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A Quercus fez hoje um apelo à Ministra do Ambiente para que se adote uma meta climática mais ambiciosa. Silvia, como vê o trabalho da atual Ministra do Ambiente?

Nós, Quercus, estamos muito preocupados com as decisões do governo em termos de políticas, quer na área de transportes, quer na área territorial, da administração de território, e estas políticas refletem-se no ambiente. As coisas não são separadas. A nossa carta é à Ministra do Ambiente, porque é a entidade responsável por este pelouro, mas ela também se prende com as decisões do próprio governo. E nós sentimos que, neste momento, Portugal não está a ter realmente objetivos globais, porque quando falamos de crise climática e quando falamos de ambiente e destas questões, não é uma coisa separada do resto das outras decisões políticas. Porque as outras decisões políticas têm implicações graves no ambiente, muitas delas, para o bem e para o mal. Portanto, é um pedido que realmente o governo, na sua generalidade, na pessoa da senhora ministra, assuma isto como uma missão importante para a vida de todas as pessoas e para a vida no planeta, porque também ambiente não tem fronteiras e não se pode separar. Mas isto é uma ação conjunta da CAN, da qual nós fazemos parte como Quercus, no sentido de conseguir que realmente haja uma ação mais incisiva, mais objetiva, para travar este problema que se está a agravar cada vez mais, que não para, que é o aumento de emissões. Tem a ver com a sociedade, com a economia, com a gestão do território e com tudo isso.

Sim, portanto, estamos a falar de um trabalho inferior em relação ao antigo executivo?

Inferior ou superior, depende das perspectivas. Para nós, mais preocupante. Embora também no anterior existissem situações preocupantes. Neste momento, tem sido um aumento de situações preocupantes. Nós não somos governo, nem somos partido político, nem temos esse tipo de possibilidade de fazer propostas dessas coisas. A nossa posição tem sido sempre de alertar, de apontar soluções mais amigas do ambiente ou mais corretas. E nós temos emitido vários comunicados nesse sentido, em relação a decisões políticas iminentes ou já feitas. Nós temos sempre tomado posições quanto à construção de um novo aeroporto, quanto à necessidade de ligação ferroviária de alta velocidade entre Portugal e Espanha. Várias coisas que nós temos sempre emitido comunicados sobre essas questões. E penso que essa é a nossa função como organização. A nossa meta é conseguirmos reduzir as emissões, conseguirmos que haja uma política efetiva de redução de emissões e de conservação da natureza. Também temos emitido comunicados sobre questões de destruição do nosso parque florestal e de outras opções em relação à água, em relação a muita coisa.