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O economista António Nogueira Leite junta-se agora em direto a este jornal. Bom dia, António Nogueira Leite.

Bom dia.

É neste contexto completamente novo que há a nova reunião do BCE. É possível que, afinal, as taxas de juro não subam ou não subam à velocidade que se esperava depois disto?

Só o conselho de administração do BCE é que neste momento poderá ter uma ideia e mesmo assim só durante a reunião é que ela se formará. De qualquer das maneiras, eu penso que o contexto mantém-se num aspecto importante, que é continuar a haver inflação, continuar a haver necessidade de resolver os problemas que a inflação traz e, por outro lado, se abrandar definitivamente o combate à inflação, nós vamos ter de o fazer mais à frente, com mais custos em termos de emprego e em termos de produto. Mas, por outro lado, existe uma situação de elevada turbulência neste momento. Já não são apenas bancos regionais americanos, há um banco que já é problemático, que como acontece nestas situações, foi o primeiro alvo e os mercados estão, de facto, a interiorizar uma alteração na política monetária. Não no sentido de ela deixar de ser restritiva, mas no sentido de que as subidas de taxa não sejam tão elevadas. E portanto, é possível que se gere um consenso na linha de, pelo menos agora e nos próximos tempos, haver uma subida mais lenta das taxas de juro do que aquilo que estava inicialmente programado. Mas, como digo, há aqui dois aspetos contraditórios, depende da avaliação de cada um deles. Um é o facto de a inflação não ter terminado, o outro é o fato de que existe uma turbulência acrescida e a subida das taxas de juro tem tido um impacto complexo por via da redução do preço das obrigações em muitos bancos. Ora bem, eu penso que talvez uma solução prudente fosse, na verdade, não sinalizar uma alteração de política, mas fazer para já e nos próximos tempos, aumentos mais cautelosos de taxas de juro.

A ver, vamos então, percebemos que há um dilema nesta altura por parte do Banco Central Europeu sobre aquilo que pode fazer, porque a inflação ainda continua a ser um problema. Sobre o que está a acontecer nesta altura ao Credit Suisse, António Nogueira Leite, a banca portuguesa está muito exposta ao que se passa na Suíça?

Não posso falar pelos bancos. A ideia que tenho é que estará relativamente pouco exposta. Alguns bancos sistémicos em Portugal não estão sequer expostos, como um deles já referiu. Aqui os efeitos diretos a mim parecem que serão sempre negligenciáveis. Se houver dificuldade em controlar o processo, depois nunca sabemos exatamente o que é que pode acontecer, mas eu diria que o cenário central será um cenário em que as autoridades atuam adequadamente e, portanto, o facto da exposição ser relativamente pequena e nalguns casos mesmo não existente, para já não deve colocar, penso eu, e deve-se manter a calma e perceber que efeitos diretos não serão relevantes. De qualquer das maneiras, só para dizer que o Credit Suisse é um banco bastante problemático há muitos anos e que aconteceram duas coisas recentes. Uma foi descobrir-se que havia uns problemas de contabilização de determinados ativos no balanço do banco. Isso foi muito recente. E depois, de uma forma que me parece altamente imprudente, antes do ataque começar, vir alguém dizer que se houver ataque não está disponível para ajudar. Isso parece-me muito pouco profissional por parte do acionista, mas é evidente que teve efeito, esse efeito já existe e estamos agora a ver como é que as medidas dos reguladores do Banco Central e as medidas tomadas pelo próprio banco serão ou não suficientes para acalmar os investidores neste momento.