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Contamos agora em direto nesta edição com Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Obrigada pela disponibilidade. Queixou-se já de informações e mudanças comunicadas pela tutela muito em cima destas provas, a poucas horas agora de arrancarem. Afinal, há ou não condições para se realizarem?
Muito boa tarde e obrigado pelo convite. Eu tenho dúvidas que amanhã, que é o primeiro dia em que as escolas, de facto, podem aplicar, de acordo com o seu calendário, estas provas de aferição na área da informática, de TIC, algumas escolas possam avançar de acordo com o dia programado. Tenho muitas dúvidas, porque nós recebemos instruções há poucos dias atrás para alguns procedimentos que deviam chegar às escolas de uma forma mais atempada. As escolas planeiam os seus trabalhos, programam os seus projetos, calendarizam as suas ações e o IAVE, que é uma entidade independente, devia seguir o mesmo esquema de trabalho que se segue nas escolas públicas portuguesas e privadas também. Agora, enviar informações a escassos dias do arranque destas provas, eu penso que temos todos que refletir um bocadinho e pensar que, se calhar, o projeto-piloto, que o ano passado decorreu, aquilo que eu soube, de uma forma até muito positiva, dele de nada se aprendeu para que este ano, desde logo no arranque, as coisas corressem da melhor forma possível.
Sendo que há aqui outro problema também, se há condições para garantir a igualdade entre os alunos, quando nem todos eles dominam as novas tecnologias. Nós ouvimos aqui o presidente do IAVE dizer que as escolas vão ter tempo ainda para instalar uma aplicação, mas como é que se garante esta igualdade e equidade, Filinto Lima?
Eu penso que esse não será o problema principal, até porque esses alunos já usaram durante o ano letivo em curso, os meios digitais que o Ministério da Educação colocou à disposição dos nossos discentes. Eu penso que a equidade não está aqui em causa. O que está aqui em causa é: há quem diga que é uma falta de respeito por parte do IAVE, eu não iria tão longe. Acho que não é uma falta de respeito, o que há é uma falta de programação atempada por parte do IAVE, que é a entidade que gere a aplicação das provas de aferição, na comunicação que fez ou que não fez, em devido tempo, às suas escolas. Nós, as escolas, estamos com um ano, como todos sabem, turbulento, um ano super quente no pior dos sentidos e queríamos acabar o ano letivo com paz e sossego, com alguma paz e algum sossego. Não vai acontecer, porque por um lado já vimos que as negociações em relação à carreira dos professores não irão chegar a bom porto e também esta situação é mais uma acha para a fogueira. Ou seja, os diretores, não tenham dúvidas nenhum, e os professores tudo irão fazer para que as provas de aferição corram da melhor forma possível.
E se correr mal será responsabilidade direta do IAVE.
Se correr mal, eu penso que não podem acusar as escolas de não terem feito o trabalho de casa, porque as escolas fizeram atempadamente o seu TPCE. E muito bem, diga-se de passagem. Agora, quem está à frente destas provas, um organismo credível, devia também seguir o andamento de trabalho que nas escolas públicas nós todos os dias fazemos da melhor forma possível. Era isso que nós pedíamos. Nós bem sabemos que estas provas podem ser aplicadas do dia 16 ao dia 26. Todos sabem disso. Agora, as escolas programaram estas provas para amanhã, outras programaram para quarta-feira. Eu tenho muitas dúvidas que o possam realizar de acordo com o calendário previsto. Isto porquê? Em virtude da chegada tardia das informações do IAVE.