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Boa tarde. Não, não fiquei nada surpreendido, especialmente por duas ordens de razão. A primeira é quem está nessas funções sabe que tem que lidar com esse tipo de situações e, portanto, só tem é que colaborar com as entidades que estão a fazer o seu trabalho. A segunda razão é que já tinha havido um relatório no âmbito de auditorias feitas pelo Tribunal de Contas, que nos foi exposta já a situação, que já teve o contraditório por parte da Câmara e que daí se podia deduzir que haveria uma participação sobre algumas matérias ao Ministério Público. E, portanto, essa não criou agora uma surpresa, no sentido de não sabíamos quando, nem como, mas que esperávamos que fôssemos visitados.
E o que é que sabe sobre esta investigação?
O que eu sei foi o que veio nos autos que me foram entregues e que eu tive a oportunidade de assinar e basicamente tem a ver com o âmbito do processo Covid, em que a Câmara teve uma participação muito ativa e dentro dessa participação muito ativa que tivemos, adquirimos máquinas para construir uma fábrica de máscaras e que depois mais tarde foram vendidas, quer as máquinas, quer a fábrica, exatamente pelo mesmo preço a que tínhamos comprado. E, portanto, daí também estarmos completamente serenos e de consciência absolutamente tranquila, no sentido de que se apure e que mais vale ser apurado do que ficar permanentemente uma suspeita no ar.
E acha que a posição de Miguel Pinto Luz no governo pode estar comprometida de alguma forma?
Eu já tive a oportunidade de dizer a colegas seus, este processo do Covid, até porque todos estiveram confinados. Eu não estive confinado, fui o único que não estive confinado. Até porque também, além de presidente de Câmara, tenho outras responsabilidades inerentes, que é ser o responsável máximo da Proteção Civil no Conselho de Cascais, como são todos os meus colegas presidentes de Câmara nos seus conselhos. E, portanto, ninguém teve qualquer envolvimento nesta matéria. A razão pela qual eu assumo sobre esta matéria total responsabilidade. Não tenho qualquer outra participação, quer seja do ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, o engenheiro Miguel Pinto Luz, quer seja qualquer outro dos vereadores da Câmara Municipal de Cascais.
A Polícia Judiciária apreendeu-lhe alguma coisa?
Não. Até agora nada. Ainda decorrem as buscas. Pediram o acesso ao meu telemóvel, que de imediato lhes dei. Hoje também tinha já programado andar fora do edifício dos Paços do Concelho. Tive um conjunto de atividades de manhã fora da Câmara e, portanto, deixei-os aqui no meu gabinete e estiveram a fazer as buscas que entenderam fazer e que a sua profissão também lhes indica que eles devem ter que fazer. Já me devolveram o telemóvel, portanto, até agora não tenho rigorosamente nada apreendido.