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Portugal foi absolvido pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos depois da queixa apresentada pelo casal McCann. Era este o desfecho que esperava?

Sim, é o desfecho que todos aqueles que defendem a liberdade de expressão e da opinião esperavam. E é nesse sentido que o Tribunal Europeu sempre tem decidido. Aliás, os meus recursos para o Tribunal da Relação, para o Supremo, sempre foram baseados em jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Outra coisa não era esperada senão esta decisão. Esteve muito bem o representante português junto do tribunal e só há que dar os parabéns à Justiça portuguesa.

Portanto, é a confirmação do trabalho e também daquilo que foi defendendo ao longo dos últimos anos.

É a continuação daquilo que quem não estava satisfeito queria que continuasse, porque repare, a história dos recursos, a própria ação, tudo só foi colocado na esperança de encontrarem uma decisão favorável. E era uma decisão que era sempre a funcionar como uma absolvição da parte de qualquer suspeito, quando nunca tinha havido nenhuma acusação, em primeira mão. Portanto, é interessante perceber então qual é o sentimento dessas pessoas hoje, quando isto parece ter chegado ao fim com esta decisão.

É isso que eu também lhe ia perguntar. Este caso está finalmente encerrado e aqui quando falo do caso, falo da questão obviamente do livro e todo o ruído que foi feito à volta da publicação.

Olhe, o livro e o ruído, como diz, só contribuíram de alguma forma para esclarecer as pessoas. Já lá vai quase uma geração e temos aí uma nova geração, até de jornalistas, e muitos ainda nem perceberam muito bem o que é que aconteceu naquele tempo. Mas há algo que está a acontecer neste momento: foram investidos milhares ou milhões de euros em construir um falso suspeito, de modo a influenciar o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, envolvendo o Ministério Público português, envolvendo polícias portuguesas e estrangeiras, e o resultado é este. Portanto, todos esses que investiram nesse falso suspeito foram derrotados neste momento. Há que recentrar a investigação e o Ministério Público em Portugal tem que, uma vez por todas, ler o que está no processo, ler de facto os indícios que existem e seguir a linha de investigação que estava a ser seguida naquele tempo, em 2007.

E ainda tem esperança que isso venha a acontecer?

Olha, a esperança é a última coisa a morrer, costuma-se dizer. Nós vamos desaparecendo, mas a esperança mantém-se. Vamos ver, pode ser que um dia apareça um procurador titular do processo que não tenha medo destas coisas internacionais. Como se viu, a Justiça portuguesa está de parabéns. Parece contraditório, mas é verdade. Houve quem lutasse pela justiça no sítio certo e há quem ande em fábulas, confabulações e invenções elementares. Portanto, há aqui uma certa contradição, mas vamos ver.