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Está conosco em direto agora neste jornal, Gonçalo Órão, o coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha, que está precisamente em Ponte da Barca. Bom dia, Gonçalo Órão. Obrigada por estar conosco. Explique-nos um pouco melhor o que é esta estrutura, qual é o objetivo e como vai funcionar.
Bom dia. Essa estrutura, que nós designamos de rest space, é efetivamente uma unidade móvel que nós projetamos para dar o maior conforto às operações no terreno. A Cruz Vermelha não faz combate direto aos incêndios, por isso temos a noção que temos que estar na retaguarda, complementar a todos os agentes que estão a fazer esse combate, para lhes dar as condições para que esse combate seja eficaz e que eles tenham as melhores condições. E, no fundo, além de camas de campanha, todas as condições a nível de higiene, para recuperação física, mesmo primeiros socorros e apoio psicossocial, em caso de necessidade, para estes militares terem as condições necessárias. Para isso, contamos com um imprescindível apoio da Missão Continente, que também nos facultou todos os consumíveis e produtos necessários para o bem-estar destes operacionais, porque se eles conseguirem recuperar bem, temos a certeza que depois vão voltar melhor à frente de fogo.
E a quantos operacionais podem dar resposta em simultâneo?
Esta estrutura está projetada para 100 operacionais em simultâneo, mas com a capacidade, obviamente, de haver rotação. Podemos chegar até aos 500 operacionais apoiados nesta unidade móvel num sistema de rotação, sendo que simultaneamente, sabemos que também os bombeiros trabalham por turnos, conseguimos 100 em simultâneos.
O que percebemos até pelas reportagens em direto que vamos acompanhando é que o apoio normalmente aos operacionais é dado de uma forma muito informal, até pelos residentes, pelos locais que os tentam ajudar. Quais são as principais necessidades de quem está já há tantos dias a combater as chamas?
Fazer a gestão de um teatro de operações desta dimensão, com esta duração e desta complexidade, obviamente, não é fácil. E quando falamos que temos mais de 500 operacionais no terreno, é sempre complicada a vertente logística. A sustentação logística é algo que nas operações é extremamente importante e que deve acompanhar toda a parte operacional. Notando que efetivamente esta é uma vertente difícil, e que é uma vertente onde a Cruz Vermelha tem experiência e que podemos lá estar, como não estamos na vertente operacional a dedicar-nos a esta vertente, é o que nós tentamos apoiar. Naturalmente, é sempre difícil associar a vertente logística com a parte operacional, porque há um requisito enorme de estar o maior tempo possível a fazer o combate a incêndio. E por isso, o que nós tentamos com isto é nestas rotações, nas deslocações, estamos a falar também de áreas geográficas muito extensas e por isso, obviamente, não vamos conseguir chegar a todos os bombeiros, mas dentro do possível, tentamos ajudar para essa sustentação logística das forças ser o mais eficaz possível.
É o contributo da Cruz Vermelha, que dizia no comunicado que é, ainda assim, uma resposta inédita em Portugal. É a primeira vez que a Cruz Vermelha está a dar este tipo de apoio?
Nessa estrutura, com maior complexidade de resposta, sim, porque nós apoiamos muitas vezes com camas de campanha, criando um espaço, mas desta vez estamos mesmo com socorristas nossos ao lado dos bombeiros para alguma necessidade. Estamos a articular com fisioterapeutas, enfermeiros de reabilitação, também para dar um apoio. Temos psicólogos e mesmo a nível de material de consumíveis e com este apoio da Missão Continente, conseguimos também dar materiais consumíveis e de conforto pessoal para sentirem um outro apoio quando é neste período de descanso.
Gonçalo Órão, muito obrigada por nos ter explicado em que consiste esta estrutura. Gonçalo Órão é o coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha, que está no terreno a apoiar os operacionais que estão a combater as chamas em Ponte da Barca