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No Jornal das 11 temos conosco Carlos Carreiras, é presidente da Câmara Municipal de Cascais. Bem-vindo à Rádio Observador, obrigado pela disponibilidade. Há cerca de uma semana denunciava aqui na Rádio Observador a falta de articulação que tem havido com as autarquias. Agora que o plano de mobilidade já é conhecido, a situação é diferente? Em Cascais estão prontos para a Jornada Mundial da Juventude?

Antes de mais, muito bom dia e dizer-lhe que assisti à apresentação na sexta-feira e já tive a oportunidade de ler aquilo que saiu na comunicação social, já que não houve nenhum contacto direto com a própria autarquia, mas a avaliação que faço é uma avaliação positiva daquilo que foi apresentado. De facto, este era um processo que dependia do grupo de trabalho do governo. Nós tivemos vários contactos com as várias forças, quer de segurança, quer de proteção civil, nomeadamente com os próprios bombeiros, quer a nível das cinco corporações de bombeiros de Cascais, quer com a Liga Portuguesa de Bombeiros. E, portanto, fomos nós preparando, tal como eu afirmei na época, com planos alternativos que depois adaptaríamos ao plano que viesse a ser apresentado naquilo que a Cascais diz respeito, naquilo que nós chamamos transporte alto, ou seja, daqueles que vão todos os dias de Cascais para Lisboa, já que estão alojados em Cascais. E nesse sentido, o que vimos foi positivo e parece-me que há todas as condições para podermos efetuar uma boa operação na Jornada Mundial da Juventude e temos em complemento, que é mais complexo do que propriamente o transporte para Lisboa, aquilo que são os movimentos internos no conceito de Cascais e, portanto, nessa base estamos mais confiantes de que a operação, mesmo com toda a intensidade e a quantidade que vai ser necessário dar satisfação de serviço, mas estamos convictos de que correrá bem.

Tem ideia de quantos peregrinos é que Cascais vai acolher?

Nós vamos ter alojados cerca de 60 mil peregrinos nas várias modalidades de alojamento. No que diz respeito a equipamentos públicos geridos pela Câmara, serão cerca de 40 mil. Também sabemos que maioritariamente destes 60 mil serão espanhóis. Vamos ter já no próximo dia 26 um primeiro teste, porque será em Cascais que irá ser feito o encontro dos jovens voluntários, que se estimam em cerca de 20 mil, que irão ter aqui uma formação. E depois, logo no dia 31, teremos já os cerca de 40 mil espanhóis que chegarão a Cascais, já dormirão na noite de 31 em Cascais e têm previsto realizar na tarde de dia 31, tarde e noite, um encontro de todos os peregrinos que vêm pela Conferência Episcopal Espanhola. Aí vamos já começar também a testar e só para ter uma ideia, é em si mesmo uma megaoperação logística e que também envolve os transportes, como é óbvio.

Serão 60 mil no total, em Cascais.

60 mil nos alojamentos, no total, nas várias modalidades que estão previstas.

E esses 60 mil peregrinos vão ter que todos os dias vir e voltar de Lisboa para Cascais. Esse processo vai ser ágil? Tem ideia de como é que vai acontecer?

Tenho. Em primeiro lugar, são dois meios de transporte principal. Um é através da linha de comboios que liga Cascais a Lisboa e o outro terá que ser feito por autocarro. E, portanto, era essa a preocupação que tínhamos antes de saber o plano de mobilidade que foi apresentado na sexta-feira. Nesse autocarro estão envolvidos os próprios peregrinos espanhóis, já que vêm e que depois se deslocarão em parte de autocarros também para Lisboa, já que há uma parte que será de comboio. Mas os restantes precisarão cerca de 200 autocarros que farão esses percursos. E estamos a pensar que o façam com duas voltas. Levem-nos lá uma primeira vez e depois regressarão a Cascais, levam os peregrinos numa segunda vez. Acrescentamos a isso autocarros da Câmara Municipal de Cascais e também autocarros que pedimos à Liga Portuguesa de Bombeiros que nos vão ceder autocarros para podermos ter uma resposta de verdade. Isto tudo tem a ver com a área de estacionamento também, encontrar espaço para estacionar os vários autocarros que ficam em Cascais e neste momento já temos identificado cerca de 1500 lugares de estacionamento para autocarros. E depois, a partir daí, também há toda uma outra logística, porque os autocarros vêm com profissionais, os profissionais depois têm que se deslocar, têm que se alimentar, é vital. Um conjunto de fatores. Mas isso tudo está programado, tal como também nós fomos planeando e programando as várias variáveis que depois se adaptam àquilo que vierem a ser as orientações nacionais.