidos tinham fixado uma meta de 100 milhões de inoculações e fizeram mais do dobro. E o que é facto é que toda a dinâmica industrial e o alargamento da capacidade instalada está a permitir que agora semana a semana, a disponibilidade de vacinas para o mundo seja maior. Naturalmente que há aqui sempre uns equilíbrios entre os países ricos e os países pobres que têm que ser resolvidos. Mas o que nós vamos assistir, não só em Portugal, mas em toda a Europa, é que junho, julho e agosto serão meses de disponibilidade de vacinas, que permitirá que os países executem os seus planos, vacinando a população adulta, a população de risco e, portanto, antecipando o fim do verão, desejado o outono, num quadro em que nós todos desejamos que se passe tão cedo quanto possível de uma fase de pandemia universal para uma fase de endemia, em que a situação esteja de facto controlada. E é esse o cenário que temos pela frente, mantendo, no entanto, a prudência, que há países que ainda estão em grandes dificuldades, embora o Brasil pareça dar sinais de alguma progressão, mas a Índia ainda está em grande dificuldade. Mas creio que temos pela frente motivos para dizer aquilo que eu, de facto, referi ontem, é que tudo indica que a ciência nesta batalha vai sair ganhadora para este caso concreto, deste vírus, enfim, outras ameaças no futuro aparecerão, temos a certeza de que esse risco existe, mas neste momento eu creio que podemos olhar o curto e médio prazo com algum otimismo.

E este otimismo, eu perguntava-lhe: considera que o mundo, como já disse, há desequilíbrio entre os países mais ricos e os menos ricos. Aqui na Europa, nas últimas semanas, os países passaram por uma vaga semelhante à que Portugal sofreu após o Natal. Agora as coisas parecem estar a melhorar. Considera que a Europa vai chegar primeiro a esta imunidade do que, por exemplo, a América? Acha que vai ser diferente ou o tempo será mais ou menos o mesmo?

Nós temos na Europa um caso, o Reino Unido, que não sendo neste momento um país integrante da União Europeia, fez de facto uma operação que me parece bastante bem-sucedida. Os Estados Unidos surpreenderam, depois de um fim de meses de enormíssimas dificuldades e até de uma abordagem política muito errática, os Estados Unidos estão a ser exemplares na forma como estão a conduzir este processo. E a Europa, de uma forma geral, o que está agora em causa é o sucesso, não só logístico, mas também naturalmente a disponibilidade das vacinas, dos países poderem organizar planos de vacinação em massa e alargar essa vacinação a toda a população elegível. De uma forma geral, eu acredito, aqui há um conjunto de análise e também de alguma intuição, eu acredito que nós em agosto teremos na Europa um quadro bastante satisfatório. E acho que esta medida do certificado digital europeu é uma medida positiva, é uma medida inteligente, equilibrada, proporcional, que permite, efetivamente, de uma forma voluntária, o espaço Schengen e não só, a circulação das pessoas que se possa começar a fazer com maior segurança. E isso é fundamental para recuperarmos tão cedo quanto possível a economia, que tudo indica, conhecerá uma recuperação positiva. Os indicadores que existem avançados apontam para que a economia possa ter, depois deste processo de grande contenção, um ciclo de boa recuperação e de bom andamento.