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Contamos em direto nesta edição com o presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes. Obrigada por estar conosco. Pelo que percebemos, até no centro da vila de Soure há inundações.
Boa tarde, Vanessa. Sim, nós continuamos, agora com uma subida bastante rápida dos leitos do Ance e do Arunca, que rapidamente chegam ao centro histórico da vila. Ontem tínhamos tido um dia relativamente calmo, os rios tinham tornado a encaixar nos leitos. Tínhamos alguma esperança que a precipitação fosse menos e que hoje tivéssemos, apesar de tudo, um dia menos difícil, mas subiu tudo muito rápido.
Há localidades isoladas nesta altura?
Nós nunca temos aqui em Soure localidades completamente isoladas, porque, ao contrário, por exemplo, de Montemor, onde a Aireira, que se transforma numa ilha, em Soure, os lugares todos têm acesso pela cota mais alta. A diferença é que há franjas inteiras de lugares onde as casas estão em zona de inundação, como por exemplo no Sobral hoje, onde tivemos que trazer as crianças em botes, crianças da escola, para voltar às suas casas, naturalmente.
Rui Fernandes, peço desculpa, mas a chamada não está nas melhores condições. Não sei se está em alta-voz. Se estiver em alta-voz, vou lhe pedir para tirar o alta-voz, porque não estamos a ouvi-lo com perfeitas condições e é importante o que está a dizer para percebermos também. Estava aí a falar da retirada de crianças em botes. O que aconteceu?
Não estou em alta-voz, mas estou no carro.
Ok. É isso. E com a chuva também não ajuda. Agora está melhor.
Estava lhe a contar, a relatar que tivemos algumas populações, mesmo na freguesia de Soure, não sendo no núcleo urbano de Soure, em Sobral, onde tivemos que fazer regressar as pessoas e as crianças às casas com o apoio dos bombeiros, que têm os botes. Mas continuamos em Soure com a situação de cheia que a chegar às casas no centro histórico, na cota baixa, e continuamos com as nossas populações todas da corda do Mondego, nas freguesias de Alfarelos, da Granja do Limeiro e de Figueiró do Campo, aí sim, com uma situação também cada vez mais difícil. E o que é certo é que com previsão de agravamento, porque vamos aparentemente ter muita pluviosidade nas próximas horas e isso dificulta tudo. O Ance e o Arunca não conseguem encaixar a água neste momento no Mondego. Esses são dois rios de superfície que apanham a bacia hidrográfica toda do Maciço Sicó e assim que estas chuvas todas que caem em Pombal, que caem em Ansião, é aqui que fazem, que provocam estas inundações e estas cheias.