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Perguntava-lhe primeiro sobre as praias interditas, que tem sido um tema bastante falado, e também da qualidade das águas. O que está a ser feito?
Em primeiro lugar, gostava de vos dar os números. Claro que é sempre um problema quando uma praia é desaconselhada ou é interdita, mas nós temos 642 praias e para vos dizer, no dia de hoje, temos só duas praias costeiras desaconselhadas e três fluviais, portanto cinco no total. Isto claro que é um problema para as cinco praias, mas estamos a falar de um número muito reduzido. Portugal está num ranking excecional a nível mundial da qualidade da água e basta pessoas que já visitaram outras praias noutras partes do mundo para se aperceberem da maravilha que são as nossas praias em termos de areia, em termos da qualidade da água. Claro que este ano houve vários episódios que nos preocupam e que atuamos. Mas por que nós sabemos que existem estes episódios? Porque há, todos os dias, um grande trabalho por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, que faz a monitorização das águas e que sempre por precaução que há um problema, é feito ou o desaconselhamento ou mesmo a interdição das águas. Aconteceu, por exemplo, aqui em Cascais, há uns dias. Não se sabe exatamente a origem, mas pensa-se que é pela presença de algas estranhas que foram trazidas no casco de um navio que veio do Oriente, e uma quantidade anormal das algas contaminou a qualidade da água. Portanto, foi desaconselhada a praia, mas durante 24 horas. No outro dia, às 06:00, a APA já estava a fazer a monitorização e às 08:00 já tinha a indicação que a praia podia ser utilizada. Outro caso: há poucos dias, esta semana, foi desaconselhada a praia de Quarteira e a praia de Vilamoura. Aí foi o resultado de uma avaria, de uma estação elevatória e por precaução, a APA desaconselhou imediatamente os banhos nessas duas praias para proteção da saúde humana. Mas foi também uma questão de 24 horas, foram feitas medidas, imediatamente no outro dia de manhã já estava o aviso que se podia utilizar a água. E é isto que é importante, que haja uma monitorização quase contínua do que se está a passar, para que as pessoas possam ir à praia e possam utilizar as praias com segurança e com a garantia de que ir à praia é bom para a saúde e não o contrário. E é isso que estamos a fazer. E não é só a questão da qualidade da água. Nós estamos a fazer uma grande intervenção também, e aqui foi uma das razões desta visita a Cascais, na segurança das nossas arribas. Houve aqui no princípio do ano uma arriba que caiu. Foram identificados agora os pontos críticos. Está a ser feita uma intervenção já de urgência e depois vai ser feita, e já há o financiamento do Programa Operacional, para fazer uma intervenção mais completa para as arribas desde o Estoril até à Parede. No valor de 3,5 milhões de euros. Outro ponto que é de crucial importância é a segurança das arribas, porque não basta dizer que é interdita, que as pessoas estejam ali, porque por vezes as pessoas não cumprem e pode ser muito perigoso. A outra questão que durante este mês temos tido especial atenção são as praias que necessitam de injeção de areia. Estamos a fazer uma grande intervenção na Figueira da Foz, uma injeção de areia num valor de 27 milhões, também na Costa da Caparica, nas praias de São João, cerca de 11 milhões, e agora no Algarve, em várias praias do Algarve, desde o Vau, na região de Portimão, o Garrão, Quarteira, vamos fazer uma intervenção de cerca de 14 milhões. Porque há uma grande erosão costeira e temos que voltar a injetar areia para proteger e que continuemos a ter espaço para as pessoas usufruírem das praias.
E em questões da seca, também estão a ser tomadas medidas?
Sim. Há uma grande monitorização por parte da APA em relação à situação das albufeiras, das barragens, principalmente da zona do Algarve, mas em todo o país. A situação, claro que nestes meses de julho e agosto, é pior do que em abril e maio, mas é consideravelmente melhor do que o ano passado. De qualquer modo, estamos a fazer o ponto da situação do Algarve, porque como sabe, há uma comissão de acompanhamento da seca do Algarve, que fez medidas restritivas, tinha feito medidas muito restritivas no princípio do ano, que tinham sido necessárias ainda pelo anterior governo. Depois em maio, já nós aliviamos um pouco essas medidas, mas com a promessa de que no fim de agosto faríamos uma reavaliação para saber se podíamos continuar com essas medidas mais leves ou se era preciso agravar alguma medida. É isso que está a ser feito, uma nova monitorização. Felizmente, estamos a ver que houve uma poupança de água nos vários setores, na agricultura, no turismo, no golfe. No Algarve houve uma poupança substancial de água, mas vamos esperar que a Comissão da Seca diga como é que vão ser as medidas a partir de 1 de setembro. Por outro lado, estamos a continuar com os investimentos para novas fontes d'água e para reduzir as perdas e para a reutilização da água na região do Algarve, que é a que tem uma situação de seca mais crítica.
Perguntava-lhe agora também sobre o incêndio na Madeira. Que tipo de impacto ambiental é que se perde com um incêndio destas dimensões?
O incêndio e todas as questões relacionadas com o incêndio são Sabe que é a autonomia da Região Autónoma da Madeira e, portanto, os detalhes de tudo o que está a passar devem ser referidos ao governo regional, que tem trabalhado em muita coordenação com o governo central e, nomeadamente, com o senhor primeiro-ministro em exercício, o ministro Paulo Rangel, também conosco. Imediatamente, foi enviada para a Madeira uma força do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta do continente. Existe um instituto da Madeira, porque tem autonomia, mas também fomos ajudar e iremos depois ajudar na monitorização do que se passou e nas medidas de remediação em relação aos incêndios. Um grande incêndio, em qualquer circunstância, em qualquer sítio, tem sempre consequências ambientais. Nós agora temos a Lei do Restauro da Natureza, em que nos comprometemos a restaurar os rios, o litoral, a floresta e os solos. Portanto, há aqui todo um trabalho de reflorestação que terá que ser feito em todo lado, nas regiões autónomas, no continente, e que começará necessariamente pelas regiões mais atingidas, nomeadamente pelas regiões de incêndios. Infelizmente, temos várias também no continente, desde incêndios do ano passado e de um passado recente, como foi o da Serra da Estrela, como tivemos agora um no Parque da Peneda-Gerês e, portanto, temos que reflorestar e não só reflorestar, tratar a floresta, que é muito importante, não é só plantar, é depois acompanhar e tratar, que é ainda a parte mais difícil.