Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A notícia é de que a direção da Carris apresentou a demissão, isto que aconteceu no encontro entre Pedro Brites Bogas, o presidente da Carris, e Carlos Moedas. Saiu também já, entretanto, comunicado da Câmara que informa que Carlos Moedas aceitou a demissão, compreende e aceita os motivos apresentados. Um dia depois de, aqui na Rádio Observador, Alcinda Leitão ter defendido o afastamento do Conselho de Administração da Carris, como é que vê não esse afastamento, mas sim uma demissão agora apresentada?
Boa tarde, antes de mais. Entre o momento em que falei ontem para a vossa rádio e hoje até aconteceram mais do que outras coisas. Soubemos ontem à noite, por volta da hora do jantar, por um comunicado da Câmara de Lisboa, que o presidente da Câmara informava que não reconduziria o Conselho de Administração da Carris, que termina o seu mandato no fim deste ano. Eu tive ocasião de dizer quanto a isso que achava que era uma solução curta, face ao relatório e à natureza gravíssima do relatório, para mim era evidente que o Conselho de Administração não se podia manter. Não era apenas não ser reconduzido, era não se podia manter. Até soubemos isso. Hoje, na reunião de Câmara, não sei se sabe isto, mas eu dou-lhe em primeira mão a notícia, Ana Curete Correia, ou ainda a vereadora Ana Curete Correia, informou que o próprio Conselho de Administração já tinha dito que não queria ser reconduzido. Ou seja, no fundo, Carlos Moedas faz um comunicado ontem a dizer que não vai reconduzir um conselho de administração que já lhe tinha dito que não queria ser reconduzido, demonstrando claramente que neste processo todo, Carlos Moedas vai sempre a reboque dos acontecimentos e das outras entidades. E hoje ficamos a saber, agora ao início da tarde, que o presidente do Conselho de Administração apresentou a sua demissão. Só tenho uma coisa a dizer: o senhor presidente do Conselho de Administração fez o que tinha a fazer e fê-lo com mais responsabilidade e até com mais dignidade do que o presidente da Câmara de Lisboa, que se meteu nestas confusões todas que eu acabei de descrever. Diz que não ia reconduzir. Afinal, eles já tinham dito que não queriam ser reconduzidos. O relatório que foi apresentado não permitia a manutenção imediata deste Conselho de Administração. O próprio Conselho de Administração teve a responsabilidade de perceber que assim era. Pena seja que o presidente da Câmara de Lisboa não tenha tido essa noção. Gostava ainda de acrescentar algo mais sobre isto. Isto demonstra que em todo este processo, o presidente da Câmara tem andado sempre a reboque dos acontecimentos, cujo a gravidade tem vindo sempre a aumentar. Este relatório é mais grave do que o anterior. O que lá está demonstra uma coisa claríssima: isto não é um problema técnico isolado. Isto é um problema grave de gestão sistémica da Carris. E um problema de gestão sistémica da Carris é uma responsabilidade de natureza administrativa e política. E, portanto, algo me diz que não vamos ficar por aqui neste assunto do elevador.
Tendo isso em conta e tendo em conta esse balanço que faz, sendo esta decisão também conhecida depois de um encontro entre o autarca e o presidente da Carris, este não é então um sinal de obra que começa a ser feita por Carlos Moedas e, como disse, não é uma medida suficiente.
Pelo contrário, o que se verifica é que o presidente da Câmara foi a reboque no processo todo. Ontem afirma que não reconduz um conselho de administração que já tinha dito que não queria ser reconduzido, e que ainda esta informação, repito, é o ainda vereador Ana Curete Correia hoje na reunião de Câmara que está ainda a decorrer. Depois é o próprio Conselho de Administração que decide, e bem, com sentido de responsabilidade e tendo noção que não pode continuar em funções, que decide demitir-se. Portanto, o presidente da Câmara de Lisboa não tomou nenhuma atitude nesta matéria, até agora tem ido sempre a reboque. Aliás, logo a seguir ao primeiro relatório intercalar, que ocorreu ainda antes das eleições autárquicas se realizarem, soube-se que o presidente do Conselho de Administração da Carris apresentou o seu lugar à disposição e Carlos Moedas não aceitou. Eu acho que, na verdade, quem politizou todo este assunto foi mesmo Carlos Moedas, que na altura não aceitou, apenas para não permitir que fosse dito que a questão era gestionária, pois a questão é mesmo o problema de grave má gestão e mau funcionamento de uma empresa pública tutelada a 100% pela Câmara de Lisboa. E, portanto, repito, Carlos Moedas não tomou nenhuma medida, continua a ir a reboque da situação. O presidente do Conselho de Administração portou-se com mais responsabilidade do que o presidente da Câmara e face à gravidade do que tem vindo sempre a lume nesta matéria, julgo que não ficaremos por aqui em matéria de responsabilidades administrativas e políticas.
Os gestores da Carris vão ainda ficar até ser nomeada uma nova administração. Já a pensar no futuro, faço-lhe ainda uma última pergunta sobre o que é que deve ter então, qual é que será o papel desta nova administração, como é que deverão ser os primeiros passos?
Isso naturalmente implica um conhecimento interno do funcionamento, mas há uma coisa que eu tenho a certeza: é que o primeiro passo de qualquer conselho de administração que venha a ser nomeado é cumprir escrupulosamente e imediatamente as recomendações constantes do relatório intercalar. O relatório que saiu anteontem, saiu exatamente, e diz o gabinete de investigação de acidentes, o SPIAF, pôs cá fora aquele relatório e deu-o no relatório, porque a situação é tão grave que havia recomendações de medidas que tinham que ser tomadas imediatamente. Implementação de um sistema de controle da manutenção, manutenção do encerramento e, obviamente, procurar resolver os problemas dos outros elevadores. Portanto, a primeira coisa que há a fazer é cumprir escrupulosamente essas recomendações. E depois, face àquilo que os relatórios apresentam, tenho a certeza que haverá um grande trabalho de gestão e de qualidade de gestão a fazer na Carris e ao qual a Câmara Municipal de Lisboa não pode ser alheia, tendo em conta que é a detentora e única titular da empresa municipal Carris. Tem sido bastante, eu devo dizer até constrangedor, verificar a forma como Carlos Moedas tem tentado ir sempre dizendo que este assunto não tem nada a ver com ele. Eu acho que até é pouco digno que um presidente de uma câmara tente passar pelos pingos de chuva num acidente que matou 16 pessoas e fez 20 feridos, mas isso fica com a consciência de cada um.