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Junta-se a nós, em directo neste jornal das 19h, Tiago Faria Lopes. É o presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil. Muito bom dia, Tiago Faria Lopes. Obrigada pela disponibilidade. Este é um dia importante para a TAP?
É um marco. Vamos receber Luís Rodrigues, o novo CEO e presidente do conselho de administração, que vai acumular as duas funções. Estamos muito expectantes. Aliás, sabemos que Luís Rodrigues, para a semana, irá reunir com os sindicatos e vamos aguardar com serenidade e guardar melhores dias para a TAP.
Guardar melhores dias para a TAP. Ficámos ontem a perceber, nesse comunicado conjunto, as expectativas que os sindicatos têm. É exequível pedir nesta altura à TAP, por exemplo, a contratação de mais pilotos?
Neste momento, para lhe ser muito franco, nunca é tarde, mas vai ser muito difícil os pilotos, se a TAP decidir contratar, estarem aptos para ajudar no verão. Essa é que é a grande questão. Um piloto não se forma em dois, três meses. Quando as outras companhias, as nossas congéneres, tentaram se posicionar no mercado, ou posicionaram-se mesmo no mercado, foi em outubro para assegurar o verão. Temos tido uma gestão corrente, nós temos afirmado muitas vezes que isso é uma gestão corrente, e isso não anda de mãos dadas com o negócio da aviação. Aliás, tanto é que está visto o que aconteceu: uma gestão corrente do engenheiro Cristino acabou por sair da TAP. Não pela gestão corrente em si, mas ajuda muito.
Então quer dizer que independentemente daquilo que Luís Rodrigues possa fazer neste momento, o verão vai ser difícil, vai ser complicado.
Não, não é todo. Luís Rodrigues sabe que a paz social de todos os trabalhadores, nomeadamente os pilotos, é muito importante para a companhia, não só no verão, mas o ano todo, e a estabilidade operacional. E quando eu falo em estabilidade operacional é retenção de quadros, ou seja, não deixar sair pilotos, estão a sair pilotos com experiência. Para a TAP isto é mau, porque temos falta de pilotos e o investimento na formação de novos pilotos é muito elevado. Luís Rodrigues sabe disso e irá garantidamente acautelar ou tentar minimizar essa saída para tentar fazer com que o verão tenha um impacto não tão caótico, porque também o aeroporto de Lisboa não ajuda, mas também com a paz social e com estabilidade operacional, será minimizado esse grau de desorganização aeroportuária.
Quando fala em paz social, está a falar no risco de greves.
Não, não falo no risco de greves. Aqui o nosso problema é precisamente alertar o acionista, neste caso, o governo, que os acordos temporários de emergência, pelo menos nos pilotos, já não faz sentido. E porquê? Tendo falta de pilotos, esse acordo temporário de emergência não permite a marcação de horas extras. Não permitida a marcação de horas extras, significa que os pilotos não conseguem ajudar a companhia, porque tendo falta de pilotos e não tendo horas extras, há voos que poderão ser cancelados. E isso, naturalmente, nos preocupa. E Luís Rodrigues sabe disso.
Tiago Faria Lopes está a falar de facto no marco, no dia de hoje, mas este dia acaba também por ficar marcado por uma saída de um deputado da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da TAP. Como é que reage a esta saída? Estes casos comprometem a imagem da empresa?
Comprometem, acima de tudo, a imagem do país em termos de isenção e seriedade, porque de facto não deveria um deputado do Partido Socialista, o interessado na Comissão de Inquérito Parlamentar, estar em reuniões secretas, porque reuniões secretas nunca é bom. Só o nome percebe-se da ideia que há algum secretismo, algo a esconder. Este sindicato nunca se pautou por isso, não se pautará, e nós gostamos muito de seriedade e transparência. Isso é muito importante.