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A diretora do SEF acaba de se demitir. Foi a própria Cristina Gatões que pediu a saída. Qual é a reação do PSD e do Duarte Marques, que ainda ontem dizia que ou o ministro da Administração Interna mudava já a direção do SEF ou devia ser o próprio a demitir-se do governo?

Em primeiro lugar, é óbvio que isto não é bom pra ninguém, é uma situação lamentável, é uma situação que é criada por este ministro, este governo já vai no quarto diretor do SEF, o que tem criado uma grande instabilidade. E portanto, esta decisão é lamentável porque vem no seguimento da pressão pública e do embaraço público do senhor ministro da Administração Interna. E portanto, a corda partiu pelo lado mais fraco, ainda por cima, quando o ministro justifica a saída com uma mudança de paradigma no SEF, quando todos nós sabemos perfeitamente que não é essa a razão, até porque não há nenhuma reforma em preparação, porque ninguém ouviu falar nela, e agora parece que está a ser criado mais uma manobra de diversão para disfarçar um problema estrutural e de liderança, quer no Ministério da Administração Interna, quer no SEF. E portanto, é com grande tristeza que nós vemos toda esta situação. Nós pedimos a demissão, a saída da direção do SEF. Acaba por sair só a diretora, que dos três, era a que mais conhecia a casa. E o senhor ministro da Administração Interna, mais uma vez, continua a empurrar os problemas com a barriga e a tentar criar manobras ilusórias para disfarçar os verdadeiros problemas que não consegue resolver. Nós diríamos que o grande responsável por toda esta situação é o ministro da Administração Interna, porque não dá nem os meios, nem cria as condições necessárias para que o SEF desempenhe bem a sua função. E ao criar manobras como, por exemplo, um botão de pânico, está a dar a machadada final no SEF e na sua credibilidade. É o ministro a dizer às pessoas: "Não confiem no SEF, o SEF não é de confiança e, portanto, a solução é pôr lá um botão pra quando as pessoas são maltratadas, poderem chamar a atenção". Ora, isto é ridículo.

Portanto, para o Duarte Marques, a demissão da diretora do SEF não chega?

A demissão da diretora do SEF não chega se não forem feitas mudanças profundas no SEF.

Que mudanças deveriam ser essas, na sua opinião?

Todos nós sabemos que um dos problemas maiores do SEF é ter falta de inspetores, é ter falta de gente e ter falta de instalações e, sobretudo, uma liderança que consiga fazer mudar o SEF por um paradigma novo de resposta a uma pressão muito maior que há, quer do turismo, quer do número de imigrantes que chegaram a Portugal. O SEF não mudou. O turismo mudou em Portugal, o número de imigrantes mudou em Portugal, mas o SEF ficou na mesma. E o governo é responsável por isso, porque não fez os investimentos necessários. O SEF de hoje é muito diferente do SEF há 50 atrás. Hoje em dia, o SEF é uma instituição descredibilizada, com poucos recursos, com poucos meios e que depende demasiado das ordens do seu ministro pra funcionar. Basta ver aquilo que é feito com os fundos comunitários. O SEF não usou sequer 5% dos fundos comunitários à sua disposição para modernizar as suas instalações, para criar infraestruturas adequadas a novos desafios que foi tendo. E portanto, o que nós temos visto é uma interferência política do ministro no SEF, é o que temos visto também é uma falta de liderança no SEF e o descredibilizar de uma instituição que é tão importante para os portugueses quanto para os estrangeiros que nos visitam.