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Junta-se a nós Francisco Sousa. Normalmente ouvimo-lo como comentador nos nossos relatos, é analista de futebol, está aqui conosco também como sócio e simpatizante da Académica de Coimbra, clube marcante também pelo qual Artur Jorge passou. Passou pela Académica como jogador durante quatro temporadas, mas foi lá principalmente que ganhou esse caráter de sindicalista, de pensador, de quem tem o pensamento crítico para com a defesa dos jogadores. Francisco Sousa, bem-vindo. Gostava de te perguntar principalmente sobre isso. Tu passaste por Coimbra, obviamente, és sócio da Académica. O Artur Jorge deixa essa marca não só como jogador da Académica, mas também como o símbolo máximo, talvez, de alguém que ganhou as raízes e ganhou o caráter daquilo que é ser um estudante de Coimbra.
Sem dúvida, André. Boa tarde. Já agora lamentar esta triste notícia e enviar também um abraço de condolências à família e em particular ao filho do Artur, o João, que é meu amigo pessoal e certamente terei a oportunidade também de mandar uma mensagem mais apropriada. Mas foi de facto uma figura incontornável da Académica, do futebol português, já agora, não podemos esquecer evidentemente também tudo aquilo que fez desde logo com a conquista europeia no Futebol Clube do Porto em 1987. Mas de facto na Académica acabou por ganhar esse espírito combativo, reivindicativo, um homem das artes também, uma pessoa de grande abrangência e de certamente um caráter muito próprio, muito particular. Um dos grandes jogadores da história da Académica, atenção, porque tem um registo que hoje em dia seria capaz de valer uma venda absolutamente milionária à Académica, que à altura, lembro por exemplo, em 67 foi vice-campeã nacional, disputou também finais da Taça de Portugal. Ele marcou 94 gols em 112 jogos.
É impressionante. Ele tem uma época, Francisco, em 77/78, em que faz 39 gols em 32 jogos. É impressionante.
Foi absolutamente espetacular tudo aquilo que fez enquanto jogador e que depois teve continuidade no Benfica, em que foi também duas vezes consecutivas o melhor marcador do campeonato.
Francisco, e tu que vives também mais de perto aquilo que é a vida, o dia a dia da Académica de Coimbra e da cidade de Coimbra em geral, ainda se sente também essa marca de Artur Jorge? Ou seja, continua a ser uma lenda do clube? Já tanta gente passou pela Académica desde essa altura, desde a década de 60. Continua a ser essa lenda, esse polo importante Artur Jorge para os estudantes?
Sim, até porque ele depois tem também a passagem como treinador, embora não tenha sido de uma duração tão longa quanto a de jogador, ainda assim numa época em que a Académica lutava desesperadamente para se manter na Primeira Liga e conseguiu, época 2002/2003, depois ele sai no início da época 2003/2004, que coincide precisamente com a época em que a Académica muda para o estádio novo, mas continua a ser recordado. Aliás, há alguns painéis de antigos jogadores no estádio, também no Museu da Académica, e o Artur Jorge é um dos nomes incontornáveis. Tem umas das fotografias também mais icónicas à época, inclusivamente uma com o Eusébio, enquanto um estava no Benfica e o outro na Académica. Portanto, sim, continua a ser recordado e é também certamente uma notícia muito triste para o academismo e para a própria cidade de Coimbra.