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É um pouco difícil, num prazo tão curto de tempo, fazer uma séria comparação. A verdade é que os problemas que existem no Serviço Nacional de Saúde são conhecidos, têm décadas de subinvestimento, têm décadas em que os profissionais não têm condições para desenvolver o seu trabalho. Não só rescindem com o Serviço Nacional de Saúde, não só não se prevê e não se previu antecipadamente o número de reformas que já se sabia que iam ocorrer neste tempo. E por isso, naturalmente, as insuficiências continuam. E continuam objetivamente. Não desde logo, criar aqui qualquer anátema em relação àquilo que os privados podem desenvolver. Aquilo que aconteceu, por questões meramente ideológicas, de acabar com as parcerias público-privadas nos hospitais, toda a gente hoje reconhece, nomeadamente os presidentes de câmara de Loures e Odivelas, que foi um erro político muitíssimo grave da anterior titular do Ministério da Saúde. Por outro lado, também quando se diz que as negociações sindicais fazem uma qualificação em relação à negociação sindical. A verdade é que o Sindicato Independente dos Médicos assinou um protocolo. Outra estrutura sindical preferiu não o fazer e fazer uma contestação na rua e de uma forma mais evidente e visível em termos de comunicação social, mas no meu ponto de vista, muito pouco eficaz. Foi uma opção, é uma coisa correta, mas as negociações estão a decorrer de uma forma perfeitamente normal. E por isso, dar nota que os problemas existem. Naturalmente, também tenho a maior das dúvidas que a solução seja, por exemplo, aquilo que aconteceu com a parceria público-privada de Cascais ou com o Hospital da Perlada, onde foi desenvolvido um protocolo do governo com essas instituições. E não é por qualquer tipo de questão fundamental que não tenha a ver com a necessidade de haver uma fiscalização, um controle e uma avaliação dos resultados, coisa que, no meu ponto de vista, não acontece, ao invés daquilo que acontece no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente nas unidades de saúde familiar. E por isso o que é essencial é que se invista no Serviço Nacional de Saúde. O investimento público na última década foi o que foi. Os dados também são públicos, que nunca como agora, se os privados, as pessoas individualmente gastaram tanto dinheiro para ter acesso aos cuidados de saúde. São cerca de quatro milhões de portugueses que têm seguros de saúde, além de 1 milhão de portugueses que têm ADSE. Agora, parece-me, no meu ponto de vista, excessivo, dar nota que essa responsabilidade deve ser imputada a um governo que está há meia dúzia de meses no poder. É um dado que as expectativas que foram criadas eram muito elevadas. O plano de emergência é um plano, nós ainda temos de ver a sua implementação. Havia muitas das medidas que lá estão previstas, que já estavam em desenvolvimento.

Em curso. A questão é, Jorge Roque da Cunha, como é que vamos enfrentar e o SNS vai enfrentar o inverno? Os avisos partem dos próprios responsáveis de que poderá ser outra vez difícil.

É um inverno que vai ser muito difícil, como têm sido os invernos nos últimos anos, já que, como nos últimos anos, não houve um investimento que criasse condições para robustecer as equipas, para substituir os médicos que se reformam, para fazer com que os médicos jovens integrem o SNS, vai ser naturalmente uma situação difícil que, no meu ponto de vista, merece uma atenção particular. Um plano, por mais perfeito que seja, tem de garantir que haja uma resposta atempada, que haja uma diminuição da pressão dos doentes não urgentes junto dos serviços de urgência.

Sim.

E aí, por exemplo, no meu centro de saúde, cerca de 40% das nossas consultas são as chamadas consultas abertas, em que as pessoas podem recorrer. Só que, como há 1 milhão e 500 mil portugueses ou 600 mil portugueses sem médico de família, temos aí um problema que vai ser muito complicado e elevado.

E a questão sempre da retenção dos médicos no SNS. Percebemos que é mesmo um problema estrutural com uma resolução mais complicada. Jorge Roque da Cunha, muito obrigada pela análise.

Muito obrigado e um bom dia.

Um bom dia pra si também