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Agora conosco, em direto, temos o analista da XTB, Vitor Madureira. Acompanha de perto o mercado do petróleo e do gás natural. Muito boa tarde. Obrigado por estar conosco na Rádio Observador. Estamos a chegar ao oitavo dia de conflito e tivemos já uma semana agitada nos mercados. Como é que pode descrever aquilo que aconteceu esta semana nos mercados, nas principais bolsas?
Olá, muito bom dia. Obrigado pelo convite. Tivemos uma semana marcada com alta volatilidade nos mercados, ou seja, segunda-feira as bolsas abriram até com quedas agressivas e depois acabaram por recuperar bastante parte das quedas, mas ao longo da semana as coisas ficaram mais complicadas e acabamos por ter quedas nas principais bolsas. Por exemplo, a bolsa acabou por cair na ordem dos 6,7%. No PSI 20, por exemplo, 3,6. Tivemos disparos no petróleo na ordem dos 24%, no caso do Brent. Portanto, foi uma semana bastante agitada e vamos ver agora o que é que vai acontecer. Já para não falar da questão do gás natural na parte europeia, que chegou a subir quase 100% numa semana, que é um número bastante agressivo nos mercados futuros.
Vamos ter mais uma semana que continua com incerteza. Há algum investimento que os investidores devem fugir e outro que devem procurar nos próximos dias, nas principais bolsas?
O que nós estamos a ver é que o investimento, por exemplo, em bens de consumo, ou seja, empresas ligadas a consumo diário, como xampus, comida, esse tipo de bens, têm sido as empresas que têm tido melhor rendimento. Também a questão de fundos imobiliários, mas pouco mais tem tido boa performance. Ou seja, todo o resto de empresas tem estado tudo a cair, mesmo os metais preciosos, mesmo o ouro acabou por fechar a semana negativo, portanto, nem os metais preciosos estão a conseguir aguentar. E depois a questão do dólar. O dólar também subiu, tem sido também um ativo de refúgio. Mas, claro, não sabemos o que vai acontecer. Há muita instabilidade e depois também já se põem algumas questões ligadas à parte bancária e, ao mesmo tempo, também nas questões de inflação. Essa parte também é algo que eu gostava de dar nota às pessoas, que é nesta altura as previsões de inflação começam-se a alterar no caso europeu e pode haver alguma alteração de paradigma, como a questão de haver mesmo a possibilidade de uma subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu ainda este ano.
Há a reunião daqui a duas semanas, uma reunião do Banco Central Europeu, e vamos ver se já nessa reunião há ou não uma subida das taxas de juro. Eu gostei de pegar nas palavras do ministro António Costa Silva, que dá hoje uma entrevista à Agência Luz e que diz que ainda não estamos perante um choque petrolífero. Olhando para os mercados, olhando para o histórico, para aquilo que nos diz a história, concorda com esta declaração?
É bastante questionável, porque quando nós temos duas semanas, aliás, três semanas, até porque o mercado antecipa. O mercado petrolífero já estava a subir antes da guerra começar. O mercado está sempre à frente. Mas quando nós temos um disparo em três semanas na ordem de 35% no Brent, é um valor muito agressivo. Aliás, a última vez que vimos isso foi com a questão da guerra da Ucrânia. Portanto, é bastante questionável essa declaração.
Devemos esperar uma continuação na subida do preço dos combustíveis durante as próximas semanas?
Na parte dos combustíveis, aí já depende de outros fatores. Eu só analiso mesmo os mercados financeiros, a parte dos futuros, mas há a possibilidade ainda de haver mais algum aumento de curto prazo. Depois, a partir daí, vai mesmo depender se essas cadeias de distribuição vão mesmo alterar-se. Mas isto não sabemos. Eu não consigo confirmar nada. O mercado está completamente instável nesta altura, portanto não sabemos, mas sim, há a possibilidade de ainda haver mais alguma subida. Eu diria que em termos técnicos, isto é mais uma questão técnica, o valor dos $94, $95 no Brent é bastante importante e se ele passar daí, há sempre essa possibilidade, aí sim, as coisas podem ficar mais descontroladas. Porque depois os próximos níveis já pode chegar a valores muito mais altos. Mas por enquanto temos que ver escadinha a escadinha. Não podemos antecipar nada ainda.