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Começava por lhe perguntar de que maneira é que a capacidade desta criança de 12 anos se expressar foi determinante para se perceber que estava em perigo?
Ela demonstrou no discurso dela ser uma criança muito inteligente e muito bem esclarecida acerca do 112. E ela começou logo a inventar uma história de cobertura, podemos assim dizer, de modo a que quem a estava a acompanhar não se apercebesse que ela estava a fazer a chamada, mas ao mesmo tempo a dar ao operador do 112 a informação que realmente, embora não o tratasse como 112, pretendia falar com o 112. Portanto, aí ela teve muito mérito.
Mas como é que foi a chamada? Sabemos que teve a duração de 14 minutos, mas como é que a criança fez para se perceber? O que é que foi descrito durante essa chamada?
Eu não posso entrar em muitos pormenores, como deve calcular, mas a criança inicialmente mencionou que estaria a falar com um tio, portanto a chamada começa com a famosa frase que já deu título à notícia: "Olá, tio". E seguidamente, quando o operador do 112 lhe disse que ela não estava a falar com o tio, estava a falar com o 112, a criança respondeu: "Eu sei". A partir desse momento, o operador percebeu que havia ali alguma coisa que poderia estar em causa, nomeadamente que a criança não poderia falar abertamente e, portanto, exercitou também uma conversação com ela, de modo a que quem estivesse do outro lado não se estivesse a aperceber da chamada ou do tipo de chamada, perdão.
E do lado do agente, quem é que é este agente? Valeu-lhe a experiência? Tinha apenas a experiência de um ano, certo?
Sim, experiência temos todos. A experiência vamos aprendendo ao longo da nossa vida de trabalho. Foi a questão da experiência, realmente, aquilo que ele foi absorvendo durante este ano de serviço que esteve ali no 112, e também com a própria sensibilidade que precisamos ter para as situações, porque, como deve calcular, também recebemos muitas chamadas que não são verdadeiras emergências e que são muitas vezes puras brincadeiras, que se não forem ali bem filtradas, podem dar origem à movimentação de meios operacionais desnecessariamente. Mas neste caso, o operador reagiu muito bem e apercebeu-se logo que realmente estava perante uma situação verdadeira e, portanto, deu o tratamento devido e muito bem encaminhado, e acompanhou toda a situação até garantir que quem estava a falar com ele já estaria em segurança. Neste caso, na chegada aos destinos, já se encontravam no local os meios policiais.
Como é que podemos garantir ou ensinar mais crianças a agir em código como fez esta menor?
Eu acho que este exemplo é perfeito. Quando não puderem falar, que informem. Isto é um exemplo para as crianças e para outras vítimas que eventualmente estejam a necessitar de ajuda, mas não possam estar a falar naquele momento, não é só na criança. Mas que sejam muito claras, que sabem que estão a falar com o 112, não mencionando o 112 também, e que descrevam a situação ou correspondam às perguntas do operador, que ele rapidamente se apercebe se está perante uma situação real ou não. Quer só louvar realmente a perspicácia do operador e também a inteligência da criança. Acho que a educação que as crianças têm para este tipo de situações e para o correto uso do número de emergência faz toda a diferença. E esta criança claramente estava muito bem esclarecida de quando poderia fazer esse uso e como