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Um agente da Polícia de Segurança Pública foi esfaqueado nesta sexta-feira, na Esquadra de Marrazes, no Conselho de Leiria, um incidente que está a ser investigado pelas autoridades. Na Rádio Observador, temos a oportunidade de falar com Domingos Antunes, é comandante da PSP de Marrazes. Obrigado por ter aceitado este nosso convite. Em que estado está este agente que foi esfaqueado e como é que aconteceu este ataque?

Felizmente, neste momento, as informações que temos da Unidade Hospitalar Local, o Hospital de Santo André, é que o nosso agente de 57 anos se encontra em estado estável, apesar de ter dois golpes com alguma profundidade, uma na zona entre o pescoço e o queixo e outra no braço, mas apesar de ter perdido algum sangue, está estável e não corre perigo de vida, neste momento. Quanto ao autor, trata-se de um jovem de 19 anos que já tinha tido algumas intervenções com a polícia, sempre em contextos um bocadinho desregulados. Inclusivamente, tinha apedrejado há pouco tempo essa mesma esquadra de Marrazes, em estado de fuga. Era um processo que estava em investigação e voltou esta noite com vários insistentes telefonemas para a esquadra, sempre com comportamentos injuriosos, sem qualquer tipo de razão, e esta manhã dirigiu-se à esquadra por volta das 11h05 e sem que nada o antecedesse, um comportamento deste, puxou de uma faca e atirou-se de imediato, quase sem qualquer tipo de diálogo com o agente que estava de apoio ao graduado de serviço, concretamente o sentinela. Imediatamente encetámos fuga, com algumas referências sobre o indivíduo, procedemos à detenção dele já na casa do avô e neste momento encontramo-nos também junto com a Polícia Judiciária para culminar as diligências de investigação para podê-lo fazer presente amanhã à autoridade judiciária, permanecendo detido aqui na PSP de Leiria.

Isto foi um ataque direcionado ao agente que acabou por ficar ferido ou foi um alvo de ocasião?

Não, foi direcionado não a um agente em concreto, foi a um polícia que se encontrava naquele momento. Portanto, este cidadão e este jovem já tem vindo a ter comportamentos antissociais e, sobretudo, a focos de autoridade e tem estabelecido, sem razão aparente, esta relação conflituosa com a polícia, não com o agente A ou B, mas com a instituição e concretamente com a Esquadra de Marrazes, tendo, como disse há pouco, projetado duas pedras da calçada e partido os vídeos laterais desta Esquadra de Marrazes. E esta noite, como disse também, de forma surpreendente e insistentemente a ligar para a esquadra com comportamentos injuriosos aos polícias, e esta manhã deslocou-se à esquadra e acabou por culminar neste evento triste para nós, que obviamente nos entristece enquanto comunidade e nos deixa nesta preocupação, mas felizmente o agente, que era o mais importante, está estável e agora este é o momento de contribuirmos para a realização da justiça.

E esse agente é o único ferido a registar ou o suspeito tentou agredir mais alguém antes de escapar?

Não. Portanto, ele depois de ter esfaqueado este polícia, encetou imediatamente a fuga.

Foi detido depois, como disse há pouco, em casa do avô. Resistiu à detenção?

Não, nós fizemos imediatamente uma perseguição ao indivíduo sem à vista, mas conseguimos identificar. Fomos à casa quer do pai, quer do avô, que residem ali sensivelmente próximo da esquadra, e ele acabou por descer e acabamos por o interceptar. Foi nesta condição, mas nessa intervenção não resistiu aos polícias. Talvez também pela forma surpreendente como a polícia rapidamente respondeu. Estamos a falar num hiato de tempo de um quarto de hora e, portanto, felizmente conseguimos responder em tempo, com oportunidade, determinação e prontidão, porque é isso que se exige sempre a quem ataca desta forma um bocadinho desleal, um agente da autoridade que tem por função proteger a comunidade. E é sempre triste quando um agente que tem esta função, ser agredido e ser, neste caso, esfaqueado, cujo resultado não foi morte apenas por um acaso.

Falava desse historial por parte deste suspeito, um jovem de 19 anos. Há algum tipo de motivação especial em cima da mesa para este ataque ou podemos falar numa vingança, de certa forma?

Desconhecemos neste momento qual é que é o propósito. O que podemos adiantar é que este jovem tem assumido posições antissociais e desreguladas. Quanto ao móbil em concreto, deixo isso agora para o caminho da investigação, para se conseguir perceber o que é que esteve na base disso. Sendo certo, volto a dizer, não existe nenhuma oposição, nem nenhum conflito entre a polícia e o jovem. Portanto, tudo isto foi sempre um caminho percorrido por este jovem, porque nós não tínhamos sequer, há muito tempo, conhecimento de quem seja. A única coisa que fomos surpreendidos com este comportamento que não resultou numa fatalidade mais intensa, porque, como disse, com algum aspeto de sorte para o nosso próprio agente, que merece toda a nossa solidariedade, e eu, enquanto comandante distrital, não deixo de ficar triste, mas este é o momento agora de darmos o apoio ao nosso polícia e de prestar tudo aquilo que ele necessitar.

Muito obrigado, Domingos Antunes, é comandante distrital da Polícia de Segurança Pública de Leiria, aqui a dar conta dos detalhes deste ataque. Esta manhã, um agente da PSP foi ferido com uma arma branca, dois golpes na zona do pescoço, mas está neste momento estável e não corre perigo de vida.