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Sabemos hoje que os internamentos em casa dispararam durante a pandemia. Só em junho, o número de pessoas internadas em casa aumentou quase 400%. Considera que esta mudança é de alguma forma benéfica para os hospitais?

Esta mudança é muito benéfica. Ela vem a ocorrer de uma forma planificada já antes da emergência da Covid-19. O que existiu aqui foi um esforço grande dos hospitais para acelerar este processo e para garantir que efetivamente os doentes agudos, esses doentes que necessitam de cuidados hospitalares, possam ter o mesmo nível de cuidados a nível do seu domicílio. Isso tem grandes ganhos para os doentes e também grandes ganhos para o sistema de saúde, evitando infeções hospitalares, garantindo melhor qualidade de serviços em casa e é importante também transmitir uma mensagem de confiança aos doentes e às famílias, uma vez que esses doentes são especificamente selecionados para este tipo de internamento e são monitorizados em tempo real nos seus domicílios.

Considerando que este aumento dos internamentos em casa se deve, sobretudo, à pandemia de Covid-19, considera que esta realidade possa ser transportada para depois da pandemia, estes números de internamento em casa?

Não, como digo, este é um processo que já estava a decorrer antes da pandemia e foi acelerado, e a nossa expectativa é que ele venha ainda a crescer bastante mais do que acontece neste momento. Portanto, esta é uma reforma do sistema de saúde, de uma forma sustentada, que vai garantir prestar melhores cuidados e com mais segurança aos doentes. E a nossa expectativa é, como planeado, continuar a crescer nos próximos anos.

E consideram que estas medidas são benéficas tanto para hospitais e profissionais de saúde como para doentes. É isso?

Sim, totalmente. Nós costumamos dizer que em casa, geralmente ninguém reclama da comida do hospital. E aqui nós estamos claramente a apostar numa nova forma de prestar cuidados, com o apoio das novas tecnologias, com igual segurança ao ambiente hospitalar, mas essencialmente garantindo mais conforto aos portugueses que, nessa necessidade de internamento, o podem fazer nas suas casas.

E este internamento em casa tem algum impacto na recuperação dos doentes?

Tem um impacto bastante superior. Os estudos internacionais que existem, e mesmo os dados a nível nacional, mostram que existe uma maior integração destes doentes e uma maior recuperação destes doentes quando estão no domicílio, uma vez que também estão no seu próprio ambiente. E aqui existe um ganho substantivo de qualidade de serviço e depois de resultados