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Vamos com a presidente da ANACOM, Sandra Maximiano. Obrigada pela disponibilidade para estar conosco neste jornal em direto. Há muito mais pessoas nesta altura sem comunicações móveis, 84 mil, do que sem luz, que são 7 mil. O que está a dificultar tanto a reposição das comunicações?

Sim, os últimos dados que eu tenho não apontam para esse número em termos de comunicações móveis. Apontam até para bem menor do que esse número, cerca de 50 mil. Isto são dados que nós temos atualizados diariamente e essa é a atualização que tenho no dia de hoje mais recente. Portanto, cerca de 50 mil da rede móvel, 34 mil da rede fixa. Portanto, mais abaixo do que esse número. A questão aqui é que existem alguns pontos que é preciso indicar. A contagem, quando falamos de clientes de energia elétrica, é diferente de quando falamos de clientes de telecomunicações. Portanto, a contagem de um cliente por uma residência é diferente da contagem do número de clientes em que uma residência pode ter mais do que um cliente de rede móvel. Esse é um ponto que acho que é importante. Por outro lado, há aqui uma série de questões que passa pela destruição em larga escala da infraestrutura, que tem sido a ser recuperada com muitas soluções de mitigação. Soluções temporárias que passam pela passagem de cabos à superfície.

Mas há já uma previsão de quando é que a situação pode estar mais normalizada?

Sim, a situação em o acesso à rede móvel, resolver o problema na sua totalidade de acesso à rede móvel, pensa-se que mais umas semanas e ela estará resolvida. Agora é preciso é que as pessoas tenham noção que mesmo esse acesso, muitas delas são por soluções de mitigação. Portanto, há aqui um trabalho de recuperação da infraestrutura que vai demorar muito mais tempo.

Dessa soluções de mitigação, o presidente da estrutura de missão dizia hoje que estava a ser estudada a possibilidade de partilhas de antenas entre operadoras para cobrir todas as zonas cinzentas do país. Isto tem alguma coisa a ver com o roaming nacional?

A questão do roaming também está relacionado, e que está a ser avaliada, em articular também com o governo, algumas medidas que possam estar nesse sentido.

Perguntei-lhe porque é uma discussão que já leva alguns dias e queríamos perceber quando é que pode, de facto, efetivar-se.

Sim, porque existem dificuldades técnicas que têm que ser ultrapassadas e existem também algumas questões regulatórias que têm que ser ultrapassadas. Não é uma solução que seja de tão fácil implementação.

Mas essas soluções regulatórias dependem da ANACOM?

Não dependem necessariamente da ANACOM, porque há soluções que requerem uma alteração legislativa. Portanto, tem contrariedades que necessitam de alterações legislativas. Só que estão a ser estudadas outras soluções no sentido de um roaming, neste caso mais local, que possam ser aplicadas de uma forma mais célere. E isso está a ser trabalhado. O que falou é uma coisa diferente. A partilha de infraestrutura não implica necessariamente o roaming. Pode haver aqui alguma partilha de uma infraestrutura física para montagem de antenas, que vai facilitar a colocação de antenas num determinado local sem necessitar ter aqui acesso de roaming. Dado que houve muita destruição de infraestrutura física, é natural que exista também aqui soluções de maior partilha de alguma infraestrutura física, que acelere a recuperação.

Sim, ficamos com este ponto de situação. Agradeço-lhe, Sandra Maximiano, presidente da ANACOM, aqui a apontar para uma lenta reposição. Ainda vai demorar algum tempo até que as comunicações estejam numa situação que possa ser chamada de normal.